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icons do Daniel Furlan (é lindo e não precisa de cirurgia plástica) ♡
• quiser mais da uma chegadinha no tt @srtadowney e pede
Conheça o “Dolce far niente”!
Em Italiano há uma expressão chamada “Dolce far niente!”(favor ler com suas mãos, italiano parlare con gesti!), conheci a expressão pela primeira vez quando assisti Eat Pray Love onde, inclusive, estava a praticar um “Dolce far niente!” sem saber muito bem o que isso significava. No diálogo do filme o Sr. Spaghetti tece uma pequena crítica ao american way of life, é um trecho bem rápido que vale a pena ser assistido, visto ser científico que o sotaque italiano torna tudo mais encantador! (mas não é verdade? haha).
Como “quote freak” que sou deixo aqui parte de sua fala: “Quer saber seu problema? Americanos são muito duros, trabalham muito. Chegam em casa e passam o final de semana de pijamas na frente da televisão. Mas não conhecem o prazer. Têm que ouvir que merecem. O comercial diz: "é hora da cerveja”, e então você vai comprar um engradado, você bebe tudo e na manhã seguinte se sente terrível. Mas um italiano não precisa disso. O comercial na TV diz: “você merece um descanso” e ele diz: “Sim, eu sei!”.
Traduzindo para o português “Dolce far niente!” seria algo como “a doçura de não se fazer nada”, embora defenda que a simples tradução do termo é incapaz de comportar a integralidade do seu significado (até parece que sei algo do assunto). A expressão relata um tipo de comportamento que realça o deleite extraível dos momentos de ócio despreocupado, quase uma técnica terapêutica italiana contrária a cultura do estresse (risos).
Ps.: Let´s keep a calm and “Dolce far niente!”
eu e minha cama: uma conversa
Minha cama é meu refúgio quando tenho uma crise, ela tem meu cheiro. Ela tem aquele buraco, sabe? No meio de tanto eu ficar deitada ali. Não só pra dormir. Às vezes é no meio do dia e eu estou deitada ali olhando pro teto sentindo as horas passarem. Minha cama não me aguenta mais. Se minha cama falasse ela diria para eu dar o fora dali. Ela diria, saia, vá escrever. Eu diria que não consigo, tudo é difícil demais. Minha cama diz, difícil demais é aguentar esse teu peso, ouvir seus choros e reclamações, eu sou uma cama, eu não sou sua terapeuta.
Minha cama tem raiva de mim. Eu digo a ela que ela é meu refúgio que gosto de deitar em posição fetal quando tudo dá errado. Eu queria me afundar no colchão, até desaparecer. Ela diz que queria que eu desaparecesse. Ela não parece gostar muito de mim. Talvez porque eu abuse demais dela. Ela me diz para eu sair demais. Eu falo que não tenho para onde ir, alias eu não tenho vontade de ir aonde eu preciso ir. Ela diz que eu nunca vou saber se não sair de casa. Eu peço para ela deixar eu me deitar mais uma vez. Ela diz que são três da tarde e só gente que deu muito errado na vida deita na cama as três da tarde, isso ou pessoas doentes. Você não é um nem outro. Você, minha querida, quer um drama. Você gosta de drama, você nem gosta de dormir tanto assim. Cinco da manhã tá lá vendo vídeos de gatos, mas agora, de dia quer dormir. Quer enganar quem? Eu fui feita pra você dormir a noite ou transar. Se for pra você transar tudo bem. Por que você não transa? Eu bem que ficaria feliz de ter algum sexo, eu digo. Você não se esforça, né. Quer tudo caindo do céu.
Você diz: eu não consigo. Consegue sim. Daí deita aqui, fuma um maço de cigarros, derruba cinzas em mim, me suja inteira e diz que não consegue. Eu não consigo. Eu sou um objeto eu não saio do lugar. Mas eu estou ao lado da janela, e o céu lá fora é azul, e o Sol irradia possibilidades aos montes. Você consegue sentar naquela cadeira e escrever, assim como consegue sair e ver pessoas. Consegue sim. Se quiser ser honesta fala logo que não quer. Que não tem vontade que está cagando pra vida que tem.
