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VERITASSERUM: Você sabe o segredo do Remus?
Sei, sei sim. Finalmente, hein? Não consigo nem contar nos dedos quantas vezes já fui feita de idiota por causa desse segredo. Shame on you, guys.
CORNERSTONE [listen] a marlene mckinnon fanmix.
girl - across the universe soundtrack • she’s long gone - the black keys • miss sarajevo - u2 • heroes - david bowie • short hair - jerry goldsmith • cornerstone - arctic monkeys • revolution - the beatles • heaven here - dashboard confessional • across the stars - john williams
mrs. moony, wormtail, padfoot & prongs are proud to present their maraudettes:
misses florence goldstein, camille smethwyck, marlene mckinnon & lily evans.
[October, 1977] Fire burn and caldron bubble — Florence & Marlene
Se havia algo que animava Florence era irritar alunos da Slytherin. Sempre fora ensinada, desde pequena, a não generalizar o pensamento de um grupo a todos os indivíduos dele. Assim, logo que chegara a Hogwarts, tentava tratar todos igualmente, independente de que casa fossem. Porém, com o tempo, aprendera que somente os Slytherin a chamavam de mudblood, somente eles aparentavam desgosto apenas por estar no mesmo ambiente que Goldstein, mesmo tendo um deles, há alguns anos, com quem a loira se envolvera romanticamente. Ainda assim, apesar do que fora ensinada pela sua mãe, irritar os alunos da casa verde e prata era um de seus passatempos preferidos. E o que mais lhe colocava em confusões, detenções e os mais diversos “ões” que possa imaginar. Aquela aula ainda era uma situação diferente, pois havia uma competição envolvida. Florence não gostava de perder e, aparentemente, muito menos Marlene.
Conforme Florence já havia testemunhado, McKinnon era mais talentosa do que ela em poções – algo que não era muito difícil. Facilmente, a outra loira seguira todas as instruções e a poção estava exatamente no tom que devia estar, como notado por Slughorn que passara por trás da bancada delas logo em seguida que provocara os slytherin à frente. Mesmo com a brincadeira feita pela mais nova, Marlene continuava concentrada na poção. Revirou os olhos ao comentário feito acerca da cor dos olhos de ambas, concordando com o que ela dissera contra sua vontade. – Tá bom, tá bom, é a cor dos nossos olhos, é bonita, mas ainda assim… – deu de ombros, deixando claro que rumo a frase tomaria, mas sem proferi-lo.
Esperava continuar com o ótimo trabalho da colega de Casa quando assumira a frente do caldeirão de bronze que, no momento, exibia o tom verde desejado e mencionado no livro. Com cuidado, voltou a mexer, da mesma forma que observara Marlene mexendo. Aquecer até ficar anil. Repetiu para si mesma. Parecia simples o suficiente. – Quem me dera ter tantas cores assim. Já tive vontade de ser morena, sabia? Mas nunca consegui – comentou, depois de uma sonora risada pelo comentário sobre as cores do cabelo de Flor. Por mais que tivesse duas cores à sua disposição para exibir nas madeixas, Goldstein tentara, algumas vezes, sair dos tons que já havia conseguido – sem sucesso. Ainda assim, no quarto ano, tentara colorir com uma poção recomendada por uma amiga. No fim, não gostou tanto do resultado, já que era quase um preto azulado, e não conseguiu tirar aquilo da cabeça por algumas semanas. Falava com a amiga ao lado, mas, ao mesmo tempo, mantinha toda a atenção no líquido borbulhante. Para sua surpresa, atingiu o tom anil mencionado e Florence não conseguiu reprimir um risinho de excitação.
Alcançou o frasco contendo sangue de salamandra e, lentamente, adicionou ao caldeirão. Fique rosa, fique rosa, fique rosa. Murmurava baixinho, cuidando para ninguém ouvir, enquanto pingava o sangue às gotas. Depois de pouco tempo, a poção ficou rosa. – Rosa! – Disse alto o suficiente para que as mesas ao lado soubessem do sucesso das duas loiras. Aparentemente, só não estavam indo tão bem quanto um sonserino que era constantemente atormentado pelos Marauders – Severus Snape. – Imagina que divertido se nós ganharmos do Snivellus – comentou baixinho enquanto aguardava mais instruções, usando o apelido inventado pelos companheiros de Casa que eram tão odiados por Snape.
Assumir o posto de narradora das instruções do livro não representava o menor sacrifício para Marlene, definitivamente. Jamais fora grande apreciadora da arte exata do preparo de Poções e arriscava afirmar que não mudaria de opinião nem tão cedo, porém, isso não lhe conferia o posto de total aberração na disciplina. Muito pelo contrário, aliás. Desde o primeiro ano que suas notas na matéria preferida dos slytherins ficavam acima da média, mas embora sempre houvesse espaço para aprimoramento, McKinnon optava por dar mais atenção aos conteúdos que realmente lhe interessavam, como, por exemplo, Defesa Contra as Artes das Trevas e Transfiguração. – Jura? – Franzindo o cenho, a setimanista desconcentrou-se momentaneamente do espesso exemplar que segurava para fitar a amiga, tentando imaginar seu rosto emoldurado por uma cascata de fios castanhos em vez de ruivos ou dourados. – Tente de novo, Flor, quem sabe fique bom? Se quiser, viro morena junto com você só pelo apoio moral. – Brincou, esperando que a gryffindor não levasse sua promessa a sério, já que dificilmente teria coragem de tingir os cabelos loiros. Eram quase sua marca registrada, afinal.
