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@lysander-avery
Callin' out sins just to pass the time | Flashback | @Elen O'Connor
Aquilo estava começando a ficar frequente, e Elen não gostava dessa situação. Seus olhos se recusavam a fechar e seu corpo tinha mais energia que tivera o dia inteiro. Ela se revirava de um lado para o outro na cama enquanto tentava desligar o cérebro. Estava começando a se irritar. Detestava não ter controle sobre algo, principalmente sobre seu organismo. A irritação só servia para mantê-la mais acordada, até que finalmente a O’Connor desistiu. Jogou os pés para fora da cama, puxou seu roupão de cetim verde que se encontrava pendurado e saiu do dormitório. O Salão Comunal se encontrava vazio, como já era de se esperar, e Elen não sentiu a mínima vontade de se sentar em uma das poltronas e ficar ali. Nas mesas de madeira ainda havia vestígios dos últimos estudantes a ir deitar. Jornais, livros escolares, uma garrafa de firewhiskey. A menina olhou no relógio que ficava pendurado num canto e se deu conta de que não passava das duas da manhã, por esse motivo nenhum elfo aparecera para limpar o local, mas em breve o fariam, e com esse pensamento ela escapou para fora dali antes que eles aparecessem, sem perceber a figura alta que a seguia.
Os corredores eram iluminados apenas pela luz da lua, mas era o suficiente. O ar das masmorras era frio e causou arrepios na pele da sonserina, que desejou ter saído com algo mais além do roupão e, por baixo desse, a fina camisola de seda preta. O chão frio fazia com que seus pés doessem, mas ela não parou. Não sabia exatamente que rumo tomava, apenas continuou seguindo em frente. Em algum ponto próximo à sala de poções, seu perseguidor se descuidou de alguma forma e deixou que seus passos fossem ouvidos. A menina se virou sobressaltada, e iluminado pela luz da lua deu de cara com Lysander Avery. O rapaz era quase uma cabeça mais alto que ela, e a observava com um olhar curioso. Elen cruzou os braços irritada. Quem ele pensava que era para segui-la daquela forma? - O que quer, Avery? - perguntou em um tom de voz baixo para não chamar atenção. Não fazia ideia de qual seria a resposta do outro, mas de alguma forma esperava ser surpreendida naquela tediosa noite sem conseguir dormir.
Livre de Mulciber e Snape, o Slytherin se escondeu nas sombras do Salão Comunal. Com um cigarro preso aos lábios, Avery tentava encontrar conforto no vício. Astrid roubava sua paz e era difícil dormir quando seus pensamentos continuavam fixos na garota. Villeneuve possuía o dom de fazê-lo sucumbir e o simples ato de pensar na jovem deixavam-no insone. Um dia, um dia Avery! O garoto pensou, recordando-se da textura dos lábios dela nos seus. Já fazia muito tempo desde aquele único e primeiro beijo. Tranquilo, Lysander notou movimento pelo canto dos olhos e apagou o cigarro num livro abandonado por ali. Não queria chamar atenção de quem ousava perturbar seu silêncio. Surpreso, identificou Elen O’Connor, vestida em um robe de seda incapaz de esconder suas curvas.
Animado com a perspectiva de um encontro, Avery ficou de pé e a seguiu. Já fazia algum tempo desde que a dupla se encontrava as escondidas pelo castelo, era apenas desejo e pele, e não havia necessidade de fazerem alarde do relacionamento. Afinal de contas, seu coração pertencia a Astrid e mulher nenhuma se comparava a prima. Sem fazer muito barulho, o Slytherin acompanhou a garota pelo corredor deserto e escuro, por descuido seus pés tropeçaram no piso de pedra, fazendo barulho. – Passar o meu tempo. – Respondeu logo depois de indagado. Diminuindo o espaço entre os dois, Lysander se aproximou da garota e a empurrou até encostá-la na parede. Abaixando a cabeça, encostou seus lábios aos dela, roubando-lhe um beijo, enquanto suas mãos tateavam a cintura da Slytherin.
