Don’t worry I’ll lie for you | Dedalus&Kendra
O ravino sempre tivera aquele instinto de proteger as pessoas. Ainda mais aquelas próximas a ele. Ele queria continuar protegendo-as, por isso tentou o máximo possível deixar suas poções explosivas de lado para se focar cada vez mais em DCAT. Algumas vezes ele era a zoação, pois não conseguia empenhar uma varinha para atacar um rosto amigo. Era impossível para o menino aquilo. Com a ajuda de Cordélia ele estava tentando fazer o possível e o impossível para rever aquela situação. Quando vira Kendra tão tristonha imaginava que algo estava errado, e por isso fora tentar ajudar a amiga por mais estranho que parecesse. Aquela festa, que ele havia ajudado a organizar, estava bem mais animada do que do Slug. Apesar de ter ficado muito animado com o convite de Cordélia, claro, depois que ele certificou que não seria um estorvo para a Bulstrode. Seus planos agora eram convencer Wendy a ficar naquela festa e se divertir um pouco, mas eles haviam mudado um pouquinho e ele nem se importava. Wendy provavelmente não ficaria brava se ele tivesse ficado ali ajudando Kendra, o máximo que aconteceria era a mesma ficar com ciumes e descontasse nele do mesmo jeito, mas para aquele ciumes ele já estava acostumado e até gostava de provocá-la quando ela falava. Por mais que levasse alguma livrada depois. “Eu sou realmente uma exceção. Todos pensando em sexo e eu só explodindo caldeirões. Basicamente um outcast esse seu amigo aqui.” Brincou para ver se ainda conseguia animá-la um pouco era muito difícil vê-la assim. Afinal ela sempre estava tão alegre.
Percebera que seu discurso não sairia tão bem, pois ao invés de incentivar Kendra a deixar todas aquelas ideias para trás ele na verdade estava levando-a a pensar mais nisso. Mesmo longe de todas as conversas e olhares ela ainda sentia muito peso em seus ombros. Deveria ser difícil ser uma garota adolescente. Muitos zoavam Dedalus pelo tempo que passava com as meninas, e por ter mais amigas mulheres do que homem. Ele sentia que deveria cuidar delas, e ajudá-las quando idiotas apareciam. Razão para estar ali com Kendra. Só que ele não ligava para sexo ou para o que falavam sobre ele. Já ouvira diversos comentários muito ridículos quanto aquilo sobre ele, e aprendera a simplesmente ignorar. Quem importava sabia o que estava acontecendo o que meia duzia de pessoas estavam falando era irrelevante para o ravino. O problema era que Kendra não parecia estar assim tão disposta a deixar tudo de lado. A menina sempre se importara muito com sua imagem. Tanto no quesito comportamento quanto beleza. Razão para que a mesma sempre fosse chamada para os eventos. Tentava pensar um pouco nas amigas de Kendra e lembrara que ela andava com várias Gryffindor que possuíam outro tipo de comportamento. Talvez ela estivesse sobre pressão dessas meninas ou algo assim. “Não sei o que são ombreiras, mas eu geralmente uso um chapéu engraçado. Nada pode ser pior do que isso.” Tentou com cuidado dar um abraço de consolo na mesma assim como dava em uma prima menor. Afagando os cabelos e tentando relaxar um pouco. “Acho que seria meio complicado formar um clube assim, a menos que queria fazer algo como um celibato e do mesmo jeito acho meio complicado fazer isso em Hogwarts.” Brincou, e queria afastar aquela ideia o máximo possível.
Pode ouvir um barulho desagradável do lado de fora, e então ele notou a gravidade da situação. Todos já estavam comentando. Ele conseguia até mesmo ver a notícia. Revirou os olhos, as pessoas realmente não tinham nada melhor para fazer do que ficar esperando coisas dos outros. Suspirou não sabendo como lidar com aquela situação. “Não me pergunte eu não sei nada sobre esse assunto. A especialista entre nós dois ainda é você.” Piscou enquanto ria para a menina. Queria poder fazer alguma coisa para animá-la ou mudar a situação da mesma só não sabia o que fazer. Ele era um menino afinal e ficaria muito desrespeitoso para Kendra todos aqueles rumores. Por mais que ela não se importasse com a imagem, ele se importava com a dela. O que era bom era que a maioria de pessoas ali estava bêbada e provavelmente não se lembrariam de nada no dia seguinte. “Eu já disse que eu tenho medo? Quando seus olhos começam a brilhar assim? Eu sei que já estou em problemas, mas pelo menos você se animou. O que eu tenho que fazer?” Ele tinha muito medo do que viria nas seguintes palavras da Cooper, mas faria tudo para vê-la animada assim novamente.
