Bene, ele não era o Vermelho que Verena esperara ver à noite. Longe disso, na verdade. Piscou algumas vezes ante as palavras do moreno, revirando os olhos de maneira charmosa antes de desmontar da moto, ajeitando o cabelo de maneira descontraída. “Eu não conto se você não contar.” Piscou, ciente de que estava sorrindo de satisfação, apesar de estar numa enrascada. Ora, a Panigale não devia ter feito um som tão alto! Algo devia ter se desregulado no tempo parada, e Nena tinha que falar com pappa sobre aquilo. Ducatis eram conhecidas pelo ronronar, ao invés de parecer com uma batedeira da cozinha italiana que Verena nunca frequentara. Ah, ela conhecia Sven! Bem até demais — o que era ótimo, na verdade… Seus planos sempre podiam contar com mais alguns ouvidos, e os dele eram particularmente bonitos. Ante as palavras do guarda, entretanto, Nena piscou algumas vezes em confusão. Ela tinha usado a palavra certa, vero? Era algo com “ded-”, pelo menos, pelo que se lembrava dos dicionários enormes de italiano-inglês. “Ah, acredita em mim: você perderia.” Comprimiu os lábios em uma linha fina ao repousar ambas as mãos sobre os quadris, Vero, era muito provável que nada daquilo acontecesse: poucos ainda acreditavam nas encenações dramáticas da Brunelleschi, mas se ela encontrasse a pessoa certa… Mordiscou o lábio inferior, semicerrando os olhos levemente. Oh, então era aquela a palavra! Cerrou apenas um dos olhos em uma careta, negando lentamente. Ela detestava inglês. “Depende, vero?” Arqueou uma das sobrancelhas, entreabrindo os lábios em um sorriso travesso. “E o que eu poderia oferecer pra manter essa boquinha fechada?” Testou, sentando-se despreocupadamente no banco da moto, incapaz de desviar o olhar do moreno. “Vabbè, mamma sempre me disse que tutti tem um preço…” Comentou, inclinando a cabeça para trás ao conjecturar, expondo a pele alva do pescoço com a perícia de uma sereia — ora, Nena se divertia demais com aquilo — enquanto se abanava levemente. Sveinar sempre fora um alvo fácil demais. Antes que ele pudesse reagir, todavia, Verena deu de ombros, mordiscando o lábio inferior ao dar uma bela olhada na compleição dele, pulando da moto para se aproximar e analisá-lo friamente, olhos semicerrados. “Eu tenho certeza de que consigo agenciar ¹ algo com meu cabeleireiro pra dar um jeito nisso, sabe?” Gesticulou na direção dos cabelos do moreno, apoiando o queixo no ombro dele antes de fazer um biquinho e sussurrar ao pé do ouvido dele. “Tudo que você tem que fazer é pedir.”
Enquanto observava Verena com um olhar analítico, um sorriso se repuxou no canto esquerdo dos lábios. Ela sempre tinha que fazer seu charme: os movimentos graciosos, as piscadas com os cílios longos, as ajeitadas no cabelo... Sven já estava bem acostumado, mas não podia dizer que conseguira resistir aos encantos da princesa. Mulheres eram uma das suas fraquezas - se fossem mulheres bonitas, então... — Eu posso ficar quieto se você me der algo que eu quero... Uma troca justa — murmurou, com uma entonação quase sacana. Bem, Sveinar não era um dos homens mais inteligentes - longe disso, na verdade. Não tinha nenhuma instrução, tendo até mesmo suas habilidades de leitura e escrita comprometidas, mas isso não fazia com que se deixasse ser enganado. Verena gostava de joguinhos e ele não tinha paciência nenhuma para brincar, cansando-se facilmente das enrolações da mais nova e tentando partir logo para a ação. — Jura que faria uma coisa dessas comigo? Você parece gostar bastante da minha língua às vezes — o riso escapou fácil da boca do moreno enquanto erguia as sobrancelhas grossas, transpassando malícia. E mais uma vez, Verena Brunelleschi começava seu teatro: enquanto a morena sentava-se na moto, expondo propositalmente a pele de seu lindo pescoço que merecia uma série de beijos, Kristjansson observava como um atento espectador, ansioso para saber qual seria a próxima cena que viria da italiana. Por mais que algumas atitudes da mais nova já fossem premeditadas, ela não deixava de ser uma caixinha de surpresas. Esperou que viesse até ele, sentindo o olhar preciso da morena pelo seu corpo e depois, notando sua presença atrás de si, a pele arrepiando-se com o hálito quente da princesa em seu ouvido. — Você não vai cortar meu cabelo, Verena, desista — respondeu, bem-humorado, embora a proximidade à moça ainda fizesse mal ao seu juízo. Quase acatou o instinto de ceder aos encantos dela, deixando de lado qualquer outra ideia que o impedisse de tê-la em sua cama... Mas deveria ser mais forte do que isso. — Eu quero dar uma volta nessa Ducati. Pode ser na sua carona, eu não ligo... Mas quero um passeio.