Não sabe ser paralelo aquele que viveu uma única vida.
Eu vivi algumas, a cada cinco anos.
Às vezes mais fáceis de separar, mas não agora.
Pois a quebra da realidade é tamanha,
que vejo e sinto dois mundos.
Separados por milhares de milhas, mas tão perto.
Unidos por minha única pessoa, mas tão desconexos.
Não compartilham idioma, cultura, ou pessoas.
Não têm o mesmo clima, barulhos, ou lugares.
Olho assustado,
observo calado,
mergulho trêmulo...
de frio,
sem fôlego,
de roupa e tudo.
Não sabe ser paralelo aquele que seguiu uma linha.
Não segui uma linha.
Eu segui muitas árvores de linhas.
Eu me perdi e me encontrei muitas vezes.
Sinto vontade de pedir desculpas,
aos outros, aos meus, aos mundos.
Perdão por não poder ficar,
perdão por precisar partir.
Não é que não quero mais... eu só quero mais.
Dá medo,
do vazio,
do gelo e do silêncio.
Dá vertigem...
Giro no espaço-tempo,
sorrio.
No deserto, balança uma planta. É verde, é mansa. Por ela, o silêncio e a brisa. Macia e esquia. Seu oco, o eco de um berro; havia e sacia. No deserto, o espinho veneno. Fura e costura.
Nota mental: "Um computador por aluno" no interior do NE brasileiro
Neste post quero resumir/comentar um artigo publicado na Revista Logos (Edição 34) denominado "Apropriação tecnológica e cultura digital: o programa 'Um computador por aluno' no interior do nordeste brasileiro". Em primeiro lugar, deixo clara a minha ignorância no tema principal. Em princípio, estou usando este texto como semente de um interesse pessoal na temática de apropriação tecnológica no Brasil (ou melhor ainda, no nordeste brasileiro).
O artigo tem como objetivo apresentar as mudanças (sociais?) a partir da inserção do PROUCA em dois contextos no interior de Pernambuco: a cidade de Caetés -- onde todos os alunos da rede municipal e estadual receberam os laptops -- e na escola rural da Usina JB, no município de Vitória de Santo Antão. O ponto alto do artigo está no embasamento teórico realizado pelas autoras (ambas professoras da UFPE) e suas impressões -- bem alinhavadas -- sobre a implantação e possibilidades do programa. Confesso que ao ler o resumo do artigo, esperei encontrar uma análise mais metódica dos dados da pesquisa, o que não acontece. Ainda assim, o texto é bem interessante e ao meu ver, apresenta muito bem a complexidade de programas educacionais no Brasil.
A questão que o artigo parece ressaltar é que o contato com a tecnologia é apenas o primeiro passo. Alunos e familiares em contato direto com tecnologias da informação tem o potencial de reestruturas contextos sociais, como bem mostra os relatos presentes no texto. Mas ao mesmo tempo que esta (r)evolução social acontece, uma pressão muito grande é colocada sobre os educadores, que: (i) precisam acompanhar o passo dos alunos na apropriação tecnológica -- o que já demonstra ser uma barreira em si; e (ii) precisam desenvolver/adaptar seu ferramental pedagógico em paralelo.
Fiquei curioso:
Qual o impacto de médio/longo prazo do programa como ferramenta de "inclusão digital"?
Os métodos disponibilizados pelo programa foram eficazes na produção de conhecimento para guiar a apropriação tecnológica na sala de aula?
Quais os próximos passos para difundir a cibercultura no Brasil?
"Reimagining HCI" (ou no português: Reimaginando a IHC - Interação Humano-Computador) é uma discussão proposta por Liam Bannon no seu artigo publicado em 2011, no volume 18 da revista Interactions da ACM. A sua preocupação é com a evolução da área de pesquisa, passando a ser mais que o que o seu nome diz; estando agora indo em direção ao amplo "design para atividades humanas quando mediadas por computador".
