A Pétala, a Cruz e a Devoção
Eu findo no teu início Eu me gasto nos teus lábios Eu me farto em tuas ancas fartas E morro outra vez escorrido de virilhas Eu contra teu rosto Pressionando lábios quentes Contra tua cabeça torta Disparando frases profanas
Esvaziado e ainda vivo Engatilhado em outro pronome Submerso em outras promessas Eu ainda não lhe trouxe a doce morte
Ela é densa como a noite Ela é quente como os corpos pela madrugada Ela é a vertigem que me atinge a cada duas horas Ela é brilhante e comovente como a lua cheia E ainda que me toques, não aquece E ainda que me beijes, se esquece E ainda que jure amor, te demores E ainda mesmo que me evite, logo me procuras És o nome do meu destempero És o teu perfume que me instiga És a dor que me provoca És a companhia que me mastiga Eu como um sinônimo nu Sendo fantasiado de banquete Quebrado como as ondas contra rochas Ferido ao se deparar com espinhos no buquê Eu fingi luxúrias, eu cantei pólvoras Eu me desdobrei a ti feito religião Eu finjo amargura, quando tudo é alívio Abandonado, posso enfim deixar minha obsessão devota...











