Não sou boa com crônicas, mas as vezes tento.
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Não sou boa com crônicas, mas as vezes tento.
Dia (in)comum
Arthur tinha marcado aquele encontro na cafeteria e não poderia ter escolhido um dia melhor. Estava ensolarado, o início da primavera cada vez mais perto. Imaginei que ele tinha escolhido aqui porque eu vinha todos os dias. Entrei e procurei pelo balcão e pelas mesas, mas aparentemente ele ainda não estava lá. Sentei para esperar e aproveitei para pedir um café gelado. Vi quando Arthur se aproximou da cafeteria e abriu a porta. Seus olhos procuraram os meus rapidamente e em seguida ele se aproximou com um sorriso. Pediu para si um café e sentou à minha frente.
- Então, escolheu aqui só porque sabe que eu gosto do café? – Perguntei, enquanto cumprimentava ele com o meu café que chegara a pouco, exibindo uma grande bola de sorvete de creme no topo, mas já com o chantilly desfalcado.
- Claro – ele sorriu sem jeito, a boca puxando para um canto. – E porque precisamos conversar. Vai para o sítio dos meus tios comigo?
- Quando? – Perguntei, empolgada com a perspectiva da viagem, só nós dois. Já imaginava a viagem de formatura, o início de um novo ano começando com aquela aventura.
- Hoje. – Ele respondeu sério, o tom de voz levemente mais baixo.
Me empertiguei na cadeira e pude sentir a tensão que surgia na minha voz, talvez resposta aos olhares fugazes que ele lançava o tempo inteiro para tudo à nossa volta.
- Hoje? – Suspirei, meus pensamentos não paravam de girar. O café dele chegou nesse meio tempo, lembrei do meu, que estava parado na minha frente por tempo demais já. Ele absorveu todo o líquido num único gole e me olhou levantando as sobrancelhas:
- Não vai terminar o seu café? Precisamos partir.
Peguei a xícara e tomei o restante do seu conteúdo, tentando processar. E se eu fosse para o sítio e nunca mais voltasse? Resolvi mandar uma mensagem para minha melhor amiga, avisando que iria numa viagem. Mandei com alguns detalhes e pros meus pais mandei uma mensagem dizendo que iria passear, mas voltava em breve, que não se preocupassem.
Deixei que Arthur me pegasse pela mão e me conduzisse até o carro. Só comecei a assimilar tudo que estava acontecendo quando já tínhamos saído das estradas principais e os primeiros portões com as placas de cada propriedade começaram a ser tornar uma constante.
Queria perguntar para ele o que estava acontecendo, mas o seu rosto permanecia como pedra, fixado na estrada. Uma música tocava suave no rádio. Resolvi aproveitar a paisagem e cantar mentalmente a música, na tentativa de organizar os pensamentos e me acalmar um pouco.
Quando me ouviu cantarolar uma das melodias em voz baixa e dançar levemente no banco do carona, vi os seus músculos relaxarem e as mãos afrouxarem um pouco ao redor do volante. Ouvi um suspiro de alívio e o carro passou a deslizar mansamente pela estrada.
Nos mantivemos ligados apenas pela música, os dois com receio de falar algo e quebrar aquela paz sigilosa que tinha se instalado de mansinho. Entramos em um portão quase no final da estrada, quando o sol começava a dar indícios de estar baixando. O barulho de cascalho se sobrepôs ao chiado do rádio. Sem sinal. Arthur desligou o rádio e continuou seguindo por um tempo.
Parou a certa distância da casa, desligou o carro e seguiu em direção ao que parecia ser um espaço de convivência do jardim, um lugar de passagem. Eu o segui, com os passos incertos. Parei alguns metros antes de onde ele estava. Virado de costas pra mim, parecia encarar o sol. Foi então que percebi.
As asas eram discretas. A penugem negra se avolumava entre si, escondendo onde começava ou terminava. A primeira vez que eu tinha visto, achei que ele estava usando uma jaqueta, e só agora percebia que talvez estivesse errada. Meu coração soava como tanques de guerra em meus ouvidos. Estávamos num sítio isolado, cheio de árvores – eu repetia internamente, como um mantra. Tinha até um laguinho no caminho do sítio.
- Vou dar uma volta sozinho, primeiro, para desenferrujar. – Sorriu, triunfante, enquanto esticava as densas asas.
