What's the best thing in life for you when you are sad?
My kids.

PR's Tumblrdome

JVL
YOU ARE THE REASON

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Peter Solarz

No title available
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
Claire Keane
Cosimo Galluzzi
RMH

@theartofmadeline
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I'd rather be in outer space 🛸
we're not kids anymore.
hello vonnie
Three Goblin Art

Origami Around
Sweet Seals For You, Always
One Nice Bug Per Day
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@parcimonioso
What's the best thing in life for you when you are sad?
My kids.
“daqui, em 1976, acenei para você“
belém do pará
Quanto tempo meu amigo, como tem andado? Espero que bem. Por aqui estamos indo, mas resolvi vir até você hoje, muita coisa mudou, mas continuo me arriscando no seu reinado. Sim, sim, você tem razão, agora não sou mais um novato, posso até dar dicas se vier a encontrar um perdido, mas até agora não vi ninguém, só vejo uma enorme linha reta para frente, e se viro a cabeça, uma igual linha reta para trás. Gosto da sensação de mudança que ocorre na rotina, tudo é tão igual, mas quanto mais eu olho, menos se parece com aquilo que conheci. Estou pensando em fazer uma comemoração, nada muito suntuoso, apenas algo para marcar a data, se bem que não tenho calendário, e meu relógio não funciona mais, acho que só continuo com ele no pulso, para me lembrar do peso do passado, sutil porém presente. Veja só, tem uma figura vindo em minha direção, ela caminha distraída, pensando bem, acredito que ela me viu, pois deu uma paradinha antes de prosseguir a caminhada. Estranho, ela me deu as costas e começou a correr, será que tem algo vindo? Aparentemente não, só um corredor vazio. Vou apertar o passo, para perguntar. Que rápida! Vou precisar correr o máximo que posso. A figura caiu, que bom, agora consigo falar com ela. Pobrezinha sua cara é de pavor, ela tá falando algo: MI - NO - TAU - RO. Verdade, tanto tempo que não escutava esse nome, agora tá explicado o motivo da sua corrida. No meu relógio quebrado marca meio-dia, hora do almoço.
“estamos indo sempre para casa” raduan nassar
para os amigos ausentes
O horror é um doce bonito em cima da mesa, atraente e no alcance de suas mãos. Aproveite, ninguém está olhando, coma ele, não importa as consequências, apenas o prazer de uma vitória nefasta. Eu sei que eu falei para você não comer, mas eu não estou aqui, você tá sozinho diante deste quitute do fim. Vá em frente, coma e depois enterre meu corpo.
Os olhos perenes da casa
A família que habitava seu interior ainda não sabia, mas a casa percebeu que seu fim chegara. Seus cômodos e corredores deveriam ser esvaziados com urgência. A tubulação começava a esvair e os cabos de eletricidade e telefone rompiam como as cordas de um piano. A pintura das paredes descascava e os vidros trincavam um a um. O assoalho rangia sem a necessidade de passos o pressionarem e as vigas de metal movimentavam em demasia. Os trincos se romperam e as portas batiam com mais força a cada movimento do vento, e esse mesmo vento arrancava as telhas e as jogava contra o jardim e o pequeno relógio de sol que o decorava, destruindo a ambos. Curiosamente, a família não percebia essa agitação toda, prosseguiam suas vidas tranquilamente, apenas realizando pequenos reparos nesse grande moribundo imóvel que os rodeava. A casa não compreendia o motivo de continuarem a viver dentro dela, ao invés de partirem enquanto podiam.
Ocorre que eles, a família, não viam o que ela, a casa, via; e ela não via o que eles viam, e ambos estavam corretos, tanto a respeito de permanecerem vivendo na casa, quanto dela desejar a partida deles, pois a casa de fato caiu, mas na cabeça do neto do filho mais novo daquela família. Felizmente, o pobre coitado, na data do trágico evento, já era um senhor com a invejável idade de 102 anos.
Port au Prince Haïti , reconstruction après le tremblement de terre
untitled by: sean fitzgerald:. http://flic.kr/p/RHM1Nf
From a 1928 Dadaist Film by Director Hans Richter.
