Godfrey Gao for Harper Bazaar China
he wasn't even looking at me and he found me

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Godfrey Gao for Harper Bazaar China
hurricanya:
Anya tinha conseguido o que queria: seu kefta nada menos que perfeito! Ela esperou o homem acabar seu pequeno discurso, então o encarou fingindo estar magoada, colocando a mão sobre a boca: -Oh…! Em seguida, encarou a menina assutada ao lado do pai e deu seu típico sorriso de caçadora para a menina, quanto mais cedo aquele serzinho aprendesse a se portar no mundo melhor seria para todos. Deu uma pausa, gargalhou, começando a andar em torno do homem e da filha: - Well, well… Só temos um problema metalúrgico eu não dou a mínima para sua opinião, sobre minha índole! Além disso… Preciso de uma adaga nova… Por isso vim parar nessa parte… decadente? Decadente serve, do Pequeno Palácio… ou está podendo se dar ao luxo de negar trabalho?
O comportamento predador da menina não o intimidava: ela não era a única no Pequeno Palácio que tentava menosprezar os outros. De fato, poderia apontar outras centenas de Grishas com as mesmas características. Sempre arrogantes, mesquinhos e gananciosos. Consequentemente, não esboçou nenhuma reação quando ela começou a rodeá-lo: a única expressão que mostrava era a de tédio. Mitra, vendo que o pai não estava assustado, pareceu ganhar um pouco de coragem e deixou de agarrar-se a ele. — Não preciso que você me dê trabalho. Nenhum de nós precisa. A única pessoa a quem devemos responder é o Darkling — por mais que a raiva borbulhasse em suas veias como o fogo de um Inferni, seu timbre era constante, afiado e firme, igual às rochas que moldava. — Vá procurar outro Metalúrgico, talvez um que não te conheça e sinta medo de você. Eu e minha filha não sentimos. — E num toque final, enquanto a menina o cercava, Dayir pôs sutilmente o pé direito na frente do caminho dela, esperando que a mesma tropeçasse.
alchmic:
Debruçado sobre a sua bancada de trabalho, Mikkel criava uma solução para acelerar o crescimento das plantas e deixá-las mais bonitas para o tão esperado festival de primavera. Estava quase conseguindo chegar numa formula final quando sentiu o kefta sendo puxado por mãozinhas infantis, fazendo com que os olhos claros repousassem sobre a figura já conhecida de Mitra. ‘ oh, olá. ’ cumprimentou com um sorrisinho e então voltando a atenção para cima da mesa, colheu uma de suas flores usadas como teste, entregando para a pequena. ‘ gosta desta ? ’ questionou, antes de ser interrompido por Dayir, o fabricador que tinha sido como um grande professor para Mikkel até aquele momento. ‘ não precisa se preocupar, Dayir, a gente estava só conversando sobre flores, não é mesmo Mitra ? ’
Foi rápido na direção da filha para tirá-la de uma possível enrascada, mas quando visualizou Mikkel, sabia que tal hipótese estaria descartada. Era um alívio para Dayir ver que, daquela vez, Mitra havia chamado a atenção de alguém bondoso. — Graças aos Santos que ela não incomodou ninguém rabugento hoje — embora a frase tivesse a intenção de ser uma brincadeira, havia também certa tranquilidade no timbre do shu. Mitra, ao contrário de seu pai, não tinha se mostrado nada preocupada: Mikkel já era aprendiz de Dayir há anos e ele o ajudava sempre que fosse necessário, o que o tornava alguém conhecido. “Eu gostei” ela respondeu, sorrindo, enquanto pegava a flor da mão do alquimista. A menina levou a planta até o nariz para cheirá-la. “Ela é muito linda e cheirosa... Obrigada, tio Mikkel!” Seu agradecimento soava doce, como a própria personalidade da menina, e Dayir sorria tanto quanto ela. — Tem certeza de que ela não está te atrapalhando? Imagino que tenha bastante trabalho para o Festival — comentou, meneando a cabeça na direção da planta.
