[Continuação…] O ano segue, Sara morando com sua mãe, seguindo seus breves relacionamentos com o intuíto de preencher um vazio que nem mesmo ela saberia se seria preenchido algum dia. O pai de Sara? Vocês devem estar se perguntando. Bom, Sara gostava de seu pai, mas sempre tinha um pé atrás com ele, por ter deixado de conviver com ele, ficava a mercê de comentários de terceiros e se deixava levar por ele. Até aqui, a relação com seu pai era de parente apenas, não havia afeito, havia o respeito apenas. Mas isso, iria mudar um dia. O ano era 2011, Sara havia combinado com sua amiga de irem viajar e passar o fim de ano juntas em sua casa no Guarujá com a família dela. Giovana, a amiga, e Sara descem para o litoral ansiosas pelo fim de ano e pelas aventuras que viveriam a partir da li. Sara não aparentava ter a idade que tinha, por ser muito grande e por parecer muito “descolada”, seus amigos achavam que Sara já havia feito muitas coisas na vida. A verdade é que Sara tinha medo de tudo. Ao contrário de seus amigos, Sara nunca havia bebido uma gota de alcool, usado nenhuma droga, nada do que seu ciclo de amizades já fazia com 15 anos. Mas tudo iria mudar nesse feriado. Foi ali que Sara conheceu o alcool, foi ali que Sara começou a beber para poder tampar o buraco, esquecer a dor e tentar preencher aquele vazio que ninguém conhecia. Em um dia desse feriado, tudo iria mudar. Lembram de Rafael? Foi aí que a história deles começou. Particularmente é minha história favorita. Sara gostava dele, como amigo, como algo mais, e não sabia quase nada dele, só sabia que gostava de sua companhia. O feriado acabou, Sara e Rafael ficavam cada vez mais próximos, até que chegou o dia em que se separaram. Sara achou que o vazio estava sendo preenchido novamente, e, em questão de segundos, tudo foi embora como poeira. O ano é 2012 agora, Sara sem Rafael, vai em busca de distração, não importa qual seja. Volta a sair com meninos que na verdade, ela não quer, apenas quer passar o tempo e se distrair. Se distrair do que sente todos os dias. O ano passa e Sara se ve afundando cada vez mais. Cada vez mais fica sem amigos verdadeiros, os que restam são poucos. Sara sofre bullying na escola, como sempre ela é alvo de fofocas, mau dizeres e outros ataques, que já não aguenta mais. Ela sai da escola, em busca de escrever uma nova história e sair desse mundo. Esse é o ano em que tudo se põe a prova, esse é o ano que até hoje, não sei como Sara sobreviveu a ele. Escola nova, amigos novos, festas novas, mesma Sara. Mas algo estava diferente. Sara queria fugir dessa realidade, queria se sentir bem nem que fosse por um momento… Sara tem seus amigos e resolve dar uma festa em casa no feriado do carnaval. Sem sua mãe em casa, os amigos iriam para lá e seria uma grande festa. A festa durou 3 dias, até hoje pessoas lembram dela. Um apartamento relativamente pequeno que comportou no mínimo umas 30 pessoas. Alcool, drogas, sexo. Era a escapatória perfeita para Sara, ela só queria fugir. O ano escolar não seria diferente. Se colocando em riscos, usando entorpecentes no meio da aula, saindo quase todos os dias… Sara estava se perdendo cada vez mais, e só ela não estava enxergando isso. Foi um ano complicado para Sara pra quem vê de fora, para ela, estava tudo bem, ela estava fugindo de sua própria realidade. Sua mãe se muda, vai morar em outro continente. É hora de morar com o pai que ela nunca teve tanta intimidade assim. Sara se recusa, quer ir embora com a mãe, quer ir para qualquer lugar menos morar com o pai. Ele não a entende, ele não deixaria ela fazer o que quer, a moleza iria acabar. O choro não é o suficiente, a mãe de Sara está decidida e vai embora a deixando com o pai. Sara a odeia por isso. Ela ainda vai tentando levar a vida que levava quando morava com sua mãe, obviamente sempre se escondendo de seu pai. O ano termina, um novo ano chega e Sara vai aos poucos abandonando seus antigos hábitos. Esse é o ano que Sara reencontra Rafael e engravida. Junto com sua liberdade, seus amigos se foram também. Sara nunca esteve tão sozinha na vida. No momento em que mais precisava, as pessoas as quais ela sempre ajudou e defendeu, lhes viraram as costas. Quando Daniel nasceu e Sara voltou aos estudos foi pior, ninguém a ajudou, ninguém ficou ao seu lado. Sara sentava-se sozinha no intervalo e na sala, isso quando conseguia prestar atenção na aula e não dormia de tão cansada que estava. O lado bom de se engravidar eu digo, é que você consegue ver quem realmente está ao seu lado, você vê quem realmente está ali por você, quem é seu amigo de verdade. E foi isso que Sara descobriu. As amizades verdadeiras. Foi ali, quando Daniel nasceu, que tudo mudou para Sara. Ela não era responsável apenas pela sua vida, a vida de outra pessoa dependia da sua. Foi naquele momento, quando Sara segurou Daniel nos braços pela primeira vez, que a vida toda mudou. Aos poucos ela foi aprendendo, aos poucos foi pegando as manhas da maternidade e aperfeiçoando. Esse poderia ser um final feliz para Sara, certo? O filho abriu seus olhos, o vazio antes profundo fora preenchido, os amigos estavam ali ao seu lado, sua família estava completa… Mas não, o final não é esse. Sabe por que? Três meses depois do nascimento de Daniel, Sara descobre que está grávida novamente… E é aí que os problemas aumentam… [continua…]