Enquanto a mais nova cumpria o que lhe fora ditado, Marlene passou rapidamente as íris esmeralda pelo perímetro da sala, rindo consigo mesma de algumas duplas que falhavam na missão designada pelo professor Slughorn. Não compreendia como uma parcela dos estudantes poderia se enrolar com uma poção tão fácil de ser preparada e concluiu que, se as coisas continuassem assim, as chances de a Felix Felicis acabar parando em suas mãos eram realmente altas. – Merlin, lower your voice. – Repreendeu quando Florence cedeu ao ímpeto de gritar aos quatro ventos o bom andamento de seu trabalho, mas não demorou a ser contagiada pela animação da outra, como de praxe. Então, uma risada melodiosa escapou em harmonia ao gesto de expirar o ar preso em seus pulmões, decorrente do comentário seguinte de Goldstein sobre a possibilidade de vencerem Severus Snape naquela empreitada. Marlene sabia bem que o slytherin se destacava bastante no preparo de poções e que, para vencê-lo, seria necessário muita sorte e concentração. Entretanto, nada era impossível, certo? – Como se o cabelo engordurado já não fosse sofrimento o bastante. You are so mean, Florence. – Comentou, o tom falsamente inocente enaltecendo o teor malicioso de suas palavras.
– Ok, agora temos de... – Iniciou, procurando pela próxima etapa com a pontinha do dedo indicador. – Aquecê-la até ficar vermelha. Espera um segundo. – Então correu até o armário de ingredientes, onde buscou pelo frasco do qual precisaria para concluir a instrução posterior e retornou à bancada sem demora. Largou o livro sobre a mesa por alguns instantes, o tempo que levou para abrir o recipiente no intuito de facilitar o serviço de Florence, e tornou a segurá-lo quando completou sua pequena boa ação. – Pronto. Depois é só adicionar cinco espinhas de peixe-leão e aquecê-la até ficar amarela. – Informou à amiga, não escondendo a impaciência quanto ao procedimento enfadonho. – Por favor, me diga que isso ainda vai ficar empolgante. Acabamos de chegar na metade e estou com a sensação de que já tive uns cinquenta déjà-vus.
Marlene McKinnon's costume for the Halloween Party — helen of troy.
[Halloween, 1977] Owl post — Marlene & Remus
MARLENE! Te procurei por todo o castelo, não te acho em lugar nenhum. Quero te parabenizar! Enquanto o abraço não é possível, te entrego uma pequena lembrança com esse pergaminho. É um objeto trouxa, uma pequena réplica de uma luneta. Bem diferente daqueles telescópios que vemos nas aulas de astronomia, mas é utilizado para o mesmo fim. E o vendedor disse que é tão eficiente quanto a original. Não sei muito bem como funciona, mas achei bonito... Espero que goste. Feliz aniversário!
REMUS! Resolvi me dar uma folga e ficar o dia inteiro no dormitório, mas ainda faço questão de um abraço mais tarde! Não tenho ideia do que os meninos estão planejando pra hoje à noite, mas ouvi falar que vai ter bastante firewhiskey.
Aliás, muitíssimo obrigada pelos parabéns e, principalmente, pelo presente. Posso até também não saber como funciona direito, mas é um lembrete de que nos aproximamos bastante esse ano e fico feliz por isso. Eu adorei, de verdade. Mais uma vez, obrigada!
Com carinho,
Marlene.
I looooooove you, blondie. Congratulations for your day! But every day is your day up my calendar. ♥
Awwww, the sweetest thing ever! Love you too, ginger.
HAPPY BIRTHDAY SUNNYHEAD! You're getting absolutely old, like the grandmother of Gryffindor. But don't worry, there is plenty of years for you to get MacGonagall's place, okay? Hope you're ready to see the world shake from this fucking tower because I'm willing to give you the best birthday ever. Love you, lo-ooove ya.
You have already given me the best birthday ever, sunshine! Or have you forgotten the last... hm, sixteen birthday parties of my life? I'm sorry if I got it all wrong, getting old has a lot of disadvantages. Losing track of time is one of them.
Anyway, what's your Halloween costume for tonight?