But I bite me jealous | Flashback | @Astrid Villeneuve
Os dias de Astrid estavam estranhamente normais. A tão odiada rotina lhe dominava e não apenas a incomodava devido a falta de algo interessante para fazer, dessa vez havia algo a mais naquela normalidade, algo que lha assombrava. De fato a mente da pequena não estava entre as paredes de pedra dos corredores, tampouco nas salas de aula, apenas seu corpo comparecia e seus pensamentos estão em outro lugar, ou melhor, em alguém. Regulus Black lhe invadia as ideias e lhe perturbava, não no sentido romântico da palavra, o que era pior. Astrid simplesmente não tinha o controle do que estava acontecendo e isso a corroía por dentro. Em sua última conversa com o rapaz, ele deixou claro o desgosto em ser seu noivo e isso machucara a morena mesmo ela mentindo para si mesma que não. Astrid não iria negar que se sentia atraída por Regulus, mas qual a intensidade desse sentimento? A Slytherin acreditava que não passava de um desejo não concebido, mas a possibilidade de tê-lo ao seu lado no futuro lhe fizera feliz por um momento e em seguida lhe assustou como o inferno. Desejaria ela passar o resto da vida ao lado de alguém que não a amava? Se culpando pela infelicidade não só dele como a sua própria? Definitivamente não. Astrid merecia amar e ser amada.
Enquanto a confusão acontecia por baixo dos panos, sobre eles a morena mantinha-se soberana em suas atitudes. Conversava com as amigas, interagia com as inimigas, atraía atenção por onde passava e mantinha quem precisava sobre seu controle. Naquele instante, inclusive, se livrava de mais um dos deveres que o velho fantasma passara para a turma de Astrid em História da Magia. O rapaz estava no sexto ano, assim como ela, e compartilhavam do uniforme detalhado em verde e prata; porém não eram amigos, nem sequer próximos; ele estava na presença de Astrid apenas por ser idiota o suficiente para cair em seus encantos facilmente e inteligente o bastante para fazer o dever dela junto ao seu. Tudo estava indo como a morena planejara, mas uma voz atrás de si acabou com o sorriso bobo do rapaz a sua frente. - Qual é a sua Lysander?! - reverberou indignada com a imposição do primo. - Parabéns, agora você ganhou mais um dever para fazer no final de semana. - falou decidida e empurrou o trabalho junto ao peito do rapaz, dando-lhe as costas em seguida. Astrid sabia que ele iria atrás dela, ele sempre ia.
O sangue de Avery fervia em suas veias, Astrid era intocável e vê-la com tanta proximidade com alguém o tirava completamente do sério. O Slytherin cerrava os punhos, tentando se controlar, antes que suas mãos esmurrassem a cara daquele insolente. O mais novo fitava sua prima como se a menina fosse um prêmio a ser conquistado, e o moreno odiava aquele olhar, sedento de desejo por ela. Ninguém, exceto ele próprio podia fita-la daquela forma, ela lhe pertencia, somente. Assustado, o outro Slytherin encarou Avery com medo, afinal, todos conheciam sua fama de encrenqueiro. Não havia limites quando sua garota estava envolvida, Lysander mataria por ela. – JÁ FOI? – Gritou em ultimato, permitindo que seus lábios se abrissem em um sorriso ao ver o garoto correr com o rabo entre as pernas, derrotado.
- Qual é a minha? – O garoto repetiu insatisfeito. – Eu que pergunto, qual é a sua Astrid! Por que se comporta como uma piranha? – O Slytherin devolveu, com raiva da garota. Quando esta lhe atirou folhas de pergaminho sobre o peito e deu-lhe as costas, Avery explodiu. – QUE MERDA É ESSA ASTRID? – Gritou, jogando as folhas no chão e seguindo a garota com impaciência. – Se acha que vou fazer alguma coisa pra você, está enganada e se pensa que pode me tratar desse jeito, está mais enganada ainda. – Falou, diminuindo seu tom de voz enquanto a segurava pelo braço. – Não sou como esses seus coleguinhas, eu não sou! E quero que me respeite. – Completou, fitando-a com desgosto. – Se acha que pode ter tudo o que quer jogando seu charminho, faça isso agora, comigo. – Lysander a provocou. – Quer que eu faça suas tarefas? Me convença! – Continuou, sem soltá-la.
