Apesar de Dwight ser Dwight, ele reconhecia seus limites. Não estava tão bêbado no baile e aquilo era quase inacreditável, mas tinha seus motivos. Muitos poderiam pensar que a vida dele era baseada em coisas superficiais, já que vivia a base da fortuna imensa dos Moody, porém se ligava muito no curso da faculdade. Já que teria uma prova no dia seguinte do Baile de Inverno, decidiu maneirar no álcool. Mesmo assim, sua sobriedade não foi motivo para que se privasse de certas coisas… Certas coisas que já estava começando a se arrepender. Ter encontrado Aurora, a jovem de recentes dezesseis anos que insistia em ver o “bom lado” de Dwight, fez com que perdesse um pouco a noção dos seus atos. Ele já tinha seus vinte anos nas costas e, mesmo que não fosse um caso extremo, Aurora era bem mais nova que ele e compartilhava de uma inocência invejável. Não, inocência não era algo ruim, mas aquela característica despertou uma vontade em Dwight de arrancar uma lasquinha dela. Gostava da companhia de Aurora, já que a mesma era uma menina muito adorável, mas também não deixaria de aproveitar das pequenas brechas que a jovem dava quando estavam juntos. O beijo no baile seria inesperado caso seu desejo não fosse antigo, mas se arrependia de algumas coisas que havia dito. “Ir para outro lugar”, como havia sugerido, poderia significar muitas coisas, mas Rory sabia bem do que ele estava falando. Portanto, um bom tempo depois da Mckinnon ter desaparecido fugido no meio da multidão, o Moody resolveu procura-la em seu dormitório, se deparando com a cena da garota no banheiro. Seus olhos perversos caminharam pelo corpo dela, porém se focaram no rosto molhado pela água do chuveiro, dando um pigarro para anunciar sua chegada. —– É uma boa hora pra conversar?
Aurora McKinnon por pouco não se estabacou no chão ao ouvir o pigarro, seguido da voz inesperada de Dwight Moody. Devido ao horário e a certeza de que ninguém apareceria ali, contando que todos estavam no baile àquela hora, Aurora não se deu ao trabalho de fechar a cortina do pequeno banheiro. Era a primeira vez que amaldiçoava em voz alta, lançando um "porra" em um tom de voz completamente assustado, enquanto imediatamente se agarrava à toalha que pendia no gancho ao seu lado. --- O que você faz aqui?! --- a garota exasperou com os olhos arregalados e cheios de um sentimento misto de vergonha e desespero.
Apenas por alguns segundos se permitiu pensar que aquilo não estava acontecendo, mas de imediato refutou a ideia -- como a garota racional que era -- e se envolveu com a toalha, que trouxe para usar nos cabelos, prendendo-a enrolada sobre os seios. Seu rosto insistia em permanecer vermelho como pimenta e as bochechas estavam pegando fogo. Não sabia ao certo o que fazer e sequer tinha terminado o banho, mas se viu pulando para fora do cubículo do banheiro e recolhendo suas coisas de forma abrupta, só então notando que usara a toalha para se enrolar e não o roupão que ainda pendia no gancho, o que teria sido mais esperto. Não deu importância e o colocou pendurado no braço, focando nos produtos de higiene e os socando desesperadamente na necessaire.
Era incapaz de olhar para a figura masculina que pairava na porta e a forma mais fácil de evitá-lo era juntando suas coisas e fugindo dali. Então, lembrou-se da pergunta que Dwight lhe fizera, estagnando em seus atos e virando vagarosamente para o rapaz. --- Você disse conversar? --- perguntou com um olhar inquisitivo e cheio de dúvidas. Era estranho que de repente ela desse atenção à fala do Moody, porém não pode evitar. Ainda que não tivesse consciência disso, de alguma forma Aurora só estava voltando-se para ele porque se atrevia a ser curiosa sobre qualquer aspecto quando se tratava de Dwight. Seus medos estavam ali, assim como a vergonha e a vontade de sair correndo pela porta apenas para não lidar com o fato de que ele tinha lhe visto nua. Ninguém lhe vira nua depois de crescida além de sua irmã, e era absurdamente pavoroso que a primeira pessoa a lhe ver assim fosse justamente o rapaz por quem ela nutria certa paixão inexplicável. Ainda assim, inconscientemente, ela queria ficar. E fosse como fosse, estava tão surpresa ao notar o que ele lhe perguntara, que esqueceu que deveria estar fugindo dali a largos passos.