[October, 1977] Paper moon — Marlene & Remus
Cansada. Marlene McKinnon estava cansada. Não só por ter se submetido a um dia inteiro de atividades acadêmicas enfadonhas ou a um treino pesado de quadribol, mas também pela série de acontecimentos recentes que fugiam à curva da normalidade. Seu cansaço não era somente físico, embora desejasse se esconder sob as cobertas naquela noite outonal e acordar quarenta e oito horas depois. O motivo de sentir-se tão indisposta provinha do desgaste mental, o qual, por sua vez, tinha como reflexo a sensação de enfraquecimento do próprio corpo e o pesar constante das pálpebras. Além de cansada, Marlene estava atordoada por não ter sido capaz de atravessar as últimas semanas com seu bom humor irreverente, e até mesmo alguns de seus amigos já haviam notado a mudança no comportamento agitado. Mas ninguém poderia culpa-la, certo? Terrível a impressão de que tudo parecia estar ocorrendo da pior maneira possível nos momentos mais inoportunos. Primeiro: o brotar de um novo sentimento por alguém completamente inadequado e a incapacidade de se afastar, bem como o senso masoquista de querer estar sempre por perto; segundo: uma desnecessária briga fomentada pela raiva de proporções gigantescas, cujas consequências culminaram para que McKinnon entrasse num estado de nervos nada natural à sua personalidade.
Foi este último fator que levou a loira tão tarde da noite à sala da prof. McGonagall, que, com a autorização expressa de Albus Dumbledore, acabou por exonerar a gryffindor do cargo de monitora e, em troca do distintivo, entregou à jovem algumas palavras azedas a respeito do quanto ela havia desonrado a Casa de Godric por ter se portado de modo imaturo e agressivo. McKinnon não viu alternativa senão assentir e, a contragosto, concordar com tudo o que Minerva dizia. Ao final do sermão, ela própria sentia-se envergonhada por ter cedido a uma rivalidade que sequer valia a pena.
Sendo assim, uma Marlene cabisbaixa e dez vezes mais estressada do que antes abandonou o gabinete da professora e seguiu pelos corredores desertos e imersos em penumbra, seus pés traçando automaticamente o percurso até a Torre da Gryffindor enquanto a jovem se dava o trabalho de contabilizar quantos galeões ofereceria pela chance de fazer uma ronda naquela noite. Ao menos ficaria sozinha e teria bastante tempo para refletir sobre absolutamente nada.
Avançou dois lances de escada, dobrou três esquinas e enfim alcançou o corredor do Salão Comunal, começando a rezar para todos os fundadores na esperança de que o espaço restrito aos estudantes da Gryffindor estivesse vazio. No entanto, antes que pudesse dizer a senha à Mulher Gorda, o quadro abriu-se como uma porta e revelou não só o acesso secreto, mas também a figura de um Remus Lupin pronto para iniciar seu dever de monitor. – Remus, hey. – Cumprimentou ao ensaiar um sorriso que, apesar da tentativa sincera, falhou em parecer espontâneo. – Saindo pra ronda? Lucky you. – Um suspiro escapou pelos lábios finos da loira ao mesmo tempo em que ela moveu-se um passo para o lado no intuito de dar passagem ao amigo. – Tive que abdicar do meu posto, sabe, pelo que aconteceu mais cedo.
[September, 1973] We've only just begun — Marlene & James
Era o grande dia. James Potter nascera para aquilo, é o que muitos poderiam afirmar. Estava para o quadribol tal como uma força da natureza, capaz de realizar performances incríveis para um rapazinho de sua pouca idade. E ao contrário dos demais presente naquele estágio seletivo, o rapaz esbanjava uma autoconfiança invejável até mesmo em comparação aos estudantes de anos avançados. Aquela vaga seria dele. Dele e de mais ninguém. Sabia exatamente em qual posição gostaria de jogar, e se fechasse os olhos conseguiria sentir o troféu da Copa Intercasas em suas mãos. Seus olhos, curiosos, devastavam todo o ambiente ansioso por ter conhecimento dos demais interessados na modalidade esportiva. Torceu o canto dos lábios ao perceber que conhecia todos eles, mas isso não era difícil dado sua propensão a construir vínculos facilmente e ter certa fama por causar estardalhaço por onde passava. Contudo, uma das jovens em especial findou por chamar sua atenção. Rondando essa menina estavam inúmeros boatos, sendo a grande maioria deles envolvendo um envenenamento responsável por deixá-la um ano atrás dos seus demais colegas. Potter perguntou-se o que raios uma garota vítima de tal evento trágico estaria fazendo tentando uma vaga no time, e se o nome Marlene McKinnon fazia algum sentido extra, fora por observar o nome dela na lista dos aptos a prestar o teste para qualquer que fosse a vaga no time de Gryffindor.
Contudo, o alerta do líder para que aguardassem nos primeiros degraus da arquibancada o proporcionou a chance de permanecer por perto da loira cujos fios dourados pareciam ter a mesma vivacidade dos raios de sol particularmente irritantes naquele período do dia. E dado que James nunca fora alguém de meros boatos, mas sim de confirmações e conhecimento envolvendo tudo que era do seu interesse, acabou por sair de onde estava em direção à mais velha. Quando rompeu diante dela, ofereceu o melhor dos seus sorrisos confiantes enquanto fazia uma abordagem não muito… Tímida. "Marlene McKinnon, right? Yes, I know that I’m right. People here are afraid of talking to you since what hapenned, but I think this is bullshit." Pontuou em seu timbre ligeiramente animado, e sequer esperou por um convite para se acomodar ao lado dela. "I’m Potter. James Potter. You can call me James, I don’t really care much. A girl like you doing quiddidtch tests? That’s new. Bet you’re trying to be the seeker. Am I right again?"
