I believe that you are only in control of so much. So whatever you are not in control of you can’t worry about.
Claire Keane

祝日 / Permanent Vacation
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he wasn't even looking at me and he found me
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@trying-tara
I believe that you are only in control of so much. So whatever you are not in control of you can’t worry about.
The best thing about tonight's. That we're not fighting. Could it be that we have been. This way before. | Aodhara
highness-aodh :
Ele sabia o que estava por vir quando resolvera alistar-se, soldados pareciam não ver príncipes como seus iguais, apenas alguém para proteger, apenas alguém mesquinho e sem a capacidade de defender-se por si só, muito menos defender um país, talvez ele deveria culpar a história por isso, por anos príncipes e reis são vistos escondendo atrás de exércitos e os obrigando a lutar suas batalhas ao invés deles, soldados morrem em nome de uma causa, reis e príncipes no conforto de uma vida de ganância. Aodh conseguia ver aquilo, conseguia entender o porquê de só verem aquilo, mas ele não queria ser apenas um homem de título, nunca quisera, gostaria de poder ajudar as pessoas, ajudar seu povo, porém, seus ideais foram se distanciando da mesma maneira que fora crescendo e envolvido no sistema político corrupto de seu país, da mesma forma que sua mãe ia perdendo a sanidade por causa da filha perdida. Era estranho pensar na irmã que um dia teve, a cada dia parecia ficar mais difícil de lembrar-se de como ela era, de como eles eram, os mais velhos costumavam dizer que eram próximos, mas Aodh não conseguia lembrar-se dela ao seu lado correndo pelos jardins ou em jantares reais, pelo menos não completamente, Adhara era como uma fotografia antiga que perdera sua cor por causa do tempo, era apenas forma e cores apagadas, apenas uma fotografia antiga esquecida no fundo da gaveta.
Não era sempre que Aodh via-se lembrando de sua irmã, porém, sua memória vinha em uma dessas caminhadas, era sempre assim, talvez fosse para lembrar de quem ele já fora, um garotinho que tinha vontade de mudar o mundo para algo melhor para o seu povo antes de se tornar a cria dos conselheiros do seu pai, fora por isso que resolvera se afastar do ambiente tóxico de seu país, ele precisava encontrar-se e tentar ser alguém melhor, para poder ser um governante melhor pois seu povo merecia, pelo menos isso, dele. O caminho era longo, porém, antes que a chuva tornasse tempestade conseguira chegar no novo acampamento seguros, seus homens armaram suas barracas juntamente com os de Tara Ulrich, preparando os suprimentos para mais uma noite. Ao ver os homens do comando de Tara Ulrich o fez lembrar de que a capitã deveria já estar no local, na realidade, a mulher deveria estar a sua frente provando o quão certa ela estava, porém, não havia nenhum dela, fazendo com que Aodh passasse pelo acampamento perguntando para todos que via encontraram a Capitã Ulrich pelo caminho.
Obviamente não a viram, obviamente a garota fora teimosa para escutá-lo, agora via-se xingando aos ventos em seu idioma coisas que fariam seus conselheiros desaprovarem, logo, arrumara-se novamente para partir para uma caminhada, desta vez preparado para a tempestade que estava prestes a enfrentar, dera ordem para um de seus homens esperarem até o entardecer no dia seguinte, caso não voltassem para pedir ajuda. Seus xingamentos eram mantidos em pensamentos, poupando o fôlego para a subida que enfrentava, seus passos eram calculados devido ao terreno íngreme e escorregadio, Tara estava lhe devendo uma, mesmo que se cobrasse ela não iria fazê-lo nada para ajudá-lo. Perguntou-se se realmente valia pena o que estava fazendo, porém era uma prova de mostrar que estava certo e também não poderia deixá-la sozinha. Tara Ulrich era irritante, teimosa e o deixava frustrado pois nunca conseguia provar-se para ela, mas apesar de tudo, não podia ignorar a beleza da mulher, caso fosse um pouco mais simpática, Aodh poderia até tentar algo, mas era impossível, Tara Ulrich tinha um muro muito alto em volta dela e suas guarnições estavam todas voltadas contra ele. Encontrou uma fenda que poderia ser muito bem uma caverna, gritando pelo nome da capitã até que recebesse uma resposta, ignorando o vento frio que parecia congelá-lo até seus ossos.
O orgulho seria o fim de Adhara. Por mais que ela não soubesse quem Adhara era, sabia que isso vinha dela. Vinha de seus pais, e toda realeza. Admitir que está errado não era algo que as pessoas gostavam de admitir, e ela era sempre fora assim. Fora seu orgulho, e teimosia que a fizeram tomar todas as ações a mais de dez anos. Tara fora moldada nos meus princípios, e por mais que ela fosse completamente diferente de Adhara aquilo ainda permanecia nela. O que não ajudava em nada, pois naquele momento foram aquelas características que faziam com que a mulher mesmo que negasse estivesse perdido em meio a tempestade. Tara xingava baixo. Ela não tinha o suficiente para passar toda uma noite ali, e sem dúvidas morrer de hipotermia não era uma opção. Parecia até um pouco zombeteiro. Adhara viera de um país quente. Basicamente fogo vivo, e ainda assim ali estava ela pronta para morrer de hipotermia por ser cabeça dura e não ter seguido o conselho de Aodh. Era errado para ela seguir seu irmão. Ele tinha todas as características que ela havia fugido a vida inteira. Aodh era a representação da realeza que ela havia fugido, mas ainda assim eles eram completamente diferente. Ela não via nele um irmão, nem mesmo um líder. Sabia que havia fugido para que ele fosse um, mas algumas vezes ela se arrependia.
