01/11/25
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@souamorte
01/11/25
13/05/2025 📸🌼
Minha Alma Não Cabe em Resumos
Uma vez, alguém me disse que meus textos eram longos demais. Que ninguém teria paciência de ler até o final. Que eu deveria aprender a resumir, a condensar, a dizer o essencial com menos palavras. Aquilo ficou martelando na minha mente por dias. Não por causa da crítica — já estou acostumada a não caber nos moldes — mas pela maneira como o mundo parece exigir que sejamos versões comprimidas de nós mesmos. Como se a essência de tudo que somos pudesse ser empacotada em poucas frases para facilitar o consumo dos outros. Como se eu tivesse que me podar para caber no tempo apressado de quem não sabe parar.
Mas eu não escrevo para os apressados. Não escrevo para os preguiçosos mentais, para os que só leem o que é fácil, raso, rápido. Eu escrevo para as almas que têm fome. Para os olhos que não apenas leem, mas atravessam as palavras. Eu escrevo para quem fica. Para quem mergulha. Para quem entende que há beleza até na demora, até na pausa, até na respiração entre uma frase e outra.
Eu sou muitas. Sempre fui. Nunca consegui ser uma coisa só. Me disseram que isso era indecisão. Mas não é. É vastidão. Eu sou a soma de mil versões que vivem dentro de mim. Há dias em que sou silêncio, outros em que sou grito. Dias em que sou brisa, outros em que sou tempestade. Há momentos em que penso com uma clareza cortante, e outros em que sou um labirinto escuro cheio de ecos e espelhos.
Eu sinto demais.
Eu penso demais.
E por isso escrevo demais.
Na escola, lembro que meus colegas preenchiam linhas com letras grandes, como se o conteúdo fosse um fardo e o objetivo fosse apenas se livrar da obrigação. Eu não. Eu diminuía a letra, apertava o tempo, inventava espaço. Eu queria que coubesse tudo. Não o que era pedido, mas o que era necessário. O que meu coração gritava para dizer. Eu não escrevia para cumprir uma tarefa. Eu escrevia porque, de algum modo, se eu não escrevesse, eu morria um pouco. Ainda é assim. Ainda morro, todos os dias, quando algo dentro de mim não encontra um jeito de sair em palavras.
Eu sempre quis que quem me lesse fosse capaz de me sentir. Não me interessava agradar professores ou cumprir regras formais de estilo. Eu queria que quem lesse meus textos fosse sugado para dentro deles. Queria que sentissem o vento que descrevi, que ouvissem os sons que ouvi, que provassem a angústia que senti, que se afogassem no mesmo mar de dúvidas em que mergulhei. Não é fácil. Nunca quis que fosse. Leitura, para mim, é um pacto. Um encontro profundo. Um ato quase sagrado. E se isso espanta quem só quer passar os olhos e entender tudo em três linhas, tudo bem. Eu não escrevo para essas pessoas.
Meus textos são longos porque minha alma é longa. Porque meus pensamentos vêm em ondas, e não em gotas. Porque meus sentimentos não sabem andar em linha reta, eles se espalham, se derramam, se contradizem. Eu me contradigo. Eu mudo. Eu me revisito. Cada linha que escrevo é um pedaço da minha existência tentando ganhar forma. Eu não escrevo apenas com palavras — escrevo com carne, com dor, com lembranças. Escrevo com tudo o que sou e com tudo o que ainda estou tentando entender que sou.
Talvez por isso meus textos não sejam feitos para todos. Nem precisam ser.
Há quem leia e não entenda.
Há quem pare na metade.
Há quem se perca.
Mas há também quem encontre em minhas palavras um espelho. Um abrigo. Um abismo familiar. E é por essas pessoas que continuo escrevendo. Pessoas que, assim como eu, não se contentam com a superfície. Que querem mais. Que querem ir fundo. Que querem o avesso da alma humana.
