Qual é o seu talento secreto?
Utilizar a solidão como inspiração.

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@almapisciana
Qual é o seu talento secreto?
Utilizar a solidão como inspiração.
O que você gostaria de estar fazendo neste exato momento?
Não sei, ultimamente não tenho tido muita vontade de nada.
meu bem, eu já amei tanto que já amei tudo. você não entenderia.
eu acho que a gente nunca supera algo que foi bom, a gente aprende a viver sem.
Aquela casa que nunca pode ser um lar.
Existe uma casa dentro de mim que nunca ficou vazia. Ela permanece no alto, distante de tudo, cercada pelo silêncio e por lembranças que nunca aprenderam a partir. Algumas janelas continuam abertas, mesmo depois da tempestade. Algumas portas eu tranquei com força, mas ainda escuto algo respirando atrás delas quando a noite fica quieta demais. Tem lugares dentro da gente que o tempo não leva. E eu já tentei ir embora dessa casa tantas vezes. Já desci a colina jurando que não olharia para trás. Já me convenci de que estava livre, de que finalmente tinha deixado tudo para morrer ali. Mas basta um cheiro familiar, uma música tocando baixo ou um pensamento atravessando o peito sem avisar… e eu me vejo de novo na varanda, olhando para tudo aquilo que ainda ficou. Como se algumas dores soubessem exatamente o caminho de volta. Tem memórias que não assombram porque machucam — assombram porque um dia foram abrigo. E talvez seja isso que mais pesa: não sentir falta apenas do que foi perdido, mas também da versão de mim que existia enquanto aquilo ainda estava ali. Porque junto com certas pessoas, certos lugares, certos sentimentos… partes nossas também vão embora. Às vezes eu acho que ainda moro nessa casa. Mesmo vivendo outros dias, conhecendo novas estradas, tentando me reconstruir em outros lugares… ainda existe uma parte de mim andando pelos corredores antigos, tocando nas paredes, reconhecendo rachaduras, convivendo com fantasmas que já deveriam ter partido. Mas talvez nem tudo precise ser demolido. Talvez algumas ruínas permaneçam só para nos lembrar que estivemos vivos ali. Que houve incêndio, houve queda, houve abandono — mas antes disso houve calor, houve presença, houve amor. E isso também merece existir na memória sem precisar ser apagado. Então eu deixo a casa onde está. No alto da colina. Intocável. Nem completamente esquecida. Nem completamente minha. Só existindo… como tudo aquilo que me atravessou profundamente demais para desaparecer.
pretérito perfeito
A diferença entre o pretérito perfeito e o imperfeito está no senso de continuidade, sabe? Como quando digo que cresci, quer dizer que essa ação acabou em algum momento do passado, mas quando digo que algo crescia falo de uma ação que me foi habitual, contínua, que estava em andamento.
Partindo daí, poderia dizer que jogava futebol com minhas amigas ou que lia muitos livros na adolescência. Poderia dizer que me apaixonava perdidamente por personagens e que não perdia um episódio da minha série favorita. Há algo de bonito em dar esse caráter de continuidade a essas ações, a esses recortes de espaço e tempo em que fui alguém que hoje ainda sou, em menor dose. Entretanto, também traz uma dose diferente aos outros momentos que seriam pretéritos perfeitos em mim. Dizer que fui a criança quieta e genial, que perdi aquele brinquedo antigo numa arrumação monumental, que estudei naquela escola ou frequentei aquele curso que hoje nem existe mais. Tudo ali, parado no tempo, perfeitamente encerrado no tempo verbal.
Por isso dói um pouco dizer que morei naquela nossa casa, que vivi a nossa rotina, que deixei aquele espaço. Dói um pouco não dizer que morava e sim que morei, nesse pretérito perfeito e encerrado, em você.
Não moro mais.
less
Até o sol que tocava nossas peles parecia fraco demais, opaco. Minha blusa de mangas compridas não me deixava negar, ou esquecer que a frieza morava na esquina. Esses sorrisos grandes e breves, risadas que ecoam para durar mais. O caminho para a felicidade parecia tão distante para alguém com cores tão vibrantes por todo o corpo. Olhava seus olhos cheios de planos, com pupilas saltadas de felicidade e íris coloridas, nada me invadia. Esse calor todo nem me tocava. Seus planos eram dedos gélidos que pensei que deviam ser quentes em algum momento, mas não me recordava mais quando. Sentia como se alguém sequencialmente apagasse as luzes dos meus corredores e você gritasse de fora como quem tenta me acordar.