Dentro da caverna que havia encontrado a garota tentava lembrar todos os métodos para se proteger do frio. Tirar a roupa mais molhada, e tentar permanecer com seu casaco isolante. Sua bochecha estava completamente cortada, e tudo que Tara conseguia pensar era que Prisca a mataria se ela não conseguisse dar um jeito de escapar daquela situação. Conhecendo a amiga por tanto tempo, lembrar da imagem dela fez com que Tara ainda tivesse um pouco de esperança. Poderia soar bobo, mas Prisca era muito mais sua irmã do que Aodh algum dia seria. Ela havia construído aquela relação, e ela por mais teimosa que fosse sabia que Prisca sempre estaria ali para ajudá-la. Mas naquele momento ela havia se metido em toda aquela situação sozinha. Ela queria levantar e continuar a procurar o caminho, mas já estava começando a ficar cansada e aquele era um sinal ruim. Sono nunca era algo bom em uma situação como aquela. Era o primeiro sinal de que seu corpo estava desistindo, e mesmo sendo uma maneira fácil de morrer, ela não queria ceder assim.
A garota fazia tudo para se manter acordada. Cantando músicas em sua mente, estúpidas músicas que Prisca havia apresentado para ela, mas que naquele momento faziam com que ela se lembrasse da menina e assim não desistisse. Foi quando começou a ouvir barulhos. Poderia ser sua mente realmente pregando peças por causa de sua condição, e estava uma pequena nevasca do lado de fora. Ainda assim, ela poderia jurar que estava ouvindo alguma coisa. Era tudo que faltava lutar tanto para não morrer congelada, e acabar morrendo degolada por algum urso. Tara pensava no que havia feito para merecer aquilo. Será que era algum castigo dos antigos deuses Africanos? Castigando-a por não ter seguido seu lugar de direito. Ela deveria ser uma comandante, mas ela nunca se sentira daquela forma. Ela não nascera para liderar um país. Algumas pessoas em exército, soldados, mas não tomar decisões políticas baseadas em status. Ela era um general, e não um peão. Agora a garota parecia ter mais certeza que era sua mente pregando peças, pois ela poderia jurar ouvir a voz de Aodh. Sem dúvidas sua mente estava querendo caçoar da garota de todas as maneiras possíveis, e trazer o garoto a sua mente era a maneira mais cruel de fazer isso. Por dentro, ela era somente mais uma garota tentando sobreviver ao dia seguinte, mas por que ela tinha de pensar tanto nele? Sem contar no quão errado que era. Ela sabia que havia um segredo em sua família, segredo que a fez fugir para que o irmão fosse o líder. Ainda assim, ele de alguma forma era seu irmão. Mesmo que não fosse por completo. “Vá embora, e me deixe morrer sozinha” Reclamou para sua mente assim que a imagem de Aodh estava presente ali. Ela sabia que aquele era um sinal afirmando que estava alucinando.
The best thing about tonight's. That we're not fighting. Could it be that we have been. This way before. | Aodhara
Adhara sempre foi alguém muito teimosa. Não havia uma dúvida sobre isso. Desde pequena a garota nunca aceitara as condições impostas para ela. Por isso havia sido tão fácil para ela ir embora. Somente havia ajudado ela todo aquele tempo, mas agora ela não era mais Adhara. Ela era Tara Ulrich e ela tinha deveres a fazer. Não sabia como havia acabado naquela situação, mas ela sempre tentava fazer o que era melhor para seu time. Por isso ela estava tentando aquele caminho alternativo. Se ele desse certo na próxima vez que chegassem perto daquele vilarejo seria muito mais rápido, mas haviam vários problemas em enfrentar as montanhas. Elas eram instáveis, talvez tão instáveis quanto o temperamento da garota. Que havia gritado com seu irmão a poucas horas. Talvez era por isso que estava ali. Para provar que estava certa. Não havia gostado que ele tivesse desafiado a mesma, e ainda mais levado o resto da sua equipe pelo outro caminho.
Era complicado ver Aodh daquela forma. Ela não sentia nada afetivo por ele. Não era como se ele fosse seu irmão. A única pessoa que ela via desse jeito era Prisca. Por isso era tão fácil para ela sentir aquela outra coisa. Aquilo que ardia em seu peito, mas que ela muitas vezes tentava esconder. Ela não poderia nem sequer tentar descobrir o que era aquilo que ela carregava consigo com medo do resultado. Já havia ficado de noite, e provavelmente o time já havia chegado de volta ao acampamento. Ela não desistiria por mais que estivesse congelando naquele local. A mulher era teimosa o suficiente para não desistir de seu ponto de vista. Seus passos eram muito bem pensados, então ela retirou todos de seu pensamento. Prisca, seus soldados, e principalmente Aodh. Ela não conseguia lidar com ele. Com aqueles laços. Era muito mais fácil para eles acreditar que Adhara simplesmente havia sido sequestrada e morrido. Tara muitas vezes gostava de acreditar nisso. Ela era uma nova pessoa.
Então o caminho pirou, pois a chuva começou. Tudo começou a deslizar, e Tara soube que não poderia continuar. Sua sorte foi uma caverna no meio de toda aquela montanha. Ela não tinha medo de alguns morcegos ou ratos. Poderia ficar ali até a chuva passar e o dia nascer. O problema era o frio. Por mais que tivesse preparada para aquela situação ela nunca ficava confortável estando sozinha. Era por isso que precisava de Prisca para quase tudo. A garota tirou sua lanterna da bolsa usando como modo de aquecer suas mãos antes de montar uma pequena fogueira para manter-se aquecida. Não tinha muito suprimento, mas deveria bastar para até a manhã seguinte. Ela não desistiria do seu caminho, e sem dúvidas ia provar para todos que estava certa. Pois ela era assim. Nada importava desde que estivesse certa, e ela queria esfregar isso na cara de Aodh.
highness-aodh:
Yes, I’ll always be a prince, but that doesn’t mean I can be something else. And assuming that I’m only that is where you made your mistake. And right here, right now, I’m your equal, Captain, not a prince.