Acho que sempre fui um pouco assim: uma estrada sem fim, um livro que nunca termina, uma história que não aceita ser contada em resumos. Meus textos são uma extensão da minha própria existência — complexa, caótica, apaixonada, VIVA. Eles não são apenas longos porque eu gosto de escrever. Eles são longos porque preciso escrever. Porque minha voz interna grita demais. Porque há um mundo inteiro dentro de mim e ele insiste em sair.
E, honestamente, se alguém acha isso demais, está tudo bem. Que leia outra coisa. Que leia algo curto, leve, raso. Não sou contra a leveza. Mas não é ela que me move. O que me move são os abismos. As alturas. As vísceras. Escrevo para tocar o nervo, o centro, o que há de mais cru e de mais belo na existência.
Por isso, não me peça para ser breve. Não me peça para me resumir. Eu não sou sinopse. Não sou rascunho. Não sou legenda. Sou livro aberto, mas com páginas infinitas. E quem quiser me conhecer, vai precisar de tempo. Vai precisar de paciência. Vai precisar de coragem.
Sim, coragem. Porque mergulhar em mim — como mergulhar em meus textos — exige fôlego. E nem todo mundo está disposto a ir até o fundo do mar. Mas quem for, talvez encontre ali algo que nem sabia que estava procurando.
E eu continuarei escrevendo. Longamente. Intensamente. Brutalmente. Porque é assim que existo. E a existência, a minha pelo menos, não cabe em poucas palavras.
Filha da Tempestade
Nunca fui o tipo de pessoa que corre da chuva. Sempre fui aquela que corre para ela — como quem encontra abrigo justamente naquilo que todos evitam. Enquanto os outros se escondem sob guarda-chuvas, eu me deixo molhar. Caminho com os pés descalços e a alma aberta, como se cada gota que caísse do céu fosse capaz de lavar algo que ninguém nunca viu em mim. Talvez seja porque, desde muito nova, precisei aprender a sobreviver às tempestades que não vinham do lado de fora, mas de dentro.
Existem tempestades silenciosas que habitam a mente. Tempestades que não fazem barulho, mas consomem tudo. Elas não caem do céu, não molham o corpo — elas afogam a alma. E foram essas que me moldaram. Foram essas que me ensinaram a caminhar no meio do vendaval com os olhos fixos em algum ponto imaginário do horizonte. A calmaria nunca foi o que me formou. Eu fui esculpida no caos.
Sou o tipo de pessoa que caminha em meio a uma tempestade com a serenidade de quem caminha num dia de primavera. Não é que eu não sinta o peso das nuvens escuras — é que eu já vivi debaixo delas por tanto tempo, que aprendi a não me assustar. Quando o trovão ecoa, eu não estremeço. Quando o relâmpago corta o céu, eu observo. Quando a chuva cai forte, eu me entrego. Porque dentro de mim, muitas vezes, o clima sempre foi pior. E se eu sobrevivi ao que carrego por dentro, o que vem de fora não me assusta.
Nasci no dia 23 de julho de 2003, numa semana fria e chuvosa. Eu realmente acredito que meu nascimento não poderia ter acontecido em outro cenário. É como se a própria vida tivesse me avisado desde o início: “o mundo não será gentil com você, mas haverá beleza mesmo assim”. Talvez a chuva tenha sido meu primeiro abraço. Talvez o vento tenha sido meu primeiro afago. E eu aceitei.
Lembro com nitidez da primeira vez que vi uma chuva de granizo. Eu era pequena, e morávamos numa casa modesta, onde o mundo lá fora conseguia entrar pelas frestas. Uma dessas pedrinhas de gelo atravessou a fresta sob a porta e caiu no chão. Meu pai a pegou e colocou na minha mão. Era fria, frágil, passageira — e eu ri. Naquela época, eu ainda não sabia, mas aquele momento era uma metáfora de tudo o que viria depois. As pedras que viriam seriam maiores, mais geladas, mais duras. Mas ali, naquele instante, eu sorri. E isso me ensinou que há leveza até nas coisas que parecem violentas à primeira vista.