https://www.youtube.com/c/ExperimentalCinema
carne fértil
Após anos de degradação e abuso dos bens providos pela natureza, o planeta morreu. Nada mais crescia em seu solo, apenas alguns animais conseguiram sobreviver às intempéries deste novo momento. Contudo, a hierarquia não mudou, os humanos permaneciam no topo da cadeia alimentar e como criaturas evoluídas que eram, arrumaram uma forma de prevalecer.
De certo, a manutenção dos nutrientes necessários para a sobrevivência podia ser toda criada dentro dos laboratórios, assim, na nova sociedade as pessoas continuavam comendo verduras, mas apenas uma iguaria de carne, pois os outros animais sobreviventes sofreram mutações e se tornaram venenosos para o consumo.
A carne que era consumida pelos humanos era a carne dos próprios humanos, e o local encontrado para cultivar os alimentos também pertencia à única criatura que conseguiu permanecer sem modificações na sua estrutura de DNA, o ser humano.
Claro que não eram qualquer homem, mulher e criança que serviam para o consumo e para o plantio, foram realizados complexas estruturas, de proporções colossais, para a transformação de humanos em lavoura, dessa forma a carne humana assume o lugar da terra. Aparentemente o sacrifício de milhões de pessoas em troca da continuação da espécie pareceu ser uma troca justa, pelo menos para aqueles que não viraram comida e lavoura.
A carne e os vegetais continuam sendo vendidos em mercados dentro de embalagens, é muito fácil esquecer que aquilo vem da morte de pessoas, que o alimento em questão já possuiu sonhos e pensamentos, mesmo vivendo atrofiado durante anos e a base de sedativos. Com o tempo, depois de tanta medicação e paralisia os humanos que viraram lavoura perdem a consciência, há apenas alguns sonhos e lampejos de lembranças da infância. Até os primeiros dez anos de vida o corpo luta contra a imposição que está sendo feito a ele, não aceita as sementes crescendo na sua corrente sanguínea. Os hectares infantis são sempre os mais afastados da plantação, pois os gritos são contínuos, uma verdadeira sinfonia do horror. Depois de tal período, aquelas pessoas passam a se tornar apenas uma imitação daquilo que já foram. As plantas passam a crescer com vontade em seus corpos e assim surge à carne fértil.
Cada centímetro do corpo é aproveitado para plantio, sendo tão abundante que não é possível ver os humanos se movendo por baixo da plantação, o movimento dos corpos faz parecer que as plantas estão dançando uma dança velada.
Por um descuido do fazendeiro que cuidava do setor em que estava cultivado, consegui escapar, tinha nove anos na época. No dia em questão fazia muito sol e o responsável esqueceu-se de regar os arredores onde estava paralisado, isso fez enfraquecer o efeito das sementes no meu corpo e dos desafortunados que estavam ao meu redor, como estava na ponta era mais fácil escapar das grossas raízes que me prendia aos corpos das outras crianças. Naquele dia apenas eu consegui escapar, me arrastando até o desfiladeiro que cercava a região. Passei as primeiras semanas de liberdade aprendendo a usar o corpo que por toda minha vida havia sido privado de mim, consumi carne e plantas dos meus companheiros de horta, precisava sobreviver e sem energia não conseguiria, fiz aquilo que iriam fazer comigo, caso continuasse lá.
Agora, adulto, vivo a margem da sociedade, roubando comida do lixo para sobreviver. Não posso me misturar, não tenho a mesma aparência dos outros, raízes saem por toda a minha pele, dos pés a cabeça, algumas ainda vivem e outras já morreram, não consigo arrancar elas, pois fazem parte do meu sistema biológico, dos meus órgãos e tecidos, sinto as plantas crescerem e ao arrancar elas, sinto dor.
Aparentemente, não há outra forma de parte da vida humana sobreviver sem o sacrifício do restante. Imagino que tenha chegado a hora da humanidade acabar, algo novo precisa surgir das cinzas do mundo, mas sou covarde e não consigo eliminar meu sofrimento com a morte, permaneço sobrevivendo comendo lixo dos humanos e os humanos, também covardes, permanecem comendo outros humanos.