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@oxhannah
can i have this dance? || riverturi
@annieventuri
A noite jĂĄ ia bastante longa e sem qualquer dĂșvida que a Rivers jĂĄ haveria ingerido uma boa dose de ĂĄlcool, porĂ©m tal substĂąncia em seu sangue nĂŁo influenciava praticamente nada na sua personalidade, nem na sua concentração. A loirinha estava plenamente ciente de tudo que fazia e falava, por isso ela nĂŁo se importava de beber mais um pouco. Ela sabia que eu corpo ainda aguentava mais um pouco. Pelo menos era o que ela pensava atĂ© que suas Ăris claras poisaram numa silhueta bastante conhecida. O vestido longo vermelho que sua amiga de longa data envergava fazia com que a silhueta da mesma acabasse por sobressair. E sem dĂșvida que Hannah nĂŁo poderia negar o quanto a outra era bela. Na verdade, e talvez ela atĂ© estivesse ciente de tal, mas seu corpo parecia petrificar diante da figura de Annabelle. Sua respiração parecia falhar miseravelmente, e num ato praticamente impulsivo a britĂąnica se aproximou da amiga com um sorriso tingindo seus finos lĂĄbios. Seu olhar fora praticamente preenchido por um brilhantismo tal que ela mal conseguia explicar o que se passava consigo. Chegava sendo estranho a forma como as cĂ©lulas de seu corpo pareciam ceder na presença feminina. Era quase como se a outra tivesse uma espĂ©cie de força magnĂ©tica sobre si.
Ao chegar perto da Venturi o sorriso que anteriormente estava presente nos lĂĄbios da loirinha se tornara ligeiramente mais largo, quase como se fosse a outra o motivo e a razĂŁo pela qual ela estava sorrindo. E talvez a verdade fosse mesmo essa. --- â Bons olhos vejam vocĂȘ, my Bella. â --- a britĂąnica dissera no seu sotaque irreconhecĂvel, enquanto seus olhos se fixavam nos lindos e belos traços daquele rosto. Sem dĂșvida alguma que a morena possuĂa uma beleza Ășnica, e Hannah nĂŁo poderia negar tal fato. A Rivers tombou sua cabeça para o lado enquanto continuava sorrindo para a mais velha, e acabou por colocar uma mecha de seu cabelo loiro por trĂĄs de sua orelha. --- â Confesso que jĂĄ tinha saudades, sabia? â --- um biquinho se formou nos lĂĄbios da estudante de medicina, enquanto sua voz saĂa completamente manhosa. Sem dĂșvida que a menina sentia falta da amiga, afinal Annabelle fora um imenso pilar na vida da mais nova. Fora a garota que estivera praticamente presente em quase todos os momentos ruins de sua vida, pelo menos os Ășltimos.
Mais uma festa e ali estava a Rivers marcando presença. Sem dĂșvida que ela era uma das presenças mais assĂduas nas festas daquela cidade, e mesmo sabendo que seu corpo estava necessitando de descanso a menina nĂŁo poderia deixar de marcar presença naquelas festas. Ela tinha uma imagem a manter, e por isso faltar estava completamente fora de seus planos. Assim que chegou na festa seu par de olhos claros observaram atentamente toda a decoração, bem como as pessoas ali presentes. Hannah amava observar o bom gosto alheio, e isso acabara por fazer com que um sorriso se formasse em seus finos lĂĄbios. A loirinha se deparou com um rosto seu conhecido e se aproximou dx mesmx ainda com o sorriso presente em seus lĂĄbios. --- â Parece que nĂŁo fui a Ășnica que me esmerei nessa roupa, hein? VocĂȘ âtĂĄ perfeitx. â
                                         » Hannah Rivers in Camileâs Birthday party «
{ Hannah Rivers moodboard 03 }
â Such a lonely day And it's mine The most loneliest day of my life â
{ Hannah Rivers moodboard 02 }
annieventuriâ:
stisaacsâ:
Lily & Kat ( 2015 )
@oxhannah:Â I saw you and I knew. Maybe itâs âcause I got a little bit older. Maybe itâs all that Iâve been through. Iâd like to think itâs how you lean on my shoulder and how I see myself with you. I donât say a word but still, you take my breath and steal the things I know. There you go, saving me from out of the cold.Â
What am I supposed to do without you? Is it too late to pick the pieces up? Too soon to let them go? Do you feel damaged just like I do? Your face, it makes my body ache, it won't leave me alone and this feels like drowning, trouble sleeping, restless dreaming. You're in my head always, always. I just got scared away, away, I'd rather choke on my bad decisions than just carry them to my grave. You're in my head always, always, always.
@oxhannah
{ flashback } đđđ đđđ đđ đđđ đđđđ đđđđđđđ. đ đđđđ đđđđ đ đđđđđ đđđđđ đđđ
annieventuriâ:
A sensação corpĂłrea manifestada por si era de que o solo havia desaparecido sob seus pĂ©s e a prĂłpria estrutura fĂsica apenas oscilava em angĂșstia. A notĂcia de que @oxhannahâ, uma de suas amigas mais prĂłximas, havia procedido com uma tentativa de suicĂdio lhe atingira na forma de desespero lĂmpido. Embora dispusesse de discernimento acerca do histĂłrico depressivo disposto pela amiga, a percepção diante de possĂveis inclinaçÔes suicidas lhe era remota; sequer imaginava que tirar a prĂłpria vida voltara a tornar-se uma opção para Rivers. Annabelle diligenciava-se mediante tentativas de comedir os sentimentos exteriorizados por si ĂĄ frente da notĂcia recĂ©m obtida, contudo, o sentimento de culpa â o qual jĂĄ havia se tornado extremamente corriqueiro na essĂȘncia de seu prĂłprio ser â lhe invadira mais uma vez. Como nĂŁo havia notado? Como os sinais passaram-lhe despercebidos?
