O melhor agente da histĂłria do FBI
"O médico e senador Italiano Vincenzo Fredini divulga o que parece ser uma cura para todos os tipos de cùncer."
O tom de voz coordenado da ùncora do noticiårio preenchia o ambiente da sala de estar da casa branca, assim como as risadas dos dois filhos do presidente e a fumaça irresponsåvel de seu charuto. A atenção que dava aos carinhos de sua esposa, foi roubada  pela grande projeção da apresentadora do telejornal, ocorrida no interior de camadas extrafinas de vidro flutuantes.
"O soro foi testado em ratos com cĂ©lulas cancerĂgenas, e resultou na  eliminação de mais de 30% das mesmas."
- à um milagre! - Exclamou a primeira dama, tirando a cabeça do peitoral de seu marido e ajeitando-se no sofå logo em seguida.
Todos os pensamentos do 53Âș governador dos Estados Unidos da AmĂ©rica, o impediam de piscar, naquele momento. A imagem de Fredini, erguendo embalagens cheias de soro num sorriso vitorioso, queimou seu interior como puro ĂĄlcool.
O pequeno David parou de desenhar, apoiou suas mãozinhas no carpete e se levantou. Caminhou apressadamente até a poltrona no canto da sala, onde seu pai havia largado seu paletó. Com leves dificuldades, por conta do traje ser maior que ele mesmo, o vestiu, deu uma råpida olhada na televisão e correu para a frente de seus pais logo em seguida.
- MamĂŁe, papai, olhem! - Sua voz infantil se manifestou - Eu sou o Fredini!
Os olhos do presidente se voltaram para os de seu filho, e lĂĄ permaneceram. Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â Â
A primeira dama notou a expressĂŁo desgostosa de seu marido, e apoiou a mĂŁo em seu ombro.
- Dalton... VocĂȘ Ă© o herĂłi dos seus filhos. Sabe disso, nĂŁo Ă©?
Como se nĂŁo tivesse escutado sua mulher, o presidente levantou do sofĂĄ e caminhou apressado para fora da sala.
Dirigiu-se atĂ© a sala de sua secretĂĄria com o mesmo semblante que possuĂa quando deixou sua cĂŽnjuge falando sozinha.
A robusta mulher encarou o seu superior, com seriedade expressa na face. Ela se levantou e cumprimentou a autoridade Ă sua frente.
- Hellen, preciso que ligue para a sede do departamento federal de investigação e peça ao diretor comparecer ao meu escritório amanhã, por favor.
- Sim, senhor. Farei isso agora mesmo.
- Obrigado. - Finalizou Dalton, e deu as costas para a secretåria, deixada sozinha com sua curiosidade, em seu escritório, que fora tomado pelo  mistério.
A mĂșsica alta quase eliminava o som das risadas atrevidas das strippers do bar.
A sombra das pernas bem definidas da formosa garota que performava pole dance no palco principal, passava sobre a tatuagem do antebraço de Butler - um coração humano, com a frase "Sempre e Para Sempre" nas extremidades -, e o papel do jornal que ele estava lendo.
"Uma InvasĂŁo estaria prĂłxima? Sobe nĂșmero de registros relacionados Ă avistamentos de Ovnis e abduçÔes."
- Malucos... -  Butler resmungou, apĂłs ler o tĂtulo e subtĂtulo da matĂ©ria principal do jornal, respectivamente.
Num ato råpido, virou as påginas que continham tal matéria, expirou a fumaça do cigarro e percorreu sua visão na matéria seguinte, sobre a afirmação da cura contra o cùncer, elaborada por Fredini.
"O milagre do milĂȘnio" era o tĂtulo.
- VocĂȘ vai passar a noite gastando sua atenção em folhas de papel, quando se hĂĄ coisas muito melhores para ver?
Butler olhou para a seminua dona da pergunta provocativa, que jogava um sorriso sugestivo para cima dele. Riu infantilmente, e sentou em seu colo. Tirou o cigarro de sua boca com os dentes, e o tomou para si, com olhar provocativo. Mas Butler não gostou nada da ação.
- As garotas daqui fizeram uma aposta. - Ela começou - Quem levasse o cliente mais bonito da noite pra cama, ganharia $50,00 de cada. E adivinha quem é o sortudo?
Ele deu uma risada divertida, carregada de orgulho. Haviam vĂĄrios homens no clube naquela noite, e ter sido considerado o mais bonito fez seu ego se tornar ainda maior do que jĂĄ era.
- Gatinha, agradeço a oferta, mas é que eu sou casado. - Butler ergueu sua mão direita e mexeu seu anelar, ao qual encontrava-se sua aliança de casamento.
A garota mostrou-se nitidamente incomodada.
- EntĂŁo o que porra vocĂȘ faz aqui?
- Eu sĂł vim acompanhar uns amigos.
- Vai se foder. - A garota de programa deu as costas para Butler e começou a se afastar dele. Ethan observou aquele corpo perfeito se afastar, sentindo-se um vencedor por ter resistido à gigantesca tentação da traição.
O caminho que a bela fazia, era em direção ao bar, e fez com que Butler voltasse sua atenção pela milésima vez em Rodriguez e na conversa que o colega estava tendo com Hensel, no balcão do ùmbito. Coincidentemente, o momento em que os olhos de Ethan pousaram naquele balcão, foi o que Rodriguez e o traficante levantaram e começaram a se direcionar para o lado de fora do bar, juntamente com os dois largos seguranças de Hensel.