Às vezes - e com isso, ela queria dizer muitas vezes - pegava-se pensando no que os outros achavam dela. Seu egocentrismo certamente lhe ajudara a construir uma auto estima quase inabalável, mas a questão era exatamente essa. Quase. Kendra tinha uma reputação, de ser engraçada, de ser irreverente, de ser uma presença e tanto em festas, (motivo pelo qual ela era convidada com antecedência pra quase todas as sociais, isso quando não era ela quem estava as planejando) e cuidava de sua imagem para entrar nos padrões estéticos aceitáveis. Por trabalhar no jornal, Kendra tinha certa opinião formada sobre quase todas as pessoas de Hogwarts, principalmente os jogadores já que era seu papel como colunista e comentarista. Tinha uma opinião sobre Dedalus, uma opinião que era nada além de positiva. Achava que ele era uma exceção, uma adorável exceção. E queria saber o que ele achava dela. Provavelmente depois daquela conversa não tinha opiniões tão positivas quanto podia.
A gargalhada simplesmente surgiu, trazendo um gosto de espontaneidade e alegria para seu tom de voz antes de pura frustração - Não sabe o que são ombreiras? - Perguntou rindo, como se a conversa fosse com uma criança que não sabia algo óbvio. Kendra gostava de crianças, talvez fosse o que a fizesse gostar tanto de Dedalus e de passar tempo com ele. Crianças tinham uma vitalidade e uma alegria que adolescentes ("aborrescentes", como seus pais engraçadíssimos gostavam de chamar) como ela não tinham, e Dedalus era capaz de sempre trazer essa alegria para os poucos momentos que passavam juntos. Era sempre uma boa combinação, a fofura de Dedalus e a loucura de Kendra, e naquele momento, ainda que ela tivesse sem sua loucura, a amabilidade de Dedalus conseguia melhorar sua melancolia. He was such a good guy - Geez, Ded. Isso é pior do que ser virgem. Espera, não saber o que é uma ombreira é pior do que usar uma ombreira, que é pior do que ser virgem e... - Ela ia vir com alguma piada sobre os chapéus de Dedalus que ele usava como acessórios normais, mas para ela, com certeza faziam parte de algum tipo de adereço teatral. Mas então ele se aproximou dela, um pouco desajeitado, mas com os olhos transbordando de carinho, e a abraçou. Ocorreu-lhe então que aquilo nunca tinha acontecido. Fez uma rápida viagem em suas memórias, e não conseguia lembrar de uma vez em que ela e Dedalus haviam sequer encostado um no outro. Kendra era uma 'abraçadora', isso era um fato. Estava sempre agarrada à Yvie, Carlotta, e até mesmo Caradoc (embora ela estivesse tentando tirar uma casquinha e usava os abraços pra isso). Mas nunca tinha abraçado Dedalus. Levantou os braços e o abraçou de volta, sorrindo de canto. Não se esqueceria de abraçá-lo de novo - Bom, tecnicamente eu estou fazendo celibato, mas não é por escolha própria.
Kendra não era lá muito inteligente. Dirk Cresswell fazia questão de lembrar disso vez ou outra, outros colegas de classe também faziam isso de forma mais amável. Mas ela podia ser criativa. Ela podia ser aventureira, e inovadora, e arrumar saídas para seus problemas de formas absurdamente perfeitas. Fora do usual, mas perfeitas - Não tenha medo. Eu prometo que você não vai precisar fazer nada. Só seguir com o plano, ok?! - Exclamou, o sorriso no rosto sem vacilar por um instante, enquanto ainda ouvia os barulhos do lado de fora. Soltou uma exclamação de animação, dando alguns pulinhos no lugar, antes de estender as mãos na direção de Dedalus, colocando-se na ponta dos pés. Talvez ele pudesse ter a impressão errada, mas tudo que ela precisava era que ele ficasse parado. Alcançou os cabelos dele, e passou as mãos com cuidado, meticulosamente os arrumando para que parecessem um rodamoinho arrepiado - Devia deixar seu cabelo assim mais vezes. Totalmente estiloso - Murmurou, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. Depois, desceu as mãos para o pescoço dele e afrouxou a gola da camisa, abrindo um botão, amassando o tecido, e puxando para cima e para baixo, fazendo parecer que ele tinha acabado de sair de uma briga - Ok, acho que assim está bom - Afastou-se para ter uma visão mais ampla e sorriu satisfeita, como se aquela fosse sua obra prima - Sabe o que nós dois vamos fazer, Ded? - Perguntou, cruzando os braços e encostando-se na parede sem tirar o sorriso do rosto - Nós dois vamos fazer sexo falso!

