What the fuck Dylan! | Flashback | @Dylan Mulciber
Como de costume, Avery passava as férias de verão na casa dos Mulciber. Era apenas uma criança, havia acabado de completar treze anos, mas entendia perfeitamente seu lugar naquela ilha. A Sra. Mulciber o tratava como um filho e a ausência de amor materno lhe fazia dependente do carinho que ela o oferecia. Tanto Dylan, quanto Elizabeth não pareciam se importar com sua constante presença, pelo contrário, ambos costumavam se divertir juntos. Se não fosse por Astrid, sua prima, provavelmente teria se apaixonado pela irmã do melhor amigo.
- Ei, meninos, venham aqui. – A Sra. Mulciber os chamou. Prontamente, as três crianças abandonaram o jardim, onde brincavam e seguiram a voz da mulher, que os chamava da sala de jantar. – Pedi que os Elfos fizessem esses biscoitos de gengibre, do jeito que você gosta Lysander. – A mãe do amigo sorriu, oferecendo-lhe um dos biscoitos que enchiam a bandeja. Naquele momento, Avery agradeceu a mulher com um sorriso satisfeito e aceitou o biscoito, dando uma mordida. – Estão deliciosos Sra. Mulciber. – O garoto agradeceu, sem olhar para o outro. – Não me chame assim querido. – Ela o confrontou, afagando seus cabelos com alegria.
Quando a mulher deus as costas aos três, Avery continuou mastigando satisfeito. Jamais imaginaria que uma atitude como aquela causaria desconforto ao amigo. – Sua mãe é o máximo, Dylan. – O mais baixo comentou, enchendo seu copo com suco de abóbora e pegando mais biscoitos de gengibre, seu preferido.
Coming off the fence | @Severus Snape | Plot Twist
Naquele noite tudo o Severus menos queria era entrar nas provocações de Lysander começar uma briga com o mesmo, por isso tinha decidido apenas deixá-lo falando. Ele revirou os olhos olhos e nada respondeu ao colega. Honestamente, até naquela noite ele tinha que aturá-lo?! Aceitou uma bebida que um garçom que passava lhe serviu e tomou leves goles enquanto ouvia a incansável voz de Lysander em seus ouvidos. Severus já se pegou algumas vezes se perguntando qual seria o real problema de Avery com ele. Sim, ele era um mestiço, mas tinha certeza de que valia muito mais do que certas pessoas que o próprio Avery admirava; além do mais ele estava do seu lado da causa, os dois defendiam o mesmo ponto de vista, então qual a merda do problema dele com Severus? – Se não me falhe a memória, esta casa não é sua, é? – ele disse num tom irônico e arqueou uma das sobrancelhas. – Então, acredito que não seja da sua conta saber para quem foi enviado convite, ou não. – ele levantou a taça num sinal de brinde solitário e sorveu mais um gole da bebida. Era apenas Hidromel. Não que Snape fosse de conhecer bebidas, mas aquele estava muito bom, por sinal. – Se lhe incomoda tanto as minhas vestes, porque vossa senhoria não se afasta e vai procurar alguém que lhe suporte? Ah, esqueci. Não há ninguém que consiga essa proeza. – E com a expressão mais cínica ele se virou de costas para o colega.
Era melhor que Lysander o deixasse em paz, pois Dylan não estava ali para dar uma de juiz entre os dois e, por mais que pensasse em evitar a situação, Severus já podia se imaginar começando uma briga com o outro Sonserino. Severus apenas revirou os olhos ante o comentário do outro.Ele se perguntava quando Lysander iria deixar essa pose de rei e descobrir que, no fim das contas, não mandava nem em si próprio? O moreno nada respondeu, apenas encarou o salão ao seu redor e as pessoas que ali estavam. Será que havia mais alguém de Hogwarts ali?
Mas por mais que Severus se esforçasse, quando Lysander tocava no assunto “Lilian Evans”, ele simplesmente não conseguia controlar seu instinto assassino. No instante em que ele ouviu as provocações do outro, Severus sentiu seu sangue gelar e suas feições ficaram duras. Por que mesmo que Severus nunca tinha metido a mão na cara de Lysander quando o assunto era Lilian? Ah, sim, ele já tinha. Severus respirou fundo, virou o resto da bebida que ainda estava na taça e virou-se de frente para Lysander. – Amiguinha sangue-ruim? Que eu saiba não tenho mais nenhuma. E, diferente de você, não devo satisfações da minha vida a ninguém.