Um por um, os primeiros nomes começavam a ser chamados pelo capitão da Gryffindor e, felizmente, McKinnon já não sentia mais o nervosismo lhe revirar o estômago. A despeito da leve insegurança inicial, vestir um uniforme e entrar num campo de quadribol eram duas das coisas que a faziam se sentir verdadeiramente confortável, como se qualquer contato mínimo com o esporte a trouxesse uma sensação de naturalidade. O que não deixava de ser mentira, afinal, perdera as contas de quantas vezes passara uma tarde inteira no quintal de casa para jogar com o primo mais velho Luther ou então com o amigo de infância Fabian Prewett, este último podendo ser visualizado na arquibancada oposta, levantando os polegares num sinal de encorajamento para Marlene. Ela direcionou ao ruivo um largo sorriso, sendo preenchida por uma nova leva de autoconfiança e imaginando que todos aqueles anos de prática, mesmo que para fins de entretenimento, decerto teriam serventia quando sua vez de se submeter ao teste chegasse. Se a vaga fosse ocupada por um jogador mais habilidoso que Marlene, bem, teria o ano seguinte pra tentar. E o seguinte. Teria mais anos do que o restante dos alunos, na verdade.
A batalha pela posição de keeper desenrolava-se a dezenas de metros acima do gramado e obrigava McKinnon a pender a cabeça para trás no intuito de acompanhar com atenção cada movimento dos candidatos em prova, tanto que sequer notou de primeira a figura masculina surgindo diante de si. O garoto exibia todos os dentes da arcada e possuía uma voz esganiçada de quem nitidamente atravessava o período da puberdade. Marlene o conhecia, é claro, mas jamais havia compartilhado um diálogo com James Potter até então. Inclusive os estudantes de séries mais avançadas tinham conhecimento da existência do gryffindor, cujo único título relevante era o de maior rule-breaker de todos os tempos, junto com outros três amigos. O grupo de rapazes costumava despertar admiração ou revolta por onde passavam, e poucos eram aqueles que mantinham uma postura de indiferença. Marlene McKinnon fazia parte dessa minoria. – Hm, yes. Wait... what? It’s not me people should be afraid of talking to. – O franzir do cenho deixou evidente que o tópico envenenamento não era lá um dos assuntos favoritos da loira e, naquele primeiro momento, a garota decidiu tomar um partido em relação ao Potter. Ela não gostava dele. – “A girl like me”? What am I like to you? – Quis uma explicação, apenas por não saber se a fala de James deveria ser encarada como algum tipo de ofensa. – Wrong. I wouldn’t like to fly around chasing after some ball that can’t barely be spotted. I hit the Bludgers. Or do you think a girl like me can’t try out for beater, too? – E então sorriu. Aquele sorriso de alguém que não tolerava ser desafiado.
[September, 1973] We've only just begun — Marlene & James
– Tem certeza, Marley? Todos dizem que é uma posição difícil. – Falava a garota de cabelos castanhos e curtinhos enquanto acompanhava a loira que atendia pelo nome de Marlene McKinnon ao enorme campo de quadribol, onde em apenas cinco minutos aconteceriam os testes para a nova escalação do time da Gryffindor. – Ariella tem razão. Além do mais, você ficaria bem de seeker, não acha? – A segunda voz feminina completou, cuja dona exibia fios encaracolados e negros que roçavam em suas costas conforme as três amigas avançavam na direção do gramado. Marlene revirou os olhos impaciente, tomando a dianteira de alguns passos para não ter de ouvir quaisquer desencorajamentos por parte de suas companheiras de Casa. – Não acho. Farei teste pra beater, ponto final. – Declarou em tom firme, implicitamente decretando o fim daquela conversa e sem o menor receio de ter soado rude. Queria ter soado rude, aliás. Feria-lhe o orgulho quando subestimavam sua capacidade e isto só fazia com que a menina de apenas quatorze anos almejasse a chance de mostrar a todos que poderia ser boa. Tinha conhecimento de que as vagas de beater eram geralmente concedidas a homens com bastante força e preparo físico, mas Marlene fez a opção de não permitir que este detalhe a atrapalhasse na conquista pela posição em que queria jogar.