A mensagem passada por Bannon é de que, independente do nome que queiram dar aos novos movimentos da IHC, o mais importante é estender seus conceitos mais básicos: quem são o 'humano' e o 'computador'? Primordialmente o objetivo da área era maximizar a produtividade industrial através da melhor utilização possível da tecnologia disponível. Na época, o humano era o usuário-autômato de máquinas. Isso evoluiu durante as décadas de 1970 e 1980, principalmente através do questionamento científico da "hiper-automação", e mudando o foco para "como expandir as capacidades humanas através da tecnologia?"
O autor refere-se a este momento como: "uma mudança no estudo das atividades humanas, de uma perspectiva 'psicológica' para uma 'sociológica' (...)". (OBS: Estaria neste shift a grande intersecção entre HCI e sua área irmã, o CSCW, do inglês computer-supported cooperative work, ou trabalho cooperativo suportado/mediado por computador. No Brasil, o grupo que mais contribuiria com esta área seria o de Sistemas Colaborativos). Atualmente, ambas as áreas consideram a tecnologia não apenas como uma ferramenta de trabalho, mas como parte do lar e do estilo de vida de indivíduos e comunidades: "tecnologia como parte da vida e não apenas como utensílio". Desta forma, o desafio seria combinar (i) aspectos práticos da engenharia, (ii) perspectivas das ciências sociais e (iii) questões humanas do design.
Finalmente, Bannon apresentada apontadores para o futuro do design destas "vivências mediada por tecnologia". Um dos tópicos que lhe parece mais importantes seria considerar explicitamente os valores humanos (culturais) na prática do design. Desta forma, uma pluralidade de perspectivas precisa ser levada em conta, seja ela (i) da parte dos pesquisadores ou designers, (ii) dos grupos de indivíduos que utilizam as ferramentas projetadas, ou ainda, (e talvez mais importante) (iii) a diferença existente entre os dois lados do diálogo mediado: projetistas ↔ ferramenta tecnológica ↔ usuários.
O conceito de cultura que eu defendo: acreditando como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e a sua análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado.
(...)
A análise cultural é (ou deveria ser) uma adivinhação dos significados, uma avaliação das conjeturas, um traçar de conclusões explanatórias a partir das melhores conjecturas e não a descoberta do 'continente dos significados' e o mapeamento da sua paisagem incorpórea.
Clifford Geertz, in The Interpretation of Cultures
Procurando por podcasts nacionais acabei achando o Zing! que no seu programa #6 debateu 'cultura pop'. Escutei, gostei do material e aceitei o convite dos autores pra participar da discussão. Fiz uma tentativa de amarrar algumas elucubrações e vivências sobre o tema. O texto resultante foi pra os comentários do blog deles, e aproveitei para replicar aqui.
O que entendo de cultura é que é um conjunto de conhecimentos e práticas (e muito mais) compartilhadas por um grupo de pessoas. E que quando usamos "Cultura Pop", o que se quer diferenciar é "o grupo" - mais massudo, mais geral, mais POPular - de pessoas que compartilha dos mesmos 'gostos' e 'valores' que os fazem 'entender' e 'apreciar' a mensagem envelopada num artefato cultural (como um livro, filme ou imagem). Resumindo, esta diferenciação, ao menos em sua raiz, não carregaria julgamentos de valor, mas sim, definiria que a mensagem carrega um conjunto mínimo de elementos culturais que é facilmente apreciado por um conjunto maior de pessoas. Um exemplo sem simplificador: tem música que a gente escuta por conta do ritmo contagiante, que mexe - sem muito porquês - com os fios mais instintivos do nosso cérebro; enquanto tem música que para ser apreciada, precisa ser entendida como processo de produção, ou como complexidade instrumental, etc.