Os passos vertiginosos de Venturi ecoavam pelo amplo corredor do hospital, todavia, tampouco se importava com os olhares bisbilhoteiros a fitarem-na. Annabelle, por fim, alcançara o balcĂŁo da recepção; apoiou as palmas das mĂŁos sobre a superfĂcie gĂ©lida, inclinando-se para que a atendente pudesse notar sua presença. âHannah Rivers estĂĄ internada aqui?â Perguntou mediante um tom esbaforido. A pergunta dispunha de um teor retĂłrico, uma vez que continha praticamente certeza de que a amiga estava sendo mantida ali. âPreciso vĂȘ-la.â Desta vez procurou conter a entonação de suas palavras, embora a sentença soasse como uma sĂșplica atormentada. A jovem atendente, que deveria conter pouco mais de vinte anos de idade, suspirou antes que pudesse elaborar uma rĂ©plica Ă Annabelle. âOk. Vou precisar do seu nome completo e algum documento que comprove sua ligação familiar com a paciente.â Hannah, de fato, era sua famĂlia. Contudo, nĂŁo havia quaisquer laços sanguĂneos interligando-as, visto que o vĂnculo compartilhado por ambas se expunha de modo mais Ăntegro do que a mera coincidĂȘncia de portar o mesmo sobrenome. NĂŁo se tratava de um laço ocasional. âEu nĂŁo faço parte da famĂlia.â Umedeceu os lĂĄbios. âMas fui enviada pelo pai dela para certificar que ela nĂŁo esteja sozinha quando retornar Ă consciĂȘncia.â Mentiu desvairadamente. Annabelle sequer possuĂa o contato do pai de Hannah em seu telefone celular. âEle Ă© um homem muito ocupado, tenho certeza que vocĂȘ nĂŁo vai querer aborrecĂȘ-lo.â Venturi fizera uso de sua mĂŁo esquerda para alcançar a carteira no interior de sua bolsa, retirando o documento de identificação dali e posicionando-o sobre o balcĂŁo.
A atendente fizera menção com a cabeça para que uma das enfermeiras guiasse Annabelle atĂ© o quarto que abrigava Hannah. Embora a morena fosse descrente de quaisquer divindades, agradecera mentalmente ao universo pelo fato de a prĂłpria mentira ter funcionado. ApĂłs poucos passos, a enfermeira de aparĂȘncia madura abriu uma porta alta e albugĂnea, permitindo que Annabelle adentrasse o cĂŽmodo iluminado. O coração de Belle parecia martelar em seu tĂłrax Ă medida que se aproximava da amiga, nĂŁo sendo capaz de conter as lĂĄgrimas a molharem sua face nĂvea. Preenchera os pulmĂ”es com ar oxigĂȘnio, a fim de obter algum tipo de controle sobre suas reaçÔes. Annie projetou o corpo para perto da cama na qual Hannah mantinha-se deitada, elevando ambas as mĂŁos em direção a mĂŁo de Rivers para tocĂĄ-la em sinal de reconforto; apenas aguardando para a instĂąncia em que ela fosse, finalmente, despertar. âPlease donât leave me, Hannah.â
Desde o fatĂdico acontecimento que levara Ă saĂda dos Rivers de Londres, a loirinha nunca mais fora a mesma. A forma como seu progenitor acabara por obriga-la a se mudar fora horrĂvel, e acabara por destruir completamente a menina. Seu coração haveria se despedaçado por completo, especialmente porque o homem deveria protegĂȘ-la do mundo e nĂŁo colocar a garota naquele estado horrĂvel. As negras cobriram durante algum tempo todo o corpo da britĂąnica a fazendo relembrar constantemente daquele maldito dia. Ela começara odiando e repudiando alguĂ©m que deveria amar. Seria errado? Talvez nĂŁo o fosse de todo, afinal fora o Rivers que haveria cometido o primeiro erro ao se servir da violĂȘncia fĂsica para assim obrigar sua filha a se mudar para uma cidade longĂnqua da qual ela sempre haveria estado habituada. Ăbvio que todo aquele ambiente acabara por causar danos gigantescos na mente da loirinha, afinal desde bastante nova que ela sempre fora frĂĄgil no que tocava a certos assuntos. Hannah nunca fora uma menina confiante de si mesma, por isso, desde que ela se sentira machucada pelo Ășnico homem que deveria protegĂȘ-la e cuidar de si, a garota se sentira um verdadeiro lixo. Na mente da Rivers ela era um completo lixo que nĂŁo merecia viver, e sem dĂșvida que fora isso que acabara por motivar a sua primeira tentativa de suicĂdio. A britĂąnica nĂŁo se sentia digna de respirar o ar que acabava por respirar a todo o segundo. Era quase agoniante para ela sentir que praticamente ninguĂ©m no mundo se preocupava consigo, por isso seria bem melhor se ela acabasse por sumir.