Dessa forma, procurou entrar em campo transparecendo autoconfiança, embora por dentro não estivesse se sentindo tão segura de si quanto aparentava. Corria o risco de perder, sabia disso, todavia, ela seria atormentada pela terrível sensação de derrota até o final do ano letivo caso não obtivesse sua tão sonhada vaga. "You’re great. You’ve always been great. Don’t be a little girl", repetia mentalmente como um mantra, analisando os competidores devidamente vestidos com os trajes de cor carmesim e tentando calcular quais eram as possibilidades de vencer cada um deles. McKinnon acordou para a realidade quando o capitão da Gryffindor questionou-a acerca da vaga na qual se encontrava interessada e a loira tratou de respondê-lo sem demora. Então, o líder pediu que ela e mais alguns garotos aguardassem nos primeiros degraus da arquibancada de madeira, solicitação que fora prontamente atendida pela menina.
Me fale um pouco sobre James Potter.
James Potter é, com toda certeza, meu melhor amigo. Sem ciúmes, Fabian, você é meu irmão, a pessoa sem o sobrenome McKinnon que mais amo. Enfim… James. Foco.
Lembro do dia em que nos falamos pela primeira vez como se fosse ontem. Eu tinha acabado de repetir o ano por causa daquilo-que-todo-mundo-já-sabe e estava fazendo testes pro time de quadribol. James não parava de atirar perguntas sobre o episódio do veneno e eu já não aguentava mais. Pra completar, ainda ficou tirando brincadeira com a minha cara por eu ser uma garota querendo jogar na posição de beater.
Merlin, eu deveria estar falando sobre James, não sobre como a gente se conheceu… De qualquer forma, o fato é que eu ganhei a vaga no time e fiz questão de esfregar na cara dele. Então, após um sonoro "wow, can you be my girlfriend?", nossa lindíssima amizade se iniciou e está aí até hoje, sem quaisquer interesses carnais e piadinhas de cunho inapropriado.
E agora é a hora em que eu me aventuro pela vertente sentimental e digo que James Potter é uma das melhores pessoas que você terá o prazer de conhecer na vida. Ele pode parecer cheio de si e até mesmo bem arrogante pra quem vê de longe, mas a convivência praticamente diária me fez perceber que o caráter dele é mais incrível do que costumam comentar por aí. Sei que Jamesie faria o possível e o impossível pelos amigos que tem e a lealdade dele é algo realmente admirável. Não admito que diminuam as qualidades dele ou duvidem de sua capacidade de cumprir com deveres, ainda que de fato seja difícil acreditar que Dumbledore estava em seu perfeito juízo quando o nomeou como Head Boy. Mas James vai se sair bem, eu sei que vai. E é isso aí.
[October, 1977] Fire burn and caldron bubble — Florence & Marlene
Marley parecia igualmente animada a ganhar aquela competição, mas, aparentemente, apenas porque não queria perder para qualquer slytherin. Também era um desejo de Florence, claro, que nunca dispensava uma oportunidade de mostrar que era superior ou ao menos igual àqueles que a desprezavam por suas origens. Com a ponta do fino dedo indicador, a loira percorria as instruções no livro de Poções enquanto mordia levemente o lábio inferior, um vício que ela tinha sempre que ficava ansiosa e/ou nervosa. Esticou o pescoço para olhar o conteúdo do caldeirão e exibiu um sorriso satisfeito ao ver a coloração correta. – Certo, agora… – Voltou a atenção para o livro, lendo a segunda linha em voz alta. – Misture a poção até que se torne laranja.
Parecia simples o suficiente e, no momento que decidiu olhar novamente o caldeirão, já estava laranja. Conteve-se para não dar pulinhos de excitação no meio da sala de aula, mas o sentimento era claramente espelhado em seu olhar, enquanto sua “Florence-interior” dava os pulinhos desejados. - Adicione mais sangue de salamandra, desta vez até ficar amarelo. – Continuou, por fim. – Quantas cores vibrantes, né? Vermelho, laranja, amarelo… Até parece que é destino alguém da Gryffindor ganhar. – Falou o final suficientemente alto para que os alunos da slytherin da mesa ao lado conseguissem escutar e virarem com um olhar feio, para o qual ela deu os ombros. – Principalmente duas loiras lindas. – Disse baixinho, somente para Marley ouvir, com uma risada breve no final. Até o momento, estava tudo correndo bem. Conseguia ver diversos alunos encontrando dificuldades, algumas fumaças com colorações estranhas saindo de outros caldeirões, enquanto o delas, felizmente, seguia conforme planejado.
- Agora vamos aos tons feios… Misture a poção até ficar verde. – Fez uma careta ao pronunciar a palavra “verde”, voltando para mais perto de McKinnon. Antes de entrar em Hogwarts, até gostava da cor, apesar de ser considerada “cor de menino” por sua mãe. Agora, depois de associar cores às Casas, tinha certa repulsa pelo tom que antes a agradava. – Quer que eu misture um pouco? – Não queria deixar todo o trabalho braçal para a amiga, apesar de admitir que ela, com certeza, era mais talentosa que Florence na matéria. – Depois tem que colocar mais sangue de salamandra até ficar… turquesa. E, com isso, chegamos na metade do enorme texto. – Apontou para a página do livro, revirando os olhos ao ver que ainda faltava muito para que terminassem. Parte de si sentia falta das poções fáceis que faziam nos primeiros anos, enquanto outra parte aceitava de bom grado o desafio de preparar misturar com maior nível de dificuldade.
