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Resumos dos últimos módulos, 7 8 e 9, de História do 12º!
tirem boas notas. fica cansativo ter q reescrever tudo em cada post. gosto de escrever aqui os meus resumos pra estudar. aqui têm o google docs inteiro
Módulo 7 — Crises, embates ideológicos, e mutações culturais na primeira metade do século XX
As transformações das primeiras décadas do século XX
Após a primeira guerra mundial, houveram várias mudanças na geopolítica da Europa, como o colapso de impérios, o triunfo das democracias que espalharam-se pelo continente, o nascimento de novos estados, a ampliação de fronteiras, e a criação da Sociedade das Nações.
No Império Russo, antes da primeira guerra tinha surgido o movimento de contestação à autocracia do czar Nicolau II, após a inesperada derrota contra o Japão. Para evitar uma guerra civil, o czar ligeiramente liberalizou o país, no entanto esta contestação continuou a agravar-se. Os camponeses protestavam pelas terras concentradas nos grandes proprietários, os operários lutavam por melhores condições de trabalho, e a burguesia e nobreza liberal desejavam a abertura política do país.
A participação Russa na primeira guerra mundial agravou todos os problemas e contribuiu para que em Fevereiro de 1917 ocorresse uma revolução. Esta revolução foi liderada pela burguesia liberal, depondo o czar e criando um Governo Provisório. Além disso, proliferaram pelo país todo os sovietes, conselhos de operários, camponeses, soldados, e marinheiros, criando assim uma dualidade de poderes entre o Governo Provisório e os Sovietes.
Porém, o Governo Provisório cometeu um erro muito grave e impopular, manteve a Rússia na guerra. A Alemanha, com o objetivo de trazer ainda mais instabilidade à Rússia, ajudaram Lenine a sair do exílio e retornar à Rússia. Assim, em Outubro de 1917 ocorre uma segunda revolução, liderada pelos bolcheviques, que derrubam o Governo Provisório, e publicam os «decretos revolucionários».
Decreto sobre a Paz: Declara a saída imediata da Rússia da primeira guerra mundial.
Decreto sobre a Terra: Aboliu-se a grande propriedade, entregando as terras aos camponeses.
Decreto sobre o Controlo Operário: O controlo sobre as empresas é entregue aos operários.
Decreto sobre a Nacionalidade: Todos os povos do antigo império Russo recebem igualdade e o direito à autodeterminação.
Os decretos sobre a terra e sobre o controlo operário foram recebidos com oposição dos kulaks e dos empresários que, juntamente com a permanência das más condições de vida, fez com que os bolcheviques perdessem as eleições com apenas 25% dos votos. No entanto, recusaram-se a sair do poder, levando à eclosão de uma guerra civil entre os Vermelhos(bolcheviques) e os Brancos(opositores ao bolchevismo, apoio internacional).
Face a este clima de guerra civil, a ditadura do proletariado foi implementada com um caráter violento. A economia foi nacionalizada, foi posto em prática o trabalho forçado, combateu-se o analfabetismo, e institucionalizou-se o terror com uma polícia política.
Ambas a guerra civil e a guerra mundial deixaram o país arruinado, e não querendo edificar o Socialismo sob ruínas, Lenine decide fazer um recuo estratégico ao Capitalismo, implementando medidas capitalistas limitadas, conhecidas como a Nova Política Económica(NEP), suspendendo a coletivização agrícola, permitindo a venda de excedentes agrícolas, e privatizando as pequenas empresas. Estas medidas modernizaram o país, mas colocaram em causa o ideal Comunista.
A primeira guerra mundial também teve efeitos na mentalidade da sociedade. A brutalidade da guerra deixou um grande sentimento de descrença e pessimismo quanto a todos os valores antigos, pois foram estes que levaram à guerra, instalando-se um clima de anomalia, acelerando mudanças já em curso, nomeadamente quanto ao feminismo e a emancipação feminina.
Socialmente, as mulheres obtiveram uma maior liberdade na forma de atuação, quanto a atividades, a roupas, cabelos, etc. Politicamente, através do movimento feminista, observa-se à disputa pelo acesso à educação, ao trabalho socialmente valorizado, ao direito ao voto, etc.