Os anos realmente foram passando, e mesmo apĂłs completar os seus dezoito anos a britĂąnica ainda continuava tendo seus pequenos surtos, afinal uma depressĂŁo como a que ela tivera jamais teria alguma cura. Ou talvez, no seu ponto de vista, seria difĂcil demais se curar de algo que a machucava demais mesmo passado tanto tempo. PorĂ©m, nĂŁo era sĂł o passado que atormentava a Rivers, pois seu progenitor fazia questĂŁo de relembrar a menina que ele ainda existia e que ainda possuĂa o mesmo sangue que ela. Sem dĂșvida que pensar que nutria o mesmo sangue que o homem que a haveria machucado tanto fazia com que a menina sentisse um completo nojo de si mesma. Era quase como se ela repudiasse sua existĂȘncia, e talvez em parte, ela realmente repudiasse sua existĂȘncia, afinal os pensamentos constantes de suicĂdio acabavam por justificar tal fato. Hannah nĂŁo tinha nada a perder, afinal praticamente ninguĂ©m se preocupava consigo. Seus pais nĂŁo iriam sentir sua falta, e seus amigos sem dĂșvida alguma que conseguiriam seguir um caminho sem ela na vida de ambos. Seria bem mais fĂĄcil para todos se a estudante de medicina acabasse por sumir do mundo. Ou talvez era isso que a loirinha pensava quando tentou uma vez mais terminar com a prĂłpria vida. Ao menos se deixasse de existir, aquela maldita dor que povoava seu coração deixava de existir, ou pelo menos assim ela esperava, afinal a britĂąnica nĂŁo acreditava em vida depois da morte. Seria mais fĂĄcil sumir e assim nĂŁo sentir nada mais. Talvez com isso, ela finalmente conseguisse encontrar a paz que tanto desejava.
Uma vez mais Hannah estava errada, e haveria cometido um erro. Ela haveria falhado novamente. Ela ainda respirava, talvez para seu desespero. Contudo, ao sentir alguĂ©m tocar em sua mĂŁo fora como se um novo sentimento invadisse cada mĂsera cĂ©lula de seu corpo, fazendo com que sua pele se eriçasse ligeiramente. A Rivers abriu lentamente as pĂĄlpebras de seus olhos, voltando suas Ăris claras para o belo e delicado rosto da garota que estava ao seu lado. Fora praticamente impossĂvel que a loirinha nĂŁo sorrisse fraco perante a presença alheia ali diante de si. O azul esverdeado de suas Ăris se tornara ligeiramente brilhante, e pela primeira vez a britĂąnica haveria se arrependido pelo que fizera. A forma como a Venturi se encontrava acabou por despedaçar completamente o coração da mais nova. PorĂ©m, o que mais a despedaçava era saber que aquilo haveria sido sua culpa. A menina apertou delicadamente a mĂŁo alheia, sentindo um maldito nĂł em sua garganta. LĂĄgrimas começaram se formando no canto de seus olhos, e sem conseguir controlar as mesmas, Hannah apenas sentiu elas molharem seu rosto pĂĄlido. --- " Please, my Bellie, forgive me. " --- ela pediu num pequeno e baixo sussurro sentindo os soluços começarem ecoando por aquelas malditas paredes brancas. A futura mĂ©dica fitou as lindas Ăris escuras da mais velha, e se deixou perder por breves momentos naquele doce olhar. --- " Eu nĂŁo queria...te machucar. Eu...sĂł...pensei que fosse mais fĂĄcil pra todos, sabe? "
elevncrâ:
Guardar todas as coisas para si parecia estar sendo ainda pior do que contĂĄ-las para alguĂ©m sobre o que sentia, ou porque se sentia daquela forma, entretanto ainda era difĂcil se abrir daquela maneira, mesmo que tentasse e quisesse contar algumas vezes, era simplesmente ou quase impossĂvel. Ellie nunca fora uma pessoa que conta histĂłrias de sua vida para os outros e explicar porque havia tentado tirar a sua vida de si era ainda pior porque isso lhe faria voltar para o passado e aquela era a Ășnica coisa que ela nĂŁo queria no momento. PorĂ©m ter tentado um suicĂdio lhe dera uma coisa boa, as pessoas que realmente se importavam com ela. Ellie sempre pensou que estava sozinha no mundo e aquele pensamento era motivo de tantas tristezas e solidĂ”es, afinal nem mesmo pais ela sabia quem haviam sido, nunca tivera sequer a chance de perguntar para eles porque a deixaram no lixo para morrer de fome ou de frio, o que viesse primeiro, nem porque eles nĂŁo a quiseram justo quando ela jĂĄ havia nascido, era bem mais fĂĄcil ter acabado com a gravidez na metade, nĂŁo era? De qualquer forma, estar no hospital lhe fez perceber que ainda tinham amigos e pequenas pessoas que se importavam com sua saĂșde fĂsica e mental, mas aquilo ainda era muito novo para si, precisava ainda descobrir como aquilo funcionava. âEstĂĄ tudo bem, Hannie. NĂŁo foi culpa sua, mas agradeço por isso. Sempre que precisar pode me ligar tambĂ©m, ok?â
