se eu possuísse a perícia de esculpir a melodia
de como se iria suceder a epíloga pincelada
desta pintura apelidada, a minha existência no planeta terra
saciado seria a violácea pigmentação
que abraçaria o meu poslúdio suspiro
o que significaria que o meu presente
teria existido em aliança com os meus sonhos
num casamento que somente sofreria uma separação
com a expiração da minha essência
significaria a doce fragrância da nudez
de sede do meu espírito
o que seria o melhor método para me destituir deste mundo
mas a vida não é assim tão justa
ao ponto de se adaptar de táctica absoluta
à minha ambição, ela é mais, as saias
das mulheres recordistas de corpos
serpenteantes que sempre encontram
estratégias de se elevarem
mesmo quando elas as metem para baixo
de feitio efectivo a vida
reside a sua pessoal receita de fazer as coisas
e ainda que ela seja capaz
de conspirar a favor do meu paladar
fantasias as minhas, virão
ao prato de feição frequente
com ingredientes diferentes
do que aquilo que temperei porque isto é a vida
ela de técnica permanente irá povoar a última palavra
como um ponto final, juntamente
com a suspeita de neste momento
esfomeado eu falecer, longínquo do lugar
onde almejo localizar, mas a lapidar-me para aflorar lá
espreitando o historial das suas pegadas
é bastante plausível que se passe
o que acende um cenário
cada vez mais cristal que para perecer basta ter aquela
tinta carmesim que viaja nas veias e assalta o peito, em constância.