mcmelodie:
Melody tinha consciência de que crianças poderiam ser uma bela caixinha de surpresa – nunca podia se prever o que sairia daquelas pequenas mentes sortidas – mas o elogio tão espontâneo pareceu ser uma maravilhoso presente para a Etheralki! ❛ —— Morangos, pirralha? Eu gostei, sabia? ❜ Ela comentou com sinceridade em meio a uma gargalhada sincera, ajeitando o kefta para que pudesse se abaixar ao lado da mais nova. Mitra conseguia trazer o seu melhor humor à tona. ❛ —— Você sabe fazer mais elogios assim? Porque, se souber, acho que vou ser obrigada a te roubar pra mim quando seu papai estiver dormindo. ❜ A brincadeira veio acompanhada de um sorriso da parte da Hidra que fingiu subitamente sentir um cheiro proveniente da menininha enquanto seu cenho se franzia. ❛ —— É engraçado porque você tem cheiro de… sereia?! ❜ Indagou ao se afastar com uma expressão surpresa, ainda que seu dedos manipulassem discretamente a água que tinha visto em um copo numa mesa próxima a eles. E, sob a manipulação da Grisha, não demorou muito para que o volume crescesse, indo em direção a garotinha para formar o desenho de uma calda perfeita em torno das pequenas perninhas;; o líquido não chegando a encostar de fato em sua epiderme para que não a molhasse. ❛ —— Por quê nunca me disse que tinha uma menina sereia, Dayir? ❜ Melody perguntou teatralmente ao pai enquanto direcionava um rápido olhar para ele.
Mesmo sendo pai de Mitra, ele nunca se acostumava com as surpresas da menina: cada dia parecia uma nova descoberta ao lado dela. Por isso, o elogio incomum tinha soado tão engraçado e inesperado para ele, e parecia que Melody também havia gostado. — Ela é um doce, mas acredite, você não conseguiria cuidar desse furacãozinho quando ela está inspirada — ele riu, bagunçando as madeixas escuras da menor. Dayir passou a apenas observar a interação de Melody com Mitra, os olhos dourados analisando os mínimos detalhes daquela conversa. Para quem a visse tão descontrolada e impulsiva, ali havia uma nova Valera, dona de um ótimo humor e personalidade doce. Mitra estava silenciosa quanto seu pai e as órbitas curiosas olhavam para Melody, com um sorrisinho no rosto. “Sereia?” A voz infantil perguntou, visivelmente confusa, mas ainda atenta ao que estava por vir. Yur-Qara também não fazia ideia do que a Hidro planejava com tal afirmação: ela poderia ser tão surpreendente quanto uma criança.,E foi, realmente, uma surpresa quando a água circundou as perninhas de Mitra, formando a cauda de uma sereia. A garotinha olhava para baixo, encantada com o que via: o brilho se formou em seu olhar e uma risada escapou dos lábios. “Olha, babà, eu sou uma sereia como naquelas histórias que você me conta!” Ela parecia maravilhada, ao passo que Dayir também sentia-se satisfeito. — Sim, filha, você é uma linda sereia... Você acha que ela consegue falar com os peixes, Melody?
hurricanya:
Anya encarou o ponto do tecido que sofreu o puxão, então viu o leve vinco que se formou após o aperto entre os dedos da menina. Ela se empertigou irritada enquanto o materialki ousava encará-la: - Sente muito?! Só me faltava essa! Agora estou com o kefta arruinado! Reze para que ninguém veja esse amassado! Ou eu terei de ensinar bons modos a essa praga, metalúrgico! A moça rosnou, aguardando um pedido de desculpas nada menos do que apropriado ou uma promessa de favor pelo metalúrgico, afinal, ter uma dívida a se cobrar com um materialki era sempre uma carta no kefta.
De início, Dayir realmente mostrava-se culpado pelo que a filha fizera e estava disposto a reparar a situação até que a Grisha em questão abriu a boca. As palavras ríspidas da moça em direção a Mitra fizeram com que seu sangue fervesse e o shu precisou respirar fundo algumas vezes, a mão já fechada num punho. “Desculpe, moça!” A voz infantil soava arrependida e magoada. Sentiu os bracinhos da filha agarrem-no de lado: estava visivelmente assustada. — Nunca mais fale com ela dessa maneira. Não é uma praga, é uma criança. Você já fez coisas iguais a ela ou até piores nessa idade. — Irritá-lo era uma tarefa que normalmente demandava muito tempo, mas jamais manteria a calma diante de alguém que ofendia sua filha. — E já que seu kefta é tão precioso... — sua mão pairou no pequeno dano que Mitra causara no tecido, tornando-o perfeito como antes em um segundo. Tinha vontade de deixar aquele kefta puído, fazê-lo desbotar, mas não era vingativo. — Pronto. Seu kefta é fácil de reparar, embora não possa dizer o mesmo da sua índole.
decrlife:
Não podia dizer que era mentira. Ir para as aulas era realmente melhor, mas Emilya era uma criatura de hábitos peculiares. Era apaixonada em seus pequenos hobbies e adorava presenciar salvamentos. Grishas eram raros e era difícil identificar uma criança grisha no meio de tanta guerra e órfãos… Fazia com que ela se lembrasse do próprio salvamento. — — Eu já estou indo. — — Ela comentou assim que a pequenina adentrou a parte destinada aos mais novos. — — Mas sabe, as vezes é muito frutifero fazer algo além do dever. Há quanto tempo você não sai da sua sala, Dayir?