Rodriguez deu uma råpida piscadela para Butler, que entendeu que era hora de agir. Virou-se de frente ao palco novamente, encontrou o olhar ansioso de seus dois parceiros no andar de cima, e assentiu com a cabeça.
Poucos segundos depois, os dois guarda-costas de Hensel estavam no chĂŁo, impedidos de atuarem por conta dos tiros na perna, e o prĂłprio homem calvo estava sendo mobilizado por Rodriguez antes mesmo que pudesse gritar "Mas que porra?!".
Como esperado, existiam outros homens de Hensel ali, que começaram a disparar contra Rodriguez. Antes que as balas atingissem seu colega, Butler levantou de sua mesa, ao mesmo tempo que tirava suas duas pistolas de seus coldres da cintura. Virou-se para seus alvos, e rapidamente detectou suas localizaçÔes. Enquanto a prostituta que o havia seduzido gritava e tentava proteger-se Ă todo custo, Butler atirava em cada um, caminhando de lado em direção Ă dama, sem desfocalizar sua atenção em seus alvos em momento algum. Percebeu que nĂŁo havia derrubado todos, e que a proximidade entre ele e a apavorada garota estava perigosa. Eles poderiam a acertar, errando a mira, que deveria ser calculada para o atingir. Ele precisava agir depressa, se nĂŁo quisesse que uma vida inocente fosse encerrada por sua causa. Utilizou sua visĂŁo tangencial para conseguir ter uma ideia do trajeto que o separava da garota. Concluiu que uma mesa se encontrava no meio dos dois. O planejamento de sua ação foi efetuada com rapidez em sua mente, e Butler utilizou de sua agilidade para pĂŽ-la em prĂĄtica. Correu em direção Ă mesa, pegando impulso nas pernas. Deu uma cambalhota na superfĂcie da mesma, quebrando os copos cheios de bebidas alcoĂłlicas que estavam em cima dela, e finalizou seu movimento pressionando as duas pernas na base, ocasionando um grande pulo para cima da garota de programa. Enquanto estava no ar, atirou nos bandidos que havia detectado estarem com a arma apontada para ele, com sua mĂŁo esquerda, enquanto a direita trabalhava para agarrar a garota. O seu plano precocemente criado por pressĂŁo funcionou, e Butler caiu atrĂĄs do balcĂŁo, como planejado.
- VocĂȘ vai ficar bem, gatinha. - Butler tentava acalmar a garota trĂȘmula, sem baixar a sua guarda. Pegou a bandeja de metal que estava ao seu lado, entregou Ă ela. - Se protege com isso.
Imediatamente depois de ter entregue o metĂĄlico objeto Ă garota de programa, Butler foi atingido por vĂĄrios tiros em suas costas, e foi para o chĂŁo.
- Ethan! - Rodriguez gritou, instantaneamente. Deu uma olhada em volta, e viu que o resto de seus parceiros estavam feridos, ou desacordados.
Os sons que construĂam a trilha sonora da cena, era um misto de gritos e risadas prazerosas, vindos de garotas assustadas e homens realizados.
O autor do tiro chamou seus colegas, e os mandou checar se Butler estava de fato, morto. Os facĂnoras fizeram um cĂrculo fechado envolta da prostituta e o corpo Butler e, um deles o chutou.
- ... Acha que estĂĄ morto? - O mesmo perguntou.
O que estava ao seu lado deu uma risada divertida.
- Bom, se nĂŁo estiver, terminamos de matar. Se estiver, vamos matar bem matado.
Os cinco apontaram suas armas para o corpo de Butler.
- Não! - O terror vestia a voz choramingada da garota. - Não façam isso, por favor, por favor, por favor!
- NĂŁo ousem puxar o gatilho, filhos da puta! - Rodriguez gritou.
Hensel, que antes se debatia desesperadamente no intuito de se livrar de Rodriguez, agora ria como o manĂaco que era.
- Ou o que, seu merdinha? VocĂȘ vai atirar? Mesmo que vocĂȘ acerte um, os outros vĂŁo meter tiro nessa sua cara de viado fodido, e depois que terminarem com vocĂȘ, vĂŁo acabar de liberar a raiva no seu namorado e a putinha dele.
- Tem certeza que quer apagar a puta, chefe? - Um dos bandidos fez a pergunta num sorriso, fixando o olhar na garota. - Ela Ă© bem gostosinha...
- Ah, poupem ela então. Encarem como uma recompensa pelo serviço.
As risadas pervertidas de Hensen e o que havia sobrado de seus capangas, Â ecoou no ambiente. A tremedeira da garota, antes causada apenas por pavor, se mesclou com ira. Ela cuspiu nos malfeitores.
O cuspe acertou em cheio o rosto do que havia feito a pergunta obscena Ă Hensen, que limpou com nojo expresso na face.
- Pensando bem... - Ele engatilhou a arma, e instintivamente, a garota pĂŽs a bandeja de metal que Butler lhe dera sobre o rosto.
- Merda... VocĂȘ sabe que eu nĂŁo vou deixar vocĂȘ fazer isso. - Rodriguez largou Hensen no chĂŁo e apontou sua pistola aos bandidos.