Usando este raciocínio, acredito que 'mais interessante' do que discutir se cultura 'pop é boa ou ruim' é antes buscar entender a diferença de 'cultura pop' versus 'cultura de nicho'. Ou seja, se a galera usa música para animar o baile e suar dançando ou batendo cabeça, talvez eles não estejam mesmo interessados em decodificar mais que o impulso que os 'agita ou o que gera um chamego'. Mas se um ou outro separa um tempo para apreciar a carga histórica ou literária de um letra de música, ou o virtuosismo de um saxofonista qualquer, é claro que essa pessoa terá a 'exclusiva' capacidade de apreciar mais esse tipo de mensagem. O que acontece é que muitas vezes quem se dedica mais a um nicho, acaba querendo julgar a cultura pop pelos mesmos termos da sua nova 'bagagem cultural' (o que é tecnicamente válido mas em muitos casos popularmente irrelevante).
Finalmente não esqueçam o primeiro caráter dessa discussão: cultura é algo social e contextual. O fato de me dar mais com as atitudes de um grupo ou outro também influencia pesadamente minhas decisões. Então, não se escolhe novela ou seriado americano somente por conta da qualidade da produção, mas também pela contribuição que um ou outro vai dar no próximo papo no cafezinho no trabalho. E aí quando o mundo dá mais uma volta, você construiu laços com grupos culturais diferentes, uns mais pops e outros menos.
No fundo, o que importa é quão 'lindinho' ficou o peixinho do Romero Brito no quebra-cabeça que minha família montou lá na sala durante o fim de semana; ou quão 'impressionante' é a expressividade da pincelada na cara da Monalisa que vi na minha última viagem romântica em Paris.
Na rocha, escrita a história. Gira, Cada roda geme sua trilha. #historic_site #Ouro_Preto #poem #haikai #picNpoem (at Cidade Histórica de Ouro Preto, Minas Gerais, Brasil.)
A pequena Luli lutava. Primeiro para manter-se num mesmo lugar por tanto tempo tão inquieta que era. Mas a questão era vencer aquele jogo agoniante: o tempo corria e o ponteiro do mouse não ajudava a manter a linha. Disseram que o jogo era demais para a idade dela, mas sabe-se lá porquê ela tentava.
Menino véio que sou, cheguei sorrateiro e num susto a fiz borrar o delicado trabalho que repetia há tanto. Ela não entendeu, bateu a tampa do computador, e merecidamente estirou-me a língua. Eu que não conseguia parar de rir tentava dizer que ela poderia tentar novamente. A bichinha! Choramingou que já tinha tentado tantas vezes...
Desconfio que ela não ficou com tanta raiva. Ela não conseguia era parar de tentar. Ora, nem pra comer ela tinha parado. Pois bem, emburrada ficou, com a avó tentando consolar. Deixa que fui ver - depois de secar o riso - o que dava pra fazer. Um puxão pela perna para escorregar pela cama já lhe abriu as nuvens. Um lembrete do lanche fez as lágrimas parecerem de mentira. Já abraçados fomos à cozinha sem muito mais para discutir.
Desculpas dadas, agradecimentos recebidos. Ela estava livre para a próxima traquinagem, e eu pronto para a próxima gargalhada.
Every morning I jump out of the bed and step on a landmine. The I landmine is me.
After the explosion, I spend the rest of the day putting the pieces together.
Ray Bradbury - Preface of the Book "Zen and the Art of Writing"
"Statistically significant" is one of those phrases scientists would love to have a chance to take back and rename. "Significant" suggests importance; but the test of statistical significance, developed by the British statistician R.A. Fisher, doesn’t measure the importance or size of an effect; only whether we are able to distinguish it, using our keenest statistical tools, from zero. "Statistically noticeable" or "Statistically discernable" would be much better.
Resumo de artigo: Uma abordagem estruturalista para Comunidades de Prática Online
Resumo do artigo: Howard Rosenbaum and Pnina Shachaf. A structuration approach to online communities of practice: The case of Q&A communities. Journal of the American Society for Information Science and Technology, 61(9):1933–1944, September 2010. [DOI]
Este é um trabalho teórico direcionado a pesquisadores de comunidades (de prática) online, e mais especificamente sites de perguntas e respostas (Q&A). O objetivo dos autores é criar um framework teórico que embase trabalhos sobre a dinâmicas das comunidades Q&A. Para tanto a Teoria da Estruturação é costurada à teoria das Comunidade de Prática (CoP) para suportar o uso de fatores sociais, técnicos e contextuais no estudo de comunidades online (de Q&A).