Fiquei perplexa. Como não tinha percebido antes? Tudo bem que seu cabelo preto (que agora eu percebia, combinava perfeitamente com seu “acessório”) e olhos azuis intensos parecessem incomuns, mas não “impossíveis”. O que achei mais estranho tinha sido sua brancura extrema. No primeiro dia, achei que estivesse doente.
Com as asas abertas, sua pele adquirira um tom cristalino, quase azulado, que com o toque do sol poente se tornava púrpura. Ele estava no céu agora, a pele púrpura, as asas negras, os olhos brilhantes fixos em mim, com um sorriso que fez um arrepio emergir da base do crânio. Não pude evitar de me encolher quando ele deu um mergulho na minha direção.
[RESENHA] ADULTOS - Emma Jane Unsworth ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Esse foi o livro de agosto do #clubeintrinsecos e acho que foi o primeiro livro do clube que terminei no mês "certo" hahaha ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A escrita da autora é muiiito fluída (eu levei cerca de duas semanas pra ler, lendo devagarinho, um pouquinho por dia) - volta às aulas, o ritmo diminui mesmo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ É uma leitura gostosa de fazer e em MUITOS momentos eu me identifiquei com a Jenny, a protagonista do livro - o que foi meio assustador kk ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A Jenny é uma jornalista de 35 anos que é viciada nas redes sociais, tem o namorado perfeito - mas está tentando descobrir seu espaço no mudo e quem é de verdade, sem ficar se questionando sempre o que os outros vão pensar dela. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Dá pra ver a evolução da personagem ao longo do livro, o que é bem legal, mas mesmo assim achei um pouco superficial a história. É uma leitura bem leve e boa pra passar o tempo, até pra refletir um pouquinho sobre como nós estamos usando as redes sociais - amigas ou inimigas? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A revistinha desse mês, por outro lado, foi a primeira que eu devorei. Achei incrível as observações à respeito do nosso mundo cada vez mais conectado e ansioso e como isso se reflete de verdade na vida de muitas pessoas. Vários textos apenas transmitindo a mensagem de "Expira, Inspira, se acalma", e acho que a revista ficou muito mais próxima da nossa realidade. Talvez seja por causa da diferença cultural - a autora é britânica, então pode ser que lá o livro tenha feito um sentido absurdo, enquanto aqui ele parece exagerado em alguns momentos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Ou não, sei lá. Essa é só a minha opinião haha No geral, gostei do livro ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Nota: 6/10 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ E vcs, como acham q está a relação de vcs com as redes sociais? (em Londres) https://www.instagram.com/p/CEo-8dBDsRo/?igshid=t0s26uin9ref
A Dança da Água – Ta-Nehisi Coates 8/10 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Esse foi um livro que me surpreendeu positivamente! O começo dele demorou um pouquinho pra engrenar, mas acabei me envolvendo com a história depois de passar esse começo e gostei muito. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Embora seja ficção, é uma ficção histórica que nos remete de volta aos Estados Unidos durante a época da escravidão, mas já no seu declínio. Achei um pouco superficial em relação a outros que eu já li (como Maus e O menino do pijama listrado, que falam da 2ª GM), mas acho que ele cumpre bem a função de colocar uma reflexão importante à cerca das tradições e história de um povo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Além de amar romances históricos eu sou apaixonada por culturas diferentes, e talvez seja por isso que achei tão sensacional que o livro traz essa reflexão sobre a importância da ancestralidade, das histórias de um povo, de preservar a memória. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Hiram é um rapaz que lembra de tudo, menos da mãe que foi levada embora quando ele era pequeno. Quando ele quase se afoga, descobre um poder mágico (daí a parte de “fantasia” da história). Mas oq achei mais legal nisso é que esse poder mágico não é algo aleatório. É algo de tradição, de memória e funciona através da memória. Uma forma de manter viva a memória de um povo inteiro. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Sei lá, eu achei isso lindo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ De qualquer forma, eu achei ele um livro BEM importante e necessário para assuntos que precisamos prestar mais atenção e conhecer mais. E acho que a questão proposta sobre as memórias de um povo, preservação de uma cultura ancestral, muito pertinente nos dias atuais. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Ele tem previsão de lançamento em 22/09, mas já tá em pré-venda. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ RECOMENDO MUITO! (em Lockless) https://www.instagram.com/p/CERb-xQDxuP/?igshid=14brm4trfthat
“I’m not sure what I’ll do, but — well, I want to go places and see people.”
