O cinema pode quebrar todos os tipos de barreiras. Tocar as pessoas, falar sobre os problemas do mundo, colocar em debate assuntos nunca tocados antes. Entretanto, também tem o seu ponto negativo. E eu estou aqui para falar das mulheres no cinema e como são representadas. E nesse caso, na falta das mulheres e dos estereótipos que seguem por anos.
Nós sabemos claramente que grande número dos estúdios cinematográficos é dominado por homens, entre 2002 e 2012 pouco menos de 5% dos 100 filmes de sucesso de bilheteria foram dirigidos por mulheres. Mas se você procurar por filmes independentes, você encontra vários filmes com direção feminina. É engraçado como você pode ver nas escolas de cinemas uma ótima representação feminina, mas quando se tratam da indústria de cinema em si, poucas mulheres conseguem entrar na indústria. Algo não faz sentindo nenhum, não é mesmo?
Um problema que não envolve só o fato da falta de participação de mulheres nos cinemas por serem mulheres, mas também a criação de personagens femininos no cinema, cheio de estereótipos e falta de profundidade. Personagens que não representam nem metade das mulheres do mundo e eu vou mostrar alguns.
MUDANÇA TOTAL DE VIDA GRAÇAS A UMA BOA MUDANÇA NO VISUAL
Quem nunca viu aquela típica comédia romântica em que a mulher é legal, inteligente, MAS desarrumada e feinha? Ninguém liga para ela e subestima ela. Mas chega a metade do filme e BOOM, ela alisa o cabelo, passa maquiagem, muda as roupas e nossa a vida dela muda totalmente. Se ela soubesse antes que a vida dela seria diferente se ela se arrumasse…para quê ser inteligente se você pode ser bonita?
Perceba, não vejo nada de errado em se arrumar, vai de cada um da auto estima de cada um, porém colocar o sucesso de alguém em cima do fato da pessoa se arrumar ou não? Principalmente em personagens femininos, hora de repensar isso aí (sem entrar no mérito da questão dos padrões de beleza que a mídia força).
A PROFISSIONAL QUE SIMPLESMENTE NÃO CONSEGUE SER FELIZ
Para começo de conversa, o trabalho que a personagem em questão exerce tem que ser no mínimo fantástico. Segundo que, elas não têm a opção de serem ótimas profissionais e ao mesmo tempo conseguirem construir família (o que você pode ver isso acontecendo com papeis masculinos o tempo inteiro). E claro, porque todas essas personagens não possuem uma vida completa se não forem casadas e com filhos.
Problemas que vão muito além de simplesmente a mulher querer ou não ter filhos. Situações onde claramente, mulheres profissionais nos filmes não tem escolha entre carreira e família. É uma coisa outra, o meio termo é inexistente. Fora que isso não acontece apenas em filmes, acontece nas adoradas séries de Tv. Mesmo com um maior número de mulheres poderosas em séries, perceba que pouca delas possuem família. Como se a mulher além de escolher entre o trabalho e a famílias, não tivesse a capacidade de lidar com os dois sendo que a vida real podemos encontrar uma lista imensa de mulheres que conseguem conciliar os dois.
MULHERES ADORÁVEIS, PENA QUE SÃO DESASTRADAS
Ela é fofa, é inteligente, bonita. Essa personagem é perfeita, mas não tem sorte no amor, tadinha. Mas aí fica a pergunta: como fazer o público gostar dela se ela é perfeita? Vamos colocar nela uma personalidade desastrada, vamos jogar todas as cenas clichês e comuns porque assim vamos fazer ela ser mais amada pelas pessoas (claro que esses mesmos clichês entram em personagens que são consideras “nerds” e “feinhas).
A PERFEITA INSPIRAÇÃO PARA PERSONAGENS MASCULINOS – MANIAC PIXAR DREAM GIRL
Termo criado pelo crítico de cinema Nathan Rabin que se baseou na personagem de Kristen Dunst no filme “Elizabethtonw”. É aquela personagem maravilhosa que inspira o protagonista mas se você ver bem, ela é incrivelmente rasa e o propósito dela é de apenas de apresentar coisas novas, tirar o personagem principal da zona de conforto, colocar para fora o melhor dele.
Grande parte dessas personagens são bem interessantes e que mereciam um pouco mais de foco, uma visão além da do protagonista. Entretanto servem apenas como um elemento, uma inspiração para o principal.
Sabe aqueles filmes onde o “mocinho” da história encontra a mulher dos sonhos mas pera aí, ele namora outra pessoa antes. E perceba, essas namoradas são todas iguais. Tão odiáveis que não consegue nem se imaginar o porquê do personagem se relacionar com ela em primeiro lugar. Alguns estereótipos para mostrar o quão diferente “a outra” é da protagonista.
Novamente entrando no problema de diminuir a mulher a apenas uma característica. Falta de aprofundamento nos personagens femininos. E claro, a outra serve também para mostrar a rivalidade entre as mulheres, colocar uma contra a outra por causa do homem.
Não é necessário comentar que não é apenas em filmes essa ideia da rivalidade feminina. A cultura onde mulher não se pode confiar em outra e que amizade entre mulheres não existe.
Claro que mulheres brigam entre si, assim como homens brigam entre si e por aí vai. Mas os filmes gostam de enfatizar isso de tal forma que, colocar as personagens femininas incrivelmente psicóticas, neuróticas prontas para atacarem outra na primeira oportunidade que aparece e nem é sempre assim.
Aquele único personagem feminino no meio de inúmeros personagens masculinos. Uma única mulher para representar tantas mulheres, sempre colocadas como par romântico ou generalizada como frágil, indefesa.
Novamente apontando a falta de profundidade que esse papel representa. É como se estivesse lá para fazer volume, para “não dizer que não colocamos uma mulher no filme”.
Vocês conhecem mais alguns? Comente abaixo, fale sua opinião!
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