Também houveram inúmeras mudanças quanto à tecnologia e à ciência. As novas tecnologias permitiram um mundo mais interconectado, o que favoreceu a homogeneização dos gostos e costumes a nível internacional, e as novas descobertas científicas alteraram a forma de ver o mundo e as pessoas.
Também houveram várias mudanças na arte, outra vez a parte que menos me interessa, vejam os resumos eu nao quero tar aqui a descrever 20 tipos diferentes de arte.
Portugal no primeiro pós-guerra
A participação Portuguesa na primeira guerra mundial agudizou todos os já existentes problemas económicos, o país sofria de uma crónica instabilidade política(nossa q novidade), havendo 45 governos em 16 anos, e socialmente os monárquicos opunham-se à República, os católicos opunham-se às medidas seculares, as classes médias perderam o seu poder de compra, e o operariado vivia na miséria.
Isto tudo fez surgir uma grande oposição à República. O sucesso da revolução Russa fez com que as ideias marxistas-leninistas espalhassem-se pelas classes trabalhadoras, o que fez com que as classes médias, os grandes proprietários, e os capitalistas, com medo da ameaça bolchevique, apoiassem um governo forte para lidar com estes problemas. Gomes da Costa realizou um golpe militar, e depois o general Óscar Carmona realiza outro golpe militar e passa a governar o país em ditadura.
e tem ainda mais cenas sobre a arte. o naturalismo era a corrente mais forte, houve alguns sucessos das correntes modernistas, mas que depois foram morrendo, até ao secretário da SPN apoiar o modernismo para dar uma imagem mais moderna ao Estado Novo.
O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30
Uma das características do capitalismo liberal são as crises cíclicas, e tal aconteceu em 1929, uma das crises mais graves, o «Crash» Bolsista em Nova Iorque. Esta crise afetou os Estados Unidos inteiro, levado à falência de bancos, empresas, e ao desemprego. Para tentar resolver a crise, os Estados Unidos aumentaram as taxas sobre as importações, e retiraram os empréstimos que estavam a dar à Europa para recuperar da grande guerra. Isto fez com que a crise espalhasse-se para a Europa e os países fornecedores de matérias-primas, dependentes das exportações, colapsando o comércio internacional.
No entanto, a União Soviética não foi afetada, e até teve a sua economia crescer. Este sucesso, em contraste com um mundo capitalista decadente, fez com que o apoio aos ideias comunistas se espalhassem pelas classes trabalhadoras pelo mundo todo. As classes médias e altas, para contrariarem esta viragem ao bolchevismo, apoiaram a extrema direita, o Fascismo.
No entanto houveram algumas democracias que conseguiram escapar ao Fascismo, através da criação de Frentes Populares, largas coligações de partidos para contrariar o aumento do apoio Fascista. A crise pôs em causa a capacidade autorreguladora do capitalismo liberal, fazendo com que os Estados tivessem uma maior intervenção na economia, com o objetivo de garantir o bem-estar da população, conhecido como o «Estado-Providência».
Na Alemanha e na Itália venceram o Fascismo e o Nazismo, caracterizados pelo totalitarismo(desprezo pelas liberdades individuais), pelo nacionalismo(o bem e glória da nação acima de tudo), pelas elites(ao governo só competem os melhores, as elites), pelo culto ao chefe(os chefes de estado são considerados heróis que devem ser seguidos sem hesitação), pelo enquadramento das massas(criação de organizações e instituições que garantem a obediência e o apoio do regime fascista), e pela autarcia(autossuficiência económica).
Na União Soviética, o Estalinismo foi caracterizado também pelo totalitarismo e o culto ao chefe. Na economia, os campos foram coletivizados, confiscando as terras aos kulaks e criando as novas quintas coletivas, e a planificação económica era feita através do estabelecimento de metas a atingir em planos quinquenais.
O regime Nazi distingue-se do Fascismo Italiano pela obsessão com a «superioridade da raça Alemã», levando ao eugenismo e à eliminação de grupos étnicos considerados inferiores, principalmente o genocídio contra os Judeus com o Holocausto.
