Conversa de adolescente - Cashe minific #3 (Cassidy X Ashe - Overwatch/ Deadlock Rebels)
Cortar o vento gelado do inverno que começava a se assentar fazia as orelhas de Ashe doerem. Ela sentia o frio congelante de dezembro mesmo por cima de sua jaqueta protegendo seu torso e de sua bandana cobrindo seu rosto, ambos vermelho-sangue, que contrastavam com seu cabelo branco voando atrás dela.
Em alta velocidade pela estrada com Cole, Frankie e Bez logo atrás, eles voltavam para casa com os espólios do que Frankie, a hacker do grupo, prometia ser o roubo mais lucrativo do ano. Ashe não tinha muita certeza quanto àquilo, tendo em vista a facilidade com a qual conseguiram colocar as caixas de papelão nada pesadas nas motos, mas confiava na visão da amiga.
A lanchonete Panorama no alto do desfiladeiro Deadlock, começando a acender suas luzes neon sob o céu em crepúsculo, já estava à vista quando o quarteto começou a diminuir a velocidade, o ar gelado ainda os envolvendo em seu cruel abraço. Frankie foi a primeira a descer de sua moto, retirando a caixa da plataforma de carga com apenas um braço após apertar o botão da ignição para desligar o veículo.
“Espero que seja lá o que tenha nessas caixas deixe a gente podre de rico, Frankie.” A líder apertou o botão da chave, fazendo o portão se levantar.
Quando a conheceu, há 5 meses, Ashe não esperava que Frankie fosse ser mais do que uma peça útil e muito bem paga nos seus assaltos à empresa de armas de luxo de seus pais, que prometeram deserdá-la quando completasse 18 anos. No entanto, entre competições de moto, roubos, festas e sequestros, as duas forjaram uma grande relação de confiança que estava se tornando em uma verdadeira amizade.
“Já disse que nenhum assalto vai te dar a mesma fortuna que seus pais têm, Ashe.” Frankie balançou a cabeça, fazendo seus cachos dançarem. “Mas garanto que ainda assim os números vão nos dar uma boa festa de Natal!”
“Vai conseguir comprar aquelas botas de couro que você me mostrou naquele site semana passada?” A garota levantou uma sobrancelha para a amiga, sorrindo.
“Com a minha parte eu consigo comprar bota, jaqueta e chapéu de couro se você quiser!” Frankie respondeu antes de passar pelo portão aberto, sua voz ecoando pelo túnel que levava ao interior da base. “E com a sua eu quero que você compre aquela placa de vídeo 9090 pra mim pra-”
“Você poder jogar GTA 7 quando lançar, eu sei!” Ashe gritou de volta, revirando os olhos com um sorriso irônico. Ela não conseguiu ver a expressão da amiga, mas observou Frankie começar a saltitar esconderijo adentro até sumir de seu campo de visão, deixando-a a sós com sua imaginação sobre o que haveria naquelas caixas de papelão que prometia tanto lucro.
Percebendo que sua moto ainda estava ligada, ela girou a chave, desligando a ignição, o brilho do seu chaveiro tirando seus pensamentos da carga.
Sentada no banco, passou o polegar pelo pequeno bloco de metal com seu nome gravado em ouro, presente que Cole lhe dera em seu aniversário há dois meses, sentindo uma súbita leveza no peito.
“Você pode ter nascido em berço de ouro”, a voz dele ecoou pela lembrança daquele dia, “mas você é forte como aço também, Ashe”
Mas assim que sentiu a sombra de um sorriso se formar no rosto quente, imediatamente forçou aquela lembrança para as partes mais profundas de sua mente, um carretel de sentimentos embolados lhe deixando borboletas no estômago. As coisas estavam indo muito bem com os Deadlocks — e com o próprio Cassidy. Ela não poderia arriscar colocar tudo o que eles construíram abaixo com aquelas emoções confusas. No entanto, ela não conseguiu impedir a si mesma de lançar um olhar para Cassidy, que ainda estava com a moto ligada, assoprando as mãos e esfregando os braços expostos ao frio, Bez ao seu lado o mirando com desaprovação.