— Ótimo, mocinha. Acredite em mim, é melhor aproveitar essas aulas. Você vai precisar delas um dia — Dayir falava como se estivesse conversando com sua filha, mas a preocupação já era intrínseca à sua natureza. Era uma das qualidades que herdara depois de ter se tornado pai. — Você vem me perguntar isso em plena época do Festival de Primavera? Eu não poderia sair da minha sala nem se quisesse.
irsaorsaursa:
´ ・ . ✶ O Festival de Primavera não significava feriado, ao menos não para Irsa ou para a maioria dos Grishas no Pequeno Palácio. Muito pelo contrário, todo o trabalho parecia se intensificar naqueles dias, deixando todos beirando à exaustão e loucura. Havia descido até as oficinas, onde os Materialki costumavam trabalhar - um lugar completamente desconhecido e até mesmo hostil para uma Etherialki. Os metalúrgicos estavam desenvolvendo uma nova arma para o Segundo Exército e a jovem Khorrami fora uma das escolhidas para trabalhar em conjunto com os durast para desenvolvê-la da melhor maneira possível. O que não esperava, no entanto, é que ao invés de apenas ter que lidar com um Dayir arredio que aparentemente odiava a simples presença de Irsa, ela encontraria Mitra por ali também. A squaller nutria um sentimento forte com a pequena, talvez por ver tanto de se mesma quando era criança na filha de sua antiga amiga Shanti. Mitra a viu primeiro e correu até ela, puxando o kefta azul e prata que Irsa vestia. “ —— Ne brinite¹, Dayir. ” Assegurou a ele, tentando poupar a pequena da bronca que estava prestes a levar de seu pai. Abaixando-se, Irsa pegou Mitra em seu colo como se fosse a coisa mais natural a se fazer. “ —— Fala pro papi que a tia Irsa não se importa, fale pra ele meja². ”
A presença de Irsa era tranquilizadora por saber que a mulher nutria grande apreço por sua filha, mas o perturbava por lembrá-lo demais de Shanti; por esse motivo, tentava evitar a Squaller o máximo que podia. Não era muito efetivo, já que Mitra frequentemente fazia questão da companhia de tia Irsa, e a felicidade da menina era tão sólida que a expressão de alegria em seu rosto seguiu um gritinho. "Tia Irsa! Que saudade, você está parecendo uma princesa...” a garotinha elogiou, com seus braços finos enrolando-se em volta do corpo de Khorrami. — Não é justo. Você rouba toda a atenção dela quando aparece — comentou, fingindo frustração, enquanto assistia Irsa pegar sua filha no colo. “Babà¹, a tia Irsa não se importa! Ela gosta de mim” Mitra fez como a moça tinha pedido, mas a última parte da frase apertava seu coração: poucos Grishas a direcionavam algum afeto. A maioria só desprezava a criança. Dayir suspirou e aproximou-se da menina nos braços de Irsa. — Eu sei que ela gosta de você, meu amor, mas não faça mais isso. Poderia ser outra pessoa e você também sabe que estou certo, Irsa.
mcmelodie:
❛ —— E aí, pirralha! ❜ Melody disse em uma espécie de cumprimento para a menor, empregando um sorriso amigável em seus lábios conforme a sua mão direita era estendida para que pudesse deixar algumas leves batidinhas sobre a cabecinha da criança. Era essa a maneira de deixá-las contentes, certo? Ou era uma técnica para ser usada com filhotes? Não se lembrava muito bem, mas deveria ser basicamente a mesma coisa a julgar pelos tamanhos semelhantes. ❛ —— Não precisa brigar com ela por algo tão bobo! ❜ A defesa veio quase automaticamente enquanto a sua mão se apoiava no ombro da menor. ❛ —— Ela deveria ter algo importante para me contar, mas eu estava distraída. Certo, Mitra? ❜ Perguntou em uma espécie de cumplicidade com a garotinha, rindo baixo em seguida e direcionando o olhar para o pai posteriormente. ❛ —— Relaxa aí, vai. ❜ Pediu por fim, erguendo ambas as sobrancelhas de maneira sugestiva e inclinando a cabeça levemente para o lado.