Realmente eram poucas as pessoas com que Hannah se importava, porĂ©m fora praticamente impossĂvel a loirinha nĂŁo se deixar sentir pela notĂcia da tentativa de suicĂdio de Ellie, afinal ela deveria perceber os sinais. Como tudo aquilo haveria lhe passado despercebido? A Rivers realmente nĂŁo sabia, e sem dĂșvida que aquilo lhe deixava um enorme sentimento de culpa. Ela deveria ter notado nos sinais. Ela deveria ter percebido, afinal tambĂ©m ela haveria tentado dar por fim Ă prĂłpria vida. Talvez fora esse o principal motivo que levara a garota a se deslocar tĂŁo depressa ao hospital. A britĂąnica necessitava ter certeza que a mais velha estava fora de perigo, e quem sabe, poder oferecer seu ombro para ela chorar quantas vezes quisesse. Um longo suspiro de alĂvio se soltou por entre os finos lĂĄbios assim que ela vira com seus prĂłprios olhos que a outra se encontrava bem, tendo em conta toda aquela situação. PorĂ©m, era visĂvel no rosto da mais baixa o quanto ela estava preocupada com o estado da amiga. Sim, a menina jĂĄ poderia considerar a outra como sua amiga. Pelo menos era isso que seu coração lhe dizia. Um sorriso entristecido se delineou nos delicados lĂĄbios rosados da britĂąnica assim que ela escutou as palavras da outra. Hannah levou uma de suas mĂŁos atĂ© aos fios de cabelo louros da mais velha afastando os mesmos de seus belos olhos. --- " Eu sĂł...quero que vocĂȘ saiba que pode sempre contar comigo, ok? " --- replicou apenas aproximando seus lĂĄbios da testa alheia depositando ali um beijo suave e completamente delicado. A Rivers se afastou voltando novamente seu olhar para o rosto alheio sorrindo ligeiramente de canto. --- " Agora...vocĂȘ precisa ficar boa porque eu preciso da minha treinador, viu? "
đŽđđ đĄđ©đđđđ đ©đ đđŁđđ đđđŁđđ đđđ đđđđĄ đđđ©đđđ  ⧠Flashback
itsk4iâ:
           Kai acordou mais um dia naquele quarto branco e sem vida. Flores novas jaziam na bancada ao pĂ© da cama, e era a Ășnica coisa viva no quarto, alĂ©m dele. Com televisĂŁo desligada, o Ășnico barulho que ele conseguia ouvir era o bip bip da mĂĄquina que estava ligada a si, medindo seus sinais vitais. Sua perna esquerda ainda estava engessada, e mesmo com a medicação, ele conseguia sentir a dor de suas duas costelas quebradas. O corte no lĂĄbio e na testa eram seus menores problemas. Como se nĂŁo fosse suficiente a dor fĂsica, ainda tinha a dor intensa que ele sentia em um lugar que nĂŁo podia receber medicação: seu coração. A culpa o devastava, e ainda nĂŁo conseguia falar sobre o acidente sem chorar. Ele matara o seu prĂłprio irmĂŁo, e sua namorada. Fora o Ășnico sobrevivente de um acidente terrivel de carro, onde ele mesmo dirigia, bĂȘbado. Um conjunto de pĂ©ssimas ideias que resultou no pior dia de sua vida.Â
           Ele podia sentir o calmante fazendo efeito, apesar de tudo. Seu corpo estava sempre pesado, e ele sabia que os médicos lhe davam esses remédios para que ele não sentisse a culpa com tanta intensidade. Quanto mais dormisse, melhor. Apesar de tudo, ele ouviu a porta sendo aberta, e franziu o cenho ao olhar quem entrava. -Hannah? Seus olhos marejaram no mesmo segundo, ao fitar a garota que era uma das melhores amigas de seu irmão. -Me desculpe. Me desculpe por isso, eu não⊠Ele fungou, tentando parar com as lågrimas.
@oxhannah
Apesar de sempre ter tido aquele lado social, eram realmente raras as pessoas que conseguiam conquistar o coração da Rivers. Talvez pelo fato da menina nunca ter tido um carinho proveniente de seus pais, ela haveria se tornado uma pessoa ligeiramente desconfiada no que tocava Ă confiança com os demais. Sim, sem dĂșvida que Hannah era uma garota desconfiada. E sem qualquer dĂșvida que ela nĂŁo deixava entrar qualquer um em sua vida. A loirinha sempre fora demasiado seletiva em relação Ă s pessoas que a rodeavam, e esse seu lado apenas tendia a se fortalecer com o passar dos anos. Contudo, quando conheceu Malachai e seu irmĂŁo fora praticamente inevitĂĄvel que a britĂąnica nĂŁo sentisse uma ligação com os mesmos. Na verdade, ela apenas haveria se tornado na melhor amiga do irmĂŁo do mais velho. Talvez o fato de ambos possuĂrem uma personalidade ligeiramente parecida em certos aspectos fazia com que ambos acabassem por se dar perfeitamente.
A notĂcia do acidente de viação acabara por ser um verdadeiro choque para a Rives, especialmente porque a garota nĂŁo contava perder uma das pessoas mais importantes da sua vida assim tĂŁo cedo. A dor haveria se apoderado de seu coração, contudo, ela sabia que Malachai estava precisando de si. Ela conhecia o mais velho, e sabia que o mesmo estaria se culpando por tudo aquilo. E talvez em parte ele tivesse sim culpa, porĂ©m a vida era mesmo assim. Nunca se poderia adivinhar quando alguĂ©m prĂłximo de nĂłs poderia sumir sem avisar. Com o intuito de dar um ombro amigo ao moreno, Hannah fora atĂ© ao hospital. Ela necessitava de pelo menos estar do lado do menino, afinal seria isso que seu melhor amigo iria querer. Ao adentrar no quarto de hospital, as Ăris claras da britĂąnica fitaram o rosto machucado do amigo e logo aquilo fizera com que seu coração se apertasse. A menina piscou ligeiramente e se aproximou do mesmo assim que ele começou falando. --- " Ei...shiu, vocĂȘ nĂŁo teve culpa, ok? " --- ela segurou na mĂŁo alheia e apertou a mesma delicadamente por entre as suas --- " EstĂĄ tudo bem, sim? "
bevwrlyâ:
