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Vaz Lobo (24/04/2015)
Vais tempo Vaz Lobo Ser criança Ah, vais...
Correr pique pega Correr queimado Correr para roupinhas das bonecas Estilo Tia Marilene
Correr pique esconde Correr para a piscina da Viviane Correr para a vila da casa da Flávia E para ver o filme no vídeo cassete da mamãe
Vais fazer o dever de casa Vais para rua brincar Vais e experimenta chamar o Marcelo de gordo E terás como resposta "sou gordo mas tenho saúde"
Vais como se o dia fosse acabar no minuto seguinte Vais ali na rua Bezerra Vais correr Vais Vaz Lobo
Vanessa Lusitano, com amor a todos que passaram pela minha infância.
Viagem ao tempo (13/04/2015)
O tempo perde definição ao fechar meus olhos Sobrevoo no passado Caminho no futuro E corro no presente
Com os olhos fechados Lágrimas correm em lembranças Em outro momento nesse portal atemoral Sorrisos brotam como flores Onze Horas
No escuro, com uma música tranquila Sinto brisas em meu ventre Cafuné pelo meu cabelo E cheiro de lavanda
Não sei bem se em minutos ou horas Me ocorre o hoje E por vezes agulhadas penetram minha pele Pisco e sinto leves mordidas em minha cintura... leve e não breve.
Vanessa Lusitano
Ciranda cotidiana (08/11/2014)
Fulano gostava de Sicrana
Sicrana gostava de Beltrano
Que não gostava de ninguém
Mas fingia muito bem
Um dia Sicrana olhou Fulano
E reconheceu o valor do que lhe era oferecido
Nasceram Fulaninhas e Sicraninhos
E Beltrano ganhou um espelho
E no fim... Do meio da ciranda rompida
Saiu Drummond
Que não estava girando
E não perdia tempo
Vanessa Lusitano, apaixonada por Drummond e tomando a liberdade de brincar
Rosa e girassol (09/2013)
Toda mulher ama receber rosas
Pétalas macias
(Perfume delicado) perfume vermelho delicado
Vermelho símbolo da paixão (vermelho paixão)
Estática... completamente muda
Girassol, ai girassol...
Amarelo canário (voa)
A liberdade em flor
Girando conforme a sua luz
Desvairado em seu equilíbrio
Toda mulher ama rosas
Ou quase todas...
Basta simplesmente observar as nuances
Um girassol gira por si só
Vanessa Lusitano
Ruídos (20/10/2014)
Quando a chuva cai E o vidro da janela embaça Quando mal se pode respirar E não há espaço para nada Além de bocas e mãos Faça silêncio Ouça os ruídos E já basta.
Vanessa Lusitano
Antigo (15/10/2014)
Tanto te odeio
Que tanto te amo
Mais me odeio
Que tanto pouco me amo
Que tanto te amo?
Se um tanto te odeio
Tanto ainda amo
Que um tanto me odeio
Tanto, que tanto...
Não odeio
Apenas amo.
Vanessa Lusitano
Irado (13/01/2014)
Na boa, bom mesmo é dar beijo na boca Lingua no céu Pescoço molhado Jesus, me abana!
Sou de carne, osso e gente da gente Tá ligado? Saliva e suor Arrepio... Boca e barriga
Você não acha show de bola? Pode abrir o jogo
Tá suave... Sua mão no contorno da minha cintura
Caraca! Cafuné é bom à beça.
Poema para brincar com um amigo querido, que achou estranho eu falar uma gíria durante uma conversa. Então disse que as usaria para fazer uma poesia. Só que não tenho tal hábito, então tive que procurar algumas. Foi engraçado fazer essa brincadeira.
Vanessa Lusitano
Saudade (23/08/2014)
Olhos grandes Do tamanho de um oceano Brilho negro e misterioso Lábios grossos De palavras doces E batom desenhado Como antes corria suor pelo meu colo A água corre pelo meio-fio Junto com o brilho dos olhos E levando o que sobrou do batom Uma semana de tempestade Chuva, vento E percebo que sinto Uma intensa saudade de mim
Vanessa Lusitano
Obrigada spsom por estar sempre lendo meus textos 😄
Saudade (23/08/2014)
Olhos grandes Do tamanho de um oceano Brilho negro e misterioso Lábios grossos De palavras doces E batom desenhado Como antes corria suor pelo meu colo A água corre pelo meio-fio Junto com o brilho dos olhos E levando o que sobrou do batom Uma semana de tempestade Chuva, vento E percebo que sinto Uma intensa saudade de mim
Vanessa Lusitano
De carne e osso (26/05/2014)
Como o tempo se dá de forma interessante, não? De repente percebo que não sou de carne e osso Sim é estranho Mas não sou. Sou momentos Pedacinhos de pessoas As que passam E as que ficam... Não passo de olhares... Os que não mas verei Os que se fixaram Ou me modificaram. Sou memórias Tristes e alegres De quem devo ser E até mesmo não ser. Nada além de lugares Sou o que ouvi pela estrada O que quase ninguém lembra Sou histórias construidas. Carne e osso? Com certeza, não.
