Contos #1
Escuridão se alojava ao meu redor, o que era aquilo? Dois pontos vermelhos brilhavam na escuridão como rubis brilhantes, estava atordoada vultos passavam por mim como em uma dança delirante e alucinante. Estava fraca e aqueles dois pontos pareciam estar se aproximando de mim. As curvas turvas das pessoas ao meu redor reluziam em meio a escuridão, eu estava prestes a desmaiar.
Olhei para o copo que estava em minhas mãos, já vazio, contudo os resíduos de um liquido amarelado que se pendiam nas paredes do copo, exalavam o perfume do álcool e de uma essência diferente. Como fui idiota em tomar isso. Novamente olhei para frente aqueles rubis se aproximavam e tomavam forma, eram olhos. Predadores e vorazes. Iria morres, tinha plena certeza disso. Eu me virei cambaleando, e comecei a andar, em uma fuga inútil e desesperada. Esbarrando em tudo e todos que ficavam na sua frente.
Notei que meus passos estavam trocados, a multidão em minha volta não eram o suficiente para me retardar agora tinha passos bambos e corridos o que me resultou em diversos desequilíbrios, mas por fim consegui sair daquele lugar, onde era mesmo que eu estava?
Passei a mão no rosto suado e me apoiei com ambas as mãos na lata de lixo que tinha por ali, estava prestes a cair, por que mesmo acabei indo para os fundos? Eu olhei para frente novamente, em uma tentativa fútil de se situar, apenas enxergava a iluminação vinda dos carros que eram turvas e imprecisas vinham de um lado para o outro constantemente, confundindo ainda mais meus sentidos.
Estava prestes a sair dali quando uma mão firme e fria conseguiu me alcançar e me arrastar de volta . Gritar? Não tinha nem forças para correr quanto mais para gritar. Agora estava perdida totalmente perdida.
Fui empurrada e prensada contra a parede por dois braços largos e bem trabalhados, na realidade nem sabia se eram, meu olhar ficou fixo naqueles dois rubis. Não senti sequer uma respiração vinda por parte do ser que estava na minha frente, enquanto a minha disparava imprecisa. Nem mesmo seu coração soava, seu peito estava colado ao meu, com certeza ele sentia meu coração batendo loucamente.
Ouvi algo vindo dele, eu apenas negava fielmente, senti algo frio passar pelo meu pescoço, estava tão atordoada que nem notei que ele tinha suavemente virado minha cabeça para o lado de maneira que deixaria aquele local exposto para si.
Algo molhado e frio, como gelo. Molhou em meu pescoço, abri os olhos que até então nem tinha notado que os tinha fechado e não via mais os rubis, foi então que algo se cravou em meu pescoço, lágrimas verteram de meus olhos. Aquilo doía, muito. Tentei afasta-lo de mim, mas minhas forças estavam sendo drenadas com vigor, estava morrendo. Podia ver então meu passado passar por mim, nada de arrependimentos, tinha tido uma vida feliz, os flashs passavam rapidamente.
Enquanto sentia minha alma se esvaindo lentamente de meu ser, de meu interior. Lentamente minhas mãos penderam ao meu lado e eu pude sentir meu sangue ser drenado violentamente, meus olhos se fecharam, me entregando para o fim eminente, foi então que a última gota de sangue me foi retirada.
E ali… Eu morri…

