— F. Scott Fitzgerald
[RESENHA] A vida mentirosa dos adultos - Elena Ferrante ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Ok, então terminei de ler o livro de junho do #clubeintrinsecos . Quando eu soube que era um livro dela logo na minha primeira caixinha, eu quase não assinei, mas resolvi dar outra chance. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Pra quem não conhece, Elena Ferrante é uma autora misteriosa - ninguém sabe quem é ela de fato, é tudo feito em anonimato - muito conhecida pela Tetratologia Napolitana (que, inclusive, logo vai ter uma adaptação na Netflix). ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Eu já tinha tido um contato anterior com ela, na faculdade, lendo 'A Filha Perdida" pra uma das cadeiras. Desde então eu tenho um relacionamento dúbio com a Elena Ferrante... ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Por um lado, é impossível negar: ela escreve muito bem. A escolha de palavras é cuidadosa e a forma como ela leva a narrativa também mostra capricho. É quase como se pudéssemos ver ela construindo a história letra por letra. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Por outro lado, ela escreve as coisas de uma forma bastante direta, sem rodeios e, na minha opinião, de forma bastante bruta/agressiva - não é bem o tipo de leitura que eu gosto, particularmente. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Em A vida mentirosa dos adultos, acompanhamos o processo de transição de fim de infância e início de adolescência de Giovanna, enquanto ela descobre mais sobre si, sua família e a cidade onde nasceu - os preconceitos, as diferenças, seus próprios sentimentos e história. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ É uma história de conflito, mas a trama não chama atenção em si. Talvez o que valha a pena seja as reflexões que ela própria levanta nessa busca. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Achei o final meio apressado. Comecei a gostar de verdade do livro pela metade e estava muito curiosa sobre o final, então me desapontei um pouquinho. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ De modo geral, não posso dizer que não gostei, mas não é meu livro favorito. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Obs.: +16 anos Nota: 5/10 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Vc já leu algo da autora? (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul) https://www.instagram.com/p/CC8xQazDGqk/?igshid=ii48xkr0oa8x
Breve reflexão sobre a memória
É interessante observar o valor que as memórias têm para nós. A importância que damos ao lembrar. Quem não se sente feliz quando ouve de alguém “lembrei de ti!”? Nos jornais e outras mídias sociais, frequentemente vemos chamados como “hoje na história” ou “veja o que aconteceu nessa data sei lá quantos anos atrás…” e etc. Na maioria das religiões há algum apelo para que se lembrem. Existem diversas profissões que procuram lembrar a nossa história e descobrir os pedaços faltantes, como a arqueologia, paleontologia, a história, até mesmo a literatura tem sua forma particular de guardar na memória coisas passadas. Quando somos jovens, mesmo durante a idade adulta, uma das coisas que nos preocupa em relação à velhice é não sermos mais capazes de lembrar. Temos receio de desenvolver alguma doença com o passar dos anos que não nos permita mais acessar àquelas regiões do cérebro onde nossas lembranças estão armazenadas. Mas por quê? Por que é tão importante que a gente se lembre? (Continua)
Continue a leitura na página do Facebook (link na bio).
#reflexoes #memories #memoria #lembre #atenção #vivaoagora
Dia (in)comum
Arthur tinha marcado aquele encontro na cafeteria e não poderia ter escolhido um dia melhor. Estava ensolarado, o início da primavera cada vez mais perto. Imaginei que ele tinha escolhido aqui porque eu vinha todos os dias. Entrei e procurei pelo balcão e pelas mesas, mas aparentemente ele ainda não estava lá. Sentei para esperar e aproveitei para pedir um café gelado. Vi quando Arthur se aproximou da cafeteria e abriu a porta. Seus olhos procuraram os meus rapidamente e em seguida ele se aproximou com um sorriso. Pediu para si um café e sentou à minha frente.
- Então, escolheu aqui só porque sabe que eu gosto do café? – Perguntei, enquanto cumprimentava ele com o meu café que chegara a pouco, exibindo uma grande bola de sorvete de creme no topo, mas já com o chantilly desfalcado.