O peito de Bevy aliviou-se consideravelmente ao notar que era alguĂ©m conhecido, afinal, nĂŁo conhecia direito aquela parte da cidade, e era muito tarde para qualquer contato com um estranho ser seguro. Ao perceber que era Hannah, porĂ©m, um sorriso tenro abriu-se no rosto da Cohen, sendo a maior das expressĂ”es que ela conseguia esboçar naquele momento, jĂĄ que seu estado de espĂrito nĂŁo estava animado como era seu habitual. âHey, Hannah! Novamente a gente se encontrando desse jeito, hein?â disse em um tom bem humorado, jĂĄ que as Ășltimas duas vezes que conversaram, tambĂ©m haviam sido porque se encontraram ao completo acaso. Enfiou ambas as mĂŁos nos bolsos da jaqueta que vestia, jĂĄ que, com a aproximação da chuva, o vento que cortava a noite começava a ficar mais gelado. âClaro! Seria perfeito. VocĂȘ consegue pedir para nĂłs? Eu esqueci de carregar o meu celular pela primeira vez desde que eu nasci, eu acho. Estou sem bateria.â
A Rivers realmente ficara agradecida por ter encontrado alguĂ©m conhecido por ali, afinal jĂĄ começava ficando tarde e a menina sabia que era demasiado perigoso ir atĂ© sua casa sozinha. Talvez tivesse sido errado a loirinha ter ido sozinha aquele evento, contudo na altura ela nĂŁo haveria pensado e no momento, ela sĂł tinha que agradecer Ă morena por ter aparecido. O sorriso que tingia os lĂĄbios da britĂąnica era completamente sincero, demonstrando claramente o quanto ela haveria ficado feliz por ter reencontrado a Cohen ali. Ao escutar as palavras da mais velha fora praticamente inevitĂĄvel que uma risada baixa nĂŁo se soltasse por entre os finos lĂĄbios da loirinha, afinal chegava sendo engraçado o jeito como ambas pareciam se encontrar. Quase começava parecendo um hĂĄbito do destino. A mais nova assentiu positivamente com a sua cabeça enquanto deixava que seu sorriso se ampliasse ligeiramente. --- " Acho que começa sendo um hĂĄbito nosso, hein? " --- acabou por comentar de um jeito divertido, o que fora visĂvel no tom de voz usado por si. Realmente parecia uma Ăłtima ideia compartilhar o mesmo Uber que a outra, afinal para alĂ©m de poupar dinheiro no mesmo, a menina poderia ter companhia atĂ© casa, evitando assim ir sozinha. --- " Claro que consigo, meu anjo. " --- ela assentiu enquanto pegava no seu celular. Abriu a aplicação voltando suas Ăris claras para o rosto alheio. --- " VocĂȘ mora mesmo onde? " --- questionou por mera curiosidade enquanto fazia o registo do pedido de Uber. --- " Prontinho. "
sgt-bartzâ:
A Bartz deu de ombros exageradamente, rindo em seguida da amiga em uma discussĂŁo fula na qual as duas brincavam com o fato da Rivers ser ou nĂŁo malvada; Allie sabia que tudo nĂŁo passava de um vai e vem no qual as duas sĂł acabavam em risos com a situação. Com as bochechas coradas, nenhuma delas poderia negar que estavam com o riso para lĂĄ de frouxo, nem tinham como negar a situação. Era bom divertir-se ao lado de Hannah. ââ Tudo bem, sua malvadinha. Mas acho que vou rir dessa histĂłria atĂ© a hora que for dormir.â A mais velha falou, respirando fundo para cessar a risada, recuperando-se antes de continuar: ââ Claro que positivamente Hannie. VocĂȘ tem histĂłrias que eu nunca imaginaria vindas de vocĂȘ. Essa sua carinha angelical engana bastante atĂ©.â Petiscou um pedaço de queijo, saboreando como se nĂŁo comesse algo como aquilo hĂĄ anos e nĂŁo apenas hĂĄ minutos. ââ Provavelmente entĂŁo eu complico minha a minha mais do que deveria.â Deu de ombros mais uma vez, fazendo uma careta desconfortĂĄvel. Terminou de organizar a travessa com os queijos, oferecendo para a loira enquanto voltavam para a sala. Allie depositou o que trazia em mĂŁos na mesa de centro e pegou a taça de vinho ao se acomodar novamente bastante confortĂĄvel no sofĂĄ. ââ Se vocĂȘ nĂŁo tivesse tĂŁo ocupada com os estudos e eu como trabalho, talvez nĂłs pudĂ©ssemos fazer mais isso.â Maneou a cabeça um tanto tristonha antes de beber mais um gole do lĂquido escuro. â-â Mas nĂŁo deixo de concordar. Preciso sair mais com vocĂȘ, tem alguma festa em vista?â
Fora praticamente inevitĂĄvel a Rivers nĂŁo soltar uma risada, afinal o riso que a outra dera acabava por confirmar que ambas apenas estavam brincando uma com a outra. Sem dĂșvida que a loirinha amava demais a amizade que possuĂa com a mais velha, especialmente porque a mesma sempre acabava por fazer com que a britĂąnica ficasse melhor e por fim acabasse por rir. Era realmente bom para Hannah sentir que tinha alguĂ©m ao seu lado que sempre lhe mostrava que iria estar sempre ali para si. E sem dĂșvida alguma que a Bartz era uma dessas pessoas, e prova disso era o jeito como ela sempre estava presente nos piores momentos da menina. A loirinha acabou por rolar levemente seus olhos claros diante das palavras da outra, contudo acabou por soltar uma nova risada balançando sua cabeça para ambos os lados. --- " Tudo bem, pode rir, mas oh...vocĂȘ nĂŁo pode me julgar, 'tĂĄ? E...se isso Ă© ser mavaldinha, nossa senhora, nem quero pensar se fizesse muitas das coisas que penso. " --- replicou acabando por rir uma vez mais. A risada acabara por dar lugar a um sorriso completamente verdade, e logo a Rivers abraçou brevemente a morena. Era bom escutar tais palavras. --- " Bom saber isso, viu? E bem...sempre ouvi dizer que quem vĂȘ caras nĂŁo vĂȘ coraçÔes, nĂŁo Ă© mesmo? " --- deu uma leve piscadela em direção da amiga enquanto o sorriso continuava presente em seus finos lĂĄbios, porĂ©m dessa vez o mesmo se tornara ligeiramente matreiro. Na verdade, Hannah