Ă claro que Butler nĂŁo iria deixar Rodriguez e a pobre garota morrerem daquele jeito. SĂł estava esperando o momento certo para entrar em ação. Deu um tiro na mĂŁo daquele que apontava a arma para a dama, e dois na bandeja que ela segurava, matemĂĄticamente ajustados para atingir os dois homens que estavam perto de seus pĂ©s. Isso, em menos de dois segundos. Ao mesmo tempo que atirava, deslizava sua perna na mesma velocidade impressionante, que surpreendeu os outros dois atrĂĄs de sua cabeça. Estes Ășltimos atiraram, mas nĂŁo conseguiram acertar Butler, que foi mais rĂĄpido e os atingiu em cheio.
Se levantou, limpou alguns resĂduos de vidros envolvidos em ĂĄlcool que cercavam sua roupa e amaldiçoou mentalmente por alguns entrarem no espaço entre o colete Ă prova de balas e sua pele. Se locomoveu atĂ© o local onde o bandido ao qual atirou na mĂŁo espermeava de dor, o agarrou pela gola da camiseta e o arrastou atĂ© aonde o derrotado Hensen estava.
- Licença, Rodriguez. Eu jå te devolvo ele, tå bom?
- Todo seu, irmĂŁo. Todo seu. - Rodriguez respondeu, num sorriso sincero e aliviado.
Butler pegou o imenso e pesado Hensen também pela gola de sua camiseta social, e arrastou os dois criminosos pelo chão sujo de sangue, ålcool, glitter e cacos de vidro da boate.
Parou na frente da garota, ainda trĂȘmula e em choque, e levantou os dois miserĂĄveis que arrastava, os fazendo ficar de pĂ©.
- Rapazes, rapazes... - Butler começou - O que vocĂȘs fizeram essa dama passar esta noite, tal como as atrocidades que disseram a ela, nĂŁo foi muito cavalheiro da parte de vocĂȘs. Tenho certeza que sĂŁo inteligentes o suficiente para perceber isso e que vĂŁo pedir desculpas pelo o ocorrido, estou certo?
Os dois pediram desculpas para a garota, ao mesmo tempo, nĂŁo sendo capazes de cobrir a derrota implantada em suas vozes.
- Muito bem, estĂŁo virando meninos bonzinhos, maravilhoso! - Butler exclamou, sem controlar risadas  - ... Seria um imenso prazer terminar de educar vocĂȘs, mas infelizmente isso Ă© um trabalho para seus futuros coleguinhas de prisĂŁo.
Butler voltou a os arrastar pelo chĂŁo da boate, mas dessa vez, se direcionava Ă porta de saĂda e acesso para a garagem, onde seu carro estava estacionado. Os murmĂșrios dos clientes da boate, que estavam escondidos, começaram a ficar cada vez mais fortes conforme a ficha do que tinha acabado de acontecer caĂa.
- Rodriguez, chame o resto da galerinha da delegacia, diga que terminamos por aqui. E ah, chama os paramédicos pra cuidar dos feridos.
- Falou. - Rodriguez assentiu, e tirou seu celular do bolso.
- A minha boate!! - Um velho baixinho, careca e rechonchudo descia as escadas do andar de cima com angĂșstia expressa, vestindo o que parecia uma cueca de seda azul, uma camiseta regata branca que mostrava os pelos grisalhos de seu peitoral e meias pretas. Assim que chegou no andar de baixo, deu uma olhada geral no seu estabelecimento destruĂdo.
- Mas o que caralho aconteceu enquanto eu dormia, pelo amor de Deus?? Meus seguranças abatidos, minhas meninas feridas, meu estabelecimento destruĂdo!! Quem foi o filho da puta que... - Os olhos do velho encontraram os de Butler, que arregalou os dele e sussurrou algo para  Rodriguez. Este seguiu o olhar do amigo e teve a mesma expressĂŁo, que poderia ser descrita como a mesma que crianças possuem quando pegas por suas artes. Butler e Rodriguez apressaram seus passos direcionados Ă saĂda da boate, com os dois bandidos nas mĂŁos.
- BUTLER, SEU FILHO DA PUTA! - O velho gritava, enquanto corria para o balcĂŁo de seu destruĂdo bar. - NĂO FAZ Â UM MĂS QUE EU ABRI ESSA BOATE!
- VocĂȘ recebe traficantes, queria o quĂȘ? - Butler o encarou com diversĂŁo, que desapareceu de seu rosto imediatamente apĂłs Bill ter tirado sua metralhadora debaixo do balcĂŁo do bar.
- EU VOU Ă TE MANDAR PRO INFERNO, ETHAN BUTLER!
- Jesus... - Ethan e Rodriguez saĂram da boate antes que os tiros de Bill pudessem os acertar. A porta de vidro da entrada da mesma, foi derrubada Ă bala pelo prĂłprio dono do barclub.
Jogaram os marginais no banco de trĂĄs do carro Ă s pressas, e saĂram da garagem em tal velocidade que as marcas dos pneus do Ford F-150 preto  de Butler assinaram a ĂĄrea.
Bill estourou para fora de sua boate, e tentou acertar o carro, porém, não obteve sucesso.
- Porra! - Ele jogou sua metralhadora no chão, irritado. Olhou para o céu daquela noite, sem nenhuma estrela sequer. Era como se tudo naquela noite estivesse  errado. Bill estendeu os braços para o céu, e fechou os olhos.
- Me leva de uma vez! Eu jĂĄ cansei de tudo, pode me levar!
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Uma mesa, dois homens sentados em duas cadeiras e lĂąmpadas fracas no teto.
