’ —— Bem, você é inteligente, é prestativo, é ótimo em cumprir horários! Nunca estaria atrasado para nenhuma reunião! Poderia se desculpar por mim pois conhece todas as minhas desculpas esfarrapadas… a lista é enorme, Rhafik.’ apontou, o olhar divertido encontrando-o pelo espelho. E poderia continuar a listar seus pontos, mas parou em favor de ajeitar os cachos que bagunçaram um pouco ao ter deitado na cama. ’ —— Lhoris me mostrou os jardins suspensos um dia desses, é bem reservado e muito bonito.’ sugeriu, as sobrancelhas subindo de maneira provocativa para combinar com o sorriso travesso. Tinha tido uma pequena reunião com o príncipe para falarem sobre acordos entre os países, e isso nem estava na agenda! Mal podia esperar para se gabar com Rhafik quando conseguissem fechar algo. Queria fazer uma surpresa e mostrar que, às vezes, funcionava sem ser assim na base da pressão. Acompanhou-o com o olhar até que o mais velho estivesse mais perto de si, Hari aproveitando-se disso para pender um pouco para trás e encostar-se contra o peito do mais alto. Seu pescoço ainda precisava esticar um pouco para que conseguisse pressionar o nariz contra a mandíbula do mesmo, o indiano uns bons dez centímetros a menos que o guarda. ’ —— Obrigado por isso. Mas você me tira da cama cedo, me faz vestir essas roupas, zomba de mim, me obriga a enfrentar muita gente chata… e eu nem ganho um beijo? Você está ficando muito cruel comigo.’ reclamou, fingindo um certo descontentamento. Endireitando a postura, lhe ofereceu um sorriso. ’ —— Sim, vamos. Quanto mais cedo sairmos, mais rápido nos livramos.’
Foi inevitável rolar os olhos e rir. Levantando aqueles, e somente aqueles pontos, talvez fosse mesmo um bom rei. No entanto, precisava muito mais que aquilo - a começar pelo sangue. Ou uma rainha, coisa que Hari não era. — Posso fazer tudo isso sendo o que sou. Acho. — adiantou-se em completar. Mais pensava que não, e ainda sim: lá estava ele agindo exatamente de tal forma. Tinha sorte, essa era a verdade. Tinha sorte de ser e ter Hari. O príncipe talvez não fizesse ideia, mas ser do jeitinho que ele era, ajudava Pason a sentir-se mais humano ao ter que fazer o que fazia para lidar com o mais novo.
Se fosse um ataque surpresa, Pason teria reagido mais rápido. Ali, porém, o guarda atrasou alguns segundos para captar o sorrisinho alheio e a sugestão. Mas também, rendeu à Hari um aperto na cintura - sua forma de dizer que, por ele, tudo bem conhecer o tal jardim. Não que fossem, de fato, fazer algo. (Mas Pason se conhecia mais: era difícil negar ao seu amor.) Além disso, imaginar jardins suspenso realmente havia mexido com seu imaginário. Hari havia implantado a semente da curiosidade. Pason sorriu pequeno, mas terno, quando o teve a ponta do nariz de Hari contra sua pele. Naturalmente, inclinou-se um pouco. Os olhos fecharam sem que percebesse, deixando o reflexo dos dois naquela posição pintado em sua mente.
Pason só voltou a abrir os olhos, porque riu. — Como zombei de ti? — retrucou. De repente, havia se acanhado. — Estou deixando para depois que garantisse que estaríamos lá no horário. — demorou para responder. A verdade é que sequer havia passado por sua mente. Não conseguia pensar em outra coisa quando ambos tinham deveres à cumprir. Mas agora que Hari havia dito, bem, o desejo havia sido lançado. No entanto, Pason tentou não se render. — Está certo. O transporte já está nos esperando. — concordou. Provavelmente, chegariam sem tempo sobrando.
Ele se afastou, voltando à porta e abrindo a mesma para Hari. Sem perceber, olhava-o mais intenso que antes. Em alguns minutos, estariam onde precisavam estar. Hari resolveria o que precisasse, e poderiam voltar. Então, seria os dois, sem nenhum título.