SPIDER ON THE RUN - capĂtulo 1
đžïž â„ Damian Wayne X SpiderÂĄ!Leitora
Sinopse :: Sem amigos, sem famĂlia e sendo vista por aqueles que deveriam ser seus protegidos como nada mais do que uma fera aracnĂdea que se pendura entre seus prĂ©dios. Nada poderia ser tĂŁo ruim, atĂ© que ela descobriu que era um erro, uma anomalia. Fugindo, ela cai em um universo sufocante, sem estrelas, onde a loucura se esconde sob capas negras e a noite nunca termina.
Avisos :: Eu tenho quase certeza de que o Killer Croc tinha alguns comportamentos canibais em alguma HQ(provavelmente estou errada), a histĂłria se passa antes dos acontecimentos em Aranhaverso 2, Damian e a leitora tem idade para estarem no ensino mĂ©dio + eu nĂŁo entendo absolutamente nada sobre os nĂșmeros das dimensĂ”es da Marvel/DC, entĂŁo ignorem qualquer erro.
VocĂȘ mancou atĂ© a borda do terraço e atirou uma teia no prĂ©dio ao lado, se grudando contra a parede de tijolos antigos e começando a escalar. Guinchos e gemidos de dor ocasionalmente escapavam por detrĂĄs da sua mĂĄscara, a dor no seu lado se estendendo atĂ© o tĂłrax e o seu braço direito, mas vocĂȘ finalmente chegou ao topo.
Se empoleirando no ponto mais alto daquele terraço, seus olhos captaram o cenĂĄrio com cautela. Os prĂ©dios pareciam mesclar a modernidade com o clĂĄssico, mas a maioria deles pareciam desgastados ou meio corroĂdos. Uma neblina escura persistia atĂ© onde a vista alcançava, assim como o ar escuro e pesado que cercava a atmosfera da cidade.
Fechando os olhos, vocĂȘ se concentrou.
Vozes alteradas discutindo por entre paredes abafadas e repletas de sujeira, bem como soluços baixos e gemidos dolorosos nos espaços sujos e apertados entre os prĂ©dios. Passos apressados pela calçada, ameaças baixas e o uivo cortante do vento ecoando por todos os lados naquela cidade que parecia ter sido esquecida por quaisquer entidades que deveriam protegĂȘ-la. Seu coração doeu.
Pulando de volta para o terraço, vocĂȘ ergueu o relĂłgio novamente e tentou discar contra a tela rachada, nĂŁo recebendo mais do que letras embaralhadas e um ruĂdo agudo e baixo. âAh! Ătimo! Era isso o que eu precisava para melhorar o meu dia!â O veneno na sua voz quase escorreu pela mĂĄscara.
âCerto, quem precisa de um relĂłgio inter dimensional quebrado quando vocĂȘ pode criar o seu prĂłprio? Mesmo que isso vĂĄ demorar umas sete ou seis semanas e que o seu chefe aranha super bombado obcecado pelo multiverso consiga te encontrar em metade desse tempo.â Passando a mĂŁo pelos cabelos - ou onde eles estavam por baixo da mĂĄscara -, um suspiro profundo ecoou de vocĂȘ.
Um berro gutural veio do fundo dos seus pulmĂ”es e queimou na sua garganta, os estilhaços do relĂłgio quebrado se espatifando no chĂŁo de concreto molhado enquanto lĂĄgrimas começavam a se formar sobre a irritação nos seus olhos. Quando o Ășltimo estilhaço rolou atĂ© seus, a percepção surgiu como uma estaca no seu peito.
VocĂȘ nĂŁo poderia replicar um relĂłgio sem ter a base para isso, a base que estava totalmente espatifada ao seu redor. VocĂȘ se ajoelhou no chĂŁo e se inclinou para catar pedaço por pedaço e reuni-los novamente, mas, quando seu braço se esticou para agarrar um estilhaço de vidro, seus sentidos dispararam como um alerta vermelho dentro da sua cabeça.