Era só o que havia naquela sala, além da mistura de ansiedade e pressão.
Butler encarava Hensen, que parecia flutuar no espaço por conta de seu largo corpo cobrir qualquer indĂcio de que havia uma cadeira lĂĄ, incrivelmente resistente, sustentando-o.
- VocĂȘ veio aqui sĂł pra ficar me admirando, Ethan? - Hensen liberou o escĂĄrnio preso em sua voz. - Eu sempre soube que vocĂȘ era viado.
Butler abriu um meio sorriso amarelo.
- Queira me desculpar se lhe ofendi, grade garoto... SĂł estava contemplando o dono de uma mente brilhantemente desenvolvida. Quer dizer, quase. VocĂȘ foi pego ontem, afinal. - Disse Ethan.
- Não me diga. - O olhar de Hensen estava preenchido com tédio.
- Sim, conseguimos te pegar, garotĂŁo. Mas nĂŁo foi nada fĂĄcil, vocĂȘ conseguiu fugir do FBI durante cinco meses... VocĂȘ fugiu de mim durante cinco meses. Ă um recorde, devo te parabenizar por isso.
- Obrigado pelo prĂȘmio, cara. Mas ao invĂ©s de um parabĂ©ns, que tal chupar meu grande e gordo pau? - Hensen exibiu seus dentes de ouro em um sorriso ousado.
- E depois de tudo, ainda tem coragem de desafiar a polĂcia! - Butler exaltou sua admiração - Realmente, Ă© incrĂvel a sua coragem.
Ethan levantou da cadeira, pois as duas mĂŁos na mesa e aproximou seu busto do corpo de Hensen. Seus olhos castanhos penetraram nos do traficante, negros e curiosamente calmos.
- VocĂȘ jĂĄ sabe o que eu quero, Hensen. - Esbanjava superioridade - Me responde quem te fornecia os narcĂłticos, e onde esse cara estĂĄ. Eu tenho o poder de salvar a sua vida, agora. Se me fornecer essa informação, eu juro que vou fazer tudo ao meu alcance pra reduzir sua pena de morte pra prisĂŁo perpĂ©tua.
- VocĂȘ apenas mencionou dois tipos diferentes de morte, Ethan. Estou bem com isso, nĂŁo tenho medo de morrer. E outra, entre bater as botas e te fazer um favor, eu prefiro bater as botas.
- Uau... Por que tanto Ăłdio, garotĂŁo? SĂł estou tentando ajudar.
- VocĂȘ foi o responsĂĄvel pela morte de todos os meus homens, seu desgraçado! E nĂŁo estĂĄ tentando me ajudar, mas sim ajudar a si mesmo.
Butler uniu as sobrancelhas e inclinou um pouco sua cabeça para o lado, pretendendo demonstrar que almejava uma detalhada explicação da afirmação de Hensen. O gigante homem à sua frente riu.
- Sim, Ethan. Eu jĂĄ ouvi falar de vocĂȘ, sabe? VocĂȘ gosta de estudar a cabeça de marginais que te chamam a atenção, e nĂŁo os mata para que possa fazer isso, como se fossem algum tipo de cobaias laboratoriais. Mas se acha que vou lhe dar o prazer de te dizer aonde King K estĂĄ, e ainda permitir que fique estudando a minha mente... EstĂĄ muito, muito enganado. Eu quero que vocĂȘ se foda.
Butler carregou seriedade no cenho durante alguns longos segundos, que foram quebrados por sua voz tristonha.
- Que desperdĂcio, Hensen. Um grande desperdĂcio. - Disse Ethan, quase que para si mesmo.
Bateram duas vezes na porta metĂĄlica da sala, abriram - na em seguida. Rodriguez trazia consigo uma aparĂȘncia sossegada e seu dispositivo de anotaçÔes.
- Ethan, o outro cara deu a informação que a gente precisava.
Hensen sorria de prazer ao observar a cara de derrota de Butler. Foi aĂ que o agente percebeu que o cara era do tipo que colocava seu orgulho e ideais acima da morte. NĂŁo iria conseguir nada dele.
Havia profunda ansiedade e desejo de obtenção de conteĂșdo nos olhos de Butler, trancados pela impotĂȘncia que possuĂa de adquirir sucesso a tal objetivo.
Sem dizer nada, recuou sua mirada aos olhos de Hensen, e dirigiu-se para fora da sala.
- Podem levar. Prossigam com a pena. - Disse Butler, desgostoso, aos oficiais de polĂcia que estavam monitorando o movimento do lado de fora da sala.
- Parece que alguém se recusou a entrar na sua turma? - Rodriguez perguntou, pisando no território que havia deixado Butler perturbado.
- Que turma? - Ethan dĂĄ uma chance Ă Rodriguez, de desistir de falar sobre o assunto.
- ... Desculpe, como vocĂȘ se refere Ă eles? Os chama de "coleção", talvez?
Se havia algo que entretinha Rodriguez, era provocar o amigo. Como Ă© dito por aĂ, as melhores amizades sĂŁo aquelas que dĂŁo risada quando vocĂȘ cai, antes de o ajudar a levantar.
Butler nĂŁo respondeu, continuou a andar pelo corredor com o olhar fixo no nada. Rodriguez riu demoradamente, e depois resolveu consolar o colega.