Sempre me senti estranhamente em paz nos dias cinzentos. Enquanto muitos os evitam, eu os celebro. O céu fechado sempre me pareceu honesto. Ele não disfarça. Ele não finge que está tudo bem quando não está. E talvez seja por isso que eu me identifique tanto. Porque dentro de mim há uma complexidade que nem sempre é fácil de explicar. Mas nos dias nublados, parece que o mundo fala a mesma língua que a minha alma.
Talvez meu fascínio por tempestades tenha atraído muitas delas para dentro de mim. Ou talvez tenha sido o contrário — talvez foi o que havia dentro de mim que me fez encontrar beleza no que os outros temem. Seja como for, eu aprendi a transformar tudo em arte. Em palavras. Em poesia. Em desabafo. Em verdade.
A dor nunca me silenciou. Ela me fez escrever. Me fez gritar com letras. Me fez sangrar por meio de frases. A bagunça que carrego no peito virou matéria-prima. Virou textura. Virou história. E hoje eu entendo: o caos não precisa ser negado, ele pode ser compreendido, moldado, canalizado.
Não sou forte o tempo todo. Ninguém é. Mas aprendi a ser estável dentro da instabilidade. Aprendi a não me desesperar quando tudo escurece. Aprendi que as maiores mudanças não vêm com o sol, mas com a chuva. É na água que cai que algo brota. É no frio que a gente se abraça mais forte. É no som do trovão que a gente lembra que está vivo.
Eu sou feita de tudo que tentei esconder e não consegui. Sou feita dos dias que passei tentando me entender. Sou feita das noites que chorei sozinha, me perguntando por que certas dores não passavam. Mas sou, também, feita das vezes em que escrevi até me curar um pouco. Das vezes em que respirei fundo no meio do caos e disse: “vai passar”. E passou. Ou pelo menos, ficou suportável. Ou bonito. Porque até a tristeza tem seu charme quando a gente a veste com significado.
Não corro da tempestade porque eu entendi que ela também faz parte de mim. E não há como fugir de si mesmo. Há apenas o caminho de acolher. De olhar no espelho e dizer: “Você não é o problema. Você é o resultado de tudo o que sobreviveu.”
No fim das contas, viver é isso: dançar na chuva, mesmo sem saber os passos. É olhar para o céu, mesmo quando ele não promete sol. É amar a si mesmo, mesmo quando tudo em você parece ruir. Não sou feita de calmaria — sou feita de coragem. E quando tudo parece escuro demais, lembro a mim mesma: fui forjada nas nuvens. E é por isso que, mesmo quando tudo desaba, eu permaneço.
@desmotivacional @souamorte
Das Pequenas Chamas que Me Constituem
Há uma luz que não se compara ao brilho do sol, não possui o ardor implacável do fogo, nem ofusca como os holofotes. É uma luz discreta que emana das profundezas do cotidiano, revelando-se apenas nas sutilezas que percebemos quando desaceleramos o passo e permitimos que a vida nos alcance em momentos de genuína rendição. Hoje, decidi explorar essas chamas, aquelas que não consomem, mas que confortam e aquecem.
Mesmo sendo uma chama tímida, insiste em arder dentro de mim, persistente e constante, alimentando minha essência com seu calor silencioso.
Nas noites de sábado, quando o mundo parece desacelerar, abro uma garrafa de vinho e deixo que o líquido rubro desça pela minha garganta como um rio que purifica as pedras ao seu curso. Sinto-o envolver minha alma fria, aquecendo os recantos onde a tristeza frequentemente se aninha. É como se, a cada gole, eu pudesse sussurrar aos meus fantasmas: "Descansem, por favor. Hoje, quero sentir a leveza de existir." O primeiro gole é sempre o mais desafiador; sinto o amargor inicial, um lembrete de que a vida nem sempre é suave. Mas então, como uma alquimia sutil, o sabor desabrocha em notas frutadas, e o álcool infiltra-se na minha corrente sanguínea como um abraço líquido. Não se trata de esquecer, mas de permitir que os demônios adormeçam, que as feridas sejam anestesiadas o suficiente para que eu possa sentir, no lugar delas, o calor de uma existência vibrante. E então, a euforia surge, discreta, quase sagrada, como um êxtase que não necessita de explicação. O vinho me ensina que até a tristeza pode ser suave.