I thought I was the prince who doesn’t have the balls to anything. E perder a oportunidade de bonding time with you. C’mon cap. It will be fun.
You only are a Captain ‘cause you’re a prince. Everything is so fucking easy for you. Your father made you come here. You’re not here by choice. You and all those royalty people are just puppets. You all do what someone else says. When you have done something for yourself?
If you keep talking like that I’ll believe that you have this kind of crush for me and believe me...you and I will never be together. So do a favor for yourself and don’t follow me.
highness-aodh:
That’s your problem, you don’t see that I’m not here as a prince. You just can’t see pass the imaginary crown you put it in my head. But that’s ok, you’re not the first one and probably not the last. That only will be way too nice when I prove your wrong, Captain.
Too little too lat now, Ulrich. Eu serei o que irá te acompanhar pelo desfiladeiro, agora você poderá ter a chance de ser my dark knight in a shining armor, sweetie.
You’ll always be a prince and you have your duties. You can’t fight against that. Is who you are. You won’t ever prove me wrong, Aodh. I mean, your highness.
I’m sorry, but I’m not anyone’s savior. You’re a big boy you can take care of yourself. Não seria melhor você simplesmente ir pelo outro caminho? Onde não vai ter a possibilidade de eu ficar irritada e te jogar montanha a baixo?
highness-aodh:
Care about coleteral damage? Well, we see today how much did you care about that, sweetie. Those men on the hospital are not only mine, Ulrich, there are yours too. So you can’t cut the crap about caring about coleteral damage ‘cause you don’t think about the other people around, you don’t see the whole picture and I’m the one being reckless here? Yes, I may or may not care about my safety but I won’t put people at risk to prove myself, Tara.
Bom, ela pelo menos tem a decência de saber participar de uma discussão amigável. Eu sei, ok, acredite, eu sei. E também sei como é ter mãos atadas porque é preciso jogar conforme as regras do jogo. Não estou questionando sua vontade de ajudá-los, mas você não pode sair por aí se arriscando esperando que os outros apenas a sigam cegamente porque você acha que isso é certo. Queira ou não, somos uma equipe e não estou pedindo para virarmos melhores amigos, mas temos que trabalhar juntose e isso significa que lá fora eu tenho que saber se eu posso confiar em você.
Don’t call me, sweetie. Not today. Not ever. Those men are there because you insist in doing things on your own way. You’re not my friend to call me Tara. You don’t get to do that. Ohh, but you’re such a good boy. You do all things so right. You won’t do what you have. You don’t have the balls, dear highness. Royalty isn’t needed here. I was doing just fine without you here. Actually everything was way better when you wasn’t here.
Eu sei fazer discussões amigáveis. Ela é minha melhor amiga pode perguntar para ela o quão agradável eu consigo ser com as pessoas que merecem. Você não tem suas mãos atadas você está confortável e não quer perder isso. As escolhas que eu faço são tomadas depois de eu pensar muito, e eu não obrigo ninguém a me seguir. Eu como líder explico meu plano, não forço ninguém a me seguir. Então os riscos que eu tomo as pessoas já estão cientes do que vão enfrentar. Eu sei que temos que trabalhar juntos, mas eu vou atravessar aquela desfiladeiro. Se quiser pegar os homens e seguirem para o outro lado já tem uma tropa que vai fazer isso. É mais rápido seguindo o desfiladeiro, e eu vou chegar lá primeiro. Não importo de ter que chegar sozinha. Me deixe passar, princess.
highness-aodh:
And you think you’re so noble because you are so sure that you have the worst backstory in here and uses this to judge everyone. But, you know, who am I to say something, right? I’m the guy who was born with a silver spoon in my mouth and a crown in my head.
Bom, estava tentando ser um pouco diplomático com você, mas vejo que ser razoável com você é basicamente perda de tempo. Entretanto, se julga ser tão boa líder sabe que terá que escutar os outros uma hora ou outra, só espero que não perceba isso após de machucar-se, Captain Ulrich.
I’m not here because of my background. I fight everyday to have a little spot in all this. This is even bigger than your ego. You have the power to do something and sometimes you just don’t. You’re reckless and you don’t care for other people safety. You just want go back to your castle no matter the consequences. Guess what? I care about every coleteral damage.
Se quer ser diplomático vá falar com a Prisca. Ela que lida com isso. Eu só quero fazer tudo certo, e ajudar essas pessoas. Você sabe o quanto elas precisam de nossa ajuda? Elas não tem nada. Eu vou fazer o que for melhor para outras pessoas independente do que elas falem. Elas podiam me odiar, mas eu vou fazer isso por elas. Por que eu sou a líder aqui. Eu sou grandinha, não vou me machucar assim tão fácil, não se preocupe.
highness-aodh:
Oh, so proud, so fair, so good Captain Ulrich. Sempre pronta para tomar a frente, não? Então vamos combinar o seguinte, se o fato de um dos meus homens quase ter morrido fora sua culpa, tente não tomar decisões estúpidas. Assim, evitamos todo esse drama que insiste em criar.
You’re such a spoiled children. Se eu não tomar alguém vai não posso esperar as coisas sentadas. Elas não vão cair no meu colo. As pessoas tem que merecer estarem aqui. Serem líderes. Ninguém vai morrer, a não ser que você se meta em algo que não é de seu interesse.
