Laboratório dos amores não vividos
Como dizia Marilia Mendonça,
"eu não sei amar baixo, de volume baixo."
Meu amor é como dizia Camões
"é fogo que arde sem se ver,
ferida que dói, e não se sente."
E eu te amei como uma queimada na floresta, um incêndio de escala grandiosa. Eu te amei até quando tudo o que eu mais sentia foi dor, foi ai onde mais te amei, eu ultrapassei meus limites para transbordar o que mais tenho, amor.
Eu não sei amar baixo, eu não sei fazer silêncio, eu não sei não demonstrar, não procurar, eu só sei amar, ser intenso e toda vez que você chegava, ia, machucava, era só isso que eu tinha pra te oferecer. Pois é só isso que eu tenho a oferecer, amor.
Eu não fui ensinado a amar, eu já nasci sabendo, por isso eu nunca sei ficar na calada, no escuro, pra depois. Eu sempre vou precisar de reciprocidade, eu sempre vou precisar do mínimo, pois na mesma proporção que eu entrego, na mesma felicidade que eu demonstro eu sei guardar tudo aquilo na minha memória e tocar minha vida.
Uma vez me perguntaram sobre isso, "como é pra ti amar e não viver esse amor?" aquela pergunta me tocou, aquela pergunta tocou no laboratório que eu quase nunca entro, só espio pela brecha.
Quando eu guardo pra mim amores que não tive a oportunidade de viver e ainda sim, amei e amo, eu guardo eles no laboratório dos amores não vividos, e é um dos locais mais lindos da minha memória. É o local onde eu espio toda vez que penso em deixar de ser eu, em deixar meu lado de intensidade. Espio pois aquilo não me causa dor, aquilo na verdade me faz ter a certeza que eu não mereço pouco, me recorda o quanto que eu amo a intensidade, que eu amo amar outrem. Espiar pela fresta da porta é pra mim a chance de reconexão, é onde tenho a certeza de quem sou e o que quero.
Amor, apenas amor, é tudo que eu quero.