O semblante ansioso e entusiasmado de Florence não permitia que o largo sorriso sumisse dos lábios de Marlene, que se sentia contagiada pela empolgação visível da colega de Casa. Se ela desejava tanto ganhar o frasco de Felix Felicis, se empenharia para que aquilo acontecesse, afinal, nem de longe gostaria de ser a responsável pelo fracasso das duas apenas por não estar tão interessada no prêmio quanto a outra loira. Além do mais, McKinnon gostava muito de competições, não importava exatamente pelo quê se estava competindo. Como o orgulho de vencer os slytherins também se encontrava em jogo, a gryffindor redobraria seus esforços sem sequer pestanejar, procurando ao mesmo tempo ser ágil e não fazer nenhuma besteira devido à pressa de seus movimentos. – Laranja? – Repetiu enfaticamente, tratando de mexer com destreza o líquido no caldeirão até que a cor alaranjada se tornasse perceptível na superfície.
Conforme as instruções ditadas pela amiga, Marlene adicionou uma quantia extra de sangue de salamandra e esperou que a poção ficasse amarela para devolver à bancada o vidro com o ingrediente rubro. Naquela altura, a setimanista estava tão concentrada em seus afazeres que nem teria ouvido a piadinha de Florence se não fosse o tom de voz propositalmente alto da menina. McKinnon entendera que aquilo não passava de uma provocação para os estudantes da slytherin e não conseguiu segurar uma sonora risada, constatando que o espírito competitivo de Goldstein era tão acentuado quanto o seu próprio. – Lindas e inteligentes. As mais sensacionais de Hogwarts. E que ninguém ouse discordar disso, não é? – Deu corda à brincadeira, mas sem perder a concentração que dedicava ao preparo da poção Wiggenweld. Se até aquele momento tudo havia corrido da melhor maneira possível, não poderia colocar a perder as chances de saírem vencedoras.
– Hey, não fale assim. – Repreendeu em um tom cômico e ligeiramente distraído, já que boa parte de sua atenção estava canalizada para o conteúdo do caldeirão de bronze, que agora adquiria os tons verdes veementemente repudiados por Florence. – É a cor dos seus olhos. Bem, e dos meus. – Apontou o fato, recusando-se a associar a tonalidade de suas íris à Casa cujo símbolo era uma serpente, embora desejasse que todos os estudantes de gravata verde e prata queimassem no inferno. – Eu adoraria, pra ser sincera. Vou te ditando o resto. – Afastou-se da poção em processo de fervura para dar lugar à outra loira e assumiu a função que antes era dela. Com o dedo indicador, procurou pelo trecho em que haviam parado e alteou ambas as sobrancelhas para a imensa lista de procedimentos restantes. Daria bastante trabalho, mas as gryffindors não fugiriam à responsabilidade. – Metade da metade, você quer dizer. Agora precisa aquecer até ficar anil, depois colocar mais sangue de salamandra até ficar rosa... Essa poção é mais colorida que seu cabelo, Flor, por Merlin.
We go together tchabutchaburaba tcheintcheintchetchein tchiban.
The Tales of a Gray War. July, 1981.
Guerras costumam transformar o que há de bom dentro das pessoas. Guerras, em sua grandiosa maioria das vezes, advém do puro ódio e neles se resume. Corrompe o caráter, destrói as esperanças, fomenta o horror pessoal e íntimo de cada um abraçado por ela. Refém do cárcere de seus prejuízos e perdas, daqueles que são perdidos por conta de um propósito desfigurado, daqueles que sobrevivem mediante sequelas permanentes. O homem, em sua demasiada sabedoria, sabe que do princípio ao fim de um conflito há de se existir um somatório de revezes capaz de destoar a mais forte das almas. E desde que a Inglaterra havia submergido no maior embate já visto pela sociedade mágica, Fabian Prewett pensou que conseguiria manter-se um porto seguro para os mais próximos. O rapaz de alegria contagiante e sorrisos fáceis dedicou cada segundo de sua vida a aquecer os corações de terceiros prematuramente tocados pelo terror dos dias que se desenrolavam sob a penumbra constante da morte. Morte. Morte em muitas culturas detém um significado diferente, representando desde a libertação da alma até o fim do ciclo. Para alguns, na morte nada se soma. Da morte apenas a morte é extraída. O vazio afogando-se no nada. Um vácuo que se perpetua na diminuída alma de quem se foi e arranca parte do coração de quem fica. A morte havia tocado Fabian Prewett de diversas formas desde a sua infância - em níveis diferentes, no prelúdio de que o rondava regularmente. Na premissa do personagem que promete uma aparição revanchista no final de um capítulo que aparenta ser levado por bons ventos.