Conceitos
Sites de Q&A: ambientes virtuais que visam coletar respostas para questões previamente expostas por seus usuários. Yahoo! Answers e StackOverflow são dois exemplos destes sites para públicos bem distintos. A questão é: estes sites são bem mais que meros repositórios de perguntas e respostas, certo?
Comunidade online: podem ser vistas simplisticamente como pessoas interagindo em atividades sociais usando sistemas online. Mas novamente há mais complexidade nisto: em comunidades existem uma história coletiva, objetivos, tarefas, discussões, um meio, contextos... A questão é: do ponto de vista do estudo da 'social informatics' tanto os fatores sociais quanto os técnicos - além da sua complexa relação - devem ser levados em consideração.
Teoria da Estruturação: no escopo do artigo três conceitos principais são utilizados: estrutura, práticas sociais e dualidade estrutural. De forma resumida a teoria busca reintegrar o poder determinante da estrutura (regras, recursos, sistema) e dos agentes (pessoas, usuários). A ideia fundamental é que ações são ao menos indiretamente influenciadas pelo meio, e este, é redefinido ciclicamente pelas ações e decisões dos agentes.
Comunidade de Prática: esta teoria foca em comunidades onde membros se relacionam através da prática do aprendizado, e se organizam ao redor de um conjunto de 'atividades, artefatos, conhecimentos, etc'. É previsto aqui diferentes graus de engajamento de acordo com o nível de conhecimento compartilhado e de identificação com a prática.
Resultados
Os autores se baseiam em extensa literatura para traçar as definições resumidas acima, mas principalmente as ligações entre comunidade, estrutura, e o universo online - exemplificado nos sites de Q&A.
Segundo os mesmos existiriam três pontos principais de interação entre comunidades de prática e a teria da estruturação: (a) centralidade da prática social, (b) mutação das estruturas e (c) criação de identidade baseada em interação. Utilizando estes pontos ainda demonstram como sites de Q&A podem ser entendidos como CoP.
Prática - se manisfesta através de engajamento, da criação de um ambiente colaborativo e de seu repertório. Ou seja, ao colaborarem na solução de problemas (Perguntas) os participantes interagem seja votando, respondendo, discutindo sobre regras de conduta, atuando em atividades de manutenção (como a remoção de material indevido e spams), etc.
Estrutura - esta 'prática' é realizada de acordo com as ferramentas e regras já disponíveis para a comunidade, mas ao mesmo tempo é dinamicamente definida. Cada site define o valor de uma resposta e de um comentário. Da mesma forma escolhem quais os processos para sinalizar e remover material indevido ou de má qualidade.
Identidade - Neste processo participantes 'escrevem' sua identidade como membro da comunidade. Sites de Q&A muitas vezes utilizam do histórico para compor páginas pessoais - seja automaticamente, seja apenas permitindo que isto seja realizado. O importante aqui seria a liberdade para definir seu nível de participação, o que claramente está presente nestes sites como diversos tipos de atividades disponíveis.
Conclusão
Os sistemas computacionais online seriam identificados como as 'estruturas' (da teoria da estruturação) onde humanos interagem baseados em regras e recursos, que são moldados por este mesmo uso. A dualidade destes sites (técnico/social) é ressaltada para que pesquisas futuras levem em consideração os processos de (re)definição das 'estruturas' e seu impacto nas comunidades.
Como em qualquer relação com culturas diferentes, brasileiros podem ter alguns desafios ao trabalhar com outros povos; veja quais são os mais comuns
Assim começa este artigo da revista Exame sobre relações interculturais no trabalho. O resumo da obra é: povos diferentes têm culturas diferentes; isso implica em valores e costumes diferentes; e com o crescente número de relações interculturais em empresas multinacionais o choque de costumes pode ser danoso.