- Ah, qual Ă©? VocĂȘ jĂĄ tem uma galera boa pra brincar, Ethan. Tenho certeza que Hensen nem vai fazer falta.
- O que o cara da mĂŁo estourada disse?- Butler assassinou o assunto.
Rodriguez balançou a cabeça em negação. Decidiu atender ao pedido não mencionado de Butler, e mudou o tópico da conversa dos dois.
- Ele disse que o cara que fornecia as drogas para Hensen, vinha disfarçado de entregador de bolos artesanais, com direito até à van para entregas.
- Pegou a descrição dos detalhes da van?
- Ele descreveu o modelo, não conseguiu se lembrar da placa. Disse também o nome da suposta confeitaria, que estava escrito na van...- Rodriguez abriu a progeção dos detalhes anotados em seu dispositivo, e buscou o nome que havia anotado. - "Sweet Desire". Esse é o nome da confeitaria.
- Certo. Passe essa informação pro resto do pessoal. Eu vou ali, pensar no que vamos fazer.
A imagem projetada Ă frente de Butler e Garry Roberts, era a de um detento do FBI, dormindo em sua cela.
- O que Ă© que estamos assistindo mesmo? - Perguntou Roberts, por trĂĄs das grades de sua cela.
ApĂłs seu questionamento, na projeção ao vivo apareceu um policial, trazendo um copo de macarrĂŁo instantĂąneo e um garfo. Acordou o prisioneiro e entregou - lhe o aperitivo, quente. O magro e cabeludo homem nĂŁo pareceu compreender a atitude do policial, mas sua fome falava tĂŁo alto que fora impossĂvel refletir sobre o assunto.
- ... Esse é Harold Schwartz. - Começou Ethan - Fabricava armas de fogo ilegais, manualmente. Com as próprias mãos. Sozinho.
- E vocĂȘ resolveu demonstrar a sua admiração presenteando o homem com miojo?
- NĂŁo Ă© o miojo, Garry. Ă o garfo. Eu quero ver o que ele vai fazer com o garfo.
O prisioneiro comeu todo o miojo muito rapidamente, com desespero. Fazia um bom tempo que nĂŁo comia algo diferente da lavagem da prisĂŁo.
- Mas o que espera que ele faça com um garfo? O transforme em uma metralhadora? - Perguntou o velho.
- NĂŁo sei o que esperar. Esse cara Ă© um dos mais inteligentes que eu jĂĄ lidei. Sabia aproveitar bem tudo o que encostava.
- E vocĂȘ estĂĄ disposto a expor esse pobre policial ao perigo? SĂł por causa dessa sua mania tosca?
- Por favor, Garry. Isso aqui Ă© a porra do FBI. Fomos treinados duramente pra lidar com esse tipo de gente. E o cara tĂĄ dentro de uma cela, o que de tĂŁo grave seria possĂvel acontecer?
Roberts sorriu maliciosamente.
- ... VocĂȘ sabe que algo ruim pode acontecer, mas nĂŁo consegue visualizar o quĂȘ. Isso Ă© a Ășnica coisa que te perturba... VocĂȘ nĂŁo dĂĄ a mĂnima pra vida desse cara, Butler. Ă sĂł sobre vocĂȘ.
Butler nĂŁo respondeu, e recusou-se a refletir sobre o que Roberts disse, por covardia.
O alvo da atenção dos dois atentos observadores, levou o garfo até a boca, e mexia os dentes do mesmos sobre os próprios, como se quisesse tirar algo do meio.
Numa reação ao comportamento de Schwartz, Ethan inclinou-se, para analisar a imagem com mais precisão.
- Ei. - O policial mandado por Butler chamou a atenção de Schwartz, desconfiado. - O que estå fazendo?
- Limpando o meu dente. - Schwartz respondeu, åspero. -  Tem orégano preso. à contra a lei, policial?
O armado tira demorou nos olhos de Schwartz, mas logo em seguida, deu de ombros. O prisioneiro continuou a remexer o garfo entre seus dentes do fundo, e assim ficou durante consideråvel tempo, que iria se estender se Butler não mandasse o policial, através de escutas no ouvido, pegar o garfo de volta.
- Joga o garfo pra cĂĄ. - O policial disse, olhando pro chĂŁo e indicando a ĂĄrea perto dele.
Schwartz parou o garfo na boca, e tirou o elĂĄstico de seu cabelo, soltando os longos fios.
- Que porra vocĂȘ tĂĄ fazendo, Schwartz?- O policial repousou sua mĂŁo na pistola presa em sua cintura, explicitando uma ameaça - Passa a merda do garfo pra cĂĄ!
- Calminha, amigo! - Schwartz disse com dificuldade, por ainda ter o garfo na boca - SĂł soltei meu cabelo, ficar com ele preso durante muito tempo Ă© meio prejudicial aos fios, sabia?
- NĂŁo vou pedir de novo.
A expressão divertida de Schwartz desligou-se roboticamente. Ele tirou o garfo da boca, jogou no chão e chutou, fazendo o objeto metålico deslizar até os pés do policial, que o pisou para evitar que fosse mais longe.
Quando este deixa retira seus pés do garfo, seus olhos grudam no talher, assim como os de Butler e Roberts, em outra sala.
SĂł havia um Ășnico dente no garfo, e havia sangue.
