eu sempre soube que existem silêncios que não são paz, são desistência. esse silêncio se instala como poeira em cima de livros que antes circulavam pela casa. vira um jeito de existir, contornando, poupando energia e escolhendo a rota mais curta. porque falar sempre custa caro demais.
sempre um rebaixamento constante do mundo, apagando a luz aos poucos e não percebendo enquanto ainda dá pra enxergar. lentamente no modo espera, modo silencioso, modo não perturbe. chamar e não ser atendida sempre tem um gosto vergonhoso.
eu sempre atendo, sempre tola. sempre acato, não importa o quão absurdo pareça.
o curioso é que a ausência não precisa de distância pra existir. pode morar no mesmo cômodo, sentar na mesma mesa, dividir o mesmo teto. a solidão com testemunha é sempre o tipo mais cruel.
a insistência, talvez, seja uma criança inconveniente.
harmonia é ausência de barulho? talvez seja vazio.
as palavras mudam de textura. antes com começo, meio e fim; cada vez mais desistindo no meio e no começo. a aceitação se disfarça de serenidade e às vezes parece evolução. e talvez seja mesmo.
assinando recibos que nem mesmo leio, ninguém quer negociar afeto com quem negocia preço. a vida talvez seja mesmo feita de pequenas desistências que ninguém aplaude, que ninguém vê, pequenas até que sejam grandes.
mas eu só insisto em coisas que valem a pena.