Aqui, o álcool não é um véu, mas um espelho: reflete uma versão de mim que ousa sorrir para as próprias feridas, permitindo que a euforia e a melancolia dancem juntas.
Já o whisky é outra cerimônia. Não há delicadeza aqui, há fogo. Quando a primeira dose desce, queima a garganta, e eu imagino as chamas consumindo os nós que se formaram entre as palavras não ditas, as respostas engasgadas, aquelas que nunca foram ditas por medo de machucar ou de não serem ouvidas. O whisky não é para celebrar; é para purgar. É como se cada gole fosse um incêndio controlado, limpando o caminho para que eu respire sem o peso das reticências. Não bebo para esquecer, mas para me lembrar de que posso ser forte o suficiente para digerir até o que me machuca.
E a música... Ah, a música. Há dias em que me perco nas sinfonias de Vivaldi, onde os violinos são como fios de luz cortando a escuridão. Cada nota é um universo em si, onde a melancolia e a beleza coexistem de maneira tão profunda que chega a doer. Beethoven me arrasta para tempestades interiores, onde até o caos revela uma forma de beleza. Chopin me faz dançar sobre frágeis pontes que ligam o céu ao abismo. Esses compositores compreendem a alma humana de uma maneira que transcende qualquer palavra. Ao ouvi-los, percebo que a música é a linguagem primordial do que não pode ser dito.
Mas também há o punk rock, o grito rouco que ressoa em meu peito. Bandas como Misfits, Bad Religion, Rancid, Black Flag não são apenas acordes distorcidos; são a revolta transformada em hino. Não importa quantas vezes o mundo tente me domesticar, ali, entre os acordes distorcidos, reencontro minha natureza selvagem que se recusa a ser domada. Sou a criança que nunca aprendeu a abaixar a cabeça.
A música clássica e o punk rock, aparentemente opostos, juntos formam a trilha sonora da minha existência. E é nesse contraste que encontro uma harmonia única, um equilíbrio entre a tranquilidade e a rebeldia, que só a música pode proporcionar.
Meus dedos tremem de ansiedade quando pego um lápis. Desenhar é rezar com as mãos. Cada traço no papel é uma oração silenciosa, uma tentativa de capturar o invisível. Crio mundos e seres onde as regras são minhas: pontilhados se tornam constelações pessoais, cores expressam sentimentos que não cabem em palavras. Ao transformar uma folha em branco em algo que respira, lembro-me de que a arte é a única magia real que nos resta. Quando desenho, volto a ser aquela criança feliz que se encantava com as formas e traços que ganhavam vida aos poucos no papel. Há uma beleza nisso: na capacidade de dar forma ao invisível, de transformar angústia em linhas, esperança em tons. Às vezes, desenho borboletas frágeis e efêmeras, e lembro que muitas vezes a beleza reside justamente no que não dura.
A fotografia é minha maneira de desafiar o tempo. Congelo instantes como quem coleciona faróis em noites escuras. Uma borboleta pousada em uma flor que já murchou; uma parede rachada de um prédio abandonado, testemunha de histórias que ninguém mais conta. Através da lente, aprendo que a beleza não está apenas no que permanece, mas no que resiste a desaparecer por completo. E, de algum modo, essas imagens me reconciliam com a passagem do tempo, pois mesmo que nada dure, sempre restará um fragmento de verdade capturado em um clique. Cada foto é um epitáfio para um momento que nunca voltará, mas que eu me recuso a deixar morrer.
Nada me preparou para a beleza simples de jogar sinuca com meu pai. Na adolescência, eu o via como um homem que se perdia no bar, no álcool, nas superficialidades. Hoje, entendo que ele não estava fugindo; ele estava buscando, assim como eu, um refúgio onde a vida pudesse ser leve por algumas horas. Quando tacamos as bolas ao som da música brega que eu costumava desprezar, há uma ironia poética nisso: eu, que criticava seus copos, agora seguro minha cerveja enquanto ele ri dos meus erros no jogo. A sinuca com meu pai é mais que um simples jogo: é um idioma que inventamos para dizer "estou aqui", sem precisar de palavras. Entre tacadas certeiras e risadas que ecoam no bar, descobrimos que o amor, às vezes, se veste de simplicidade. Não precisamos de profundidade; basta o som das bolas colidindo, o brilho nos olhos dele ao acertar um lance difícil. E nessa simplicidade, encontro uma cura que as palavras grandiosas nunca trouxeram.