Quando o policial subiu o olhar confuso para Schwartz, um dos dentes do garfo que o patife havia arrancado com a boca, atingiu seu olho atravĂ©s da ação auxiliada pelo elĂĄstico de cabelo que utilizara como estilingue, tĂŁo rapidamente que nĂŁo foi possĂvel seu cĂ©rebro formatar a imagem risonha e macabra do prisioneiro no decorrer.
- Merda... - Butler resmungou, desbloqueando seu celular. - Ramal da ĂĄrea sul, ligar.
Assim que Ethan deu a ordem, o aparelho entendeu e efetuou uma ligação para o ramal da årea sul da prisão. Enquanto não atendiam, Butler continuava atento à transmissão do ataque de Schwartz, enquanto sentia uma gota de suor escorrer em seu rosto.
- VocĂȘ tem razĂŁo, Butler. - Roberts começou. - O cara Ă© espertinho.
Schwartz pegou um outro dente de garfo ensanguentado da boca, cuspiu o Ășltimo, e correu para a tranca da cela, a qual introduzia o pontiagudo utensĂlio numa habilidade  suficiente para qualquer um poder concluir que ele sabia muito bem o que estava fazendo.
- Butler? - A voz conhecida de um colega que Ethan nĂŁo lembrava do nome, soou em seu ouvido e o acordou.
- Mande reforços e paramédicos pra cela 12,  imediatamente!
- Parece que vocĂȘ se fodeu, Butler. - Roberts dizia, em meio de risadas. - Aquele cara vai ficar cego, por sua causa. E em troca do que? Do seu egoĂsmo.
Mas Butler nĂŁo conseguiu ligar pro olho do policial naquele momento. Olhava Schwartz abrir aquela sela com um dente de garfo, e encantava-se com a cena. Era aquilo que ele queria ver. Era isso que ele necessitava.
Sua obsessĂŁo fora saciada novamente.  Alimentou-se de conhecimento, aprendizado, entrou na mente de mais um gĂȘnio criminoso e roubou de lĂĄ, suas tĂĄticas. Ele conseguiu estudar as açÔes de um de seus condenados, e fazer com que a mesma virasse mais um tijolo da face planejada do melhor agente do FBI da atualidade.
Ethan Butler pode ser descrito de vĂĄrios formas. Uma delas, Ă© ser a unificação de vĂĄrias identidades criminosas, em um corpo sĂł, e em função do bem. Uma mĂĄquina de matar construĂda atravĂ©s de peças de outras.
Para ele, não importava o que teria que fazer para conseguir aprimorar mais e mais quem ele era. A sua própria vida e a dos outros ao seu redor era posta em risco por conta de seu método exótico de aprendizagem, mas ele não ligava muito para isso.
Preferia a morte, do que viver sabendo que hå alguém mais inteligente e håbil que ele mesmo. Essa era a triste verdade.
Alguns encaram isso como loucura, tal como Ă©, de fato. Mas o que Ă© visto por Ethan como empreendedorismo, limpa o paĂs das piores pessoas, sejam elas terroristas, manĂacos, traficantes de drogas, ou o diabo sabe o que. portanto, ninguĂ©m ousa interferir.
E tendo isto como complemento de anålise, temos uma outra descrição de Butler: O maior herói biruta da história dos Estados Unidos da América.
Laura deslizava seus lĂĄbios macios e carnudos sobre o pĂȘnis de Butler, fazendo o marido gemer de prazer e bater a cabeça na quina da cama. Levou suas mĂŁos atĂ© o tronco bem trabalhado do marido e acariciou seu abdĂŽmen, enquanto passava a lĂngua sobre sua glande.
Num ganido preso por uma mordida no lĂĄbio inferior, Butler pegou sua mulher pela cintura, e começou Ă fodĂȘ-la de lado atĂ© os dois chegarem ao ĂĄpice juntos.
Arfantes, jogaram seus corpos na cama, um ao lado do outro. Laura deslizou seu corpo magro até Ethan, e encaixou-se debaixo de seus braços.
- Como foi o seu dia, querido?
- Cansativo, mas vocĂȘ fez valer a pena.- Butler beijou os cabelos castanhos de Laura.
Ele analisou a face de sua esposa, notando seus pensamentos distantes.
- Algum problema, gatinha?
Butler ajustou-se de um modo que permitiu um foco de visĂŁo dos olhos da esposa.
- Eu te conheço hĂĄ mais de sete anos. Eu sei que tem alguma coisa aĂ.
Laura se manteve hesitante, mas decidiu expor o motivo.
- Amor... VocĂȘ nĂŁo acha que jĂĄ estĂĄ na hora de aumentarmos a nossa famĂlia?
Butler passou alguns segundos totalmente petrificado. Sabia que, algum dia, Laura iria lhe fazer esta pergunta. Mas nunca estaria preparado para a mesma.
- Tudo bem se vocĂȘ achar que nĂŁo. Â NĂłs podemos esperar. SĂł nĂŁo quero deixar esse assunto morrer entre nĂłs, sabe? Temos que conversar sobre isso alguma hora, vocĂȘ nĂŁo acha?
Butler encarou os olhos grandes e verdes de Laura, cujo o brilho rasgava a escuridĂŁo do quarto. PorĂ©m, seu olhar carregava a mesma aflição da ausĂȘncia da luz.
Butler não queria filhos. A ideia de ter mais uma responsabilidade para si, além do trabalho e casamento, soava aterrorizante.