Perceba que o estudo de cultura e relações entre povos diferentes tem área formal e envolve deste a antropologia até a administração de empresas. Eu mesmo (da área de computação) estou estudando um pouco do impacto destas questões em ambientes online. A visão do artigo - que eu concordo - é que tais características devem ser reconhecidas e tratadas - e não estereotipadas e criticadas - por ambos os lados para que um diálogo seja melhor encaminhado.
Vejamos os hábitos citados pelo artigo:
1. Rodear antes de chegar ao ponto
Eu mesmo já tive esse problema ao discutir um planejamento de atividades. Um dos meus colegas era europeu com muita influência norte americana e não gostou das formas como eu abordava os prazos, sempre explicando muito, quando o que ele queria era uma data.
Existe uma linha de pesquisa da antropologia que define uma classificação de países em chamadas dimensões culturais. Um dos pesquisadores mais citados é Hall. Uma das dimensões definidas em seus estudos é a da Contextualidade: quanto de contexto um povo normalmente tende a criar para que uma conversação flua. Este hábito parece estar relacionado a esta dimensão.
2. SIM = TALVEZ?
Isso a gente vê até dentro de casa e com os amigos, né? Uma das dimensões definidas por Hofstede (outro grande nome desta área) é chamada Individualismo. Eu tenho a impressão de que 'não saber dizer NÃO' tem a ver com o quanto um povo é coletivo, o que estaria relacionado com a dificuldade de "decepcionar" o outro com uma resposta negativa.
3. Colegas ou amigos?
Uma outra dimensão definida por Hofstede é a Masculinidade, que tece sobre quanto um povo separa - em pessoas de gêneros diferentes - valores tidos como masculinos e femininos. Em países mais femininos as relações afetivas são mais presentes. Mesmo o Brasil não sendo um país tido como muito acima da média nesta dimensão, meu palpite é que este hábito tem a ver com isso.
4. Visão de curto prazo
Mais um hábito que parece estar ligado a uma terceira dimensão da teoria desenvolvida por Hofstede: Aversão à incerteza. Estranhamente a ideia aqui é que países que têm maior aversão se planejariam mais. O Brasil tem, segundo a referida pesquisa, uma aversão relativamente alta.
5. "Jeitinho"
É. O "jeitinho brasileiro" já bastante estigmatizado e conhecido. O antropólogo brasileiro Roberto DaMatta explica que esta característica está ligada na verdade às desigualdades socias do país e uma possível luta por sobrevivência. Esta questão das diferenças de poder também está descrita em outra dimensão cultural de Hofstede chamada: Distância do Poder - quão aceitável é por um povo que exista desigualdades na distribuição de poder.
6. Relação relaxada com o tempo
Quando você marca um encontro, ele é às 19:35 ou é 'depois do jantar'? Você acha aceitável chegar 15 minutos atrasado? Você costuma ter várias tarefas e trocar entre uma e outra, ou sequencia seus esforços? Pois bem, esta relação com o tempo também está explicada por uma segunda dimensão cultural definida por Hall.
Finalmente a minha intensão era criar uma ponte entre a notícia apontada aqui e os conceitos mais científicos que com certeza foram usados pelas fontes da jornalista.
Caso você tenha interesse em ver por exemplo como o Brasil se compara a outros países nas dimensões de Hofstede este link é para você!
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Você discorda, concorda ou apenas achou as ideias aqui expostas curiosas? Ficarei feliz em conversar sobre nos comentários.
Brasileiros e a socialização na web: Um primeiro contato
Das principais características atribuídas ao povo brasileiro, descritas inicialmente por antropólogos mas hoje tidas como de senso comum são a 'desigualdade' e a 'afetividade'. Enquanto Darcy Ribeiro descrevia o dilema em termos de 'desigualdade' e 'integração', Roberto DaMatta usou 'familiaridade' e 'hierarquia'. (vide)
Perceba que estamos falando aqui de um questão enraizada na sociedade brasileira. Eu costumo pensar nestas duas características remetendo às histórias de engenhos cuja tremenda diferença de poderes entre os senhores brancos e os serventes escravos negros não impedia as relações de afeto entre tais grupos. O brasileiro é visto hoje inquestionavelmente como um povo alegre, mas marcado por uma luta por diferenciação social. Darcy Ribeiro afirmava que a diferença entre classes sociais é uma questão mais séria que o racismo no Brasil. Já Roberto DaMatta tornou famoso em seus estudos o "Sabe com quem está falando?"