Ao Prewett faltava temor pela própria existência, dono de uma serenidade destoante somada ao sorriso de quem encara a vida ciente da mesma ser tão somente uma passagem. Efêmera, veloz por demasia, cruel por capricho. No entanto, ainda assim conseguia ser adepto da ideologia de que se deve extrair o máximo dela. Irônico é a percepção de que a lei da troca é aplicável mesmo para os que se dedicam com tanto afinco a consertar o mundo. E o ruivo de feições alegres supostamente fixas, percebeu-se tão frágil quanto qualquer um no dia onde a abominável notícia chegara em seus ouvidos. Ele separou o evento em etapas, talvez para uma melhor absorção, talvez para a ilusão de que o final do relato se tornaria diferente após cerrar as pálpebras e permitir as mesmas serem agraciadas novamente pela luz em ato consecutivo. Cada partícula do seu ser tremia em antecipação apenas pelo imaginário de reviver a cena de quando soubera do ocorrido, o desfecho não seria a sensação de cair na beira de um precipício. De que os lábios não iriam secar, premeditando um grito visceralmente abalado. De que lágrimas não viriam em seus olhos. De que a negação não o faria ameaçar correr para a Mansão dos McKinnon e certificar-se de que Marlene continuava bem, provavelmente embalada nos braços de Sirius e fazendo planos envolvendo a criança que eles esperavam juntos. O rosto infantil que seria seu sobrinho de alma, tão amado quanto um parente de laço sanguíneo. O mesmo garotinho que iria carregar nas costas, envolver em diversos episódios repletos da sua comicidade habitual, levar para jogos de quidditch, ensiná-lo todo tipo de brincadeira que o levasse provavelmente a diversas broncas advindas dos lábios sorridentes dos seus pais.
Pais. A mera percepção envolvendo a juvenil idade dos amigos jamais o fez temeroso pelo destino que estava por vir. Sirius e Marlene, juntos, formavam uma dupla formidável. Incrível em diversos pontos, antagônica em tantos outros. Jovens repletos de sonhos, envolvidos por metas, abraçados por ideais incessantes. Mas o destino detém uma cronologia ímpar, que diverge do nosso caminhar em linha reta. O tempo é fragmentado de modo a surpreender em suas reviravoltas, e agora o infâme e fugaz tempo trazia consigo o luto. Luto em todos os significados, repleto de esconderijos, degraus mais íntimos escondidos no coração. A morte dos McKinnon não era uma tragédia isolada… Bruxos e bruxas morriam a cada dia numa frequência caótica, como se a vida fosse descartável perante as atrocidades difíceis de superar. Como se a alegria do mundo fosse lentamente sugada pelo advento de uma poderosa criatura mágica. Naquela noite de julho, o mundo tinha perdido uma das melhores desbravadoras na arte de alegrar os outros e rebater o clima mórbido entorpecente. Um soldado dos bons tempos, a menina do sorriso incansável, aquela que ensinara o traidor dos Black a amar. Conseguia lembrar-se de toda cautela no semblante idêntico ao próprio quando esse foi lhe entregar a notícia para um Fabian Prewett supostamente forte. Inabalável até então. Destemido em sua coragem, acabou quebrado pelo interior. Fraqueza visível nas íris translúcidas, porém retida somente aos olhos do irmão, de Amelia Bones, daqueles que faziam parte do seu cotidiano. Tristeza essa que tentou controlar no instante onde olhares recaíram por trás dos seus ombros, queimando suas costas no aviso de estar sendo observado durante a cerimônia fúnebre. Com todos os McKinnon mortos, restava para Sirius, Fabian, James e Lily Potter o direito de clamar uma perda insubstituível.
O memorial decorreu discretamente, ainda que o lugar estivesse abarrotado por pessoas querendo prestar suas condolências. Os Prewetts seguiram unidos durante todo instante, a mão gélida e delicada de Amie interpondo a do ruivo mais novo a cada segundo ultrapassado. Ninguém tinha coragem de falar, ninguém parecia disposto a iniciar um discurso sobre o ocorrido, ninguém possuía coragem o suficiente para romper do silêncio e falar sobre os dias nefastos e perdas sombrias. O grupo permaneceu acompanhado por sons de lástima, lágrimas, sussurros, sentimentos de uma carga negativa massiva. Todos os clichês revirados nos livros que traziam narrativas destemperadas sobre a morte finalmente ganhavam sentido, cores cinzentas. Subtraía direções. E Fabian… Fabian não podia deixá-la ir embora. Não Marlene, sua melhor amiga. Devia à ela a memória de felicidade, a dívida de pintar as cores novamente, ainda que precisasse arrancar forças da própria alma e despedaçar o restante de energia dentro de si. Não padecia do egoísmo, do orgulho, muito menos de ilusões. E por enxergar além foi onde soube desde o princípio que ela continuaria presente na vida de todos eles, ainda que seu espírito permanecesse acalentando o de Black. Da morte arrancaria a sobrevida para guiar aqueles que amava. Essa era Marlene, sua Marlene, sua melhor amiga. E ela… Ela merecia mais. Mais do que um amontoado de lágrimas, mais do que um funeral silencioso, mais do que notas vazias para alguém cuja vida sempre fora uma canção interminável de altos acordes. Do nascimento é apenas contagem regressiva para voltar ao pó. Mas do pó se constroem histórias. E das histórias de perpetua a memória. E as cores do luto não impediram o ex-gryffindor de pressionar os dígitos contra os da namorada, buscando suporte. Corroendo-se pela busca do suporte contínuo.