Ele temia cair em situaçÔes que exerceriam muito de seu tempo e energia. O seu casamento foi uma surpresa pra si prĂłprio, nunca imaginou que iria jurar para Deus ficar com a mesma pessoa durante o resto de sua vida. Mas Laura era muito importante para Ethan, ele a amava. Havia prometido a si mesmo, fazer o possĂvel e o impossĂvel para que ela fosse a mulher mais feliz do mundo. E se isso significasse ter que enfrentar um dos maiores desafios de sua vida, iria o fazer.
- Tudo bem. - Butler assentiu, com um sorriso amarelo.
Laura subiu o olhar no rosto do marido, numa anĂĄlise profunda e notĂłria.
- Butler, se vocĂȘ nĂŁo quiser isso agora, podemos esperar. Eu vou entender, sei bem que o seu trabalho te consome muito, vocĂȘ quase nĂŁo tem tempo pra ficar em casa, a sua rotina...
- Se nĂŁo agora, quando? - Butler a interrompeu, passando seus dedos entre os cabelos de Laura, que manteve o olhar atento em sua face. - Seria como ter duas versĂ”es de vocĂȘ. Como poderia nĂŁo querer isso, gatinha?
Laura sorriu sinceramente para Butler, e encostou a testa sobre a dele. Acariciou seu tronco e desceu a mĂŁo atĂ© chegar em seu pĂȘnis. Butler tremeu quando Laura tirou a camisinha de seu membro.
Ter uma criança pode nĂŁo ser tĂŁo divertido, mas fazĂȘ-la com certeza seria.
Laura subiu em cima do corpo quente e deitado de Butler. Colocou seu membro dentro dela, e começou a subir e a descer, devagar. Ethan mordia o låbio inferior num sorriso atrevido, enquanto assistia sua mulher fechar os olhos de prazer.
O sexo sem a camisinha estava maravilhoso. Ambos demonstravam com o corpo o quanto sentiram falta da conexĂŁo direta sem lĂĄtex nenhum ficando no meio.
Estava tudo divino, os movimentos dos dois haviam começado a acelerar, quando o celular de Butler toca.
- Ah, porra! - Butler resmunga.
- VocĂȘ vai mesmo atender o telefone? - Laura perguntou - Eu tĂŽ extremamente excitada agora, essa sua escolha pode tirar todo o meu tesĂŁo.
Butler parou e refletiu sobre a situação que se encontrava rapidamente.
Ver uma mulher extremamente formosa, excitada e de pernas abertas para ele, com certeza era tentador. Mas era madrugada, um perĂodo do dia em que dificilmente recebia ligaçÔes. E quando recebia, nĂŁo eram boas.
- VocĂȘ sabe que eu te acendo de novo, gatinha. Aguenta aĂ. - Butler piscou para Laura, que fechou o sorriso safado que continha no rosto.
Pegou o celular, que estava em cima do mĂłvel ao lado de sua cama, e atendeu sem sair da mesma.
Deu uma rĂĄpida mirada no nĂșmero, e viu que este nĂŁo era identificado. Uniu as sombrancelhas em desconfiança.
- OlĂĄ, agente Butler! Tudo bem?
A voz que saĂa do telefone, estava distorcida num tom tĂŁo bizarro, que Butler nĂŁo se conteve a rir pelo nariz por um instante.
Provavelmente seriam seus colegas de trabalho pregando uma peça nele.
- Quem é? - Ethan perguntou, tentando manter o tom sério da voz.
- Quem sou eu? - A voz riu - Sou conhecido por vĂĄrios nomes. PorĂ©m, o mais popular e querido por vocĂȘ mesmo, seria "King K".
Os nervos de Butler congelaram por um instante.
Mas logo em seguida, lembrou que todos da agĂȘncia sabiam o quĂŁo Butler estava obcecado em capturar o maior criminoso de todos os tempos.
- Seja lå quem for o filho da puta que estiver me sacaneando, pode apostar que amanhã vai se ver comigo. - Ethan decidiu assustar o engraçadinho.
- Aaah, amanhĂŁ? - A voz adquiriu um tom manhoso. - Â Poxa, eu sou ansioso, baby. Quero vocĂȘ agora.
Butler caiu em gargalhadas. Olhou para Laura, que aguardava o final da ligação impaciente e de cara emburrada.
- "Baby"... - Ethan riu do apelido carinhoso que seu falso amante gay havia lhe dado, e depois resolveu entrar na brincadeira. - Â Desculpa, gatinho. Tenho outros planos pra agora. Mas a gente pode marcar pra outro dia. - Butler resolveu entrar na brincadeira.
- Mas baby, aĂ a famĂlia jĂĄ vai ter morrido.
A expressĂŁo animada de Butler mudou para uma de confusĂŁo mental.
- Que porra vocĂȘ tĂĄ falando? - Butler perguntou - Que famĂlia?
- ...Estou extremamente desapontado com vocĂȘ por nĂŁo ter procurado meu nome nas Ășltimas duas horas, como sempre faz a cada cinco minutos, baby. VĂȘ as consequĂȘncias? VocĂȘ perdeu o inĂcio de uma das minhas grandes festas! A sua sorte Ă© a mĂdia nunca dormir, estĂŁo fazendo cobertura na televisĂŁo. Eu nĂŁo sei vocĂȘ, mas eu nĂŁo perderia por nada.