Portugal: o Estado Novo
A nova ditadura militar instaurada falhou em resolver os problemas económicos e políticos. Em 1928, António Oliveira de Salazar entra no governo e toma controlo sobre a pasta das finanças, e pela primeira vez o país apresenta saldo positivo no Orçamento. Devido a este milagre, ele é nomeado a chefia do governo.
Salazar proclama o seu propósito de criar uma nova ordem política, conhecida como «Estado Novo», contra o liberalismo e a democracia, de caráter autoritário, e profundamente conservador e tradicionalista.
Progressivamente o Estado Novo foi aproximando-se do Fascismo Italiano, partilhando muitas características como o culto ao chefe(salazar era o «salvador da pátria»), o nacionalismo(fez os portugueses um «povo de heróis»), o autoritarismo(anti-liberal, anti-democrático, anti-parlamentar), o corporativismo(modelo de organização económica que opõe a divisão feita pela luta de classes), e o enquadramento das massas(são criadas instituições que asseguram os ideias e liderança do Estado Novo. recorre à censura prévia e à polícia política).
O Estado Novo atingiu a estabilidade financeira com uma melhor administração dos dinheiros públicos e seguindo as medidas da autarcia, defendeu a ruralidade privilegiando o mundo rural, investiu em obras públicas e infraestruturas, condicionou a indústria através de vários obstáculos impostos, criou corporações de patrões e operários, e afirmou a missão histórica «civilizadora» de territórios ultramarinos.
O Estado Novo também considerou uma produção cultural submetida ao regime através de um projeto chamado «política de espírito» com o objetivo de elevar a mente dos Portugueses, utilizando artistas e escritores como instrumentos de propaganda liderados pelo Secretariado de Propaganda Nacional, nas artes visuais, na literatura, nas artes plásticas e decorativas, na arquitetura, no bailado, no teatro, e no cinema. Também foram feitas várias exposições nacionais e internacionais expondo as várias obras culturais do país, principalmente de caráter histórico.
Módulo 8 — Portugal e o mundo, da II Guerra Mundial ao início da década de 80: opções internas e contexto internacional
A degradação do ambiente internacional
este tópico é extremamente curto. A guerra civil Espanhola foi usada como uma espécie de «laboratório experimental» para a Alemanha testar o seu exército e novas tácticas, o «blitzkrieg»(ou «guerra relâmpago»).
Nascimento e afirmação de um novo quadro geopolítico
Após o fim da segunda guerra mundial, o Leste Europeu, liberado da ocupação nazi pelo exército vermelho, foi ocupado pela União Soviética, e todos esses países tornaram-se Socialistas, designadas «democracias populares». Esta nova área de influência Comunista foi chamada «cortina de ferro» por Churchill.
Assim o mundo ficou divido em dois blocos, o Bloco Capitalista e o Bloco Comunista.
Nos países ocidentais predominou a democracia social e a democracia cristã, ambos sistemas que seguiam o Estado-Providência. Devido ao Plano Marshall e à intervenção dos Estados durante os primeiros 30 anos após a guerra, viveu-se num período de prosperidade económica conhecido como os «Trinta Gloriosos», caracterizado pela aparição da sociedade de consumo.
Nas democracias populares do Leste Europeu e na União Soviética foi implementado o modelo de planificação económica Soviético, rapidamente reconstruindo estes países arruinados pela guerra, através de metas e planos quinquenais. Com total prioridade dada à indústria pesada e às infraestruturas, estes países atingiram taxas de crescimento económico até superiores a países Capitalistas. No entanto, como não houve nenhum foco dado à agricultura, às indústrias de consumo, ou ao setor terciário, o nível de vida das pessoas não acompanhou este crescimento. Além disso, este sistema sofria de bloqueios económicos, pois os gestores limitavam-se a atingir apenas as metas estabelecidas.
Após a guerra houveram vários movimentos independentistas. A guerra era vista como uma luta pela liberdade, que logicamente deveria-se estender ao mundo inteiro, e também expôs as fragilidades do domínio Europeu, que não conseguiram proteger os seus territórios. Além disso, a União Soviética, os Estados Unidos, e a ONU apoiavam a descolonização.