Antes que vocĂȘ percebesse, vocĂȘ estava na beirada do prĂ©dio e encarando uma figura anormalmente grande na escuridĂŁo abaixo de vocĂȘ. Pele reptiliana sendo visĂvel apenas sob a suave - e quase inexistente, devido a poluição atmosfĂ©rica fora do comum naquele lugar - luz do luar, apenas o suficiente para que vocĂȘ o visse desaparecendo dentro de uma saĂda de esgoto - que vocĂȘ tinha quase certeza de que nĂŁo deveria ser legal por estar tĂŁo perto de uma regiĂŁo residencial.
âMais um dia, mais um universo, mais um lagarto.â Com um suspiro, vocĂȘ caiu do prĂ©dio, se certificando de guardar os cacos do relĂłgio em um dos bolsos frontais e caindo em frente Ă saĂda de esgoto. âUrgh, o que as pessoas desse lugar comem?â Adentrando o tĂșnel, um cheiro pior do que a podridĂŁo invadiu as suas narinas.
O esgoto era escuro e abafado, tinha teias de aranha e ratos por todo lado. Umidade pingava do teto e marcas de cigarro e pichaçÔes decoravam as paredes. O Ășnico olho intacto do seu traje ajustou a visĂŁo noturna quando a luz parou de chegar atĂ© vocĂȘ. Depois do que pareceu uma eternidade - oito minutos - caminhando pelo esgoto, vocĂȘ chegou a um encontro de tĂșneis e avistou um saco de couro que deveria ter pelo menos a metade da sua altura, jĂłias e notas verdes quase transbordando.
Antes que seu corpo pudesse se mover, a figura grande e imponente do Lagarto surgiu no encontro. Ele usava calças jeans rasgadas e sujas, seu rosto parecia diferente - mais escamoso e bruto - e as cicatrizes decoravam sua forma corpulenta. Seja lĂĄ que tipo de dimensĂŁo fosse essa, vocĂȘ percebeu que ela nĂŁo pegava leve com ninguĂ©m.
âDr. Connors, vocĂȘ nĂŁo acha que isso Ă© baixo demais?â Sua voz ecoou pelos tĂșneis quando vocĂȘ deixou sua presença visĂvel. O Lagarto se virou bruscamente e sibilou para vocĂȘ, suas grandes mĂŁos se fechando em punhos pesados. â... Quero dizer, de cientista renomado a⊠ladrĂŁo de jĂłias? Purff, fala sĂ©rio.â
âVocĂȘs, morcegos, estĂŁo ficando cada vez mais irritantes.â Ele avançou na sua direção e acertou os punhos onde vocĂȘ estava hĂĄ exatamente um segundo, sua voz desfigurada urrando tĂŁo alto que ecoou pelas paredes como ferro batendo no chĂŁo. VocĂȘ se pendurou no teto e arremessou uma teia em sua nuca, puxando-a e acertando um chute em cheio na cabeça dele.
âEu sou uma aranha, caso vocĂȘ nĂŁo tenha percebido o sĂmbolo ENORME no meu traje.â Connors cambaleou para trĂĄs e tentou acertar outro soco, falhando ainda mais. âĂ sĂ©rio, cara, o desenho Ă© tĂŁo estranho? Fui eu mesma quem fiz.â Um rugido veio dele, que correu atĂ© vocĂȘ e acertou mĂșltiplos golpes na parede, alguns deles quase te pegando em cheio.
âVocĂȘ fala mais do que os outros.â Ele se virou para onde vocĂȘ estĂĄ agora, o rosto monstruoso piscando para vocĂȘ como a visĂŁo de um pesadelo daqueles que te fazem sentir mais agonia do que medo. âEu gostei de vocĂȘ, passarinho.â
âOutros? HĂĄ outras aranhas por aqui?â Sua cabeça tombou e ele rosnou para vocĂȘ, nĂŁo ameaçador, mas como se tivesse acabado de ouvir algo tĂŁo absurdo que chegasse a ser irritante. âDr. Connors, eu preciso que vocĂȘ me diga-â em um movimento inesperado, o Lagarto agarrou o saco de jĂłias e arremessou em vocĂȘ com a habilidade de um arremessador olĂmpico.
