Fugir é uma válvula de escape pra lembrar que também temos alguma coisa boa, é quando fugimos e somos procurados que nos lembramos da importância que temos pro outro, e em adição também lembramos da importância que não damos a nós mesmo.
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Fugir é uma válvula de escape pra lembrar que também temos alguma coisa boa, é quando fugimos e somos procurados que nos lembramos da importância que temos pro outro, e em adição também lembramos da importância que não damos a nós mesmo.
Às vezes nem tudo se encaixa de uma vez, nem sempre dá certo em todos os sentidos, e sinceramente tá tudo bem se a vida é mesmo uma confusão, talvez o sentido de tudo seja esse, estar sempre reorganizando a rotina, as pessoas e o tempo. Às vezes nem tudo é sobre o outro, ou o desconcerto no tempo, é sobre você, seu caos, e o mundo em suas costas. Tá tudo bem se perder no meio do caminho, talvez você precise mesmo traçar outra rota, fazer novos planos, organizar as novas possibilidades. Tá tudo bem se você precisar pedir pra alguém segurar sua mão, ou dizer: "eu não estou tão bem quanto parece", você só precisa de tempo, espaço, silêncio... Você só precisa respirar fundo, e entender que não é porque de um lado seu tem tanta felicidade, que o seu outro lado cheio de dores ficou inativo; Vai continuar doendo, a diferença é que agora você tem um sorriso no rosto.
"Quando alguém se preocupar a juntar os cacos de seu coração, sem se preocupar em cortar as mãos, tenha certeza que essa pessoa vale a pena."
Vontade da peste que não passa 🫠
Às vezes fico pensando, será se ele também não sente o que eu sinto? Essa empolgação toda quando a gente se vê. Esse vício de olhar atentamente um para o outro, enquanto escuta o outro falar. Essa mania de sorrir de tudo, de descobrir que a gente combina. Essa falta que o outro faz quando não tá perto. Esse pedido silencioso para que o universo cruze novamente nossos caminhos.
Minha psicóloga vivia falando sobre escrever a respeito do que sinto, é notável que ela queira que eu desembaralhe meus sentimentos e organize, ainda que seja na teoria daquilo que escrevo num papel rabiscado, ou nas notas de rascunho do meu celular; Mas se tem uma coisa que ainda não entendi, é porque é tão difícil falar sobre sentimentos, quando se está sentindo, talvez por isso a tanto tempo tenho tentado apenas sentir, por ser mais fácil, inegociável, e inevitável, é muito mais fácil tentar entender o que se sente, do que se maltratar escrevendo sobre os porquês.
E aqui eis um fato: descobri que sentimentos desajeitados nos retrai e nos prende ao negacionismo, e por um segundo, ou vários, sentir me faz querer estar invisível, esconder o riso e fingir demência; É assim que me sinto, quando me esbarro com meus sentimentos, um bichinho retraído pedindo socorro. E aí começa a parte que me "quebra" em mil e um pedacinhos, a parte que o mundo todo ao redor se desfoca, e eu enxergo colorido em um curto espaço e período de tempo, como se meus olhos conectasse ao que gostaria de ver nítido, como se eles pedissem pra apreciar o que ninguém apreciaria, e aí vem o sorriso sem jeito, o olhar desconfiado, o cabelo jogado atrás da orelha, e o pedido interno de socorro a si mesmo, como quem implora: favor não sentir.
Um dia desses, depois de ouvir sobre a incoerência dos meus sentimentos, sobre o fato de ser instável, e sentir muito tantas vezes, me peguei pensando em como é confuso o meu sentir, em como me pego me culpando pela insistência em amar, como se fosse uma escolha simples, natural, e aleatória, depois me pego se culpando por ter sentido muito por pessoas e coisas que não deveriam. E é isso que talvez me machuque no meio da simplicidade do sentimento que está ali existindo, o fato de entender que amanhã, ou depois, o sentimento se vá, como que passando na cara que não deveria nem sequer ter existido.