O que foi dessa vez...príncipe? Eu tomei a decisão, minha responsabilidade. Não desconte neles seu problema é comigo.
(flashback) you've lost all hope | Tara&Nate
natejonesrpg:
Apresentar Gael a novas pessoas era quase sempre uma tarefa difícil. Sem saber como a pessoa iria reagir perante a notícia ou até mesmo ao contato com um estranho. Muitas vezes sem nem mesmo falar a mesma língua. Qualquer tipo de ser podia aparecer ali. Assustados demais com o impacto que sentiam ao abrir a porta. Ou com o lugar desconhecido. Nem todos eram capazes de acreditar que estavam em um mundo paralelo. Existiam muitas outras explicações mais prováveis. Por exemplo, de a pessoa achar que fora raptada, algo que não era uma completa mentira. Poderia também pensar que estava sob o efeito de drogas ou álcool. De que estava doente e delirando. Quando ele chegou pela primeira vez achou que estava louco. E pensava que nada do que via era real. Por semanas acreditou naquilo antes de finalmente perceber que estava preso em um lugar sendo observado. Surtou por um tempo, odiou quem o deu a possibilidade de estar ali. Demorou a entender aquele lugar e as pessoas que moravam ali.
Contudo, explicar tudo aquilo ainda era pior. Dessa vez, contudo, tinha a facilidade de a cidade já ser possivelmente conhecida pela maior parte do mundo. As notícias surgiram logo que todos deixaram Gael pela primeira vez. Ele lembrava-se de pensar que ninguém acreditaria no que falassem. Serem capturados por um velho maluco. E aprisionados em uma cidade paralela e que o portal até lá não passava de uma porta vermelha. Parecia surreal demais. Quando se reencontrou com os pais sentiu-se constrangido de contar a história. Tudo aquilo parecia ser inventado. Uma história de alguém que passara por um trauma muito grande. E a mente criou uma barreira para impedir as lembranças. E no fim a história não pareceu maluca para todos. A mídia acreditou e mais importante, os pais acreditaram. Ele não quis aparecer em jornais, não queria ser mais um rosto estampado em folhas. Por um tempo queria até mesmo esquecer que aquele outro mundo sequer existiu para ele.
“Hum… Você está em Gael.” Esperava que a simples frase bastasse para explicar a maior parte da situação. Estavam presos e talvez estivessem sendo vigiados por aquele que abriu novamente a passagem até ali. Torceu silenciosamente para que ela não surtasse perante aquilo. Se fosse o contrário e ele fosse um recém-chegado e conhecesse Gael apenas pelas notícias ele teria surtado. “Você deve ter ouvido falar desse lugar.” Deu os ombros imaginando que a partir dali tudo ficaria mais óbvio. “Nate Jones.” Estendeu a mão, oferecendo-a ajuda para levantar-se. “Você está machucada?”
Agradeceu mentalmente por seus pais incentivarem tanto Adhara ter aula de tantos idiomas, pois naquela situação ela não sabia com o que poderia ter que lidar. Ainda bem que a primeira pessoa que encontrou respondeu ao inglês. Era estranho que mesmo não sendo uma língua global, todos soubessem falar. Já havia escutado sobre aquilo na Bélgica, muitos preferiam conversar e treinar o inglês para oportunidades de trabalho. Como Adhara era herdeira de um trono era muito óbvio que ela tivesse de falar vários idiomas. Seus olhos tentavam guiá-la por aquele lugar. Não parecia ser tão ruim assim. O lugar era ameno, e o clima um pouco úmido, mas nada que ela não pudesse aguentar. O garoto a sua frente parecia bastante amigável, e Tara não queria continuar na defensiva. De pé começou a compreender com calma o que o mesmo estava falando. Ela sabia o idioma, mas fazia muito tempo que não havia praticado.
Conforme o garoto explicou era para ser óbvio para Tara, mas ela tentou lembrar de algum país chamado Gael, e ela conhecia o suficiente de Geografia para saber que não existia nenhum país chamado Gael. Balançou negativamente a cabeça e cruzou os braços em torno de seu busto. “Eu não ouvi sobre nada, passei os últimos meses servindo o exercito. Quando eu voltei...bem, não faz muito tempo que eu voltei. Então nem assisti televisão ou algo do gênero. É uma cidade nova? Desculpe estar sendo chata, é um pouco confuso para mim.” Começou enquanto balançava a cabeça andando um pouco de voltas em torno de si mesma para ver se tudo começava a fazer um pouco mais de sentido para a garota. “Estou bem. Só meu braço que está doendo um pouco, mas é porque eu tinha levado um tiro durante o treino e passei por cirurgia não faz muito tempo, razão para eu ter sido liberada. Acabei caindo em cima dele.” Apontou para o mesmo que agora mandava pequenos choques de dor pelo corpo da mesma. Respirou fundo o esticando sabendo que deveria fazer isso como fisioterapia. Ela havia pulado a fisioterapia e sabia que era um erro.
Ainda assim aquele lugar onde estava não parecia tão deserto. Usou seu treino para notar mais coisas. Várias pessoas poderiam ter passado por ali, pois onde tinha mais lama haviam várias pegadas. Pareciam de botas pesadas, provavelmente homens. Aquela parecia ser uma boa área para caçar. Suspirou encarando a sua volta. Havia alguns frutos nas árvores e mais longe talvez alguns animais. Do lado contrário de onde estava parecia mais povoado com alguns edifícios. “Estou muito longe da Bélgica, não estou? Eu lembro de ter aberto uma porta, e depois parecia que algo me bateu bem forte na cabeça, pois acordei aqui e com muita dor de cabeça” Comentou enquanto ria. Talvez ela tivesse batido em algum poste e alguém a levou para li. Não sabia, muita coisa não fazia sentido. Não queria entrar em panico, então apenas respirou fundo esperando a resposta do garoto e as sugestões dele sobre o que fazer.