O olhar de Avery era de pura indiferença, não fazia questão alguma em esconder seu desagrado em relação ao mestiço, desaprovava qualquer relação entre o amigo de infância e o queridinho em Poções, a ideia de tê-lo como companheiro de causa era irritante e o moreno mal podia se controlar. Sorte a dele, Dylan não estava ali para conter os danos colaterais. – Sou bem vindo aqui, eu cresci nesta casa Snape, bem diferente de você. Me diga, o que sua mãe vendeu dessa vez? Ela nem é bonita pra isso. – Lysander ironizou, insinuando que a mãe do outro vendia o próprio corpo em troca de favores. Avery queria feri-lo, estava em território seguro e o Slytherin não podia fazer nada em troca por ali.
- Pobre Snape, você é o pária social aqui, não eu. – Avery completou, sem dar ouvidos ao comentário do outro. Quando notou a aproximação do garçom, o moreno o chamou. – Sr. Avery. – O empregado estendeu-lhe a bandeja, acenando a cabeça em respeito a sua posição. – Como ia dizendo, não vejo ninguém notando a sua presença. Claro, sua namoradinha viajou com o tal do James Potter. Meus pêsames, companheiro. – O Slytherin reforçou, dando uma palmadinha no ombro mal vestido de Severus. – Qual é o sentimento após ser trocado? – Riu, satisfeito com o próprio comentário.
Sorvendo um longo gole de seu champagne, Avery continuou achando graça, sorrindo abertamente enquanto observava a mudança de expressão no rosto do colega de casa. Conseguira marcar um ponto, afinal, Lily Evans era mesmo o calcanhar de Áquiles do outro Slytherin. – Isso doeu? – O Beater perguntou, fingindo solidariedade. – É aí que você se engana Caro Snape, Lord Voldemort apreciaria saber sobre quem está direcionada a sua lealdade. – Lysander abaixou o tom de voz, olhando fixamente na direção do espertinho em Poções, desafiando-o.
But I bite me jealous | Flashback | @Astrid Villeneuve
Irritado, Avery deixou o Salão Comunal da Sonserina impetuosamente, batendo portas e pisando duro. Seus passos, pesados, reverberavam pelas paredes denunciando sua presença a quem estivesse por perto. Mais uma vez, perdera uma discussão com Dylan, o sempre defensor de Severus Snape. Lysander jamais entendeu a confiança que o amigo parecia manter em relação ao amante de sangue-ruins. Para Avery, Snape nunca se mostrara merecedor de sua confiança, aquela não era a primeira vez em que pegava o moreno conversando com Lily Evans. Sua paciência, testada até o limite estava prestes a acabar e quando chegava a esse ponto, Lysander explodia, de forma que pisava em tudo o que passava em sua frente, devastadoramente.
Sua válvula de escape era Astrid, a amiga de infância era a única capaz de acalmá-lo ou então, acabar com tudo de uma só vez. E lá estava ela, jogando seu charme inconfundível pra qualquer um, o Slytherin não se conformava com o jeito conquistador da menina, a forma como ela se exibia entre o público masculino.
Aproximando-se, Avery fitou o colega de casa com um olhar desaprovador, a morena, de costas para ele, não tinha notado sua presença ainda. – Sai fora! – Ele provocou, anunciando sua presença marcante. – Não tem nada importante pra você aqui otário, cai fora antes que eu te meta a porrada. – Expulsou-o com um pouco mais de veemência, sem encarar a jovem. Sabia que se a encarasse, notaria o desprezo em seu olhar, mas ela não era capaz de entender que Avery fazia isso para o seu bem, ele a prevenia de situações constrangedoras e a guardava para o momento em que a morena o veria de uma forma diferente. Avery a reservava para si próprio.
