Você me disse que eu sou desesperado e que todo o vazio que eu escrevo te faz pensar que sem você a minha vida não tem sentido.
O problema, é que eu só sei escrever dessa forma vazia, e vazio é uma palavra que você não entende.
E bom, você também nunca me entendeu.
Você não me entendeu quando eu disse que meu sentimento já era maior que a minha razão, e que às vezes, mesmo usando uma isca simples, conseguimos fisgar o melhor dos peixes. E que ninguém mais poderia ser dona das minhas mãos trêmulas e de meus textos tristes.
Se tem outra coisa que você não entende também, é que a paixão é sempre seguida pelo vazio.
Isso é irrefutável.
Quando ela se encontra doente, enfraquecida, febril, e morre, é só ele que sobra.
O vazio.
Um vazio que preenche. Algo paradoxal. Que, obviamente, você não entende.
Eu gostaria passar uma eternidade te contando dos meus amores falhos anteriores, sobre as minhas frustrações com outras pessoas, pra que você pensasse um pouco antes de ir embora, pra que com você não fosse um mar de desencontros e pra que você não fosse embora, mas você não se interessaria por isso.
Porque você definitivamente não me entende.
E eu sei, porque eu já tentei milhões de vezes me explicar.
E você mudou de assunto.
Você abriu essa sua boca linda e começou a falar incessantemente sobre os livros que gostaria de ler, os filmes que não teve tempo pra assistir, de como o seu trabalho é importante pra você, e outras coisas que eu não prestei atenção, porque estava pensando em como você fica linda quando me destrói fazendo isso.
Eu gostaria de poder te dizer que parte de mim não foi arrastada à força com você quando você foi embora. E gostaria de dizer que amadureci, que superei, que cresci.
Mas não.
Eu continuo o mesmo, com um pedaço a menos, é claro.
Mas o mesmo.
Ingênuo, triste, sozinho.
E vazio.
Vazio.