Take me away || Lúcia, Atticus, Madison, Erin, Jonna, Margaux, Karen, Gregory e Tara.
Quando ouvira sobre a pré-reunião em alguma de suas conversas supérfluas com os habitantes de Gael, suas esperanças ressurgiram imediatamente. Viver ali estava se tornando insuportável, não apenas não tinha nenhum de seus métodos para fugir da realidade além de livros, como também os produtos de subsistência estavam se tornando escaços. No entanto, nem todo o entusiasmo que a expectativa de uma vida melhor ali, ou até mesmo a possibilidade de escapar da cidade, foram suficientes para fazê-la chegar no horário marcado. Nunca fora uma pessoa pontual e algumas coisas nunca mudam.
Acordou tarde demais, vestindo as botas de sempre e improvisando uma blusa com uma toalha velha para tentar se proteger do vento frio que soprava do lado de fora, ela pôs-se a caminhar em direção ao lugar determinado em que os moradores de Gael se reuniriam. Não se apressou, pois apesar de estar animada para encontrar soluções, não podia dizer o mesmo de ter que se relacionar socialmente. Principalmente por que estava completamente sóbria.
Quando finalmente chegou, hesitou um pouco a porta, ligeiramente nervosa e sem saber como agir, arrumou o cabelo desgrenhado e caminhou para dentro da construção abandonada. A princípio, não falou nada, apenas examinou os presentes. Não encontrou nenhum rosto particularmente familiar, embora já tivesse visto alguns. Sentou-se, encarando as pessoas um pouco intensamente demais, como sempre fazia, então, finalmente acenou com a mão em um breve cumprimento. “Desculpem a demora. Perdi muita coisa?” disse, com a voz baixa, mas firme.
Naquela manhã como a maioria Tara jogara o suficiente de água para tentar acordá-la. Pensando que de alguma forma acordaria e veria que não estava em um mundo paralelo. Todos os dias eram frustados, por mais que ela fosse até o rio e lavasse o rosto. Ela continuava ali tendo que encarar seu reflexo na água. Como não tinha muitas opções vestia sua jaqueta que havia vindo para a cidade e tentava ser útil. Ajudar na caça ou a contar mais lenha. Mesmo havendo poucas mulheres a menina não ligava. Conseguia também achar algumas plantas ou frutas que eram úteis por conta de seu treinamento no exercito, mas ainda achava estranho. Será que eram realmente as mesmas frutas? Tudo em Gael parecia suspeito para a garota, e não apostaria sua vida em coisas assim.
Estava trabalhando quando ouviu sobre aquela reunião. Tara sorrira. Era a primeira vez que falavam sobre uma conversa. Alguma forma de sair daquele local. Ela poderia não ter para onde ir, mas estava louca para colocar os pés para fora dali. O mundo era uma grande possibilidade. Ela não iria ficar esperando alguma coisa acontecer. Assim que terminara de ajudar levou tudo que recolheu para a grande cozinha improvisada que fizeram perto de refeitório. Sabia que não deveria se apresentar tão desarrumada. Quando lembrava de suas aulas de classe, e de tudo que fora ensinada. Se seus pais a vissem nunca pensaria que era a filha deles. Ninguém em seu reino saberia. Soltou um suspiro, era bom ser ninguém, mas ao mesmo tempo era solitário.
A única pessoa que a conhecia Tara estava evitando. Prisca passara dos limites para a menina, e ela não sabia como reagir depois da última conversa que tivera com a mesma. Estava feliz da mulher esta ali, e ao mesmo tempo apreensiva. Ajeitou seu cabelo e tentou dar uma limpada na roupa para não parecer que havia passado boa parte do dia trabalhando. Como aprendera, Tara entrou no local combinado analisando a maioria de pessoas. Muitos possuíam perfil duvidoso, mas ela duvidava que alguém tentasse fazer algo ali. Era um local controlado. Eles não tinham regras ou líder, mas sabia que ninguém tentaria alguma gracinha. Eles eram em um número grande, e duvidava que tantas pessoas aceitariam a injustiça de forma grátis. Encostou-se na parede. Observando as pessoas chegarem. Depois de um tempo olhou para a porta. “Acho que podemos começar.” Afirmou enquanto fechava a porta e procurava um local para sentar. “O que viemos discutir aqui, pois eu ainda não entendo nada dessa cidade. Só quero ir embora. Voltar para casa, mas ninguém parece saber nada sobre isso.” Bufou enquanto tentava encontrar alguma voz. “Mas existem pessoas que já saíram, não é? Eu estava servindo nos últimos meses. Alguém sabe da história melhor?” Perguntou para todos. Sabia que não era a única com vontade de dizer algo, e então calou-se novamente encarando os outros rostos e esperando alguma resposta.
(flashback) you've lost all hope | Tara&Nate
Nathaniel se via como uma pessoa complicada. Muitas vezes acabava pensando demais antes de fazer algo e estragava o que planejava. Outras vezes agia sem refletir nem mesmo por um minuto e o resultado também era um estrago. Talvez o que tenha o levado a Gael foi a falta de reflexão. Contudo, buscou não pensar no que o levara até ali, era uma decisão que pretendia não quebrar. Manter a cabeça ocupada pelo menos até a cabeça estar clara para pensar sobre o que fizera e quais seriam as consequências daquilo. Resolveu não pensar nisso, já havia decidido quando atravessara a porta que não poderia se arrepender. Já que não haveria como voltar atrás, de nada adiantava ficar pensando nisso.