Coming off the fence | @Severus Snape | Plot Twist
Ser convidado para o Banquete anual de Salazar Slytherin era um marco em sua vida e o modo como se sentia bem naquele ambiente o fazia pensar que aquele era realmente o seu lugar. Ele já tinha ido à casa dos Mulciber, mas foi um pouco estranho chegar ali sem Dylan, ou até mesmo Lysander; mas lá estava Severus, no meio da mais alta e pura sociedade bruxa. Naquele instante, passou pela sua cabeça o que seu pai acharia de vê-lo ali. E a resposta veio prontamente: ficaria decepcionado. Desde quando começou a moldar seus pensamentos e se adaptar a uma nova ideologia de vida, o moreno ficava mais distante de sua família. Não queria ser lembrado por bons laços com seu pai amante de trouxas e muito menos com sua mãe trouxa. Não que ele nãos gostasse de sua família… Ele lembra-se de ter uma boa relação com os pais quando era mais novo, só que as coisas tinham mudado; ele tinha mudado e talvez ele pudesse conviver melhor com seus pais se os mesmo fossem de outra maneira. Atualmente Sverus se comunicava com os pais apenas quando estava em casa nas férias deverão, pois até mesmo durante as festas de final de ano, ele preferia passar no Castelo a ir pra casa.
Mas as coisas iriam mudar, pois Severus aquele era seu último ano e Severus estava mais que qualificado para as mudanças que estavam prestes a ocorrer. E alguma coisa aconteceria naquela noite; era como se ele pudesse sentir… Mas talvez fosse apenas uma sensação boba de um jovem que observava pela primeira quão grande pode ser o mundo e as possibilidades. Ele foi tirado se seus pensamentos ao ouvir seu nome ser chamado por uma voz conhecida e ao se virar, deu-se conta de que era Lysander quem falava com ele. Severus suspirou, mas em seguida o cumprimentou. – Olá, Lysander. – Não é que Severus não gostasse de seu colega de casa, na verdade ele e Lysander eram os únicos que poderiam ser tidos como “amigos” de Snape; o problema estava na implicância que o outro tinha com assuntos que já estavam resolvidos e findados há muito tempo. Ele não tinha contanto com Lilian Evans desde a última briga deles há dois anos, mas Lysander parecia ver coisas onde não tinha e não perdia uma oportunidade de implicar com Severus usando coisas do passado para jogar na cara do Sonserino que não confiava nele. A paciência de Severus nunca durava muito e era mais que constante ver os dois brigando. As vezes Severus queria achar algum modo de fazer Avery simplesmente calara boca e esquecer o assunto; provar pra ele que Lilian Evans e nenhum outro sangue-ruim importava em sua vida. Mas ele ainda não tinha descoberto como. – Sabe onde está o Dylan? Eu não o encontrei.
Alguém precisava colocar Snape em seu devido lugar e esse alguém, claramente, era o próprio. Avery revirou os olhos ao se deparar com o colega de casa, já que não entendia o relacionamento entre este e Dylan. Severus, traidor do próprio-sangue, aliado à causa purista por razões que Lysander jamais entenderia ou aprovaria. Por ele, o outro também era escória, e como tal, deveria ser tratado. – O que faz aqui? Não me recordo de ver nenhum convite endereçado a você. – Avery perguntou com indiferença, reparando nas vestes do companheiro de casa. – Por Salazar, você mal sabe se vestir. – Ironizou, alinhando a própria gravata de alta-costura. – O que sua mãe precisou vender dessa vez? – Avery reforçou, deixando-se rir um riso falso.
O preconceito presente no Slytherin era enorme e por mais que Mulciber trouxesse Severus ao circulo purista, Avery jamais aceitaria aquela amizade.
- Dylan não está aqui! – O moreno respondeu secamente. – E não é do seu interesse descobrir seu paradeiro. – Avery respondeu, deixando transparecer um pouco de sua inveja. Lord Voldemort parecia muito mais interessado em admitir Mulciber em seu seleto grupo. E por mais que Lysander se esforçasse, Aquele Que Não Deve Ser Nomeado jamais reparara em seus esforços. Talvez, o peso de seu sobrenome ainda não valesse seu passe de entrada e de alguma forma, Avery precisava mostrar que era muito mais do que um simples peão naquele jogo. – Cadê sua amiga sangue-ruim? O que ela acha de sua visitinha a essa casa? – Avery perguntou, apenas querendo ferir.