As borboletas morreram ao ver aquela cena ridícula.
“Eu falei pra você colocar um casaco, moleque.” O mais velho dos quatro soltou um longo suspiro, encarando o rosto do rapaz.
“N-não estava frio assim quando a gente saiu!” Cole protestou.
“Cassidy, estamos em dezembro.” Ashe se colocou ao lado de Bez, refletindo em seu rosto a expressão dele. “As noites são frias!”
“Eu não sabia que a gente iria demorar tanto!” ele se voltou para ela, assoprando as mãos novamente. “Você nos disse que seria um trabalho rápido!”
“É, e foi, mas eu não disse que seria perto!”, ela disse entre dentes. Eles haviam viajado do Arizona até o porto de St. Attila na Califórnia para aquele roubo. “Vem, entra logo. Você vai ficar resfriado.”
“Eu v-vou reabastecer primeiro.” ele fez o motor da moto grunhir. “Não se preocupem, eu já sobrevivi a noites p-piores!”
“Com a gente você não sobrevive.” Ashe tirou sua jaqueta, dando a volta até ficar atrás do rapaz e colocá-la sobre seus ombros “Você vive. E olha só, até que você fica bem de vermelho!”
“Fica mesmo, até na cara!” Bez soltou uma gargalhada intensa.
Ignorando aquele último comentário, Ashe pegou a caixa da plataforma da moto de Cole com um dos braços, indo até a sua para pegar a outra e, antes de sumir pela rampa por trás porta ainda aberta da garagem, ela podia jurar que conseguia sentir os olhos do rapaz a acompanhando.
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“São… pacotes?” A líder dos Deadlocks tentava não transparecer sua decepção. Todas as caixas continham a mesma coisa: pilhas e pilhas de saquinhos holográficos com mascotes estranhos estampados. Frankie estava tão estática que Ashe temia tocar nela e levar um choque e a líder sentia uma estranha tristeza em não conseguir acompanhar a animação da hacker.
“São as novas cartas de Pokémon.” Ela estava basicamente babando em cima das capas coloridas. “Elas valem uma fortuna! Especialmente as lendárias.”
“Uma fortuna por cartas?”
“Você se surpreenderia com o quanto de dinheiro nerds investem financeiramente em seus hobbies,” a hacker deu um sorriso esperto. “É um mercado muito lucrativo se você souber como usufruir dele.”
Frankie balançou a cabeça na direção de Bez, que olhava para os sacos como se fossem joias ao seu lado.
“Nós… vamos vendê-las separadamente?” Ele fez menção de pegar um deles, mas Frankie estapeou sua mão.
“Não, nós vamos procurar pelos pacotes com cartas lendárias”, ela deu dois toques em seus óculos de lentes finas e arroxeadas, “e vendê-los pelo preço de um rifle”.
O rosto de Bez se iluminou com a proposta, mas Ashe ainda não estava convencida do valor daquela carga. Ela abriu a boca, mas antes que conseguisse falar qualquer coisa, Cole apareceu no fim da rampa, ainda usando a jaqueta de Ashe.
“Hã…” Ele coçou a penugem de barba em seu queixo. “Nós viajamos 10 horas por saquinhos?”
Bez e Frankie trocaram um olhar de descrença.
“Como vocês não sabem o que é o jogo de cartas de Pokémon?” Frankie sacudia a cabeça ao perguntar. “Na escola de vocês ninguém jogava?”
“Acho que eu só não sou do nicho.” Cole deu de ombros. “Eu sempre preferi atirar, de qualquer forma.”
Ashe assentiu, concordando com aquele último comentário, mas os outros dois balançaram a cabeça veementemente, deixando um gosto amargo na boca da líder.
“Nossa, eu não consigo imaginar a minha infância sem esse jogo…” Frankie revirou um dos saquinhos com cuidado nas mãos, um sorriso nostálgico em seus lábios. “Lembro dos meus oponentes chorando toda vez que eu jogava minha Gardevoir ex!”
