Phobos estava dentro do salão quando tudo aconteceu. Ele viu tudo. Viu as pessoas aplaudindo o homem bem vestido no palco num segundo, e no seguinte as portas se abrindo e revelando o homem que ele reconheceu de primeira, apesar do traje sujo e dos machucados. Quer dizer, como ele não ia reconhecê-lo? Seu pai mesmo sempre andava com Enygma, tempos atrás. Por pouco o lustre não o atingiu, e assim o garoto saiu de dentro do salão, encostando o corpo em uma parede próxima e escorregando até o chão. Os olhos estavam marejados, e as mãos fechadas em punhos, cada uma em um lado de sua cabeça.
Até aquele momento, Phobos achava que não se importava com o que havia acontecido com o seu pai; o desaparecimento. Ele estava crente de que isso se tratava de mais um plano qualquer, agora incluindo mais vilões talvez. De algum jeito, achava que Jonathan estava bem. Mas ver Charada daquele jeito o havia deixado bastante nervoso, e suas esperanças estavam indo por água a baixo com aquela visão que não lhe saia da cabeça. Por fim, percebeu que estava sim preocupado com o destino de seu pai.
Sunny era uma das poucas pessoas que não havia sido atingida pelos lustres do salão, pois tinha conseguido esquivar-se de tal. Alguns ladrilhos cravaram-se em partes de seu corpo, mas a garota os tirou e logo já estava curada. Ela sentia-se bem e depois de toda a confusão, preferiu ficar ajudando algumas pessoas que estavam feridas, levando-as para a enfermaria. Sun sempre fora assim, altruísta. De certa forma, aquilo a fazia sentir-se bem, mostrava que, apesar de ter um monstro preso dentro de si, era diferente daquilo. Ao sair de dentro do salão, deparou-se com uma pessoa escorada na parede e sem sequer pensar, ou realmente ver quem era, a menina aproximou-se com passos ligeiros “Ei, ‘tá tudo bem? Deixa eu te ajud...” as palavras ficaram perdidas no ar ao reconhecer de quem se tratava. Estava prestes a agachar ao lado dele, mas hesitou, pondo-se inteiramente de pé novamente. Sunny tinha medo de Crane. Por um instante arrependeu-se de tê-lo visto ali, de ter preferido ficar aos arredores ajudando os demais. A loira deu um ou dois passos para trás e buscou analisar a situação do garoto com o olhar. Ele não lhe parecia ter nenhum tipo de ferimento, mas parecia estar muito atordoado, ainda mais que, para sua surpresa, os olhos escuros do outro estavam tomados por uma tonalidade mais clara, por conta das lágrimas que ele insistia em segurar. Não era do feitio de Crane chorar. De certa forma, aquilo mexeu com Sun. Sabia que ele ficaria furioso se demonstrasse algum tipo de ressentimento, por isso permaneceu estática, soltando um breve pigarreio “O chão parece duro demais, quer dar uma volta?” perguntou por fim, xingando-se mentalmente por ter falado tamanha estupideza.