Involuntariamente presa nas minhas melancolias tão familiares, recebendo dicas nas minhas linhas escritas que decidia ignorar. No fundo, sabia que não alcançava felicidade minimamente similar à sua, toda a sua vibração e extase me pareciam alienígenas. Te via olhar meus olhos e pressentir o que havia de errado pois já havia me visto genuinamente feliz vezes o suficiente. Reconhecendo em minha pele azulada o frio que me preenchia mesmo sob o sol mais quente de meio de tarde. A frieza se arrastava sob minhas veias enquanto sua voz nem me alcançava, nem chegava perto, pois algo nos montes congelados de minha psique dizia que o problema era você.
Teimosa, persistente, sacudi a cabeça para afastar o pensamento e de nada adiantou, pois meu maior superpoder é pensar demais. Talvez por teimosia tenha entregue em suas mãos o mapa para me alcançar, e talvez por você ser você tão profundamente, nunca conseguiu.
Se amor é me deixar congelar enquanto chama meu nome de fora das minhas fortificações, acho que preferia que me amasse um pouco menos. De pouco em pouco menos, até que tivesse coragem de me tirar daqui.
[If loving me means saying
"Babe, I think this is the end"
Well I guess
I wish, I wish, I wish
You loved me less]
Gosto de pensar que, se a morte me chamar hoje, não terei pesos a levar. Fui feliz dizendo a todos o que havia a ser dito. Amei, mesmo sem receber o amor de volta. Vivi intensamente e não me demorei prendendo sentimentos, mesmo os inexplicáveis. Abracei minhas dores e aguardei a cura de minhas feridas. Dei tudo de mim, mesmo com os julgamentos desalmados. Não desisti de tentar. Não desisti de amar. O que me deu vontade de fazer, fiz. Não me demorei a gastar energia dando atenção à aprovação ou desaprovação alheia. Morrer não é o problema. Morrer é o fim para um novo começo inesperado. O importante é viver sem se prender, correndo até chegar ao fim da linha. Mesmo sem ser vencedor, venci por amar o que fosse, até mesmo a dor.
@almapisciana
Odeio a minha insistência em manter sentimentos sem fim por um ser tão confuso como o teu. Sinto que estou de frente para uma TV, assistindo ao mesmo filme, mesmo sabendo o fim. Engraçado que, mesmo não gostando do que vejo, insisto em assistir, e as lágrimas, no fim, já são mais que previstas. Pergunto-me como um ser tão cheio de emoções e sensações pode gostar tanto de um ser tão frio e oco, atravessado pela racionalidade. A vida tem suas ironias, e o universo sorri com as lições não aprendidas. Eu sou uma dessas ironias, vivendo um ciclo de repetições por lições incompreendidas e não aprendidas. No espelho, vejo as coisas mais profundas que ocorrem dentro de mim, mas, ainda assim, insisto em querer ouvir o que o vazio tem a me dizer. Não sei dizer até quando lutarei contra essa vontade avassaladora de ouvir dos lábios que desejo o que almejo, mas creio que um dia vencerei essa guerra por mim mesma.
@almapisciana
Oi moça, passei aqui só pra dizer que seu cabelo curto ficou incrível em você. Eu também tenho cabelo curto e acho curioso como ainda existe tanto julgamento sobre isso, né? Mas acho lindo quando a gente usa o que faz a gente se sentir bem. ✨
Olá! Muito obrigada ❤️
Simm infelizmente as pessoas ainda olham diferente, mas seguimos brilhando sendo quem somos e como queremos.
se não entendes a beleza da solidão poética, tu não me cabes se não sentes a alegria de ouvir um som de domingo, tu não me bastas não sinto desejo pelo que não me cabe não tenho apreço pelo que não basta o simples poema da vida me cativa se não sabes ler este poema, podes ir sem demora
Faz tempo que não deixo minha alma falar comigo. Faz tempo que escolhi me afastar de mim mesma. Estar presente para o outro me fez ser ausente para o meu ser. Quando a gente se perde, o mais difícil é juntar os pedaços para reconstruir o caminho de volta. Tenho tentado viver um dia de cada vez, sem me cobrar tanto. Estou tentando me sentir completa sozinha como antes, antes de todas as pessoas que me transformaram. Nunca fui boa em interações, sempre acabei me perdendo no meio delas. Ser sozinha é o que sei, sou melhor só e não há nada de ruim nisso, não há nada de errado. A vida simplesmente funciona assim para mim.
Sou feita de feridas que floresceram algo bom.
Teoremas do Tempo
Todos os dias nós pintamos um quadro novo do que a gente é por dentro. Filipe Ferrero
Seguindo aqui💖
Seguindo de volta ✨