Spooky Town
Durante anos de perseguição só agora percebo todos os efeitos.
Estou encalhada nessa cidade assustadora, sendo obrigada a observar pessoas mortas que permanecem em uma linha tênue onde tudo se resume em apatia.
O semáforo está piscando e as linhas telefônicas não funcionam. O chão está congelando mas o ar ainda continua seco. É tão sufocante que mau consigo respirar.
Eu não sei ao certo, mas gostava de ser solitária nesse mundo repleto de seres miseráveis e individuais. Mas, ser solitária não significaria estar necessariamente sozinha.
Eu não pude evitar quando em menos de um piscar de olhos, ele roubou minha alma e meu coração.
Os céus piscaram pra mim. Me senti infinita quando respirei o ar puro pela primeira vez, mas depois de um certo tempo, pude ver quando uma tempestade se aproximava pelo oceano. Chegando cada vez mais perto.
Na direção da lua eu corri pra longe da inundação. Mas ele balançou o meu barco me deixando encalhada novamente, só que dessa vez completamente apaixonada e perdida.
Levada pela mistura de sentimentos ruins e o sangue quente correndo pelas veias, eu jurei fazê-lo sangrar.
Eu não preciso olhar pra saber que ele está chorando agora. Mas já é madrugada. Esta tarde pra pedir perdão.
Posso sentir seu coração acelerado implorando por ajuda, mas suas pupilas dilatadas me mostram o contrário. Ele gosta disso.
O perigo sempre foi desafiador em meio a segurança, como o medo sempre será interessante se estiver perto do amor.
Eu desejava seu sangue, desejava vê-lo secar, vê-lo pedir pra que eu parasse ou pra que ficasse mais perto. Eu poderia fazer isso sem nenhuma piedade. Mas meus desejos são tolos e falhos.
Eu o deixei ir, sabendo que ele iria voltar [...]
