“E eu adorava ver a cara de espanto dos meus amigos quando eu mostrava a minha coleção.” Bez esticou a mão para o pacote, mas Frankie o tirou de seu alcance. “Eu não vou abrir, eu juro!”
“Assim como você também ‘não ia comer pizza sem tomar lactase’ na terça-feira?” A hacker riu para o amigo. “Eu te conheço, Bez. Você controla seus impulsos tão bem quanto uma criança de 2 anos.”
“Minha intolerância não é tão forte assim!” A pele quente do rapaz ficou avermelhada. “Aquilo foi um erro de cálculo!”
Ashe observou os dois continuarem a comentar sobre eventos nos quais ela não havia participado e seguir emendando assuntos dos quais ela desconhecia, sentindo o gosto amargo se transformar em uma sensação de náusea. Ela deu alguns passos para trás, acidentalmente trombando em Cole.
“Ei, você tá legal?” Ele a segurou pelos ombros, fazendo seu estômago reclamar ainda mais.
“Eu tô bem, Cassidy.” Ashe se desvencilhou dele com brutalidade, fazendo-o recolher os braços. “É só o cansaço da viagem.”
Ela desviou dele com o maxilar trancado, avançando em direção ao túnel pelo qual vieram. Ela precisava sair dali antes que desmoronasse na frente de todos.
A subida íngreme a recompensou com uma rajada congelante que entrou pelo portão ainda aberto, por onde B.O.B. estava colocando as motos para dentro. O robô parou onde estava, virando a cabeça para a garota com os olhos verdes brilhando silenciosamente.
“Agora não, B.O.B.” Ela evitou o olhar dele, cruzando a entrada. “Eu quero ficar sozinha.”
Sob a pouca luz que vinha da lanchonete, Ashe caminhou até a extremidade oposta da estrada à sua frente, sentando-se na borda do desfiladeiro e deixando as pernas balançarem no vazio. A sensação de adrenalina acalmou seu estômago, o coração acelerado a ajudando a focar no momento presente. O perigo era um velho amigo seu, um que sabia que não poderia perder.
O vento rugia pelas paredes do cânion, fazendo seus dedos doerem e seu maxilar tremer, mas também trazendo uma estranha sensação de conforto. Lembranças de noites como aquela que passava treinando sua mira sozinha na colina da Mansão Lead Rose vinham à sua mente. Mesmo na penumbra, ela conseguia acertar as garrafas de vinho importado — que nem sempre estavam vazias — a grandes distâncias. Mesmo com os músculos contraídos pelo frio, ela mantinha sua precisão impecável. Não importava a intensidade da dor, ela sempre conseguia suprimi-la, superá-la e vencer.
Com os cabelos gelados chicoteando em seu rosto, ela sentia-se endurecendo como as pedras abaixo dela. Inquebrável e impenetrável como aço.
“Você não tem medo de cair não?” A voz de Cole surgiu acima dela.
Ela jogou a cabeça para trás, encontrando um sorriso esnobe familiar que fez seu rosto esquentar, derretendo o feitiço gelado como uma peça de ouro.
“Eu não posso ter um momento de paz sem você me atazanar não?” A voz dela saiu alta.
“Olha, eu não pretendia vir te procurar agora, mas o B.O.B. me pegou no colo e me só me colocou de volta no chão aqui.” Cassidy botou uma das mãos no bolso da jaqueta vermelha e apontou para trás com o polegar da outra. Atrás dele, B.O.B. atravessava a rua deserta de volta para a garagem, dando um sinal de ‘joinha’ para Ashe antes de fechar o portão e deixá-los a sós.
A garota soltou um longo e profundo suspiro, esperando o rapaz iniciar um interrogatório exaustivo e inútil no qual ela estava determinada a não colaborar, mas Cassidy limitou-se a sentar ao seu lado com os pés pendurados e admirar a paisagem em silêncio, puxando um charuto e um isqueiro do bolso.
“Espera, isso é um Cohiba Behike?” Ashe percebeu certa familiaridade no cheiro.
“Cinquenta e seis.” Cole bloqueava o vento abaixo dele com a mão enquanto friccionava a roda do isqueiro.
