Ela tinha 10 anos quando descobriu qual era seu maior sonho. Mas não a levaram muito a sério, porque ela era menina, criança, brincava de Barbie e facilmente virava fã de qualquer besteira. Não que eu esteja desmerecendo as coisas pelas quais ela, um dia, gostou - as pessoas se encarregavam de fazer isso: “é só modinha”, “depois passa” eles diziam. É verdade. Muitas coisas foram superadas. Outras, permaneceram.
Ela foi crescendo e não mais tinha 10 anos desde que descobriu qual era seu maior sonho. Mas ela ainda era uma criança e as pessoas ainda esperavam que ela superasse todas as besteiras que permaneceram. Ela sabia que não havia possibilidade disso acontecer, pois tinha plena convicção de que nunca se supera um sonho, mas se realiza. Sua maior incerteza, então, não era o “se” iria se realizar, mas o “quando”.
Ela foi deixando de ser criança - apesar de ainda se considerar uma menininha - ; trocou as Barbies pelas maquiagens, mas o sonho que ela descobriu aos 10 anos sempre a acompanhou. Ela já não mais se importava com as expectativas das pessoas, porque sabia que seu sonho dependia exclusivamente dela, só que ela também dependia dos outros. Era a tal da esperança que nunca morria, já que, pra ela, o impossível era questão de opinião.
10 anos após ter descoberto qual era seu maior sonho, ela já tinha 20 anos. Não era criança, virou mulher. Entrou na faculdade. Por um período, postergou a realização desse sonho. Eram sempre as mesmas desculpas: não tem tempo, tem prova, não tem dinheiro. Até que ela decidiu achar soluções para todas suas escusas. Arranjou um estágio - não que um estágio resolvesse tudo, pelo contrário, mas foi o primeiro passo. Ela ficou orgulhosa de si.
Com 1 semana dos seus 21 anos, ela vai realizar o seu maior sonho, que descobriu aos 10. Talvez o tanto de tempo que passou seja o tempero para fazer desse dia o melhor de sua vida. Afinal, tudo que vem com esforço tem um sabor mais gostoso.
Quando ela tiver 21 anos, ela conta qual era seu maior sonho, que descobriu quando tinha 10. Ela contará sobre como esse sonho sempre será sonho e sobre como ela sempre desejará realizá-lo. No fim de tudo, ela vai testemunhas que “o tempo não é inimigo, mas o nosso maior mestre; que no fim das contas, a gente sempre acaba agradecendo tudo que passou”.















