Talleres de artistas famosos Famous artists’ studios
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Talleres de artistas famosos Famous artists’ studios
Esperança
Todo obstáculo, desafio É nós rio, atravessa toda tormenta Com(o) a vontade de Deus Quem quer ser nós (?) sozinho Embale toda lembrança no abraço Deste espaço Que o passado levanta Amarre, enterre Toda besteira, poeira que por aqui anda Sinto-me nós, transbordar rio Sinto-me clarar, avesso e atrás No aprendizado de amar calado Apreciar, aproveitar A vida que nos alimenta.
Preto e Branco
Um ponto de vista Nada À vista do que segue: Nenhuma atitude espontânea será tolerada Contenha-se Não bata palmas Não cante parabéns Não dê presentes Não surpreenda Não demonstre amor Não chore Nas regras do preto e branco Qualquer transgressão será penalizada Aprenda Não há fotos Não há declarações Não há recordações de datas Toda memória será hostilizada Sorria Acene Não há mãos dadas Preto e branco Mais nada
Nota:
Quando se sentar sozinho à mesa, quando fizer café apenas para um, você vai se sentir sozinho, mas vai sentir o meu amor
W H A T (ever)
Na repetição dos dias sinto as palavras tornaram-se o avesso Transformarem-se na roupa, no pequeno-almoço, nas almofadas Inundam a casa, calam os passarinhos Inundam-me com os silêncios das palavras (mal)ditas Tropeçam nas alegrias do avesso, atravessam segredo e caem Como que mortas. A espera do momento final, do fogo ou dos passageiros que passarão a passarinhar Mais um avesso do lado de lá
O outro lado da cama
É o lado que eLe usa quando algo está do avesso. E mesmo junto, dorme sozinho. É o lado de lá. Onde não posso tocar, como uma barreira invisível no meio do caminho. Quando dói, quando ella está cá, quando tua zanga chega e eu estou lá. É o lado de lá. Quando a vida não segue e gira, no mesmo lugar. Onde perdido eLe encontra sono para não pensar. É o lado de lá. Quando és obrigado a dividir o que é seu com o avesso e talvez para não machucar ou porque a coragem não chega, eLe não diria nunca, vá. É o lado de lá que te conforta nos teus pensamentos e na nossa zanga. Do lado de cá fica a indefinição do silêncio que não traz nada, além de pensamentos obscurecidos pela sombra das costas deLe.
Do Aperreio ao Aconchego
Aperreio é aquele aperto no coração, aquela agonia, aflição que te tira o sossego.
Há vários tipos de aperreio, mas esse que me torce o peito é daqueles que parece não ter razão. Entro em modo alerta, atenta a qualquer movimento em falso, uma paranóia discreta e os dias passam abafados.
Esquecer um aperreio, ou ao menos pô-lo de lado não é tarefa fácil, das piores guerras que se trava, são nos silêncios nublados.
Para vencer esses momentos, esses dias tão nublados, preciso do seu aconchego e da segurança do seu abraço.
Aconchego é aquele beijinho no pescoço, é acordar com preguiça e se enroscar no atraso para o trabalho.
A cura do aperreio é o aconchego.
Quando você segura minha mão de mansinho, e pergunta se eu quero café. Percorre as minhas costas acalmando meu coração com a ponta dos dedos e uma dose de carinho.
Do aperreio ao aconchego de mansinho, assim calado, você sabe quando meu coração dorme inquieto, agitado, encontra meu meio no ninho, dá-me a volta e tudo é claro.
With Love, to Paris
Há um buraco que se abre quando ella está por perto.
ella apareceu nos dias em que eLe foi aos moinhos procurar vento. eLe sentia a aventura quando ella soprou-lhe os segredos que avesso não podia contar, porque não estava lá. Destino, sabe-se lá, avesso estava do lado de cá, os ventos sopravam de lá. E quem ouve segredos, não os pode contar.
eLe deixou o avesso na sua velha vida e foi viver os segredos que ella sabia contar.
A vida, porém, têm seu próprio tempo. E o tempo voltou a vida de cá.
avesso já não era ninguém, porque ella, mesmo de lá, já existia cá.
Neste vai e vem cavou-se um buraco, onde o avesso vai parar, todas as vezes que ella sussurra de lá.
Primeiro despejo
Karma, azar, maldição, destino, loucura, teimosia, ilusão.
Chame como quiser, vai dar tudo ao mesmo.
Nesta casa tudo é passarinho passageiro, menos o que devia passar. Cá vive a italiana, o segredo, o avesso e eLe ( também um gato preto porque é preciso haver clichés).
A italiana é fogo por todos os poros e fala a língua do mundo. É próxima, volátil e sabe rir. A nossa primeira vez foi num beco sem saída e agora a saída é passarinhar nesta encruzilhada.
O segredo é um rapaz, a não ser quando o rapaz é um segredo. Quando é rapaz, passarinha por aí de riso fácil e mente leve, levando a notícia dos tempos que correm e vão com ele. Quando é segredo, se cala.
O avesso não sabe que lado é o certo, mas vai a procura do lado de trás, mesmo que detrás seja o avesso, não para, inquieto numa busca pelo que não sabe ao certo.
eLe
Isso é o primeiro despejo do que quero esconder.