O Tipo Intenso e Cerebral - Perceptivo, Inovador, Reservado e Isolado
Chamamos este tipo de personalidade de o Investigador porque, mais do que qualquer outro, é ele o que quer saber por que as coisas são como são. Seus representantes querem compreender como o mundo funciona. Esse mundo tanto pode ser o cosmo quanto o universo microscópico ou o reino animal, vegetal ou mineral - ou o mundo interior da imaginação. Eles estão sempre pesquisando, fazendo, perguntas e escrutinando as coisas. Não aceitam doutrinas e opiniões preestabelecidas, tendo grande necessidade de verificar por si a verdade de quase todas as coisas.
John, artista gráfico, descreve essa forma de ver a vida:
Ser do Tipo Cinco significa precisar estar sempre aprendendo, sempre absorvendo mais informações. Um dia sem aprender nada é como um dia sem sol. Como representante do meu tipo, quero entender a vida. Gosto de ter uma explicação teórica para o porquê de as coisas acontecerem como acontecem. Isso aumenta minha sensação de segurança e de domínio. Eu geralmente aprendo a uma certa distância, como observador, e não como participante. Às vezes, acho que entender a vida é tão bom quanto vivê-la. Não é fácil aceitar que a vida também deve ser vivida e não apenas estudada.
Por trás da incansável busca de conhecimento, as pessoas do Tipo Cinco escondem grandes dúvidas acerca de sua capacidade de agir com adequação e sucesso. Elas acham que não tem capacidade de fazer as coisas tão bem quanto os outros. Porém, em vez de dedicar-se a atividades que pudessem fortalecer sua autoconfiança, elas buscam “refúgio“ na mente, a área em que se sentem mais capazes, convencidas de que lá conseguirão afinal descobrir como devem agir - e um dia reintegrar-se ao mundo.
“O que está acontecendo aqui?“
As pessoas do Tipo Cinco passam bom tempo observando e contemplando - ouvindo os sons de um sintetizador ou do vento ou tomando nota das atividades que se desenvolvem no formigueiro do quintal. Quando se deixam absorver pela observação, essas pessoas começam a interiorizar o conhecimento e a sentir-se mais seguras. Além disso, assim podem descobrir por acaso informações inéditas ou novas e criativas combinações (uma música baseada no rumor do vento ou da água, por exemplo). Quando comprovam suas hipóteses ou veem que os outros entendem seu trabalho, obtêm confirmação da própria competência, o que torna realidade o seu Desejo Fundamental (”Eu sei do que estou falando”).
Por conseguinte, o conhecimento, a compreensão e a percepção intuitiva são por elas altamente valorizados. Já que sua identidade se constrói em torno da capacidade de gerar ideias e de ser alguém com algo inusitado e procedente a dizer. Por isso, as pessoas do Tipo Cinco não se interessam em explorar o que já é conhecido e estabelecido, mas sim incomum, o desconsiderado, o secreto, o oculto, o insólito, o fantástico, o impensável. A familiaridade com territórios não-mapeados - saber o que os outros não sabem ou criar o que os outros nem imaginam - permite-lhes criar para si um lugar que não pode ser ocupado por mais ninguém. Elas acreditam que cultivá-lo é a melhor maneira de obter segurança e independência.
Assim, para sua própria segurança e autoestima, as pessoas do Tipo Cinco necessitam ter pelo menos uma área na qual seu grau de perícia lhes permita sentir-se capazes e ligadas ao mundo. Sua lógica é: “Encontrando alguma coisa que possa fazer muito bem, estarei pronto para enfrentar os desafios da vida. Mas não posso deixar que outras coisas me distraiam e atrapalhem“. Por isso, concentram-se com tanto fervor naquilo em que podem atingir a excelência: pode ser, por exemplo, o mundo da matemática, do rock’n’roll, da música clássica, da ficção científica, da literatura de terror ou um mundo criado inteiramente em sua imaginação. Nem todas as pessoas do Tipo Cinco são eruditas ou têm Ph.D. Todavia, dependendo de sua inteligência e dos recursos de que dispões, todas se empenham arduamente em sobressair naquilo que lhes interessa.
“E se tentarmos fazer isso de outra forma?“
Para o bem ou para o mal, essas pessoas escolhem as áreas a que se dedicam independentemente de sua validação social. Na verdade, quando suas ideias encontram aprovação muito fácil ou rápida, elas desconfiam de ter sido demasiado convencionais. A história está repleta de representantes famosos do Tipo Cinco, gente que lançou por terra os modos convencionais de compreender e fazer coisas (Darwin, Einstein, Nietzsche). Entretanto, muitos mais se perderam em meio às bizantinas complexidades de seu próprio raciocínio, tornando-se afinal meros esquisitões socialmente isolados.
Sua profunda capacidade de concentração pode, portanto, levá-los a notáveis inovações e descobertas, mas também pode causar problemas verdadeiramente desanimadores quando a personalidade está mais fixada. Isso porque a concentração serve para distraí-los, sem que o percebam, dos problemas de ordem prática. Qualquer que seja a fonte de suas ansiedades - os relacionamentos, a falta de boa disposição física, a incapacidade de arrumar um emprego -, os representantes típicos do Tipo Cinco tendem a evitar abordá-la. Em vez disso, buscam outra coisa que lhes permita sentir-se mais competentes para fazer. A ironia é que, por maior que seja o grau de excelência que tenham em sua área, isso não resolve suas dúvidas e inseguranças quanto ao seu funcionamento no mundo. Por exemplo, se for uma bióloga marinha, a representante do Tipo Cinco poderá chegar a saber tudo que é possível sobre um determinado molusco. Mas se seu medo for o de jamais conseguir administrar satisfatoriamente o lar, ela não terá com isso solucionado sua ansiedade.
Lidar objetivamente com o elemento físico pode tornar-se uma tarefa de proporções gigantescas para as pessoas do Tipo Cinco. Lloyd é um cientista que trabalha num importante laboratório de pesquisa médica:
Desde criança eu fujo dos esportes e de qualquer atividade física mais pesada sempre que possível. Jamais conseguia pular corda nas aulas de ginástica, parei de fazer aulas de esporte assim que pude e até hoje não me sinto à vontade nem com o cheiro de um ginásio. Ao mesmo tempo, sempre tive uma vida mental muito ativa. Aprendi a ler com 3 anos de idade e, na escola, sempre fui um dos alunos que mais se destacava nas disciplinas teóricas.
Assim, essas pessoas devotam boa parte de seu tempo a coletar e desenvolver as ideias e habilidades que julgam capazes de fazê-las sentir-se seguras e preparadas. É como se quisessem reter tudo o que aprenderam e transportá-lo na cabeça. O problema é que, enquanto estão mergulhadas nesse processo, deixam de interagir com os outros e de cultivar muitas outras habilidades, principalmente as práticas e sociais. Dedicando cada vez mais tempo a acumular informações e destrinchá-las, evitam tocar em qualquer coisa relacionada às suas reais necessidades.
O desafio do Tipo Cinco é, portanto, entender que é possível dedicar-se a tudo aquilo que incendeia a imaginação e manter relacionamentos, cuidar bem de si e fazer todas as coisas características de uma vida sadia.
Fonte: Riso & Hudson - A sabedoria do Eneagrama Ed. Cultrix