Lembro exatamente do momento em que nossos olhares se encontraram, era tarde de carnaval e como sempre, estava quente feito o inferno. Você vestia algo propício para o evento, estava fantasiada de diabinha, eu sorri no mesmo instante que vi, a fantasia era no mínimo irônica visto que você não tinha rosto de menina levada, muito pelo contrário, seus traços eram tão angelicais que me fizeram — por um instante — quase babar.
Estávamos tão próximas e ao mesmo tempo distantes, você estava com um grupo de amigos bebendo cerveja e eu com os meus bebendo algum drink com álcool que o Caio tinha feito — Ele é tipo o barman do nosso círculo — A música que tocava era uma marchinha de carnaval, vi então que era o momento perfeito para me aproximar e falar com você.
A princípio, morri de vergonha, não sabia o que dizer para uma mulher tão bonita, contudo, aproveitei a coragem que a bebida me deu e me aproximei — Graças aos céus você não me deu um fora — Engatamos numa conversa boa e totalmente agradável.
Naquele lugar repleto de gente,
Senti como se estivéssemos em nosso próprio mundo, numa bolha gigante e colorida.
Depois de muito conversar, resolvemos dançar e quando a banda tocou a minha música favorita, você gritou dizendo que também era a sua, eu sorri, sorri forte, você não entendeu nada, mas sorriu também, foi aí que eu achei o momento para fazer o que eu queria desde que nossos olhares se conectaram.
E parece que todos os confetes do mundo explodiram dentro do meu peito, o encaixe de nossas bocas, o enlace das línguas, a conexão… Foi incrível.
Voltei pra casa naquele dia mais feliz do que tinha ido, você foi passageira, uma paixão de carnaval.
Prometi a mim mesmo que se eu te encontrasse por aí, iria querer relembrar cada momento compartilhado contigo naquela tarde quente de domingo.