eu fui brincar de fingir que não existo
fiquei na minha
me afastei do mundo
tomei um copo de água depois de chorar.
e agora, eu não faço mais idéia do que significa a minha própria existência.
G.
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eu fui brincar de fingir que não existo
fiquei na minha
me afastei do mundo
tomei um copo de água depois de chorar.
e agora, eu não faço mais idéia do que significa a minha própria existência.
G.
eu só preciso de tempo a maioria das vezes. não encontro esse tempo enquanto penso demais, ou falo demais. faço demais.
só preciso de tempo até as coisas voltarem a se ajustar, mas eu sinto medo de nunca se ajustarem, e se eu realmente não puder ajustar meu coração? a minha mente?
e se tudo que falam sobre a paz seja apenas mais uma promessa que todos querem mas na real nem mais existe?
é que eu precisava de um tempo pra acreditar que isso pudesse acontecer comigo, com a gente.
mas mesmo assim, nada mudou. eu ainda to aqui, desarrumada, desconcertada. sem mais nada pra oferecer, se é que um dia pude ter algo.
e isso no final de tudo se torna um vício
viciei em buscar concerto em mim.
e por quê eu precisaria, de fato?
gosto de quando ela faz café enquanto respira fundo pensando em alguma citação de Rupi kaur.
ou como quando ela pula em frente ao espelho ouvindo Queen.
ou tenta fazer aquele delineado de gatinho mesmo que sai sempre torto.
e se ela chora, depois sorri lembrando de como tá feliz de ter alguém pra cuidar.
quando ela ouve Marisa monte deitada, lendo um livro qualquer, porque não gosta de continuar sempre no mesmo.
quando senta pra fazer um texto e o começo não fica igual no fim, porque ela viaja nas palavras.
-quem mais escreveria sobre mim?
G.
Distrair
verbo
bitransitivo e pronominal
afastar o pensamento de; fazer esquecer ou esquecer (preocupação, tristeza, ideia fixa ou até v.o.c.ê)
você ainda me distrai às vezes
me deixa sair de casa
viajo pra fora do país
eu visito os mais belos lugares
experimento das águas cristalinas
toco da mais verde grama.
e as vezes, e só as vezes
eu esqueço que você tá aqui.
G.
calmaria
jardim molhado da chuva
vento do ventilador nas pernas
lençol cobrindo as coxas
samba que leva pra outro lugar
cabeça flutuando
respiração leve
coração calmo
quarto escuro
21h da noite
a tristeza a gente só esquece.
G.
essa paz que eu tanto procurava
procurei
no teu cabelo enrolado
na tua pele quente
no teu pescoço que aconchega
nas tuas mãos que acariciam e até curam onde dói,
nos seu olhos cor de melancolia
na tua boca rosada
no seu peito inquieto
e depois de tudo isso vi
que você não é só paz
é ferocidade em pessoa.
sinacinza
eu amei cada partícula de você
te fiz minha inspiração na poesia
te declarei músicas
te dei tudo.
e desculpa por ser assim,
eu gosto de dar tudo de mim
mesmo que não dê em nada
pelo menos você ainda
tem o que te dei.
mas ainda hoje
eu me tenho mais ainda.
-oqueperdimedando.
talvez eu só esteja brincando de sentir
talvez, eu não deveria ter chegado aqui.
assim que a luz apaga, o meu peito se esvazia
e lá se vai toda a graça
toda a sanidade
a contingência fica. só ela me possui.
só ela que eu sinto nas pontas de cada fio de cabelo, até a minha última célula.
é dela que me aproprio quando não vejo mais ninguém
além do escuro
desse quarto.