Tendo a risada do anĂŽnimo como mĂșsica de fundo, a cena de Butler saltando da cama e correndo pelos corredores de sua casa, aparecia em cĂąmera lenta para ele mesmo. Laura fazia o mesmo caminho que o marido, confusa e perguntando o que havia acontecido.
Ethan pegou o controle da televisĂŁo da sala de estar e a ligou. A imagem que via Ă sua frente, trouxe um choque que percorreu por sua espinha e o fez frisar.
Laura sentou - se no sofĂĄ, com o rosto repleto de horror.
A tocha da estĂĄtua da liberdade, em Nova York, estava literalmente em chamas. A brasa consumia a parte mais simbĂłlica do monumento com violĂȘncia.
Um homem cuja face se escondia atravĂ©s de uma mĂĄscara prateada e com traços demonĂacos - marca registrada da organização criminosa de King K -, segurado por cordas presas Ă coroa da estĂĄtua, pixava a letra "K" com tinta vermelha na bochecha esquerda do patrimĂŽnio mundial. A direita continha a palavra "King".
Acima de um dos piores atos vandalistas da histĂłria do mundo, haviam trĂȘs helicĂłpteros. Todos os trĂȘs, possuĂam uma longa corda suspensa, que amarravam pessoas. TrĂȘs orientais: Um homem de terceira - idade, um menino de, no mĂĄximo, 14 anos, e uma jovem. Todos gritavam e apresentavam desespero em suas feiçÔes e em suas lĂĄgrimas.
Os HelicĂłpteros estavam posicionados em cima das chamas.
- Eu aturei as suas ousadias atĂ© agora, por vocĂȘ ser extremamente bonito. Mas vocĂȘ acabou conseguindo acabar com a minha paciĂȘncia, baby. Matar o meu melhor cliente? Numa cadeira elĂ©trica?
- O que vocĂȘ quer? - Foi a Ășnica coisa que conseguiu sair da boca de Butler.
Houve um silĂȘncio no telefone. Impaciente e aflito, Butler perguntou novamente, aumentando o tom.
- O que vocĂȘ quer, desgraçado?!
- Eu queria tanto responder essa pergunta de outra maneira... Mas vocĂȘ precisa aprender a me respeitar e, principalmente, a nĂŁo se meter aonde nĂŁo Ă© chamado. Espero que as cinzas dessa famĂlia sirvam como lição, baby. Se vocĂȘ entrar no meu caminho novamente, mais sangue serĂĄ derramado.
- Filho da puta!! covarde!! - Butler  estourou - Por que não vem até mim?? Por que incluir pessoas que não tem nada a ver com isso??
King K soltou uma risada rĂĄpida.
- Eu jĂĄ disse uma vez, direi outra. VocĂȘ Ă© muito bonito, baby. Ridiculamente atraente. Eu nĂŁo vou atĂ© vocĂȘ, porque se fosse, te mataria. E a natureza nunca iria me perdoar por este crime.
- Como pode ter tanta certeza de que iria conseguir me matar? - O forte orgulho de Butler invadiu subitamente  a situação, ferindo sua atenção ao verdadeiro problema por um breve instante.
A risada divertida de K fez o sangue de Ethan borbulhar.
- VocĂȘ Ă© engraçado. VocĂȘ tem vĂĄrias qualidades positivas, baby... Um cara como vocĂȘ, Ă© raro de achar. Isso me faz querer te presentear de alguma maneira... - K parou de falar por um instante, e mergulhou num silĂȘncio misterioso.
Butler encarava a imagem do caos que acontecia em Nova York, com a respiração acelerada, por consequĂȘncia da mescla de sentimentos ruins que o consumiam naquele momento.
- Se vocĂȘ machucar essas pessoas...  - Butler começou, com a ira causando tremulaçÔes em sua voz - Eu juro por Deus...
- JĂĄ sei o que posso fazer por vocĂȘ. - King K interrompeu Ethan - Â Eu vou te dar 45 minutos pra vocĂȘ salvar essas pessoas. Porque vocĂȘ me fez rir.
Butler jogou o celular no sofå e correu para seu quarto, com seu nome sendo gritado por Laura, que corria atrås dele. Vestiu nada mais que seu roupão de seda azul-marinho, seu chinelo, a caixa de maços de cigarro que deixava ao lado da cama e direcionou-se apressadamente para o terraço, ainda ignorando os questionamentos desesperados da esposa.
- Butler, me responde, pelo amor de Deus! - Ela gritou, ambos sendo agredidos pelo vento noturno no terraço da residĂȘncia. - O que vocĂȘ acha que estĂĄ fazendo??
Butler entrou em seu veĂculo aĂ©reo, e ligou o motor ligeiramente. Olhou para sua esposa, colada na porta do veĂculo. As lĂĄgrimas de Laura eram levadas pela aragem da noite e do motor do aerocarro.
- Butler... - Laura fixou o olhar nos de Ethan - Fica aqui, por favor. Esse trabalho nĂŁo Ă© pra vocĂȘ. Deixe o resto das autoridades lidarem com isso.
Butler a olhou por uns instantes, distante.
- Eu sou capaz de realizar qualquer tipo de trabalho. - Quando Butler finalizou a frase, Laura suspirou de derrota, pois soube que nada do que dissesse ou fizesse, faria o marido mudar de ideia. Ethan ergueu o queixo de Laura. - Â NĂŁo se preocupa, gatinha, eu sou o melhor agente do FBI que o mundo jĂĄ viu. Vou ficar bem. Eu jĂĄ volto.