O saco atingiu a parede, se espatifando no chĂŁo com o som estridente das jĂłias contra o cimento e o ouro tilintando. Sem mais delongas, vocĂȘ se lançou contra o Dr. Connors e o atacou com chutes e socos, desviando de suas mĂŁos pesadas e usando a força dele contra ele mesmo vĂĄrias vezes.
âEu nĂŁo sei quem Ă© esse Dr. Connors de quem vocĂȘ tanto fala, mas eu tenho certeza de que ele nĂŁo Ă© tĂŁo forte quantoâŠâ vocĂȘ desviou de mais um soco inĂștil, se inclinando para a direita onde o antebraço dele te parou na metade do caminho, a mĂŁo que se esticou agora voltando com um outro soco em seu lado direito. â... Eu.â
Um grito surdo se prendeu na sua garganta quando o golpe atingiu a sua costela, a dor se tornando aguda e se espalhando por todo o seu corpo em questĂŁo de segundos. VocĂȘ caiu no chĂŁo com um baque abafado, tentando se arrastar para longe atĂ© sua perna direita ser envolvida por uma das mĂŁos dele e vocĂȘ ser erguida no ar como uma pena.
âVocĂȘ deveria ter pedido a ajuda do morcego antes de vir aqui.â A mĂŁo dele apertou ao redor do seu tornozelo e os olhos verdes brilharam na escuridĂŁo, lĂngua reptiliana lambendo os cantos de sua boca enquanto ele te puxava para mais perto, a boca monstruosa se abrindo com as presas afiadas e grossas e-
âMERDA!â Algo o atingiu no ombro. Era pequeno e afiado, como uma estrela ninja, mas em formato de morcego e com uma luz piscante no meio. O Lagarto te soltou no chĂŁo e arrancou o projĂ©til com facilidade, mas jĂĄ era tarde demais quando a percepção de que aquilo era uma bomba o atingiu.
Seu corpo se moveu o mais rĂĄpido que pĂŽde para longe da explosĂŁo, mas vocĂȘ sabia que ainda estava perto o suficiente da zona de alcance quando algo - alguĂ©m - te envolveu em uma capa escura e te puxou para longe dele. VocĂȘ tapou os ouvidos e se encolheu ao mĂĄximo que o seu corpo dolorido conseguia. Quando seus olhos se abriram de novo, vocĂȘ percebeu os braços que te protegeram da explosĂŁo e o peitoral duro pressionado contra as suas costas.
VocĂȘ se afastou e tentou ficar de pĂ© outra vez, mas a visĂŁo Ă sua frente eraâŠ
Aquela coisa tinha pelo menos 1,98 de altura, corpo largo e cheio de mĂșsculos, envolto por uma capa negra que se arrastava pelo chĂŁo como uma sombra viva. Ele parecia fazer parte da prĂłpria escuridĂŁo, um pedaço da noite arrancado do abismo e moldado em forma de predador. Seus olhos brancos opacos seguiam cada um de seus movimentos, mas nĂŁo com a hesitação de um homem, e sim com a precisĂŁo impiedosa de algo que nĂŁo deveria existir.
Aquilo nĂŁo fazia barulho. Nem sequer respirava como um humano deveria. Sua presença era um peso na alma e no ambiente, como se o prĂłprio ar tivesse ficado mais denso, quase impossĂvel de respirar. A Ășnica coisa que sugeria que ele fosse feito de carne e osso era uma pequena fatia de pele abaixo do nariz, um detalhe tĂŁo insignificante que parecia um erro, uma pequena armadilha para os desavisados.
âBatman!â Uma voz gritou do encontro de tĂșneis, te arrancando do seu ĂȘxtase e fazendo o zumbido desaparecer. VocĂȘ pareceu voltar Ă consciĂȘncia quando a figura de um garoto surgiu ao lado do corpo abatido do Lagarto, mas foi sĂł quando a coisa na sua frente se moveu, se mostrando nĂŁo ser uma alucinação - ou um demĂŽnio - da sua cabeça, que vocĂȘ conseguiu fazer algo.
