Dizem que os professores que somos é reflexo dos alunos que fomos, e eu concordo. No entanto, gostaria de ir mais fundo ao assunto. Quando ouvimos essa afirmação, somos remetidos a tópicos como técnicas de ensino, didática e conteúdos significativos, o que não está completamente errado.
Agora, quando eu penso no assunto, não é isso que me passa pela cabeça. Veja bem, uma pessoa que completou o ensino básico passou, pelo menos, 12 anos na escola. 12 anos é muito tempo! Isso significa que a maior parte da construção da nossa identidade passou pelo período escolar, ou seja, nossas vivências são na sala de aula: o primeiro amor, as primeiras dúvidas, as primeiras brigas, as primeiras mentiras. Tudo!
Assim, os meus professores me moldaram como profissional, mas principalmente como pessoa. Refletindo sobre, percebo que, dentro dessa longa experiência, o que mais me orgulho e carrego comigo é o ser político.
Nesse sentido, não falo de votar 17 ou 13 (tá, até falo sim, mas isso é papo para um texto muito mais longo e pesado), falo de entender que meus atos têm impacto na sociedade e que eu preciso assumir meu espaço enquanto cidadã. Isso vai desde as aulas na 4° série, em que eu aprendi a diferenciar o significado das cores das lixeiras e entendi que o lugar de lixo é no lixo, até as aulas do ensino médio, em que eu ocupei a escola, porque o sistema estava falido e eu precisava fazer algo (mal sabia eu que iria piorar muito ainda).
Portanto, agradeço a cada professor ou professora que me fez entender que escolher comprar em uma grande rede ou no mercadinho da esquina é um ato político, que a filha de uma dona de casa e de um vendedor de fraldas entrar na universidade com bolsa 100% é um ato político, que essa mesma filha se formar e virar professora é um ato político. Um ato político que eu pretendo passar adiante com meus alunos.
E, de novo, não vou entrar na aula dizendo que eles não devem votar em fascista (vontade não falta, mas a gente segura). Eu quero que eles alcem voo, que eles entendam que têm o poder sim de mudar o mundo, nem que seja de grão em grão, quero ajudar eles, assim como me ajudaram, a entenderem seu lugar na sociedade e quero instruí-los a serem seres pensantes, políticos e gentis.
Jeni (via umahistoriaprarecordar)