Devido à possibilidade de uma nova guerra, os dois blocos procederam à corrida armamentista, aumentando as suas capacidades militares, nomeadamente as suas armas nucleares. O enorme poder destrutivo destas novas armas introduziu uma nova característica à política mundial: a dissuasão, onde ambos os blocos tentavam persuadir o outro a não invadir, pois caso o fizesse utilizaria o seu arsenal nuclear. Esta rivalidade expandiu-se a outras áreas, principalmente na corrida ao espaço.
Portugal, do autoritarismo à democracia
Mesmo a segunda guerra mundial sendo vista como o fim do Fascismo, a ideologia permaneceu na península Ibérica, com Portugal e Espanha. A política anti-comunista do Estado Novo servia os interesses do Bloco Capitalista, e a base das Lajes nos Açores tinha uma posição geoestratégica.
Devido aos problemas económicos do país, o Estado Novo acabou por abandonar a autarcia, integrando o país nas estruturas económicas internacionais, como o Plano Marshall, e começou a dar prioridade ao desenvolvimento da indústria através da elaboração de Planos de Fomento, modernizando o litoral e aproximando-o dos padrões Europeus, incluindo nas mentalidades, que começou a confrontar a realidade tradicional e fechada do país. Enquanto o litoral urbanizava, o interior rural do país permanecia estagnado, com a maioria dos trabalhadores agrícolas a viver na miséria. As más condições de vida levaram a grandes vagas migratórias, para o litoral e para o exterior.
Devido à derrota do Fascismo, o Estado Novo, pretendendo manter o autoritarismo, decidiu dar ao regime uma «aparência democrática». Salazar anunciou eleições e permitiu a criação do Movimento de Unidade Democrática(MUD), nascendo assim a Oposição Democrática, composta por todos os opositores ao regime. No entanto, a eleição acaba por ser uma farsa, o MUD abandona a candidatura, e os seus membros são perseguidos pelo Estado. A Oposição Democrática volta a mobilizar-se em torno do candidato Norton de Matos, mas devido à repressão acaba por desistir também, e nos seguintes anos a Oposição Democrática enfraquece e fragmenta-se.
Mas, em 1958, o general da força aérea Humberto Delgado candidata-se às eleições presidenciais. Anuncia o seu propósito de não desistir e declara que se for eleito demitirá Salazar, dando-lhe o nome de «General sem Medo». Durante a sua campanha, cria uma imensa mobilização popular pelo país todo, no entanto os resultados oficiais declaram Américo Tomás como vencedor, e o sistema eleitoral é anulado. A credibilidade dos resultados e do regime foram postos em causa, e nos seguintes anos o apoio da Oposição Democrática aumentou.
A vaga de descolonização após a segunda guerra mundial levou o Estado Novo a rever a sua política colonial, revogando o Ato Colonial e passando o estado legal das colónias para províncias ultramarinas. No entanto, começa a Guerra Colonial.
Em 1968, Marcello Caetano tomou posse do poder. Nos primeiros meses de mandato, o regime dá sinais de abertura e preparam-se as eleições legislativas de 1969, aumentando a esperança da Oposição Democrática. No entanto, mesmo havendo menos manipulação, a União Nacional recebe 100% dos mandatos, e Marcello Caetano fortalece a repressão. Na política colonial, o país continua a luta armada, o que levou a um aumento na contestação interna e externa do país(grupos maoístas, os católicos, o cardeal D. António Ribeiro, a Oposição Democrática, o exército, general Spínola, a ONU, o Papa Paulo VI).
O impasse da guerra colonial juntamente com o mau estar do exército convenceu muitos generais que estavam a lutar por uma causa perdida. Nasceu o Movimento dos Capitães(inicialmente por razões de trabalho) que depois tornou-se no Movimento das Forças Armadas(MFA) com o objetivo de realizar um golpe militar.
Após uma tentativa falha em Março, o MFA planeou, com muito pormenor e cuidado, uma segunda operação militar para o dia 25 de Abril de 1974. Após o cerco do Quartel do Carmo, Marcello Caetano rende-se diretamente ao general Spínola. É criada a Junta de Salvação Nacional que tomou medidas imediatas para desmantelar as estruturas do Estado Novo e anunciou eleições.