possuĂa uma personalidade demasiado peculiar. Muitas vezes comparada a um anjo, contudo outras comparada a um verdadeiro diabo. Talvez, em parte, a britĂąnica atĂ© gostasse de possuir ambos os lados, afinal assim seria muito mais fĂĄcil evitar que a machucassem, ou pelo menos era o que ela realmente esperava. A estudante de medicina passou um de seus braços em volta dos ombros da amiga sorrindo brevemente para a mesma. --- " Talvez, porĂ©m eu acredito que logo vocĂȘ dĂĄ um jeito de descomplicar. " --- piscou uma vez mais para a outra. Era engraçado o jeito como a menina aparentava positivismo para com os demais quando para consigo ela tendia sempre a ser negativa. Talvez, Hannah precisasse começar escutando seus prĂłprios conselhos. A garota pegou na travessa dos queijos indo assim atrĂĄs da mais velha. Ao chegar na sala, ela colocou a travessa sobre a mesa de centro e voltou a se sentar no sofĂĄ confortavelmente enquanto pegava na sua taça de vinha. A RIvers soltou uma risada enquanto balançava animadamente sua cabeça, voltando suas Ăris azuis esverdeadas para o rosto da amiga. --- " AtĂ© parece que eu alguma vez neguei algo pra vocĂȘ, hein? VocĂȘ sabe perfeitamente que na minha agenda sempre tem tempinho para vocĂȘ, nĂŁo Ă© mesmo? " --- o sorriso presente em seus lĂĄbios era verdadeiro, demonstrando claramente que estava falando com a maior sinceridade. Na verdade, Hannah sempre arranjava tempo para aqueles que ocupavam um lugar especial em seu coração. --- " Hum...acho que podemos arranjar uma festa, sim. "
scmvnthaâ:
Ter passado um tempo na Europa foi uma das melhores coisas que Samantha decidira fazer, porque alĂ©m de ter conhecido pessoas realmente incrĂveis, a menina tambĂ©m enriquecera a sua vida de viagens incrĂveis que durariam para sempre em suas lembranças, alĂ©m de ter tido a liberdade que, antes na casa dos pais, nĂŁo tinha. Assim que voltou para Chicago e, embora amasse todas as pessoas que faziam seus dias melhores, haviam algumas outras que ela sentia falta, mas que ainda estava na Inglaterra, pessoas que ela queria que estivessem por ali para ela mostrar a cidade como haviam feito com ela. Era um dia claro e com pouco sinal de que alguma coisa estragaria aquele clima. Levou um susto ao ser abordada na rua por alguĂ©m com o sotaque britĂąnico que ela sempre amou e olhou para a pessoa, nĂŁo poderia esquecer aquele par de olhos e acabou sorrindo. âHannah? O que faz por aqui NĂŁo me diga que se mudou pra cĂĄ!â
Hannah nĂŁo poderia negar que sentia imensa falta de seu paĂs, de sua cidade Natal, afinal a menina fora verdadeiramente feliz naquela cidade. Era Ăłbvio que as lembranças daquele passado faziam com que seu coração doesse a cada dia que passava, especialmente porque a loirinha fora praticamente obrigada a deixar aquela cidade que tanto amava. Por vontade da Rivers, ela haveria continuado na cidade que a vira nascer, afinal ela tinha ali tudo aquilo que mais amava na sua vida. Seus amigos, sua vida. PorĂ©m, tudo acabara por sumir por conta dos malditos caprichos de seu progenitor. Era doloroso demais para a britĂąnica saber que toda a sua vida haveria dado uma imensa volta por conta de algo que ela nĂŁo tivera culpa alguma. Mas a vida era mesmo assim, madrasta. Quando suas Ăris claras observaram aquela figura tĂŁo sua conhecida fora praticamente impossĂvel a garota nĂŁo sentir toda a saudade guardada por anos vir Ă tona, quase como se tivesse sido no dia anterior que ela haveria se mudado para Chicago. Ao constatar que de fato era a amiga que fizera em Londres, a loirinha se aproximou da mesma lhe dando um abraço completamente apertado. Era bom sentir que algo de sua vida passada estava ali, mesmo que no fundo isso acabasse por lhe doer. A mais nova sorriu ligeiramente de canto se afastando um pouco do abraço para poder olhar para a outra. --- " Ă bem isso, Sammy! Eu me mudei faz algum tempo. " --- assentiu positivamente com a sua cabeça ainda com o sorriso breve presente em seus finos lĂĄbios. --- " Eu sĂł nĂŁo sabia que vocĂȘ era daqui, ou....devo ter esquecido. "
mxttwxstâ:
Deu nos ombros com a pergunta final dela, era de praxe visitar aquele local e por ser uma pessoa muito observadora costumava reparar quando as garçonetes e funcionĂĄrios trocavam de turnos. âEu costumo vir aqui, observar Ă© apenas uma consequĂȘncia disso.â respondeu. Ele realmente nĂŁo esperava que ela fosse aceitar se juntar a ele entĂŁo apenas lhe entregou o cardĂĄpio de volta e cruzou os braços sobre a mesa ainda a olhando parada ao seu lado. âAh, pode colocar creme sobre o meu cafĂ© tambĂ©m, sem açĂșcar.â a olhou de cima abaixo. Provavelmente seu comportamento nĂŁo era dos mais educados mas sinceramente, Matthew quase nĂŁo se importava com o que os outros pensavam dele, apenas quando essas pessoas eram conhecidos e realmente amigos dele, nĂŁo era o caso de Hannah. A ver quase toda semana na clĂnica os faziam conhecidos mas nada mais que isso. Tirou o celular do bolso escrevendo e respondendo algumas mensagens de clientes e seus sĂłcios, seu trabalho nunca parava, ainda mais quando se tratava do seu passatempo âsecretoâ de hacker.