- Claro – ele sorriu sem jeito, a boca puxando para um canto. – E porque precisamos conversar. Vai para o sítio dos meus tios comigo?
- Quando? – Perguntei, empolgada com a perspectiva da viagem, só nós dois. Já imaginava a viagem de formatura, o início de um novo ano começando com aquela aventura.
- Hoje. – Ele respondeu sério, o tom de voz levemente mais baixo.
Me empertiguei na cadeira e pude sentir a tensão que surgia na minha voz, talvez resposta aos olhares fugazes que ele lançava o tempo inteiro para tudo à nossa volta.
- Hoje? – Suspirei, meus pensamentos não paravam de girar. O café dele chegou nesse meio tempo, lembrei do meu, que estava parado na minha frente por tempo demais já. Ele absorveu todo o líquido num único gole e me olhou levantando as sobrancelhas:
- Não vai terminar o seu café? Precisamos partir.
Peguei a xícara e tomei o restante do seu conteúdo, tentando processar. E se eu fosse para o sítio e nunca mais voltasse? Resolvi mandar uma mensagem para minha melhor amiga, avisando que iria numa viagem. Mandei com alguns detalhes e pros meus pais mandei uma mensagem dizendo que iria passear, mas voltava em breve, que não se preocupassem.
Deixei que Arthur me pegasse pela mão e me conduzisse até o carro. Só comecei a assimilar tudo que estava acontecendo quando já tínhamos saído das estradas principais e os primeiros portões com as placas de cada propriedade começaram a ser tornar uma constante.
Queria perguntar para ele o que estava acontecendo, mas o seu rosto permanecia como pedra, fixado na estrada. Uma música tocava suave no rádio. Resolvi aproveitar a paisagem e cantar mentalmente a música, na tentativa de organizar os pensamentos e me acalmar um pouco.
Quando me ouviu cantarolar uma das melodias em voz baixa e dançar levemente no banco do carona, vi os seus músculos relaxarem e as mãos afrouxarem um pouco ao redor do volante. Ouvi um suspiro de alívio e o carro passou a deslizar mansamente pela estrada.
Nos mantivemos ligados apenas pela música, os dois com receio de falar algo e quebrar aquela paz sigilosa que tinha se instalado de mansinho. Entramos em um portão quase no final da estrada, quando o sol começava a dar indícios de estar baixando. O barulho de cascalho se sobrepôs ao chiado do rádio. Sem sinal. Arthur desligou o rádio e continuou seguindo por um tempo.
Parou a certa distância da casa, desligou o carro e seguiu em direção ao que parecia ser um espaço de convivência do jardim, um lugar de passagem. Eu o segui, com os passos incertos. Parei alguns metros antes de onde ele estava. Virado de costas pra mim, parecia encarar o sol. Foi então que percebi.
As asas eram discretas. A penugem negra se avolumava entre si, escondendo onde começava ou terminava. A primeira vez que eu tinha visto, achei que ele estava usando uma jaqueta, e só agora percebia que talvez estivesse errada. Meu coração soava como tanques de guerra em meus ouvidos. Estávamos num sítio isolado, cheio de árvores – eu repetia internamente, como um mantra. Tinha até um laguinho no caminho do sítio.
- Vou dar uma volta sozinho, primeiro, para desenferrujar. – Sorriu, triunfante, enquanto esticava as densas asas.
Fiquei perplexa. Como não tinha percebido antes? Tudo bem que seu cabelo preto (que agora eu percebia, combinava perfeitamente com seu “acessório”) e olhos azuis intensos parecessem incomuns, mas não “impossíveis”. O que achei mais estranho tinha sido sua brancura extrema. No primeiro dia, achei que estivesse doente.
Com as asas abertas, sua pele adquirira um tom cristalino, quase azulado, que com o toque do sol poente se tornava púrpura. Ele estava no céu agora, a pele púrpura, as asas negras, os olhos brilhantes fixos em mim, com um sorriso que fez um arrepio emergir da base do crânio. Não pude evitar de me encolher quando ele deu um mergulho na minha direção.