Coming off the fence | @Severus Snape | Plot Twist
Avery duvidava constantemente da lealdade de seu companheiro de casa, Snape e sua “pseudo-amizade” com uma sangue-ruim colocava sua credibilidade à prova. Não bastava ter que aguentar tantos nascidos-trouxas pelo castelo, ainda precisava dar de cara com os olhares cobiçosos de Severus sobre Lily Evans? Aquilo era um verdadeiro insulto a toda causa purista e Lysander não fazia questão alguma em esconder seu desagrado. O embate entre ele e o moreno quase chegavam às vias de fato e se não fosse por Mulciber, suas idas à Ala Hospitalar se tornariam frequentes. A falta de tolerância e o desprezo pelos sentimentos do colega elevavam sua ignorância ao limite e Avery mal esperava a hora em que testaria a lealdade do amigo de uma vez por todas.
Finalmente, o alarme soava, avisando que aquele era o momento ideal em que Snape precisava provar de que lado estava. Do lado vencedor, ou do perdedor, junto daqueles sangue-ruins imundos. Avery os detestava, desde criança foi educado daquela forma e cresceu aprendendo a desprezá-los. Um lapso horroroso da raça humana, que precisava ser eliminada prontamente.
O Slytherin chegou mais cedo à casa dos Mulciber, acostumado aquele ambiente, o garoto não precisava de apresentações. Sabia que Dylan não estava em casa e conhecia os seus planos, só não entendia o motivo de não ter sido convidado a acompanhá-lo. Talvez, aquele seria seu teste definitivo e em breve Avery seria testado também, já que ansiava profundamente pela marca tatuada em seu braço. No fim das contas, restava apenas aproveitar a festa, estreitar laços e criar alianças, os contatos daquela noite poderiam ajuda-lo futuramente. Assim que alcançou o ilustre e suntuoso salão, seus olhos percorreram o ambiente em busca de Astrid, porém, não a encontrou em lugar algum, no entanto, lá estava Severus Snape. E imediatamente, uma ideia começava a se formar em sua cabeça. – Severus? – O moreno o chamou.
Direto, gosto disso.
E você ainda pergunta? Pensei que estivesse bem claro. A resposta é sim, claro que quero.
Então vamos parar com essa conversinha fiada e irmos direto ao que realmente interessa.
Cuidado Avery. Uma vez que entrar nesse jogo não terá volta, tem certeza de que tem peito para continuar?
O que você acha? Que faço o tipo de quem está de brincadeira? Não gosto de rodeios, eu sou claro e direto.
Você me quer ou não?
Sinceridade é meu nome do meio dear. Depende ao que você se refere quando diz “feito uso disso”.
Não se faça de desentendida agora O'Connor.
Você entendeu muito bem o que eu disse.
Não entendo o por quê Avery. Esta é apenas a verdade, oras.
Sua sinceridade nunca chegou até os meus ouvidos. Já poderíamos ter feito uso disso.
→ Lysander Avery. 17 anos. 7th. Slytherin. Pureblood.
“Nobody gets through life without losing a few things on the way.”
「Biografia 」
O estrondoso som dos trovões não era o bastante para abafar os gritos de aflição. O céu lá fora era escuro como o céu noturno embora não passasse das três da tarde. O rosto contorcido em dor parecia tomar aspectos fantasmagóricos conforme a luz dos relâmpagos invadia o cômodo pelas gigantescas janelas. Quando a voz feminina cessou seu lamento, logo foi substituída por um choro agudo e ininterrupto. Uma vida se iniciava enquanto outra dava seu último suspiro. Ninguém pôde prever as complicações do parto com antecedência e o acontecido pegou a todos de surpresa, inclusive a medibruxa parteira designada para acompanhar a gestação de Ilithyia Avery. Foi no meio de uma tempestade que Lysander veio à vida, e foi no meio dessa mesma tempestade que perdeu sua mãe.