Apesar de Hannah estar trabalhando na cafetaria a alguns anos, ela nunca haveria visto de fato o outro por ali, porĂ©m a menina sabia a fama que aquele estabelecimento tinha, afinal eles possuĂam um dos melhores cafĂ©s da cidade, bem como seu atendimento era dos melhores. Fora inevitĂĄvel que a Rivers nĂŁo se mostrasse surpresa perante a resposta alheia, afinal ela nunca haveria pensado que alguĂ©m que ela conhecia de vista, ainda para mais de um local que ela nĂŁo queria relembrar, frequentava o local onde ela trabalhava. Contudo, apesar da surpresa o sorriso acabara por surgir nos finos lĂĄbios da britĂąnica. Ela realmente admirava todos aqueles que observavam o mundo Ă sua volta. --- " Hum...certo. PorĂ©m, eu acho que nunca vi vocĂȘ por aqui. " --- acabou por concluir brevemente ainda com o sorriso presente no canto de seus lĂĄbios. A loirinha pegou o cardĂĄpio de volta e voltou seus olhos claros para o rosto alheio sorrindo brevemente. --- " Com toda a certeza. Vai desejar mais alguma coisa para alĂ©m do cafĂ©? " --- questionou de forma profissional, porĂ©m o sorriso presente em seus lĂĄbios demonstrava claramente que ela haveria aceite o convite alheio para se sentar ali com ele. Talvez atĂ© fosse bom para a mais nova lidar com pessoas que frequentavam locais que ela queria esconder dos demais.
lupe-lmendiolaâ:
Revirou os olhos com um sorriso gentil nos lĂĄbios, ao mesmo tempo que se incomodava com aquilo conhecia Hannah o suficiente para saber que a deixaria bem se aceitasse. NĂŁo pelo motivo que normalmente pareciam oferecer coisas - como pena - mas sim pela simples vontade de fazer um gesto daquele para uma amiga. E Lupe realmente amava a amiga por aquilo, pelo coração verdadeiramente bom da loira ainda que um pouco perdido. Mas afinal, quem nĂŁo estava? Mais uma vez encarou o tecido cinza-azulado que parecia ter feito literalmente sob medida para a mexicana, justo em todo o corpo e enaltecendo as curvas e a pequena cintura. Soltou o ar, pensando no valor da peça. Podia nĂŁo ser exatamente um total absurdo, mas era caro e ela nĂŁo gostava da ideia de Hannah, que tambĂ©m nĂŁo era muito mais endinheirada que a prĂłpria Mendiola, gastar suas horas trabalhadas em algo como aquele. Seus pensamentos foram interrompidos com a menção da festa, para a qual franziu o cenho inicialmente sem lembrar de promessa alguma. EntĂŁo, recordou-se e aos poucos a expressĂŁo de seu rosto se neutralizou pra dar lugar a uma careta â Por Dios, tinha esquecido. â Riu, e a vendedora saiu dali em busca de sapatos que combinassem â Por que nĂŁo fazemos assim: esquecemos esse pedaço de pano, vou pra sua casa e vocĂȘ me arruma da maneira que achar melhor pra festa hoje? Pode me emprestar algum dos seus vestidos. â Sugeriu, decidindo usar as armas que tinha. Hannah vivia insistindo que a mais velha permitisse ser maquiada por ela, e a ideia nĂŁo muito agradava Guadalupe, mas era menos desconfortĂĄvel do que ser o motivo do rombo financeiro nos planos da Rivers.