“Você pegou isso do escritório do meu pai?” Ela imaginou a ira do homem ao abrir a gaveta e não encontrar seus preciosos charutos de luxo e sentiu seu rosto se contorcer em um sorriso empolgado. “Na minha festa de aniversário?”
Cole retribuiu com uma piscadinha.
“Achei que você não fosse se importar.” Ele tragou a fumaça, segurando-a por bastante tempo antes de soltá-la com os olhos fechados, os músculos relaxando enquanto expirava. Ele lhe lançou um olhar sereno e estendeu o charuto a ela.
“Não, valeu.” A garota balançou a cabeça, ainda sorrindo. “Não quero morrer aos 30.”
“Palavras interessantes vindo de uma fora-da-lei com 65 mil na cabeça.” Ele deu uma risada grave, ajeitando a jaqueta.
“Enquanto eu tiver vocês, nunca vão me pegar.”
“Então por que está aqui sozinha esperando alguém vir te empurrar?” Ele olhou para a queda abaixo deles. “Ou então te acertar?” Levantou o queixo em direção ao outro lado do desfiladeiro.
Ela abriu a boca para falar, mas fechou logo em seguida, mordendo o lábio inferior com força. Não havia como inventar um motivo lógico para justificar aquilo sem parecer uma grande idiota. Ela deu um suspiro, olhando para o horizonte.
“Eu só não queria ficar lá dentro com eles ouvindo uma conversa que eu não consigo acompanhar,” ela foi obrigada a ser honesta, “vendo a primeira amiga que eu fiz me abandonar por eu não saber nada sobre Pokémon.”
O rapaz franziu as sobrancelhas, como se estivesse olhando para um quebra-cabeças montado errado. Então seus olhos se arregalaram e se entristeceram.
“Você… está gostando dela?” Ele olhou para o chão de arenito, onde apagou seu charuto. Ashe virou o rosto para ele com rapidez, seu coração acelerando com a reação de decepção de Cole.
“Hum, não desse jeito”, ela tocou no assunto com cuidado. “É que eu nunca tive uma amiga antes, não uma que eu pudesse confiar de verdade”, ela pegou uma pedrinha que estava ao seu lado e a rodou entre os dedos, ”e justo quando nós estabelecemos nossa amizade, veio o Bez e se provou um amigo muito melhor pra ela do que eu.” Ashe apertou a pedra na palma da mão e a arremessou com força do penhasco.
O rosto de Cole se reenergizou com um perceptível alívio, sorrindo de orelha a orelha.
“Ela não vai deixar de ser sua amiga por causa de Pokémon, Ashe, e não acho que ela goste mais da amizade do Bez do que da sua.” Ele estreitou os olhos e abaixou o volume da voz. “Eu tô achando é que esses dois não estão querendo ficar só na amizade não.”
Os pontos se conectaram na mente da garota e suas sobrancelhas saltaram da testa.
“Você tem certeza?” Ela se inclinou na direção dele, relembrando as interações entre eles sob uma nova luz. Faria sentido, e seria um cenário favorável a Ashe, mas também era perigoso apostar todas as fichas naquela teoria caso sua primeira impressão fosse a correta.
“Certeza só eles podem dar”, Cassidy brincava de acender e apagar o isqueiro, “mas minha intuição sobre essas coisas nunca falhou até hoje.” Ele lançou um olhar furtivo a ela.
Aquela última parte acendeu um alerta na mente de Ashe, que recuou seu torso, sentando mais reta e considerando usar o penhasco como último recurso se ele começasse a falar o que a intuição dele dizia sobre ela.
“Mas, supondo que você esteja certo, será que isso não prejudicaria a dinâmica da equipe?” Ela levou o assunto para outra direção. “Talvez seja arriscado demais permitir romances entre membros, não acha? Gera muitas distrações…”
“Sinto muito, mas eu discordo”. Ele fechou o isqueiro e olhou para o céu. “O amor é a única coisa que consegue manter as pessoas unidas mesmo na pior das situações. É ele que dá força a elas para lutar por um futuro.” Ele a olhou nos olhos, balançando a cabeça. “Impedir duas pessoas que se amam de ficarem juntas é dar um tiro no próprio pé. Melhor deixar eles serem o que tiverem que ser.”