Mas é na escrita que encontro minha verdadeira voz. Desde a infância, as palavras foram meu refúgio. Enquanto outras crianças brincavam, eu me escondia nas páginas do meu diário, despejando medos, sonhos e perguntas sem resposta. A escrita não exige explicações, não interrompe, não desvia o olhar. Ela é paciente. Quando escrevo, sou completa. E embora eu nunca tenha sido boa em falar sobre sentimentos, na escrita, sou livre. As pessoas me dizem: "Fale sobre o que sente", e eu travo, porque como resumir em frases curtas o turbilhão que habita aqui dentro? Mas dê-me um papel, e eu desnudo minha alma. Minhas palavras são gritos silenciosos, e de algum modo, paradoxalmente, é nesse silêncio que me sinto ouvida. Minhas frases são compostas de silêncios que falam mais alto do que qualquer grito, e talvez por isso toquem tão fundo em quem as lê. Quando escrevo, não estou apenas tentando ser ouvida; estou oferecendo um pedaço de minha alma em código, na esperança de que alguém o decifre e diga: "Também sinto isso".
Hoje, olho para trás e vejo que minha luz não está nos holofotes, mas nos cantos onde decidi acender velas: no vinho que abraça, no whisky que purifica, nas músicas que traduzem o intraduzível, nos traços que dão forma ao caos, nas fotos que desafiam o tempo, nos momentos simples com meu pai, e nas palavras que, silenciosas, gritam tudo o que sou. Talvez a vida não seja sobre encontrar respostas, mas sobre aprender a dançar nas perguntas.
Por isso, hoje, escolho celebrar as pequenas chamas que me constituem. Porque mesmo na noite mais escura, basta uma faísca para lembrar que ainda estou aqui: desenhando, fotografando, bebendo, escrevendo, jogando. Viva.
@desmotivacional @souamorte
Exploring new drawing styles
Mrs. Rabbit
Testemunha do Tempo
Em cada tijolo desgastado, em cada vidro estilhaçado, há fragmentos de histórias perdidas, sussurradas pelo vento que atravessa este lugar desolado. Esta casa, agora devorada pelo tempo e pela natureza, um dia foi um lar pulsante, repleto de vida e sonhos. Agora, ela repousa como uma sentinela solitária, testemunha de um passado que insiste em não ser esquecido.
O tempo, implacável em sua marcha silenciosa, transformou este refúgio em ruínas, mas não conseguiu apagar a essência do que um dia foi. Cada rachadura nas paredes, cada sombra que dança nas tábuas do piso, são lembranças vivas daquilo que permaneceu, mesmo depois que todos partiram. A casa, em sua decadência melancólica, nos faz refletir sobre a efemeridade de nossa existência e a inevitável passagem do tempo.
Ao olhar para estas imagens, somos transportados para um mundo de memórias e emoções que transcendem o presente. A beleza crua da decadência nos lembra que, mesmo em meio à destruição, há uma certa poesia naquilo que persiste. Esta casa, agora em pedaços, ainda guarda em suas entranhas as risadas, as lágrimas, os suspiros e os sonhos de quem por aqui passou. É uma lembrança dolorosa, mas também bela, de que, mesmo depois que partimos, deixamos um pedaço de nós em cada lugar, em cada momento vivido.
Assim como o tempo transforma e altera, ele também revela e eterniza. As ruínas nos falam de resiliência, de lembranças que se recusam a desaparecer, de um lugar que, apesar de tudo, permanece. Cada canto desta casa é uma página de um livro que nunca será totalmente lido, mas que ainda assim, conta uma história profunda.