Se existia algo que deixava a Rivers feliz era poder mimar aqueles que ela considerava demais em sua vida, e sem Ășvida que a Mendiola era uma dessas pessoas. A latina era de longe uma das melhores amigas da loirinha, e por isso, Hannah jamais se importaria de comprar certos presentes para a mais velha. Era quase como uma forma de a britĂąnica retribuir toda a amizade que a outra tinha para consigo. A mais velha sempre haveria estado presente em praticamente todos os maus momentos da vida da estudante de medicina, mesmo que no fundo a morena nĂŁo estivesse ciente de tal fato, e por isso a menina se sentia eternamente grata a ela por tudo. As Ăris claras da Rivers focavam com a mĂĄxima atenção o pequeno pedaço de tecido sobre o corpo delineado e curvilĂneo da latina, e sem dĂșvida que no seu ponto de vista aquele vestido haveria sido completamente feito para pertencer Ă outra. A empolgação era visĂvel na forma como a loirinha sorria, especialmente porque o brilho se haveria apoderado de seus olhos. Ao escutar a mais velha falar que haveria se esquecido da promessa, Hannah apenas rolara seus olhos acabando por soltar uma breve risada. Contudo, logo seu olhar se tornara sĂ©rio apĂłs as palavras seguintes da Mendiola. A britĂąnica semicerrou seus olhos enquanto colocava um de seus braços em torno dos ombros da mais baixa. --- " NĂŁo. VocĂȘ precisa de algo seu, e eu nĂŁo vou aceitar que vocĂȘ negue um presente meu, 'tĂĄ? " --- um suave biquinho se formou nos lĂĄbios da garota enquanto ela voltava seu olhar para a melhor amiga. --- " Por favor? " --- ela pedinchou praticamente enquanto piscava seus olhos de um jeito piedĂŁo demais --- â Pode considerar como um presente de companheirismo, que tal? â
joxnnespanâ:
Ela assentiu, de fato nĂŁo tinha sido uma culpa tĂŁo grande de nenhuma das partes, ambas eram apenas um pouco desastradas, o que acarretou em um pequeno acidente. âMas nĂŁo foi proposital entĂŁo pode relaxar. EstĂĄ tudo bem.â Ela sorriu apoiando a mĂŁo sobre a pequena barriga, para a mamĂŁe era difĂcil nĂŁo colocar o bebĂȘ a frente de tudo que fazia. âEstĂĄ sim, sĂł fiquei preocupado com esse serzinho aqui, mas agora estĂĄ tudo bem. VocĂȘ quer comer alguma coisa? Acho que comida Ă© sempre uma bom pedido de desculpas.â
Era praticamente inevitĂĄvel Hannah nĂŁo se deixar levar pela preocupação que possuĂa sobre praticamente todos aqueles que a rodeavam, afinal aquilo fazia parte de si e de quem ela era realmente. Era por aquilo que ela estava estudando, mesmo que no fundo a menina nĂŁo precisasse se preocupar tanto com os demais como acabava por fazer. As palavras alheias fizeram com que o sorriso presente em seus finos lĂĄbios se tornasse ligeiramente mais largo, e logo a loirinha apenas assentiu positivamente com a sua cabeça. --- " Se vocĂȘ diz, tudo bem. " --- acabou por concluir, achando melhor nĂŁo teimar com a mais velha. Os olhos da Rivers se voltaram para a pequena barriga da morena e ela sorriu ainda mais. --- " Aw, mas isso Ă© perfeitamente normal. Hum...olha, realmente comida me parece uma excelente ideia, sim. "
lina-g-blancoâ:
Depois da primeira paixĂŁo, e da maneira que fora brutalmente magoada e traĂda, Catalina havia por muito tempo se fechado para qualquer relação que fosse minimamente alĂ©m de algo carnal. Havia, inclusive, afogado grande parte da mĂĄgoa em relação ao primeiro namorado e a necessidade de deixar a filha para a adoção em prazeres como ĂĄlcool, festa e sexo. Por isso, quando se relacionou - ou algo prĂłximo disso - de Hannah Rivers era em sua cabeça algo pontualmente focado nas necessidades biolĂłgicas de ambas. Claro, Lina gostava da companhia da loira e ela certamente seria uma boa amiga caso a hispĂąnica tivesse interesse em desenvolver tal vertente daquela relação, mas infelizmente para a mais nova a jovem Gil Blanco apenas procurava por distraçÔes que a pudessem manter longe de todas as frustraçÔes e dificuldades atĂ© entĂŁo. E foi pelo conflito de interesses, por falta de melhores palavras, que eventualmente uma grande discussĂŁo levou ao tĂ©rmino do que elas tinham. Afinal, o que começava errado sempre terminava errado. Ali, deparando-se com o rosto que via com uma frequĂȘncia relativa por conta da faculdade, pigarreou e tentou disfarçar a fim de fugir dali. JĂĄ tinha muito acontecendo em sua vida nos Ășltimos tempos, nĂŁo precisaria de algo para somar a seus problemas. Entretanto, a Rivers foi mais rĂĄpida e se aproximou a fim de conversar, para o qual Catalina, independente de toda sua frieza, nĂŁo encontrou coragem para negar. â Oi, Hannah. â Sorriu o mais gentil possĂvel, e entĂŁo assentiu embora nĂŁo tivesse exatamente no clima â Claro, podemos.
A Rivers tinha plena noção que jamais poderia se deixar levar pelo que seu coração queria, porĂ©m o velho ditado que ela sempre haveria escutado em sua vida estava certo. O amor e a paixĂŁo eram realmente cegos, e a loirinha haveria comprovado isso da pior forma possĂvel. Ela haveria entregue completamente seu coração para a Gil Blanco, contudo a outra nunca haveria gostado de si daquele jeito. Seria assim tĂŁo errado se deixar levar pelas vontades de um ĂłrgĂŁo tĂŁo pequenino cujo principal função era bombear sangue para o restante corpo? De certa forma nĂŁo seria, porĂ©m a menina deveria saber que muitas vezes o amor poderia nĂŁo ser de todo correspondido. E sem qualquer dĂșvida que a britĂąnica haveria aprendido isso da pior forma. O jeito como seu coração haveria se despedaçado apĂłs o tĂ©rmino da relação que possuĂa com a latina fora a prova viva que ela jamais deveria confiar demais naquele maldito ĂłrgĂŁo tĂŁo sensĂvel. Talvez num futuro Hannah jĂĄ poderia se precaver, ou pelo menos ela realmente esperava isso. As Ăris claras da estudante de medicina observavam cada detalhe daquele rosto que outrora lhe fora tanto, e logo um breve sorriso surgiu em seus lĂĄbios. Ela necessitava colocar um ponto final naquilo tudo, e talvez quem sabe, começar uma amizade com a mais velha. Ou pelo menos era isso que a garota esperava. Ela baixou seu olhar por breves momentos enquanto soltava ligeiramente o ar que nutria em seus pulmĂ”es, logo voltando novamente a focar o rosto alheio. --- " Eu...sĂł queria saber se...vocĂȘ 'tĂĄ bem, sabe? E...bem... â --- a mais nova parou por alguns segundos e respirou fundo ganhando assim coragem pra falar o resto. --- â Acho que podemos começar de novo, sabe? Uma amizade... â