“Nossa, eu não esperava que você fosse tão romântico, Cassidy!” Ashe zombou, colocando uma mão no rosto. Ela teve a impressão de vê-lo corando.
“E eu não sou!” Ele cruzou os braços, franzindo o nariz. “Mas… foi o amor das minhas mães que nos deu tudo o que nós tínhamos.” Ele virou o rosto para longe da amiga. “Elas perderam tudo por ficar juntas, mas recomeçaram do zero e conseguiram construir nossa fazenda com o apoio uma da outra.” Ele voltou a encará-la. “Então eu sei a força que o amor tem!”
A história de Cole pegou a garota de surpresa. Ele nunca falava sobre seu passado, e quando questionado sobre ele, dava respostas vagas e contornava o assunto dizendo que ‘era a mesma tragédia de todo mundo que viveu a guerra’. Ouvi-lo falar sobre sua família não só de forma direta, mas também revelando a admiração que tinha por ela, fez Ashe sentir como se uma barreira invisível entre eles estivesse se quebrando silenciosamente, deixando a atmosfera ao redor estranhamente confortável.
“Isso é bem bonito, Cole.” Ela não quebrou o contato visual até continuar a falar. “Meus pais se odiavam tanto quanto me odiavam. Às vezes eu nem conseguia dormir ouvindo eles gritando um com o outro madrugada adentro. B.O.B. ficava comigo até tudo acabar… Mas na frente das câmeras fingiam ser almas gêmeas! E o pior é que fingiam bem. Eu sempre achei tão injusto eu ser a única que sofria as consequências da verdade e saber que ninguém acreditaria em mim se eu ousasse contá-la.”
Ela nunca havia revelado isso pra alguém. Um segredo por outro, assim era justo. Ashe se levantou, dando as costas para ele, indo em direção à base aproveitando os poucos segundos do prazer de sentir aquele peso saindo das costas, pronta para reerguer a barreira novamente. Mas antes de conseguir pisar no asfalto, ela sentiu a mão dele na sua. Ela olhou para trás.
“Eu sinto muito pelo que você passou.” Ele estava de pé, seus olhos a envolvendo com um carinho que Cole não costumava demonstrar. “Eu queria que você tivesse crescido com uma família melhor.”
Ela sentiu uma pontada quente no coração.
“E eu queria que você pudesse ter a sua de volta.” Ela ouviu a si mesma dizendo.
Os olhos de Cole ficaram marejados e, antes que percebessem, estavam um nos braços do outro, encaixados no abraço quente e reconfortante que ambos precisavam.
“Vocês são a minha família agora”, ela disse em seu ombro, “eu não posso perder vocês!”
“Você não vai!” Ele respondeu com o rosto em seu cabelo, a voz embargada. “Vocês são tudo o que eu tenho e eu não vou deixar isso acontecer!”
Ela sentiu dar um beijo em sua cabeça, o que lhe trouxe uma onda de calma, involuntariamente relaxando o corpo contra o dele. Pelo que talvez fosse a primeira vez, ela não lutou contra o conforto, mergulhando na frágil segurança que o momento oferecia até Cole se afastar.
“Sei que Frankie vai voltar a passar mais tempo com você” Ele a segurou pelos braços. “Se você ainda estiver preocupada com isso.”
“Não mais, agora eu sei que não é uma competição.” A garota puxou os membros, deslizando as mãos entre as dele até estar livre de seu toque. “Vamos entrar, está muito frio aqui fora.”
Com um aceno de cabeça, Cole a seguiu até o portão que se abria, revelando um paciente B.O.B. que nunca havia saído dali. Cole passou por ele e desceu, mas Ashe tomou um minuto para olhar nos olhos verdes e brilhantes do robô antes de se jogar em seu torso metálico.
“Obrigada.” Ela disse baixinho, soltando o membro mais antigo de sua família logo depois, pronta pra ir ao encontro dos novos que a esperavam no subsolo.