Há uma beleza melancólica em aceitar que, assim como esta casa, somos todos passageiros no fluxo incessante do tempo. E, enquanto o mundo muda ao nosso redor, as lembranças e as marcas do que um dia fomos permanecem, imortais, como testemunhas silenciosas de nossa passagem por esta jornada chamada vida.
@souamorte @desmotivacional
Oi, eu sou a Morte.
Mas, por favor, não se assuste. Não sou literalmente a ceifadora de almas, mas sim uma alma que foi apelidada de "Morte" há anos atrás, quando eu vestia preto todos os dias na escola.
Antes, eu ria desse apelido. Uma piada tola, pensei. Mas agora, ele me veste bem. A morte e eu nos tornamos íntimas, uma presença constante em minha vida. Desde pequena, a perda era uma sombra que me seguia. Lembro-me do dia em que meu gato, em sua tentativa de me seguir, encontrou seu fim sob as rodas de um caminhão. O som dos ossos dele se quebrando ainda ecoa em meus ouvidos.
Fui para a escola naquele dia, o rosto uma máscara de normalidade enquanto o pânico rugia dentro de mim. Anos mais tarde, foi meu cachorro que sucumbiu, não a um caminhão, mas a um enxame de abelhas. Ele cavou, desesperado por refúgio, mas a morte foi mais rápida. E eu? Trancada em casa. Minha avó me trancou em casa, protegendo-me das abelhas, mas não da dor da perda.
Na escola, eu era uma ilha cercada por um mar de rostos indiferentes, até que ela chegou. Uma nova aluna, um espírito gentil em um mundo cruel. Pura, doce, sincera. Ela era tudo o que alguém poderia desejar em um amigo. E então, ela também se foi, por escolha própria.
Escrevo sobre ela, mas é claro que as palavras nunca mudam o final. A morte é uma história com um único desfecho, e ela me ensinou isso da maneira mais dura.
A depressão veio como uma velha amiga, trazendo pensamentos sombrios que me assombravam. Foi quando Marley entrou na minha vida, um cachorro que trouxe luz à escuridão. Ele era alegria, era vida, e por um momento, os pensamentos ruins se dissiparam.
Mas, como você deve ter adivinhado, estamos falando de mim, a Morte. E Marley não durou. Envenenado pela maldade humana, levaram-no de mim, e os pensamentos ruins voltaram, mais fortes do que nunca.
É irônico, não é? A Morte, assombrada pela morte. Tudo que é bom parece morrer ao meu redor, como se eu fosse uma maldição para a vida. E a maior ironia de todas? Eu, a Morte, já pensei em me juntar aos que perdi. Cartas de despedida escritas, mas nunca enviadas. Sim, é irônico. E, de certa forma, é até engraçado que a Morte pudesse ter morrido.
Eu olho para trás e vejo a ironia. A Morte, contemplando sua própria morte. É quase cômico, se não fosse tão tragicamente verdadeiro. Mas aqui estou, ainda respirando, ainda lutando, ainda vestindo preto. Não por luto, mas como um desafio à própria morte. Porque, no fim, até mesmo a Morte se recusa a morrer.
Eu sou a Morte, cercada pela morte, mas ainda assim, desesperadamente agarrada à vida.
@desmotivacional
Por quê "souamorte"?
É uma ótima pergunta, e acho que uso o “souamorte” por uma certa ironia mesmo. Desde a época da escola, meu apelido era “morte” porque eu usava preto todos os dias, e para falar a verdade, isso não mudou muito até hoje. Alguns colegas me chamavam assim porque achavam o apelido legal, enquanto outros usavam para me ofender. Apesar de gostar do apelido, a intenção negativa de alguns me irritava.
Sempre tive dificuldade em lidar com a morte, mesmo entendendo que faz parte do ciclo da vida. Quando era mais nova, perdi uma amiga para o suicídio e demorei muito para superar isso, apesar de fingir que estava bem. Pensava constantemente em como seria se ela ainda estivesse aqui. Também sempre foi difícil perder animais de estimação. Cada vez que um deles se foi, senti uma dor profunda e um vazio enorme. Eles eram parte da minha família, e a perda de cada um deixou marcas que carrego até hoje.
