viciado em fraes de efeito semi-esotéricas-psicanalísticas, venho vendo meus dias desempregados buscando o divino pela janela telada de meu quarto, olhando a copa verde das árvores balançados e desejando, desde que me mudei para essa vista, em me tornar um pássaro e poder voar e passear pelas árvores asanortenses em liberdade ilusória. em um devaneio pensando no além e no porém durante o banho, urgiu uma necessidade de me reconectar com uma entidade superiora, marcando o meu corpo de forma artística e religiosa. ao encarar meu torso peludo encharcado, depilei uma cruz em meu peito, atravessando meus mamilos e também meu corpo. aproveitei e destaquei o que me diferencia de outros, virtiligo localizado no meio do meu peito e a marca redonda e avermelhada de nascença na minha coxa, um círculo perfeito em minha perna que me faz pensar ser um alvo de algo a penetrá-lo.
depois, pensando em uma camiseta yohji yamamoto e no ato de passarinhar, percebi que meus desejos nunca a serem atingidos em completue um dia me acompanharão na morte. assim, conversei com minha querida genitora e a fiz um pedido encarecidamente: quero ser enterrado ou em brasília, cidade mutável mas monolítica, ou no interior místico mineiro.
mãe, disse, enterre meu corpo a sete palmos do chão em amarantina, para que meu espírito esteja sempre varzeando pelo sítio da família em meio aos pés de fruta e em companhia do meu bisavô que não conheci. tem que ser a sete palmos, já que minha existéncia é baseada no número sete, observe: 25 -> 2+5=7 (dia de nascimento), do mês 07, de 2005 -> 2+0+0+5=7, ano de meu nascimento. 777. sim sim sim, três vezes sim, bala desejo, sete sete sete, francisco nominato.
ao preparar meu caixão para o grande dia de minha celebração de vida, de forma narcísica peço à geni que seja caixão aberto, como foi com Bernardo, meu falecido e querido amigo. me deixe descamisado e depile, assim como fiz hoje, uma cruz em meu peitoral, significando minha reaproximação com o divino. quando criança, era próximo à figura de Deus, dizia à minha mãe em meio a uma invenção de histórias infantis e cristãs que desde antes, quando era mais velho, lá nas nuvens, ficava com minha mamãe do céu observando minha mamãe lili para ver qual vida teria ao nascer. agora, depois de viver o que teria que viver, deveria voltar. se for como planejado, reencarnar como um gato travesso em uma lar carinhoso ou uma pessoa mais liberta do que fui agora.