Ali, enquanto o mundo desfoca, as vozes se abafam, e noto um único riso e voz, enquanto nada mais importa (mesmo sabendo que aquele sentimento talvez seja só meu), penso: talvez eu não devesse sentir. Porém, sigo sentindo, essa é a pior parte, eu diria. Mas é o sorriso desajeitado, a voz embargando, o aperto de mão desarrumado, e aquela mensagem cotidiana de: "como você está?" , "Quais os seus planos pra hoje?", "Foi muito bom estar com você", "se cuida", "estou aqui se precisar", "você está feliz?", que me faz pensar que, tudo bem se amanhã ou depois o sentimento não existir; A liberdade do coração palpitar mais forte hoje, me faz pensar que o amanhã valerá a pena, nem que seja para que a boca fale que aproveitou o tempo suficiente, que teve o carinho que precisava naquele momento. Me disseram que tava errado sentir, me deram mil motivos pra desistência, mas foi aí que descobri que não tinha pressa, que entendi que tudo bem organizar o sentimento no meio do percurso, tudo bem se amanhã ou depois eu simplesmente voltar pra casa, e sentir que sou meu lar e isso me basta, ou no meio do percurso, descobri que o coração de alguém também pode ser meu lar.
Dessa vez, precisarei anexar ao texto uma pequena nota informativa a minha terapeuta, talvez dizendo: Querida psicóloga, sinto informar, mas dessa vez, escrever não me colaborou muito, sigo descobrindo que escrever sobre o que eu sinto, é reafirmar a mim mesmo a intensidade que sou, o quanto me apaixono fácil, e o quanto gostaria de não ter sentido, e sinceramente, me envergonho disso as vezes.
Seria fácil dizer que tenho sentido muito, mas é que tem sido mais prático dizer que não me importo.
Há muito sobre tanto a falar, que chego a pensar como é absurdo sentir tanto sem saber definir. Digo que por tanto tempo acreditei que o mundo estava inundado de pessoas rasas, até me soa contraditório tal frases, mas talvez pessoas tão intensas quanto a mim consigam entender a profundidade de tal menção.
Em um mundo de pessoas tomadas pelo caos, ódio, pressa, e indiferença, encontrei no olhar calado e quieto de alguém a paz que em espaço nenhum encontrara antes; Era ensurdecedor tanto silêncio gritando no ambiente, que era tomado por uma quietude que acalmava meu ego impaciente, foi quando entendi que algumas pessoas são mesmo a calmaria que nos falta. Há ainda o adicional de que algumas pessoas guardam dentro de si uma caixinha de surpresa que nem todo mundo consegue abrir ou descobrir, e eis aqui um fato: como sou sortuda por conseguir a chave da caixinha do coração de algumas pessoas, como sou sortuda por encontrar alguém que tira de mim o riso que às vezes me falta.
Esse texto, esse pequeno texto, é pra falar que às vezes há tanto a ser dito, mas que não cabe em palavras bonitas e formais, porque há mesmo imensidão no sentir, e isso na maioria das vezes me basta. Esse texto é pra lembrar que descobri que nem todo remédio vende em farmácia, alguns nos curam sem que precisemos comprar, alguns ganhamos sem precisarmos pedir, alguns conquistamos, e em alguns casos, alguns "remédios" em forma de gente, apenas nos esbarramos, e que sorte temos de todo dia tomarmos uma dose diária da paz que precisamos.
Você tem me ensinado que o amor é calmo, paciente, silencioso, sereno, tímido, e sincero. Você tem me ensinado que o amor é sentimento devagar, e que antes do amor tomar conta, a admiração nasce sorrateira.
Sério, deve ser muito bom poder sentar ao lado de alguém e falar todas as dores/confusões que você está sentindo, chorar umas duas horas, e desabar com a certeza que vai ser ouvida em silêncio dentro de um abraço quentinho.