O país viveu num período de imensa instabilidade. É criado o I Governo Provisório, liderado pelo general Spínola, no entanto devido à progressiva virada do país à esquerda ele demite-se, e é criado o II Governo Provisório liderado por Vasco Gonçalves. O general Spínola tenta travar esta viragem através duma golpe de estado, mas fracassa, acentuando o radicalismo, sendo criado o Conselho da Revolução, que tornou-se o verdadeiro centro do poder liderando o Processo de Revolução Em Curso(PREC).
O Estado nacionaliza todos os bancos e as grandes empresas ligadas aos setores económicos de base. No Sul, o Estado procede à Reforma Agrária, através da ocupação das terras pelos trabalhadores(poder popular) e expropriação das terras pelo Estado, onde são criadas as Unidades Coletivas de Produção(UPC) que tinham total liberdade de autogestão e controlo sobre o equipamento agrícola.
Baseado no direito à autodeterminação, e apoiado pela maioria dos partidos, o Conselho de Estado aprova uma lei reconhecendo o direito à independência de todas as colónias.
No dia 25 de Abril de 1975 são realizadas as eleições prometidas pelo MFA onde a extrema esquerda acaba por perder. No entanto, recusam-se a sair do poder, num período de grande instabilidade conhecido como «verão quente», até ao dia 25 de Novembro, são depostos num último golpe militar. A Assembleia Constituinte elabora uma nova constituição, no entanto devido ao clima onde se vivia, assinaram o «Pacto MFA-Partidos», que garantia a preservação das conquistas revolucionárias.
Num longo processo de democratização são feitas várias revisões constitucionais eliminando as restrições do Pacto MFA-Partidos. O Conselho da Revolução é abolido, os poderes do presidente diminuem, os poderes do parlamento alargam, os juízes passam a ser nomeados pelo Conselho Supremo da Magistratura, são criadas as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, e o poder local é organizado em municípios e freguesias. Com o objetivo de integrar Portugal nas Comunidades Europeias, são feitas mais revisões constitucionais adaptando o sistema de governação nacional.
Módulo 9 — Alterações geoestratégicas, tensões políticas, e transformações socioculturais no mundo atual
O fim do sistema internacional da Guerra-Fria e a persistência da dicotomia Norte-Sul
A progressiva abertura política e económica da União Soviética por Mikhail Gorbatchev através da Glasnost e a Perestroika levou à queda das democracias populares do Leste Europeu, enquanto a URSS desmembrou-se, assim acabando com o bipolarismo e a guerra fria. Economicamente estes países sofreram uma forte regressão económica.
Apesar do medo e tensão relativo à possibilidade de uma grande guerra, e os vários conflictos localizados, ambos os Estados Unidos e a União Soviética queriam impedir conflictos nas suas áreas de influência, levando a um «equilíbrio de terror» que favorecia uma certa «estabilidade mundial». Quando acabou a guerra-fria, eclodiram conflictos violentos no Leste Europeu, na África, e no Médio Oriente.
Com a queda da União Soviética, os Estados Unidos passaram a ser a única potência mundial, criando um mundo unipolar, devido à sua prosperidade económica, dinamismo cientifico-tecnológico, e a sua supremacia político-militar.
A União Europeia ao longo dos anos foi aprofundando-se através duma série de medidas, como a criação dum mercado único, duma moeda única, da cidadania Europeia, e com o alargamento geográfico. Isto tornou a Europa numa grande potência económica, a par dos Estados Unidos ou da China, dando-lhe uma vós em questões internacionais.
Após o fracasso do Maoísmo, o seu sucessor Deng Xiaoping decidiu repensar a economia Chinesa. Criou as Zonas Económicas Especiais(SEZ) nas regiões litorais, dotadas de legislação ultraliberal, e integrou o país nas estruturas económicas internacionais, tornando a China na segunda potência económica mundial. Este processo de abertura e aproximação da China ao Ocidente favoreceu a integração de Macau e Hong Kong, que, como condição de devolução das ex-colónias, tornaram-se Regiões Administrativas Especiais, dotadas de bastante autonomia.
A viragem para uma outra era
A nova era após a Guerra-Fria é definida por vários elementos, características, e novos problemas internacionais, como a massificação e miscigenação cultural, uma nova cultura urbana globalizada, a hegemonia da internet e das redes sociais, a expansão dos direitos humanos, a declaração dos direitos dos animais, e a consciência ecológica devido à poluição.