… Apreciou mais uma vez o silêncio do Mad Cap, quando estava vazio era fácil se concentrar nos acordes de piano que rabiscava. Há meses não montava novos acordes e de repente, em meio a goles de café, a inspiração surgira. Desenhava a harmonia com facilidade, tentando imaginar os sons formados, marcava em seguida a melodia e quase conseguia começar a letra. Ainda precisava do piano para aperfeiçoar aquilo, mas nada além de detalhes. Sentia-se orgulhoso do que marcara até ali. A falta de álcool era possivelmente a principal responsável por aquilo. Na Irlanda abusara, bebera mais vezes do que podia contar. Deixou de lado muitas coisas para ir à festas e essa foi a ruína de tudo. Balançou a cabeça e focou-se mais uma vez no que estava fazendo. Bastou mais alguns acordes e notas soltas para finalizar a música.
Levantou-se e agradeceu pelo café, deixou o lugar e seguiu sem rumo pela estrada. Analisava as marcações que fizera sem olhar por onde andava. Permitiu que os pés o guiassem a qualquer lugar, só tomando cuidado para não esbarrar em nada e em ninguém. Parou de repente quando percebeu que começava a entrar na floresta. Não estivera ali desde que chegara a cidade. Dois anos antes fora ali que pisara a última vez antes de voltar para Ballymena. Seguiu em frente guardando o caderno no bolso. Precisava se guiar pelas árvores devido a escuridão, logo a frente avistou uma mulher deitada ao chão, Nate seguiu até a clareira e se aproximou com cuidado. Encostou no ombro dela e se abaixou “Hey, você está bem?”
Já havia estado em situações muito piores do que aquela. Ela já havia estado em desertos tendo que ficar abaixada e em treinamentos contínuos de sobrevivência, se ela havia passado por tudo aquilo porquê aquele lugar fazia com que ela sentisse mais medo do que deveria? Sempre foi alguém que confiava na ciência. Em fatos reais, e nada daquilo parecia ser real. Poderia estar muito bem dormindo, pois aquela não era uma realidade que ela estava aceitando muito bem. Nem mesmo sabia como havia chegado ali, e onde estava. Quando ela ia para uma batalha ela sabia onde estava indo e onde estava se metendo. Era arriscado, mas havia aquela confiança de que pelo menos ela sabia onde estava. Ali, ela estava apenas perdida em uma confusão de pensamentos e desconfiança. Ela havia aberto uma porta, e parado em um lugar totalmente diferente do parque. O que era estranho, ao minimo, ela não estava nem mesmo preparada para aquela situação.
Por isso estava naquela posição tentando pensar em formas de fazer sua mente funcionar. Desligando-se todas as emoções, mas não conseguia evitar se sentir como uma criança perdida. Ela não tinha ninguém, e todos que ela um dia havia confiado estavam para trás. Lembrar-se daquilo só fazia com que a dor em seu peito aumentasse. Sabia que deveria controlar ela não poderia surtar em um lugar desconhecido. Usava o seu treinamento para ritmar seu coração para não ficar tão nervosa usando contagem para acalmá-lo, mas nem mesmo força para levantar do chão ela tinha. Seus olhos pareciam prestes a chorar, mas Adhara, ou Tara, como era conhecida agora não chorava na frente dos outros. Mesmo quando seu único plano para salvar seus irmãos havia dado errado. Ela não tinha mais nada, nem mesmo um sonho. Nunca mais voltaria para casa, nunca mais veria seu povo. Ela estava certa no final, nunca seria uma boa sucessora, Aodh faria um trabalho muito melhor.
Nunca pensou que estaria distraída a ponto de não perceber que já fazia um tempo que não estava sozinha. Só percebeu quando sentiu a mão em seu ombro tomando susto. Ela não estava sozinha ali. Tomou um pouco de susto, mas fez de tudo para não demonstrar. “Onde eu estou?” O garoto não parecia ser muito mais velho que ela, e nem um pouco hostil. Sabia que não poderia deixar sua guarda baixa por motivo nenhum, afinal ainda era um estranho, mas ele deveria saber o que se passava ali muito mais do que ela. “Tara Urich” Pronunciou o nome, e tentando se levantar. Ela não poderia parecer fraca perante outra pessoa. Ela não poderia deixar ele ver o medo por trás de suas palavras ou ações. Ela era um soldado, não podia deixar que vissem além disso.
dinner time | Tara&Jason
Jason ainda tentava entender o que havia acontecido. Nenhuma fórmula da matemática, física ou química conseguia explicar tal feito. Não havia relatos na história… pelo menos nenhum encontrado ou comprovado de que portas apareciam do nada e sugavam pessoas para dentro de mundos paralelos a não ser contos como As Crônica de Nárnia, o livro de Percy Jackson e um episódio de Supernatural além de muitos outros. Quase não dormira na noite passada por conta disso. A ideia de que um mundo girava junto com Terra e era praticamente idêntica à mesma era tão absurda que ele chegava a acreditar que aquela porta era mais um teletransporte para outro lugar no planeta e não uma outra dimensão. Mas Foram precisos muitos veterano para fazer a cabeça do loiro entender tudo. Ou um décimo de tudo.
Seus olhos fitavam o nada ainda perdidos nesses pensamentos confusos, precisando de apenas alguns segundos até finalmente perceber que alguém falava. Mesmo assim soava distante demais, não parecia ser com ele. Então seu olhar que antes estava perdido, agora assumiram um foco e Jason percebeu que olhava há muito tempo para seios. No mesmo instante franziu a testa. Seios não poderiam estar conversando com ele, era fisicamente impossível. Mas depois de ser sugado por aquela porta, começou a duvidar das coisas. Quando ergueu a cabeça para falar algo, seu rosto corou levemente ao notar que não estava prestes a conversar com seios e sim com uma garota sorridente. Não pôde evitar sorrir. - É… Hmmm… Claro, senta aí.