Vanessa Lusitano
O vidro dos meus sonhos (20/04/2011)
Não quero seus beijos
Pelo vidro dos meus sonhos
Quero sua alma pulsando na minha
Quero carne e calor
Quero sua alma pulsando na minha
Pegue-me e faça-me feliz
Vamos andar de mãos dadas
A praia é nossa.
Quero coragem e abraços
Sou difícil eu sei
Mas estou sempre ao lado
Não quero seus beijos
Pelo vidro dos meus sonhos
Quero sua alma pulsando na minha
Quero-te sempre aqui
Beije meu pescoço e fale sobre futuro
Não, eu não admito beijos pelo vidro dos meus sonhos.
É real cada fio arrepiado dos nossos corpos
Cada hora que virá não será sonho
Você está aqui presente e ao meu alcance
Não escorregue que também não fugirei
Não quero seus beijos
Pelo vidro dos meus sonhos
Quero sua alma pulsando na minha
Quero carne e presença
Abraço e ouvido
Sei que esta aqui
Mas quero mais
Esteja mais
Meus olhos são os seus
Meu cheiro exige sua presença
Minha garganta grita com toda força
Que te amar é real.
Vanessa Lusitano
Sensação uterina - Abraço de mãe (11/05/2014)
Não sei quem sou
Aqui é tão grande e escuro
Quentinho...
Ouço sons e sinto ondas
Não sei quem sou
Já não é tão grande
Mas continua quentinho e escuro
Ouço vários nomes...
Me chamo Maria
Apertado, mal consigo me mexer
Quentinho e escuro
Conversamos muito
Sou filha
Que aperto bom
Quentinho... Quanta luz
Meu ouvido escuta baixinho que me ama.
Vanessa Lusitano
Fim do orgulho (06/05/2014)
Te perdi.
Não lhe sinto como antes
E não lhe vejo ao meu lado
Apenas atrás e muito distante
Sinto tua falta
Uma dor dilacerante oprime meu seio
Apenas por saber que já não te tenho
Sou diferente hoje - vazia
O sorriso impresso não é o que os outros olhos vêem
Engulo meu orgulho
E te peço como o apelo dos aflitos
Fé, volta para mim.
Vanessa Lusitano
Voar (14/10/2013)
O peixinho voa E o menino se espanta Mas corre na mesma direção Peixinho danado Foge do meu aquário com que permissão? E voa tão rápido que desaparece O cachorrinho voa E o menino se irrita E se lança com a coleira Cachorrinho mal agradecido Como deixa o conforto da nossa casa sem permissão? E se esconde no quintal do vizinho desconhecido Sopra o vento Esfria e esquenta O beija-flor voa E o menino da rede observa Beija-flor encantado Por que entra no meu quarto sem me perguntar? E a janela do jardim permanece aberta. Vanessa Lusitano
Lágrima seca (07/08/2013)
Toda lágrima tem um motivo
Até mesmo a que não cai
Esta é a que possui a história mais longa
Tão longa que já não rola à face
A gota mais salgada
Que seca antes de ser notada
E que parece ser esquecida
Mas… continua escondida
Sentida
Vanessa Lusitano
Ser Poeta (1999)
Poeta não é
só aquele que consegue escrever seus pensamentos
ou sentimentos com rima
O céu que muda,
A flor que murcha,
O botão que brota.
Poeta é também aquele que simplesmente
ama...
Aquele que olha uma rosa e vê além...
A estrela que não está tão longe...
Brincar: que delícia!
“Pequeninos poetinhas”
Oh, pião!
Poeta das mãos
Poeta do pé,
Poeta da língua,
Poeta de ...
Poeta do...
Tão normal...
...ser poeta.
Vanessa Lusitano, brincando de recordar.