âO que⊠o que acabou de acontecer?â Sua voz falhou enquanto o corpo chamuscado do Lagarto chamava a sua atenção. A figura Ă sua frente pareceu notar a sua preocupação e negou com a cabeça, estendendo uma mĂŁo para te ajudar a se levantar.
âEle nĂŁo estĂĄ morto.â Relutantemente, vocĂȘ aceitou a ajuda. âVai ficar apagado por algumas horas. Tempo o suficiente para ser mandado de volta para Belle Reve e as jĂłias e o dinheiro roubado ser devolvido.â VocĂȘ arrastou seus pĂ©s pelo tĂșnel atĂ© estar prĂłxima do corpo caĂdo, seu coração se apertando.
âEle vai ficar bem, nĂŁo vai? Quero dizer, uhn-eu nĂŁo acho que um cientista seria bem tratado em uma prisĂŁo⊠pelo menos, nĂŁo pelos motivos certos.â Quando vocĂȘ disse isso, o garoto ao seu lado bufou e arqueou uma sobrancelha.
âWaylon Jones nĂŁo Ă© um cientista, ele Ă© um criminoso.â Zombou. âBatman, vocĂȘ ouviu isso? A dona aranha aqui acha que o Killer Croc Ă© algum tipo de gĂȘnio.â Ele riu de vocĂȘ e isso te fez franzir as sobrancelhas e o encarar com raiva.
âEu nĂŁo-â sua fala foi cortada pelo homem de preto se aproximando de vocĂȘs dois. Ele ergueu a mĂŁo para o garoto em um sinal para manter silĂȘncio, o que ele obedeceu imediatamente, mas com uma expressĂŁo nada satisfeita no rosto.
âVocĂȘ parece machucadaâŠâ seus olhos te percorreram mais uma vez. âTem uma costela quebrada. Precisa receber ajuda mĂ©dica.â seus olhos se arregalaram com as palavras e suas mĂŁos se moveram de maneira frenĂ©tica enquanto vocĂȘ tentava dizer algo.
âNada de mĂ©dicos! Eles vĂŁo fazer perguntas demais, vĂŁo pedir muitos exames e-â sua mente correu pelas milhĂ”es de possibilidades e nenhuma delas te agradou. O que os enfermeiros pensariam quando te vissem coberta de hematomas e com sangue da cabeça aos pĂ©s? E, Deus, vocĂȘ deveria parecer nojenta agora.
âCalma aĂ, dona aranha, nĂłs nĂŁo vamos te levar para o mĂ©dico.â O garoto falou novamente, mas agora ele era mais calmo e, de certa forma, acolhedor. â... Mas vocĂȘ com certeza precisa de uma ajudinha aĂ. VocĂȘ tĂĄ um caco.â
O homem lançou outro olhar para ele, mas dessa vez ele nĂŁo pareceu se importar. âRobin estĂĄ certo, vocĂȘ precisa de ajuda. NĂłs podemos te ajudar, mas sĂł se vocĂȘ quiser.â silĂȘncio se instaurou entre vocĂȘs trĂȘs - quatro, se contar com o corpo desacordado de um rĂ©ptil humanoide de mais 200 quilos - enquanto vocĂȘ ponderava.
O que era melhor? Vagar por uma cidade que vocĂȘ nĂŁo conhecia com uma costela quebrada, um traje destruĂdo, sem a menor ideia de para onde ir ou como voltar para casa, ou ir com dois estranhos que vocĂȘ nunca viu ou ouviu falar, que tinham acabado de desarmar um homem de dois metros em menos de vinte segundos e que pareciam diretamente saĂdos de uma safira de um filme de terror dos anos 90?
Deveria ter saĂdo ontem, mas eu acabei clicando no botĂŁo para salvar, ao em vez do botĂŁo para postarđ
Sei que algumas pessoas que estĂŁo lendo nĂŁo sĂŁo brasileiras, entĂŁo eu sĂł queria explicar que a maneira como Damian se refere Ă leitora como "Dona Aranha" faz referĂȘncia Ă uma canção infantil brasileira.