Ficar ali não era a decisão certa. Sabia disso, ainda mais porquê aquele não era o lugar que ela pertencia. Mas onde ela pertencia? Não tinha mais uma casa para voltar, e sabia que tudo estava dando errado. Porém ir para uma outra dimensão era totalmente confuso e anormal demais para alguém que treinara para ser herdeira de um reinado e nunca havia ouvido nada como aquilo. Parecia muito mais uma daquelas histórias que contavam para criancinhas na aldeia querendo assustá-las, mas claro que não eram assim e eram coisas mais ligadas a almas e animais, mas se fossem fazer uma atualização teriam feito alguma história assim. Sentia falta do calor que fazia seu reino, mas ainda assim o calor e a saudade pareciam muito distantes para ela naquele momento. Tudo que deveria fazer era esquecer para poder seguir em frente.
Tara poderia perceber que não era a única em outro planeta. Pois o garoto ficara encarando o mesmo ponto fixo por um tempo, e ela simplesmente sabia que não tinha nada demais, pois Tara sempre tivera o busto reto. Não totalmente reto, mas uma de suas revoltas com Prisca quando era mais nova é que a garota tinha um busto mais avantajado que o dela. Só que assim ela acabara ficando um pouco sem graça. Porém o garoto logo voltou para ali, e ela percebeu que o mesmo ficara extremamente sem graça. “Acho que não sou a única perdida por aqui, Tara.” Estendeu a mão para cumprimentar o garoto enquanto se sentava.
smiles and breakfast | Tara&Alexei
Ele estava perdido. Tão simples quanto isso. Não num sentido literal da palavra. Uma semana tinha chegado para conhecer os cantos principais da cidade, o suficiente para que pudesse caminhar pelas suas ruas, sem acabar se questionando onde tinha tomado a direção errada para se perder daquele forma. A verdade é que não sabia o que fazer. Não pertencia ali. Não havia qualquer esforço da sua parte para pertencer também, apenas fazendo pequenos trabalhos quando era obrigado e sumindo o resto do tempo, preferindo a companhia dos seus próprios pensamentos do que dos outros cidadãos. Via o simples ato de socializar como aceitar sua situação e ele não conseguia aceitar que estava preso ali, quando tudo o que queria era voltar para casa.
Uma coisa que definitivamente não era natural para ele. Era social e animado, o contrário de sua família fechada e privada. Mas ali… Longe de seu irmão e de tudo com o que se importava, parecia ser difícil fazer essa parte de si voltar. O que tornava complicado pequenos momentos como quando garotas bonitas pediam para sentar na sua mesa. Olhou em volta, procurando alguma alternativa, talvez um lugar milagrosamente vazio, mas quando não o encontrou, sabia que não tinha outra solução se não ceder. “Claro. Não posso prometer que serei uma boa companhia.” Brincou, com um meio sorriso, sendo tudo o que lhe conseguia oferecer naquele momento.
A mulher nunca fora boa na parte de se socializar, por mais que ela se esforçasse ela parecia mais uma experiencia dando errado. Sua aparência não condizia em nada com sua personalidade. Por passar tanto tempo no exercito ela aprendera a ter postura, mas pelas aulas de etiqueta que tivera quando era pequena sabia que sempre deveria ser educada. A mistura dos dois nunca era recomendada pois acabava simplesmente dando errado. Por isso sempre ficava no canto, menos em momentos como aquele onde era necessário se misturar para poder ter um espaço para comer. Se bem que ela preferia comer onde estava dormindo mesmo, mas sabia que as três refeições eram feitas naquele lugar e ela havia ficado muito tempo em um lugar sozinha e sabia como sentia falta da civilização, afinal que tipo de herdeira ela seria em um futuro se não soubesse falar com as outras pessoas?
Agradeceu mentalmente que o garoto simplesmente não a mandou embora, mas ainda assim a resposta dele não soara como se fosse algo para ser apreciado. Tara simplesmente sentou-se no lugar mantendo sua postura impecável e muitas vezes séria. “Desde que seja educado não tenho nada a declarar.” Sua resposta poderia ter saído um pouco grossa, mas era o jeito que ela se comunicava e como ela imaginava era bastante falho. Ela ainda tinha muito o que aprender. Talvez ao invés de caçar ela devesse dedicar seu tempo a treinar mais. Porém o que Gael precisava era que pessoas como ela capacitadas ajudassem e era aquilo que ela faria. Tentou parecer não tão grossa, mas ainda assim não pode evitar o bico em seu rosto.
smiles and breakfast | Tara&VOCÊ/ABERTO
Conforme passava o tempo naquela cidade estranha lembrava que precisava levantar e enfrentar todos os dias o resultado de suas escolhas. Levantou-se e limpou o rosto pronta para passar a tarde ajudando a colher os frutos ou até mesmo caçar, ela tinha habilidades para isso. Como soldado ela poderia ver o que todos precisavam e conseguia em cima disso procurar o que era necessário para alimentar os habitantes dali. Ela não queria chamar atenção era muito melhor ficar apenas na dela.