O comportamento descontraído fez com que percebesse que a pessoa que Mitra havia chamado era Melody. Por mais irresponsável que a Etherealki pudesse ser, tinha que admitir que poderia ser pior - e a julgar pelas risadas que Mitra soltava, ela estava gostando da situação o suficiente para nem se desculpar, como Dayir havia pedido. — Olá, Melody. Fico feliz que ela não tenha te atrapalhado em nada importante. Se fosse outro Grisha, não tenho certeza que Mitra estaria achando tudo isso tão divertido... — Murmurou, com os olhos avelã fitando a menininha risonha. Melody já era conhecida de sua filha e enquanto Dayir a achava bastante inconstante, Mitra gostava de assistir as trapalhadas da moça. “Eu só queria dizer que você cheira a morangos!” A frase saíra de forma tão espontânea que o próprio Dayir não conteve uma risada. — Isso é um elogio e tanto.
sangrci:
Como corporalki, pouco visitava as oficinas daquela parte do Pequeno Palácio, exceto quanto tinha algo a ser-lhe entregue por um dos fabricadores. Era de conhecimento comum que sua ordem nutria certo desprezo pelos materialki, embora dependessem deles para muitas coisas. Era por isso que Sergei sempre cruzava rapidamente por aquelas bandas, como se temesse ser visto interagindo com uma ordem inferior a sua. Não colocaria em palavras seu preconceito, mas uma exposição desnecessário o deixaria visivelmente nervoso. Preocupação mais premente o assolou, no entanto, assim que se viu entre as mesas de trabalho, mais precisamente quando sentiu o kefta sendo puxado para baixo por um garotinha de traços típicos de Shu Han. O Legasov nunca soubera lidar com crianças, mas desde o experimento que as coisas estavam muito piores — nunca sabia como seu corpo reagiria; o que um demônio poderia fazer a uma criancinha? Foi com um menear de cabeça e um franzir de cenho que olhou para ela, ordenando ‘ Se afaste ’ de forma um tanto rude. Era verdade que não tinha tato algum, e sentiu-se aliviado ao perceber que o responsável por ela se aproximava. Aceitou as desculpas, como se a menor de fato estivesse sendo um incômodo. ‘ Uma oficina não é lugar para uma criança. Ainda mais as sem controle ’
Pouco tempo depois de falar com a criança e olhar para o homem que ela abordara, sentiu que havia algo de errado - o ar entre os dois era pesado e Mitra ostentava uma feição desapontada, quase assustada, nem um pouco parecida com a criança sapeca que costumava ser. Yur-Qara suspirou; pior do que ver sua filha chamando a atenção de um Grisha era vê-la chamando a atenção de um Grisha mal-humorado. “Desculpa...” murmurou a garotinha antes de correr para trás do corpo de seu pai, escondendo-se. Deixava somente a cabeça à mostra, para continuar fitando o estranho. — Não fale com ela dessa maneira. É só uma criança, não um monstro — seu tom de voz não se erguera, mas tornara-se firme, protetor. É claro, puxar o kefta dos outros era indelicado, mas grosseria era ainda mais errado e não suportava ver sua filha ser tratada mal por todos do Pequeno Palácio. — Eu sou pai dela e trabalho nessa oficina. Ela foi autorizada a permanecer no Pequeno Palácio, tem tanto direito de andar por aqui quanto você.