Ao menos foi essa a versão que Lysander cresceu ouvindo - uma versão perturbadoramente distante dos fatos. Pela forma apaixonada que seu pai falava sobre sua mãe, o rapaz dificilmente adivinharia a realidade por trás do mito. Octavius o fez acreditar durante todo aquele tempo que tinha sido culpado pela morte da sua mãe quando na verdade a culpa recaía sobre o próprio Octavius que teria contratado alguém para dar cabo da esposa de beleza estonteante. A própria parteira dava a ela poções supostamente para sua rápida recuperação enquanto na verdade a faziam definhar, envenenando-a pouco a pouco. Eram inúmeros os motivos de Octavius para encomendar a morte de sua mulher: ciúmes, desconfiança e por fim, a descoberta sobre os planos de fuga traçados por Ilithyia, que pretendia deixar a mansão Avery com seu filho assim que tivesse condições de partir com o recém-nascido. Obviamente seu intento foi frustrado e ela pagou com a própria vida, deixando pra trás o indefeso Lysander nas mãos de um monstro como Octavius, o que era tudo que ela queria evitar.
Mas ao contrário do que Ilithyia esperava, Octavius acolheu Lysander muito bem e ofereceu a ele tudo do bom e do melhor, apesar de no fundo ainda se corroer com a dúvida sobre a verdadeira paternidade do menino. Octavius estava certo de que Ilithya tinha um amante e que aquela criança poderia tanto ser dele quanto de outro homem, mas a necessidade de ter um herdeiro para carregar seu nome se sobrepujava a qualquer desgosto que a possibilidade de Lysander não ser seu filho poderia lhe trazer. Além disso, tinha sua honra para proteger, aquela hipótese, aquela simples possibilidade tinha o poder de jogar seu nome na lama, logo para todos os efeitos o menino era seu filho. Lysander, no entanto, não escapou impune diante dos supostos pecados da mãe e sofria pela culpa de ter sido o responsável por sua morte, algo que Octavius não hesitava em atribuir a ele.
Dessa forma, o rapaz cresceu com a sensação de que estava em dívida com o pai por ter tirado dele algo que lhe era tão querido. O débito era pago com a obediência de um filho dedicado, que seguia os passos de seu velho sem vacilar. Era perfeitamente natural, portanto, que Lysander não visse a hora de se juntar aos comensais. Seu pai fora um dos primeiros seguidores de Voldemort e fazia parte de seu círculo mais estreito – algo que o rapaz vivia se gabando junto aos demais colegas puristas – as expectativas em cima dele eram grandes e não pretendia desapontá-las. Cumpriria o destino que havia sido traçado para ele antes mesmo de nascer, acreditando que sua mãe teria orgulho de suas escolhas, sem sequer desconfiar que Ilithyia abominava a violência e que teria escolhido qualquer outro caminho para o filho.
Em Hogwarts o rapaz se associou àqueles que julgava à sua altura, ficando rapidamente próximo a Mulciber a quem conhecia desde criança, graças a velha amizade entre seus pais. Dylan, por sua vez, não parecia particularmente interessado em criar laços de amizade, não mais do que em estabelecer conexões para uma rede de influências. Mas talvez por conhecê-lo desde a infância, Avery fosse tão apegado a ele, considerando-o quase como o irmão que nunca teve. E mesmo que Dylan jamais fosse admitir, partilhava do mesmo sentimento de cumplicidade. Através de Mulciber, Avery passou a andar com Snape, um aluno brilhante e destaque em poções - claramente um dos queridinhos do diretor de sua Casa, o que vinha a ser uma associação vantajosa para todos os envolvidos.
Lysander acostumou-se a dar cobertura a Dylan sempre que o mais velho encontrava uma oportunidade para exercer seu senso de humor peculiar à custa de algum sangue ruim. Em pouco tempo, no entanto, o único herdeiro dos Avery deixou de apreciar o espetáculo do lado de fora e começou a atormentar aqueles de linhagem inferior com tanta frequência quanto Mulciber - talvez até mais, visto que era consideravelmente mais impulsivo do que o colega. Snape reprovava veementemente o descuido e vivia repreendendo Lysander, da mesma forma que o moreno não deixava escapar uma chance para esfregar na cara de Severus a sua inconveniente paixonite por quem era, a seu ver, a sangue ruim mais detestável naquele castelo. Por conta disso não era raro haver atritos entre os dois e geralmente cabia a Mulciber fazer o papel de reconciliador.
「 Extras 」
Beater.
→ FC: Keegan Allen.
→ Player: Kah.