Tara estava irreconhecível, por ter crescido em outro lugar e sempre tentar esconder seu rosto através de maquiagem, tintura ou corte de cabelo ninguém nunca reconheceria a antiga herdeira. Seguiu até o lugar onde fora indicado a ela onde todos faziam as refeições buscando algo para comer antes do trabalho pesado. Ela sempre gostava de ajudar pessoas, então começar ajudar lá não fora um problema. Claro, ela sempre tentava ajudar quem precisava.. Passaria o dia lá, e a noite tentando entender onde estava e o que acontecia. Já no lugar tentou achar uma mesa não tão cheia, mas todas estavam ocupadas. Exibiu um sorriso para a pessoa sentada. “Se importa se eu sentar aqui está tudo ocupado.” Explicou e esperou por uma resposta.
you've lost all hope | Tara&Nate
Em um minuto Tara estava andando na rua perdida e sentido como se não houvesse lugar no mundo que ela poderia pertencer. Era muita coisa para sua mente e ela achava que poderia se afogar em seus próprios pensamentos se continuasse daquela forma. Todo o controle que havia adquirido toda a força havia simplesmente sumido. Do que adiantava ter fugido de casa quando era uma criança? Do que adiantava ter lutado para se tornar uma boa líder para seu país uma vez que nunca conseguiria fazer isso. Tudo que Tara sabia fazer era fugir. Aodh seria um líder muito melhor do que ela. Ela procurava coisas do irmão na internet, e sabia que ele havia se tornado um bom líder. Um líder muito melhor do que ela seria, apesar de saber que poucos haviam superado a sua perda.
Não fora bem uma perda, pois Tara estava viva. Apenas não atendia mais pelo nome de Adhara. Aquela garota havia ido embora a muito tempo atrás, e não estava pronta para voltar. Se algum dia ela sentisse que estava pronta ou que poderia voltar para seu pai para ser a herdeira digna de seu povo ela voltaria a ser a Adhara. Mas no momento ela não fizera nada a não ser trazer vergonha para seus pais. Por isso que gostava de se esquecer que era Adhara e só lembrar que era Tara, pois Tara havia conquistado tantas coisas. Havia entrado para uma família, e mesmo sendo uma família abusiva ainda aprendera a ter laços com seus irmãos. Pudera conhecer Prisca melhor, e bolaram várias ideias para salvar seus irmãos. Ela só precisava de tempo e segredo da mesma. Conseguira então ir para o exercito e logo iria conseguir fazer com que seus irmãos ficassem junto a ela, só precisava novamente de tempo.
Porém quando voltou havia tudo se tornado um caos. Todas aquelas memórias, Tara queria gritar. Nunca sentira tão insegura. Enquanto andava pelo parque vira aquela porta. Ah, como aquela porta começara a chamar sua atenção. Ela sempre fora alguém curiosa. No momento que tocara a maçaneta sabia que algo novo estava acontecendo. Quando abriu os olhos não estava mais na cidade. Estava tonta, e não entendia mais nada. O que estava acontecendo? Não importava se estava cinco anos no exercito algo nunca mudaria. A garota deitou naquela grama molhada abraçando seus braços em posição fetal. Não sabia o que estava acontecendo, mas talvez se fechasse os olhos e dormisse poderia acordar e tudo aquilo ser um pesadelo.
Mas não importava o quando ela forçasse ainda estava naquele mundo estranho que não possuía volta.
How we end up like this? | Prisra
Não se fazia nem uma semana que Tara encontrava-se em Gael. Ainda era tudo bastante complicado para a mesma entender o que se passava naquela cidade e principalmente entender o fato que não teria como voltar. A curiosidade da mesma havia levado-a até ali e não havia mais volta. A Urich tentou respirar fundo. Ela havia passado por um treinamento e servira o exercito uma cidade pacifica deveria ser fácil de se viver. Seus instintos quiseram com que ela logo procurassem pelas pessoas que estavam com mais cara de estar no comando para perguntar como ajudar, mas ainda não havia feito aquilo. Estava tentando entender o que era aquela cidade antes de qualquer coisa. Lembrava-se da explicação do garoto que a ajudara, mas ainda assim era muito confuso. Uma cidade como aquela ou o fato de ter se teletransportado. Era tudo tão confuso na mente da garota.
Ela precisava de uma aspirina. Tentou se lembrar um pouco que sabia sobre os caminhos daquela cidade enorme. Não achava que teriam aspirina, mas ficou sabendo que possuíam muitas plantas e então talvez eles pudessem ter algo medicinal. Algum suco para acalmá-la. O coração de Tara batia como nunca havia antes. Tentara acalmá-la nos últimos dias, mas ficara cada vez mais difícil uma vez que sentia-se em território estranho. No exército ela aprendera a ter controle e fazer reconhecimento, mas aquela cidade deixava tudo aquilo impossível. Gael, como a cidade era chama nem mesmo estava no mapa. Era tudo tão complexo,a s coisas que escapavam as respostas normais deixavam a garota cada vez mais nervosa.
O caminho não fora tão complicado ficara feliz consigo mesma de ter lembrado do mesmo. Respirou fundo batendo no lugar improvisado para tratar dos machucados. Bateu na portinha. “Oi, alguém aqui?” Nesse momento agradeceu por não estar segurando nada, pois teria deixado cair. A pessoa de costas. Ela poderia jurar que era Prisca. Não, não podia ser. A amiga que nunca mandara mais mensagens para ela que havia denunciado sua família e nunca mais a procurado. Quando Tara precisou dela novamente após ter sido atingida quando confiara um segredo a ela, a mesma havia contado. Aquilo não era nem um pouco...normal? Quando as coisas voltariam a ir para os trilhos?
“Prisca?” Sua voz era falha e muito fragilizada talvez como vidro pronto para espatifar e ficar aos pedaços. Não, ela não poderia estar ali. Não poderia. Virou as costas para fazer o que melhor sabia: Fugir.