caixadepandorc:
⊰ ˙ ˖ ¸ Pandora ria baixo com uma colega, quando o movimento não conhecido chamou sua atenção, retirando qualquer resquício de diversão do semblante da infernis, que direcionou o olhar para baixo, identificando então a criança que havia adquirido sua atenção. Não tinha tato algum com o público infantil, esquecendo-se de filtrar o que deveria ou não falar perto deles, no entanto, não era como se desgostasse. Na verdade, podia dizer até mesmo que divertia-se. ❝ —— Oi, você. ❞ Cumprimentou, raro sorriso presente nos lábios ao direcionar-se à mais nova, com quem teria iniciado um diálogo caso a aproximação do mais velho não houvesse acontecido, esta tendo feito Pandora dar um passo pequeno para trás, concedendo maior privacidade à eles. As mãos, por fim, acenaram contra o ar diante as palavras do homem, negando qualquer suposição feita por ele. ❝ —— Não é necessário. Impecável, vê? ❞ Girara em seu próprio eixo, exibindo o kefta para que o desconhecido verificasse que tudo estava sob controle, e ao parar novamente de frente para eles, dera outro pequeno sorriso ao constatar que mesmo diante sua encenação, a criança fazia o que o mais velho pedia. Não se imaginava em tal posição. ❝ —— Muito trabalho com os preparativos? ❞
“Desculpe.” A criança falou, um pouco tímida, enquanto olhava para Dolohov. Foi um alívio quando percebeu que Pandora não se sentira ofendida pela situação com Mitra, pelo contrário: a Inferni parecia até entretida, de certa forma, com a curiosidade da criança. Dayir temia pelo que a filha pudesse sofrer nas mãos de outros Grishas: não só por ser meia Suli, meia Shu, mas simplesmente por ser uma criança e se comportar como tal. Yur-Qara observou a mais nova girar e seu kefta mexer-se com ela: Mitra tinha os olhos fixos nas vestes azuis alheias, brilhantes com a vista completa da roupa. — Ela é apaixonada por keftas. Acha todos magníficos — tentou explicar, observando a pequenina encantada, que fitava Pandora. “O dela é azul e vermelho, bàba¹”, sussurrou. — Isso, meu amor. Significa que ela é uma... — Dayir já havia a ensinado como diferenciar e esperava que a criança se lembrasse para completar a frase. “Inferni.” A filha respondeu sem hesitação, mas seu timbre ainda era baixo. O mais velho sorriu orgulhoso e assentiu com a cabeça - Mitra era uma criança um tanto quanto solitária e era bom que alguém além dele a desse um pouco de atenção que não fosse negativa. — Você nem imagina o quanto. Devo ter passado meu recorde de horas naquela oficina — riu abafadamente. Gostava de seu emprego, apesar de ser obrigado a assumir que passava muito tempo nele. — E você? Muito trabalho com os treinos e aulas?
Com a chegada do Festival de Primavera, os serviços de Dayir eram mais requisitados do que nunca. O Metalúrgico estava, definitivamente, afundado em trabalho e apressando-se para concluir seus afazeres o mais rápido que conseguia. Entretanto, sentia-se culpado por não dar tanta atenção a Mitra, o que fez com que decidisse levá-la consigo enquanto trabalhava. — Você só precisa apertar o botão e quando as engrenagens começarem a girar... — explicava o funcionamento do aparelho para o Grisha quando, de repente, notou que Mitra não estava ao seu lado. Rapidamente olhou para os lados, encontrando a garotinha a alguns metros de si, puxando o kefta de outre Grisha para baixo. Em passos rápidos, Dayir foi até a filha, abaixando-se para ficar próximo de seu rosto. — Wǒ yǐjīng gàosùguò nǐ, zhèyàng zuò shì bù lǐmào de¹ — murmurou para a menina em shu, com o timbre repreensivo. Só então levantou as costas e fitou a pessoa que Mitra havia abordado, pousando a mão nos cabelos escuros da menininha. — Eu sinto muito por isso. Mitra, meu amor, peça desculpas — agora, falava com ela em ravkano, esperando que a garota fizesse o que pedia.
decrlife:
Os olhos avelã da Obliskya acompanhavam a cena há algum tempo, a acarruagem de cavalos negros parando perto do lado oeste do pequeno palácio trazendo uma pequena garotinha de cabelos castanhos trançados, magra como todas as crianças que chegam em os Alta. — — Parece que temos um salvamento hoje!! — — Murmurou ela com um misto de surpresa e excitação. — — Aposto que é uma Corporalki. Olha como ela parece durona.
Dayir geralmente ficava enfurnado em sua sala no Pequeno Palácio, concentrando-se no trabalho que tinha a fazer. No entanto, ele também precisava entregar as encomendas que lhe eram feitas: segurava um pequeno suporte com espelhos giratórios para ajudar uma Inferni em seu treinamento quando passou pela garota de cabelos castanhos. Parou ao ouvir o comentário feminino, seu kefta roxo ainda balançando. — Talvez seja mais frutífero ir às aulas do que ficar vigiando quem chega no Pequeno Palácio — não havia emoção em seu timbre, mas sim um pouco de repreensão.
I didn’t dare think of the future; the past was still happening.
John Grisham, The Street Lawyer (via wordsnquotes)
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