Uma vez me disseram que o sentimento mais singelo e carregado de amor que alguém pode sentir, é o desejo de cuidar... Demorei a entender que de fato todo o amor puro que já senti por algumas pessoas, veio também carregado de muito carinho e cuidado. Uma vez, alguém esbarrou com meu olhar cuidadoso sob uma pessoa e exclamou: talvez essa seja a forma mais bonita de você demonstrar amor e admiração. Passei dias pensando nisso, em como era impossível pra mim controlar o cuidado quando de fato eu sentia o desejo de colocar a outra pessoa no colo e ninar as dores dela, era impossível ficar quieta no canto, parada, sem ouvir o som silencioso de um sorriso de canto de alguém que me fazia bem; Foi quando descobri que algumas paixões são diferentes, carregam um silêncio que grita. Sou a pessoa mais desastrada em amar, talvez por isso no final das contas eu esteja tão sozinha na maior parte das vezes, mas de uma coisa tenho começado a ter certeza: tenho amado diferente! Talvez aquela pessoa esteja certa, tenho gritado em silêncio um "eu notei você aí no cantinho, e que bom que você está nesse cantinho aqui, perto de mim, isso me basta".
Que você saiba se retirar para cuidar de si, ao invés de ficar tentando cuidar do outro com grande probabilidade de feri-lo. Que você entenda que não tem responsabilidade nenhuma de cuidar do caos que o outro carrega, mas tem a responsabilidade de cuidar do seu próprio caos, do seu próprio problema. Porém, se quiser ficar, fique com a certeza de que nem todo mundo gosta de um lar bagunçado, e isso não é sobre casa.
Me indagaram sobre que cheiro tem o amor, procurei uns vinte textos aleatórios sobre aromas e suas complexidades, para que eu pudesse de alguma forma encaixar minhas palavras em uma definição qualquer. Porém, lembrei-me de todos os cheiros que já senti e ficaram marcados como uma tatuagem em minha memória, lembrei-me daquele abraço apertado que deixou em mim cheirinho doce de empatia, carinho, e amor; Por um segundo peguei-me suspirando fundo como que dizendo "que saudade desse cheirinho". Em sequência lembrei-me dos cheiros de cada bebê que segurei no colo, que exalava afeto misturado com aquele perfume suave de Johnson Johnson's ou Mamãe e bebê, era cheiro de inocência, pureza, leveza. Mas há perfumes que me doem, ferem meu ser com os traços de trauma que carregam, há perfumes que são como pontas de faca no coração quando exalam; Talvez seja por isso que eu prefira lembrar dos perfumes que me acalmam, daqueles que se houvesse alguma forma guardaria em potinhos aromatizadores e sentiria diante de alguma dor, chego a conclusão que alguns perfumes curam. Ontem, enquanto eu descobria existir mais um perfume que me acalma ouvi a pergunta: "que cheiro eu tenho?", E me peguei pensando: "como eu poderia explicar que algumas pessoas simplesmente tem cheiro de lar?". Foi quando cheguei a conclusão de que talvez seja por isso que eu tenha uma inconsciente mania de cheirar as pessoas que amo, de alguma forma penso que sentir aquele cheiro seria como deixar o melhor do outro morar no potinho afetivo das melhores lembranças que tenho. Então, cheguei a melhor resposta que eu poderia dar para alguém que me pergunta que cheiro tem, agora eu sei exatamente o que responderia na noite anterior:
"Você tem cheiro de casa acolhedora que tem tv com Netflix, tomada perto da cama, uma panela de brigadeiro, pipoca amanteigada, coca cola geladinha, e um cobertor quentinho; Você tem cheiro de um lugar que eu voltaria todas as vezes que precisasse de descanso, ou todas as vezes que eu quisesse ligar o rádio da sala no último volume e dançar como se não houvesse amanhã; Você tem cheiro de conforto, é como abraçar quentinho alguém no meio do frio do pólo norte; É o café quentinho com tapioca às 6 da manhã num dia preguiçoso, é... Você tem cheiro de lar, daqueles que a gente não paga aluguel, uma casa fixa, própria, onde se pode ir e voltar quantas vezes quiser, com a certeza de que sempre será acolhida."