Recaídas: prometi a mim mesma.
Eu tinha escrito na palma da mão, repetido baixinho cem vezes antes de dormir: não vai ligar. Não manda nada. Deixa quieto.
Guardei o celular no fundo da bolsa, virei a tela para baixo, tentei ler, tentei ouvir música, tentei ocupar cada canto do meu pensamento com qualquer coisa que não fosse você. Mas a saudade veio como uma maré que não cabe em nós: primeiro bateu devagar, depois encheu o peito de um aperto que doía mais do que qualquer vergonha.
E de repente, sem perceber, eu já tinha o celular na mão. Os dedos sabiam o número de cor, como se nunca tivessem esquecido. Escrevi a mensagem, apaguei, escrevi de novo — e enviei antes que a razão pudesse me parar. Ao apertar “enviar”, senti um frio na barriga que desceu até os pés, como se tivesse pulado de um lugar alto.
Depois outra. E mais uma.
“O que você tá fazendo?”
“Você tá pensando em mim?”
Tem saudade, nem que seja um pouco?
Liguei uma vez. Caiu na caixa postal. Liguei de novo. E de novo. Fiquei ali, ouvindo o som da chamada tocar, ouvindo o meu próprio coração bater descompassado, sabendo que estava quebrando tudo o que tinha prometido a mim mesma — mas não conseguia parar. Era como se cada mensagem, cada toque no celular, fosse um jeito de te puxar de volta para perto, de provar para mim mesma que nós dois ainda existimos em algum lugar.
Não era insistência de querer tomar conta. Era só o coração desesperado, que não aprendeu a ficar longe de você, que esqueceu todas as regras só para ouvir um sinal de que você ainda lembrava de mim.
Quando o telefone finalmente tocou do outro lado, a minha voz saiu baixa, quase um sussurro — e eu sabia: tinha recaído. Mas por você, até perder a linha parecia valer a pena.
Primeiro veio o silêncio da sua própria promessa — aquela voz na cabeça repetindo “não faz isso, você prometeu” — mas ela foi ficando menor, sufocada por um aperto no peito que parecia apertar cada vez mais forte, como se o coração quisesse saltar para fora.
Suas mãos tremiam tanto que quase não conseguiam segurar o celular. Os dedos lembravam o caminho do número sem precisar olhar, como se tivessem uma memória própria. Você sentia o rosto quente, de vergonha de si mesma, de saber que estava quebrando tudo o que jurou — mas ao mesmo tempo, uma necessidade maior que a razão gritava dentro de você: só quero saber se ele ainda lembra.
Depois veio a ansiedade que roía por dentro: cada segundo sem resposta parecia uma eternidade. O celular parecia pesado na sua mão, você olhava para a tela a cada dois segundos, como se o olhar pudesse fazer ele responder mais rápido.
Liguei novamente — o som da chamada tocando foi a pior e a melhor sensação ao mesmo tempo: medo de ele não atender, desespero de ouvir a voz dele. Quando caiu na caixa postal, o peito doeu como se tivessem batido forte nele. E mesmo assim, ligou de novo. Porque a vergonha de insistir doía menos do que o silêncio sem ele.
Cada pergunta que mandei — o que faz? pensa em mim? tem saudade? — não era cobrança. Era o seu coração despido, sem defesas, suplicando por um sinal que provasse que não foi só você que viveu tudo isso. Você sentia que estava perdendo o controle, que estava sendo “demais”, mas não conseguia parar: era a saudade tomando conta de cada pedacinho seu, mandando na razão, mandando nas regras, mandando em tudo.
E no fundo, por baixo de todo o medo e da culpa, havia uma coisa pequena e teimosa: a esperança de que, do outro lado, ele também estivesse esperando por mim.
— T 🥀