Oii Milkshakers! Além de milkshake, sorvete e chocolate, uma das coisas que eu mais gosto é café - e diga-se de passagem, eu não consigo viver sem. Daí resolvi responder essa Tag que achei bem criativa e vi rolando por aqui (sorry, já não sei mais de onde surgiu :/) kk E aí, bora tomar um café? ☕ CAFÉ EXPRESSO - O LIVRO MAIS RÁPIDO QUE VOCÊ JÁ LEU: - Percy Jacksson e os olimpianos (eu levei em média 1 dia para cada livro rs) ☕ CAFÉ COM LEITE - UM LIVRO BEM MAIS OU MENOS: - O bater de suas asas, do Paul Hoffman (é uma trilogia, o primeiro é muito bom, o segundo é bem mais ou menos e o último é péssimo. Esse aqui é o segundo). ☕ CAPPUCCINO - O LIVRO MAIS GOSTOSO QUE JÁ LEU: - As crônicas de Nárnia, C.S. Lewis - maravilhoso
Quarentena: um ensaio
Quando o isolamento social começou, eu achava que teria um pouco mais de tempo para ler e escrever. Estava errada. Todas as demandas aumentaram, a maioria ligada a leituras. Da graduação, as do tipo egoístas: provavelmente, terás que ler mais de uma vez, com atenção, para entender o que está ali.
Todos os clientes da agência, de repente, se deram conta do quanto o digital é importante e exigiram conteúdo como um urso que passou o inverno hibernando vai atrás de comida ao acordar. Foram dias vorazes.
Passei cerca de 2 meses nesse frenesi intenso de produzir conteúdo, ler materiais e participar das aulas, que pareciam infinitos. Não vou mentir: atrasei muitas coisas em boa parte das cadeiras.
Erro meu pensar que teria mais tempo, durante o isolamento.
Eu queria muito adotar um cachorrinho e, finalmente, adotamos um filhote – agora que teríamos tempo de educa-lo. Mas eu não tinha previsto o filhote demandaria tanto Nem que eu teria que ficar com ele sozinha o tempo todo. O isolamento do Alisson acabou cedo. Apenas um mês e o trabalho já voltou, de novo exposto ao vírus todos os dias.
Acho que o pior desse isolamento é que, com o tempo tão lotado de tantas coisas, eu sinto falta de ler e escrever. Nunca foi um hábito sair de casa, adoro ler no conforto e segurança de casa.
Talvez ter morado tanto tempo em uma cidade pequena e sem criminalidade, tenha me deixado mal-acostumada. Sair sem preocupações é um luxo que não se pode ter em Porto Alegre. Frequentemente, quando estou de férias, e tenho paz e tranquilidade, sinto saudades da última casa em que moramos em Ivoti: o quintal era praticamente do tamanho da casa, tinha uma árvore do tipo “mangueira” enorme, na qual meu pai prendeu um balanço feito de tábua de madeira e cordas rústicas, tinha duas ou três laranjeiras, entre as quais prendemos uma rede. É engraçado como um pedaço de terra que nem sequer é nosso possa ser tão querido na imensidão do planeta.
Sinto falta de encontrar um espaço assim em Porto Alegre, que seja pertinho, confortável e seguro. Preciso de um espaço meu para ler e escrever livremente.
A quarentena me fez pensar muito sobre isso. E a saudade de ler e escrever só cresce. O apartamento fica num bairro calmo de Porto Alegre, ouço os passarinhos cantando, os raios de sol da tarde entram pela janela, dando um toque dourado a tudo que toca. O filhote dorme aos meus pés e, no geral, há silêncio na rua, entrecortado pelo riso de uma criança de algum dos condomínios da volta. Mas ainda assim, o apartamento é pequeno, tudo está uma zona, desânimo e pressão por todos os lados. É impossível encontrar um cantinho de leitura nesse caos.
Eu gostaria muito de ter encontrado um café ou um parque para ler e escrever, como aqueles de filme. A vida pode parecer um filme às vezes, mas se fosse mesmo, eu teria que reclamar com o roteirista. Que raios de história é essa?
A quarentena em si não me incomoda. Eu gosto de estar em casa. Estou esperando ansiosamente que cheguem as férias e eu possa ler mais, e escrever mais. E gravar mais vídeos. Em meio à toda essa confusão, comecei a tocar um projeto que estava na gaveta há tempos: fazer vídeos para o youtube e publicar. Muita ansiedade numa pessoa só. Queria me dividir em pelo menos dez “eu” pra poder fazer tudo que tenho vontade. Queria ver mais filmes também.