E assim tomou a frente. Em um, dois, três, quatro, cinco. Cinco passos que arrastaram-no degraus acima da superfície plana, chamando atenção dos demais para sua figura abatida pelo teor dos últimos dias. Para aqueles que direcionaram surpresa e lamento no olhar, ele os presentou através de um sorriso calmo. Contido se comparado com suas proporções normais, no entanto, nada daquilo era normal. E ele nunca seria o mesmo. Mas isso não o impedia de tentar reconstruir algo de bom para os outros, ainda que palavras fossem usadas. Palavras possuem o benefício da gratuidade, e o acréscimo de serem abençoadas pela verdade quando ditas em momento frágil. De tal modo que fez da fragilidade sua própria força ao entreabrir os lábios, a princípio sentindo todos os vocábulos escapando do seu conhecimento. Pesou as pálpebras em busca de refúgio, e quando devolveu visão aos olhos, percebeu estar mais fácil se expor. "Hoje eu estou aqui para contar uma história… Vocês podem me julgar de insano, inapropriado, podem até mesmo me acusar de ser a mais nova vítima da loucura, ou podem apenas me ouvir por alguns minutos. I’m asking you to hear the history of Marlene McKinnon, the girl who fought for everyone. The girl who gave her life not only for her parents, but for us." Na constância do tremor que abateu seus dígitos, foi necessário ratificar o enlace nas mãos de sua tão amada Amelia, enquanto sentiu o ombro ser reconfortado por um atento Gideon. "She died for love." A frase escapou de sua garganta numa rouquidão inapta. Mas ainda assim, persistiu em sua meta. E seu objetivo era o de contar sua versão de Marlene para o mundo.
“E eu não estou falando sobre o tipo de amor que nos faz construir uma família, fazer planos. I’m not talking about everyone’s hidden love. I’m talking about the most pure and bright way of love. O amor que doa parte de si todos os dias apenas para ver um amigo feliz, o tipo de amor que faz alguém passar por todos os obstáculos e continuar nos doando. Ainda que canse. Even if sometimes it hurts from inside out, even if sometimes we’re dying to give up. I know the feeling ‘cuz me and Marley, we’re the same. We’re brother and sister not by blood, but life. Life gave me another older sister, who was taken not only from me, but… From us all. Eu acho que não existe uma só pessoa nesse cômodo que não tenha sequer uma memória envolvendo Marlene e seu humor inabalável. And I’m asking you… I’m begging you. Please, keep it. Please, do not remember her death with sadness touching your hearts. Even thought it’s a hard, even thought it’s an impossible thing to do. I’m only asking to give her a chance to live more than our own road. And eventually… Eventualmente todos nós vamos encontrá-la. Não me importa onde seja, mas a vida é apenas… A vida é apenas uma passagem, rápida demais para tudo que ainda quero fazer. Tudo que a Marlene ainda fará.”
"I lost my sister but I’ll see her again someday. Today we’re saying goodbye to one of the most brave girls we ever seen. Today we’re saying goodbye to a friend, a defender. Defender of hope. Defender of everything we’re still fighting for. Today I’m saying out loud that I’m broken. That I’m made by pieces, special ones. And the blondie one is gone. She’s waiting for us, and then… When I see her again… I’m gonna ask if she died smiling. Because, I know Marley. I bet she did. She had all the reasons to smile. She got Sirius. And she got a brother on us, Potter. And… We are family. Everyone’s here. We have to keep fighting, keep going, keep giving everything we have. I’m willing to die for peace. I’m willing to die before Gideon, I’m prepared to give my life for Amelia. I’m prepared to see Marlene again. And I know, I know she’s here. I know she’ll act like Siriu’s personal angel, because that’s Marlene McKinnon. She’s a warrior. And also my sister. By dying, she gave us another reason to win this war. I’m gonna win this war for my sister. And I’ll never, ever be broken again. This is the last time I’m crying for hear death. Because I know her well enough to say that she… She would want to see me laughing, and giving life another chance. Whenever you are, blondie, I love you. With all my heart. And thanks… Thanks for being a sister to me, to Gideon and Molly. Thanks for everything."
Aquele foi o primeiro dia onde Fabian Prewett se desfez em lágrimas diante dos seus amigos. O primeiro dia onde as inúmeras sardas foram testemunhas de um relato sincero, ainda que breve. O primeiro dia do início da verdadeira guerra.
Mal sabia ele que veria Marlene muito antes do imaginado.
Mas ela? Ela sabia. Pois foi a voz dela que ouviu em seus sonhos, dizendo alegremente, dotada de uma sabedoria perdida no timbre sereno, como quem sopra uma canção ao vento:
"I’ll see you soon, brother."