Este ano, perdi meu avô e minha avó, e está sendo extremamente difícil lidar com essas perdas. Ver meus avós em um caixão foi uma experiência extremamente dolorosa. Ver eles ali sem vida, perceber que não estavam realmente ali, e que ali era apenas um corpo frio e sem vida, foi devastador. Acredito que vai demorar muito para superar isso.
O que torna tudo mais doloroso é que não acredito que as pessoas vão para um lugar melhor após a morte. Para mim, a morte é o fim, e a pessoa simplesmente deixa de existir. Acho bonito quando as pessoas acreditam no paraíso ou algo do tipo e agradeço a cada um que tentou me confortar com palavras bonitas, mas simplesmente não consigo acreditar nisso.
Então, resumidamente, uso esse nome porque é meu apelido e também porque acho irônico que alguém apelidado de “morte” tenha tanta dificuldade em lidar com a morte.
Comparações
Uma palavra que, desde sempre, despertou em mim um profundo desconforto. Sempre odiei o significado desta palavra, pois nunca fez sentido para mim. Por que deveríamos nos comparar com outra pessoa quando nossas realidades são completamente diferentes?
Somos únicos, indivíduos singulares, com experiências, ideias e dificuldades que nos tornam seres distintos. Então, qual é a lógica de acreditarmos que devemos ser iguais a alguém? Por que acreditamos que devemos viver a vida de uma determinada maneira, ter o corpo perfeito de acordo com alguma padronização ou pensar como outra pessoa?
Essas comparações nunca fizeram sentido para mim desde que eu era criança. Lembro-me vividamente de quando minha mãe disse: "Fulana tem a mesma idade que você e já faz isso". Naquele momento, eu me perguntei: "Tudo bem, ela tem a mesma idade, mas será que tem a mesma realidade que eu? As mesmas dificuldades? As mesmas experiências? As mesmas ideias?". Era claro para mim que não. Cada um de nós carrega consigo uma história única, uma vivência pessoal e singular.
Não importa se não temos a mesma vida de alguém, o mesmo corpo "perfeito", os mesmos pensamentos. Porque a verdade é que não fomos feitos para sermos iguais a ninguém. Fomos feitos para sermos nós mesmos, autênticos e verdadeiros. Fomos feitos para valorizar nossa própria jornada e entender que a comparação só nos leva a um vazio sem sentido.
Comparar-se com os outros é negar a si mesmo. É subestimar a beleza de nossas individualidades, a força de nossas singularidades. É ignorar que a diversidade é o que torna o mundo um lugar tão incrível e inspirador. Não devemos nos comparar, devemos abraçar com amor e compreensão a história que carregamos em nosso peito.
Acredito que a sociedade nos pressiona a nos encaixarmos em determinados moldes, a sermos iguais, mas isso é um equívoco. Não nascemos para ser cópias uns dos outros, mas sim para desenvolvermos nossa própria identidade, para sermos verdadeiros com nós mesmos.
Devemos aprender a olhar para nós mesmos e valorizarmos a nossa própria história. Não permitamos que a pressão social nos faça acreditar que precisamos ser iguais a alguém. O valor está em ser autêntico, em ser fiel às nossas próprias convicções.
Precisamos parar de nos comparar e começar a celebrar nossas diferenças. Em um mundo repleto de cópias, sejamos originais. Que cada um possa encontrar sua própria voz, seu próprio caminho, e viver de acordo com a sua própria verdade.
A verdadeira beleza está na diversidade, na aceitação de quem somos e no respeito às nossas particularidades. Não se compare, se inspire, se motive e se ame profundamente, exatamente como você é. O seu valor não está em ser igual a alguém, mas sim em ser autêntico e único.
@souamorte @desmotivacional
Just another cloudy day...
Just lines and weird shapes...
Yeah, I know the orange looks huge on the capybara's head, but I only realized it after finishing the drawing lol.
When I have the time and patience, I'll fix that detail in the drawing.