Esse isolamento de certa forma me fez voltar àquela menina de 12/14 anos, mais ou menos – meu auge criativo da adolescência, provavelmente. Foi uma experiência interessante. Desde aquela época eu já sabia que queria ser escritora, não sei muito bem por quê.
Ainda que não tenha conseguido mais tempo para executar os planos que tenho, a quarentena me possibilitou reerguer alguns hábitos e desejos antigos. As aulas foram grandes motivadores para alguns deles. Voltei a fotografar, comecei a gravar vídeos com assuntos que eu gostava de escrever em blogs, aprendi a editar os vídeos, voltei a desenhar – e até comecei a querer me aprofundar mais em mangás, animes e HQs. Descobri que HQs de não-ficção são extremamente interessantes.
São tantas as possibilidades para ser como uma escritora. São tantas as oportunidades e diferentes mundos que os professores nos apresentam. E quero experimentar cada uma dessas possibilidades ao longo da vida. Não sei muito bem como, e é assustador não ter um plano definido. Mas é sensacional assumir a identidade da profissão: eu sou uma escritora. Só levou 10 anos pra chegar aqui, e uma pandemia.
- Amanda Richter
Cãozinho reflexivo passando na sua timeline pra perguntar: qual seu gênero literário favorito? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Existem muitos gêneros incríveis e eu sou o tipo de leitora que acaba lendo de tudo - um pouco em função da minha faculdade rsrs ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Pra quem não sabe, eu curso Escrita Criativa, e é o melhor curso ever. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Junto com seu gênero literário, deixa uma recomendação de um livro desse gênero que vc acha que eu ia gostar :D ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Estou aguardando os comentários :3 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ #bookshelf #estantedelivros #bookstagram #bookworm #clubeInstaLivros #livros #ler #vidadeleitor #leitura #amoler #vidadeleitor #amolivros #bookstagram #literatura #instabook #livrosecafe #igliterario #lendo #reading #bookaholic #instalivros #livroseseries #livrosqueamo #books #literatura #clubeinstalivros (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul) https://www.instagram.com/p/CCeRvN9DyAV/?igshid=xujzty6oh0v1
Esse aqui foi o e-book gratuito da Amazon que o @ler_ereler e eu escolhemos pra fazer a primeira colab e leitura coletiva hehehe ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Quer ler com a gente? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Esse aqui é o espaço pra deixar comentários e conversar sobre esse livro que parece bem legal! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Ele é curtinho, tem 120 páginas mais ou menos, e demos o prazo até domingo, começando hoje (porque fim de semestre, né amores)... ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Pra quem quiser ler com a gente, dá pra baixar ele aqui: https://www.amazon.com.br/Paradoxo-Renivaldo-Cordeiro-ebook/dp/B07NYR7P22 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Deixa aqui nos comentários: já conhecia? tá curtindo essa leitura? quer ver outras colabs/LC por aqui? https://www.instagram.com/p/CCbverDjzNH/?igshid=ctottsl7vy7q
Hoje esse friozinho tá pedindo mesmo uma cobertinha e uma série (quem me dera fosse sábado... 😂🙈) ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Nessa vibe de quase férias de inverno, eu resolvi falar de 3 séries que me surpreenderam demais e que eu recomendo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 1. Jane, the virgin - quem me conhece sabe que eu detesto modinhas e geralmente corro na direção contrária 😛 Com Jane, the virgin foi a mesma coisa, depois que passou o hype, que eu resolvi assistir ela - eu tava de férias, sem trabalho e gripada, então quando já tinha mandado currículo pra todas as vagas que eu encontrava, eu resolvi ver "qualé-que-era". E no fim: eu gostei! A forma como eles trouxeram o narrador pra dentro da série foi simplesmente fantástica. E ela é uma escritora - OMG, como não me identificar? 🤣 Achei que fosse mais uma novela mexicana, mas é mais uma paródia e depois eu descobri que a série é na verdade de 2014 e já foi indicada ao Globo de Ouro. Essa tá disponível na Netflix e agora em julho saiu a última temporada! Bora maratonar? 