Pois nesses dias comecei a procurar sobre estas "características" de um povo - no caso o brasileiro - e o efeito destas na socialização mediada por computador, ou seja: o que acontece quando esse povo todo começa a usar a Internet para se comunicar. Felizmente me deparei com este artigo da antropóloga Heather Horst denominado: "Apropriação e Resistência à nova media tecnológica no Brasil". (Em breve eu devo resumí-lo aqui no blog, mas um dos pontos tocados é exatamente o das redes sociais.)
Na verdade encontrei este artigo pois o mesmo cita a minha principal fonte deste assunto, a professora Raquel Recuero, que em seu blog e em artigos científicos vem discutindo essa socialização brasileira via blogs, fotologs, redes sociais e mais recentemente Twitter. Vou traduzir abaixo três frases do artigo de Horst para fazer a ponte com a primeira parte deste texto:
"A análise do capital social no Orkut feita por Recuero sugere que a forma que o brasileiro usa o site para se tornar popular e construir reputação tipicamente enfraquece as hierarquias tradicionais(...)"
"De forma similar Bryan MacCann afirma que parte do sucesso do Orkut está na inclinação dos brasileiros por criar comunidades que (...) tendem a desafiar as estruturas sociais e culturais da sociedade brasileira."
"Fragoso aponta que as formas que os brasileiros usam o Orkut refletem uma disposição particular dos brasileiros para a socialização na Internet."
É ou não interessante esta ligação entre a descrição "clássica" da nossa sociedade e as características de interação dos brasileiros no Orkut ressaltadas por três pesquisadores diferentes?
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Você tem alguma observação, crítica, correção ou apontadores? Ficarei feliz em recebê-los e conversar sobre nos comentários. Abraço
Eu girei durante 78 minutos ininterruptos para conquistar minha primeira montanha. Eu saudei o sol - e torrei no processo - para receber meu primeiro brevet de 300Km num pedal de quase 14 horas. Eu me superei. Acho legal quando as pessoas olham pra mim e arregalam os olhos: "você é doido". Talvez porque chamar a atenção de alguém infle o ego. Talvez, mas prefiro pensar que gosto de uma certa conotação da palavra "doido".
A verdade é que quando estou sobre a bicicleta, eu me sinto livre e leve: "isso aqui é meditação em movimento", repito sem saber de onde tirei. Também sinto dor, calor, incômodo na bunda e nas costas… Mas é como se eu estivesse refazendo o que sou. Já ouvi dizer que fazer reforma é mais caro que construir do zero. Pois bem, não tenho como zerar a vida então vou dando minhas marretadas.
Em 2013, no alge da minha forma física minha vesícula pediu pra sair! Também é dor, mas é uma dor diferente. Vazia. Uma dor que lhe tira a liberdade, que lhe poda. Uma dor que lhe coloca num estado de observador forçado do que você foi ou poderia ser. Vi meu condicionamento físico desmanchar um tanto, voltei a sentir meus joelhos, vivi de fisgadas por conta de linhas e repuxões nas minhas entranhas.
Foi. Em 2014 não comecei do zero, mas comecei de novo. Cada vez que o despertador toca às 4:30 da manhã eu não penso duas vezes. Caminho moribundo pra janela da sala pra ver o tempo, boto a água no fogo e me fantasio de ciclista. Cada vez que pedalo o corpo parece dizer: "lá vem ele de novo…", "essa porra dói sabia?". Mas cada vez que o corpo aquece, que o giro das pernas me mistura com a magrela, minha cabeça sorri contente e soa constante: "ummmmmmm".