Eu digo que ela deveria ser mais legal comigo, estamos juntas há anos. Ela diz que já não aguenta mais ele melodrama de classe média de quem não consegue, mas porque não quer. Você não está em crise. Você tem crises e quando você tem crises, eu te aninho, eu te esquento. Hoje você só tá preguiçosa, comendo pão de almoço e fumando feito um velho que já desistiu de viver. Eu sei que você não desistiu de viver porque eu vejo seus sonhos, eu te vejo olhando admirada a vida pela janela, esperando se expressar e fazer coisas incríveis. Eu vejo esperanças brotarem em você como flores na primavera, eu vejo que quando apaixonada você dança pela casa sem motivo. Você se torna um coral de uma igreja para o deus das possibilidades. Minha filha, você consegue. Não venha deitar em cima de mim as duas da tarde porque não tem desculpas. Nem tente chorar. A vida está de braços abertos pra você.
Eu digo que pensei que você me entendesse. Eu entendo, entendo que você precisa tomar vergonha na cara. Entendo que o mundo é difícil, mas cadê você ajudando? Ô se entendo. Num mundo tão grande desse e não tem lugar pra você? Eu digo que não, me sinto uma forasteira aqui. Forasteira da onde, você nasceu aqui, querida, eu fui feita na marabrás e você numa maternidade ali no bairro do Belém. Ela diz que é porque eu penso demais nas coisas. Isso te torna inteligente, mas inteligencia se esvai de nossas mãos quando não fazemos nada com ela, como móveis velhos sendo corroídos por cupins.
Me deixa deitar um pouco. Jamais. Lava uma louça, termina de escrever, sai pra caminhar. Aqui você não deita. Eu não aguento mais lamentações que poderiam ser resolvidas. Eu sei que é difícil, que tem dias que pesam, mas não deita aqui não. Não desperdiça essa vida aqui não. Uma hora eu me tornarei obsoleta e você irá morrer e nada vai mudar as coisas que você fez e deixou de fazer.
Só um pouco? Hoje eu não estou bem. Bom esteja não bem, fazendo suas tarefas, esteja não bem cozinhando. Dança pela casa, eu acho lindo ver hoje dançar nesse quarto. Esteja não bem fazendo algo que você faz bem até que você esteja bem de fato. Esteja não bem, mas esteja viva, não morra antes da hora. Eu sou uma cama não um sarcófago. Eu sou uma cama não um túmulo. Eu sou uma cama não um leito de hospital. E você está viva demais para desistir. Deixa pra deitar na hora de dormir, então eu te aninharei e guardarei seus sonhos, te esquentarei e protegerei seu corpo.
Aguenta sim, aguenta! Aguenta mover esses braços e pernas, aguenta sorrir com essa boca, digitar com esses dedos, abraçar a vida mesmo a contragosto. Aguenta sim. Porque eu há anos te aguento e eu sobrevivi.
Tédio
Vamos discutir Vamos brigar E nos ferir. Vamos sangrar Ao corte de nossas palavras E nos amar. Vamos nos amar Sobre todo esse sangue derramado De nossas almas Vamos lavar o tédio De nossa rotina Em nossas feridas Vem, vamos discutir Sobre coisas inúteis E insensatas
Vamos matar o ócio Aumentando ódio No fim da tarde Vamos depois Nos embriagar de nós E nos amar no carpete Entre as luzes natalinas A bagunça das almofadas E as taças vazias.
Machucado pela idade
Juventude de tentativas De suicídio com facas De pão. Os dias sao demorados E cheios de dor Enquanto bebemos vinho Na praça. E o amor nao é Mais tao útil assim. E o ocio tem tornado-se Nossa melhor amigo. A casa esta em chamas, Estou partindo mas Tua risada me segue. E isso machuca.
Isso não é tudo!
Não consigo enxergar a realidade. Por mais que eu tente, não consigo saber com as coisas realmente são. Mas toda vez que observo algo, mesmo não o enxergando em toda sua realidade, consigo decodificar algumas coisas. Sei que nunca vou compreender as coisas como elas realmente são, pois estou preso. Preso dentro de mim. Preso aos meus sentidos. Tato, olfato, paladar e visão. Enxergo o mundo através deles e também sou delimitado por eles.