Moça Apressada
A jovem moça pulava a cerca
para subir no pé de laranjeira.
Ali sonhava crescer depressa
para poder namorar.
Deixou o tempo passar,
nem sequer olhou para trás.
Quando cresceu soube o que é amar,
nem percebeu as transformações da vida,
as coisas fora do lugar
e a rendeira que parou de fazer renda.
A velhice tinha chegado,
a vista cansada e o esquecimento
haviam lhe tomado conta.
A moça se doou por inteiro
e parando para pensar em tudo
que deixou escapar
quis ser criança outra vez.
Talvez cair na roda, brincar de ciranda
e terminar o dia a rodar.
Clarisse da Costa


