🍿👩🏻💻 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 2. FRINGE - o que dizer dessa perfeição? A série é de ficção e ciência de fronteira, falando sobre alterações genéticas e universos paralelos - é uma viagem! Eu comecei a ver, achei ótima, depois ela me pareceu que tava ficando sem sentido até que deu um BAITA PLOT, e UOU. FOI SENSACIONAL e eu recomendo demais essa aqui. Tudo começa com uma agente do FBI tendo que investigar num voo comercial um estranho vírus desconhecido - bem no mood da pandemia, não acham? hahaha Essa não tem na netflix e precisa perguntar pro tio Google onde assistir 🤷🏻♀️ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 3. Downton Abbey - essa é para os amantes de romance histórico. Ela é INCRÍVEL, muito bem construída, envolvente e os personagens tem um desenvolvimento enorme ao longo da série. Ela não tá mais na Netflix e eu tô ansiosíssima pra ver o filme... Aqui a gente acompanha as mudanças na sociedade inglesa a partir de uma família, passando pela 2 Guerras Mundiais ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Conta aí nos comentários oq vc achou das indicações e se já viu alguma delas! (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul) https://www.instagram.com/p/CCbTLkqjj5q/?igshid=b8acze1mmgx1
#Repost #autoral Essa foi uma das minhas primeiras tentativas de fazer uma espécie de haikai "brasileiro". ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Digo isso porque o haikai - espécie de poesia japonesa - exige uma métrica muito difícil de seguir na língua portuguesa. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Além disso, o poema deveria ser assim: simples, sem pensar, apenas escrever o que se observava, sem reflexão e sem rima, da forma mais pura possível. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Esse aqui eu escrevi inspirada em uma garrafa de água hahaha ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Vcs curtem ler haikais? Já conheciam esse tipo de poesia? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul) https://www.instagram.com/p/CCWwqMCjkEJ/?igshid=f0a0l87pnzej
Hoje tá sendo um dia desses. Aqui no Sul tá um friozinho gostoso e um dia relativamente bonito depois do domingo chuvoso... Tudo que eu gostaria era mesmo de um cafézinho quentinho e mais um capítulo do livro... ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Aliás, tô quase no fim do livro da Elena Ferrante! Mesmo com o fim de semestre, consegui ler bastante do livro dela e fiquei bem contente! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Hoje só não rola pegar o café e ler mais um pouquinho porque o semestre não acabou e ainda tem uns trabalhinhos pra terminar hahaha ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Conta aí, o que vcs estão lendo? (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul) https://www.instagram.com/p/CCUMYOfj7Px/?igshid=1bkn0j17g6yea
Julgamentos Literários | Milkshake Literário by Amanda Richter
Tem vídeo novo no canal!
Nesse vídeo, quis refletir um pouco sobre os julgamentos literários. Afinal, nosso papel não deveria ser incentivar os outros à ler?
Vi por aí e achei top o challenge da @melivrando o #bookstagrampor30dias Cheguei já no finzinho mas curti a proposta do dia de hoje: falar sobre o que você não gosta de ler/ver em livros? Foi MUITO difícil pensar nisso. Eu leio de tudo e sempre gostei demais de ler. Meu “não gostar” de algo é geralmente relacionado à um livro específico ou, quando muito, algum autor específico. Mas aí lembrei algo sim que me faz desistir de qualquer livro, não importa o autor que seja: um livro daqueles que se arrasta. Eu detesto ler algo que demora pra engrenar e entrar de verdade na história. É quase como ler teoria (desculpa profs haha), mas ainda tem algumas teorias que até se salvam - Barthes com seu texto sobre a morte do autor ❤️ kkk Esse se arrastar foi um dos motivos de eu ter parado de ler Ponto de impacto por vários meses (e ainda não ter retomado rs), de eu ter parado de ler e não gostar nada de Saramago, de eu ter parado anos atrás o Código da Vinci e nunca ter voltado. De eu ter largado tbm autores como José de Alencar... haha A maioria são autores considerados “clássicos” ou “alta literatura” - debateremos sobre isso em outro post, ok? - mas simplesmente se a história é arrastada e não chega a lugar nenhum, me agonia. Tudo bem quando a história até começa devagarinho e vai engrenando até o ponto de você não querer mais soltar o livro - Jogador N°1 foi assim pra mim e sei que vários outros que eu não lembro agora também... Mas quando ela fica estagnada, não tenho condições kk E pra vc, oq mais incomoda num livro? (em Porto Alegre, Rio Grande do Sul) https://www.instagram.com/p/CB1xAXAHLn4/?igshid=gmndv2p2nams