‘✸° — Fear might be the death of me, fear leads to anxiety. (POV)
Aquele era o dia mais esperado do ano para Connor, nem o natal lhe fazia ficar tão ansioso quanto o dia de seu aniversário. A ansiedade era tamanha que ele nem tinha dormido direito e acordado cedíssimo já esperando pelos presentes e pela festa que aconteceria mais tarde. Ele mal podia esperar para que todos os seus colegas estivessem lá e que ele tivesse uma tarde divertidíssima, mas aquele dia parecia carregar surpresas que ele não esperava.
O garoto estranhou quando seu pai lhe chamou e sem dizer uma palavra mandou que ele o seguisse. Connor conhecia aquele caminho, ele levava para a sala de treinamento de seus pais, um lugar onde ele não podia nem sonhar em colocar os pés. Dinah já havia lhe dito mil vezes que haveria uma hora certa para ele conhecer aquele cômodo da casa, mas que ele ainda não estava pronto para aquilo. Ele tinha consciência que seus pais não passavam as noites em casa porque combatiam o crime, mas ele não entendia o que aquela sala guardava que ele não podia entrar nela. Parecia que finalmente havia chegado o momento dele, o garoto que antes estava ansioso por conta da data, havia transformado a sua ansiedade em descobrir o que havia atrás daquela porta.
O Queen entrou atrás de seu pai e ele não havia percebido que a sua cara era de mais puro espanto. Sabia que seu pai era um grande arqueiro, mas não sabia que ali havia tantas flechas e outros instrumentos de treinamento, tanto dele como de sua mãe. Ele não estava entendendo o porquê de estar naquele lugar. “Pai, o que a gente está fazendo aqui?” Disse enquanto olhava de perto uma das flechas que estavam expostas. Foi quando ouviu o mais velho dizer atrás dele “Tenho um presente para você, Connor”, curioso, o pequeno se virou para olhar o mais velho. Oliver segurava um arco, o tamanho era um pouco menor do que o que Connor havia acabado de ver quando entrou na sala. “Isso é meu?” Perguntou surpreso, ele não fazia ideia de que os planos de seu pai era que ele começasse a treinar aquilo quando completasse sete anos. Ele viu o loiro concordar com a cabeça e medo lhe atingiu.
Connor nunca havia encostado em um arco, mas ganhar aquele presente de seu pai significava que ele tinha que ser tão bom quanto Oliver era e ele sequer sabia se algum dia ia conseguir. Apreensivo, ele pegou o arco das mãos de seu pai e o instrumento pesou em sua mão, ele não sabia se aquele era o peso real do objeto ou se era o peso que aquilo significava. “Quer testar?” A pergunta saiu animada na voz de seu pai, o mais velho parecia estar tão animado para aquele momento que Connor concordou com a cabeça, então começando a caminhar na direção dos alvos. Pelo barulho de passos, seu pai estava logo atrás.
As mãos dele tremiam e suavam, ele pegou uma flecha que seu pai segurava e respirou fundo. Apesar de ser a primeira vez, ele sabia que existia uma certa pressão naquele ambiente, seu pai esperava que ele fosse bom. Já bastava ele não ter nascido com o poder de Dinah, ele tinha que ser bom em alguma coisa que era marca registrada de seus pais. Aquele era quase o seu dever, ele tinha que ser bom em arquearia. A voz de Oliver parecia longe, apesar dele estar tão perto. Connor se posicionou, fazendo o mesmo com a flecha no arco, tudo tremia e ele podia ouvir o pai dizer que era pra ele ficar calmo ou erraria o alvo. Fechou os olhos por um momento e respirou fundo, tentando pensar que aquele era o melhor dia do ano e que ele não precisava ficar nervoso.
No instante em que Connor soltou a flecha, ele quis fechar os olhos e não ver que ele havia falhado, mas se obrigou a ficar observando cada segundo que levou para a flecha acertar a parte mais baixa do alvo. Foi só então que soltou um suspiro de alívio, ainda que não tivesse sido ótimo, ele pelo menos não havia se saído tão ruim. Ele se virou esperando por alguma bronca, mas Oliver tinha um sorriso no rosto. “Bom trabalho, Connor. Pra quem nunca havia tocado em um arco e flecha, você se saiu muito bem. Você vai melhorar com o tempo, a partir de agora vamos treinar juntos.” As palavras de seu pai foram melhores do que as que ele esperava, fazendo com que ele sorrisse também. Ele ia ser bom, ele ia ser o melhor. Ele ia deixar Oliver orgulhoso, aquela era a única tarefa que ele tinha.