Eles amarraram nossos pulsos, de forma que o sangue não chegasse aos dedos. Comprimiram nossos gritos em um sussurro, apenas porque lhes era conveniente.
Eles nos descascaram de dentro para fora, como uma fruta podre e descartável. Transformaram nossas lágrimas em sangue, escorrendo diante de nossos olhos, quente e líquido.
Os hematomas em nossos corpos contam mais do que nossas bocas se quer poderiam pronunciar, o silêncio e a insônia a cada noite mal dormida grita mais do que qualquer som que saí de nossos lábios
Mas ninguém ouve, ninguém nunca ouve os gritos, o olhar de desespero, a suplica silenciosa por ajuda, as vezes, percebem, por um segundo percebem mas escolhem não ver, não olhar nos olhos, fingir não notar é mais fácil do que tentar fazer alguma coisa, então não fazem nada.
E tudo começa do inicio, os pulsos continuam sendo amarrados, as peles: descascadas. As lágrimas: gotas de sangue. Os hematomas: profundos. O silêncio: eterno.