A economia também ficou globalizada devido à liberalização das trocas, o aumento de circulação de capitais, a aparição de empresas multinacionais, e as mais rápidas e eficientes tecnologias de comunicação.
Hoje em dia existem novos problemas enfrentados como a migração, a segurança, quer quanto ao terrorismo, quer quanto à internet, e o ambiente.
Portugal no novo quadro internacional
Imediatamente após a adesão Portuguesa à União Europeia os fundos Europeus desenvolveram e modernizaram o país. Após muitos esforços o país adere à moeda única, mas devido ao mercado único, o crescimento económico abranda, pois sem protecionismo a economia Portuguesa fica exposta à concorrência externa. A Grande Recessão de 2008, juntamente com a adesão de novos estados-membros com capacidade competitiva, fez com que a economia desenvolvesse desfavoravelmente, e a dívida pública aumenta. Internamente quanto à demografia a população envelhece; o país recebe imigrantes de vários lugares, maioritariamente Lusófonos como do Brasil; e na sociedade e cultura o país revela-se mais aberto.
Devido ao processo de democratização o país usufrui de um «prestígio democrático», sendo respeitado e confiado pelos parceiros Europeus e do mundo. Portugal também boas relações com os PALOP, e juntamente com o Brasil e Timor-Leste formam a Comunidade de Países de Língua Portuguesa(CPLP). Portugal também mantém uma colaboração ativa com a comunidade Ibero-Americana.
tirem nota máxima!!
Resumo dos módulos 5 e 6 de História do 11º!
estudem pro exame! outra vez vou escrever aqui a matéria. Se alguém encontrou isto e quer os meus resumos completos, têm aqui o meu google docs do 11º de historia!
Módulo 5 — O liberalismo - ideologia e revolução, modelos e práticas do século XVIII e XIX
A implantação do liberalismo em Portugal
Durante os séculos XVIII e XIX espalharam-se os ideias liberalistas pela Europa e América, nomeadamente nas revoluções Francesa e Estadunidense. Os direitos dos cidadãos foram implantando-se, com base na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Durante as guerras Napoleónicas, a França invadiu Portugal, levando à corte Portuguesa a refugiar-se no Brasil, colocando o Conselho de Regência a governar o país. No entanto, o seu poder foi sobreposto pelo marechal Inglês Beresford, fortemente repressor quanto à população Portuguesa, que foi posto encarregue das tropas Portuguesas no continente. A corte, agora no Brasil, elevou o seu estatuto de colónia, acabando com o exclusivo colonial, que abriu os portos Brasileiros ao mercado internacional. Além disso assinaram o tratado comercial de 1810 com a Inglaterra, idêntico ao antigo Tratado de Methuen.
Todos estes fatores levaram a que a Burguesia planeasse uma revolução, com a criação do Sinédrio em 1817 por Manuel Fernandes Tomás. Eventualmente, o marechal Beresford foi para o Brasil pedir mais dinheiro ao rei, que, juntamente com a propaganda liberal vinda de Espanha, levou à eclosão de uma revolução em 1820.
São criadas as Cortes Constituintes, que elaboram uma nova constituição, a Constituição de 1822, a qual o rei D. João VI presta juramento após o seu regresso a Portugal. Estas cortes eram maioritariamente compostas por uma facção liberal radical conhecida como «vintistas».
No entanto, a legislação vintista tinha vários problemas. Primeiro, era contraditória, pois era politicamente liberal, mas economicamente foram mantidas medidas protecionistas. Segundo, pretendiam retornar Brasil ao estatuto de colónia, o que provocou a sua declaração de independência. E terceiro, era demasiado radical para a sua época, o que chateava a Nobreza e o Clero, privados dos seus privilégios.
Estes problemas culminaram numa contrarrevolução chamada «Vila-Francada», que foi travada por D. João VI. Ele defendeu uma alteração à constituição, mas as cortes recusaram, o que levou a uma outra contrarrevolução chamada «Abrilada», que D. João VI outra vez travou.
Após a sua morte, o trono é herdado por D. Pedro, Imperador do Brasil, que elabora a Carta Constitucional de 1826, muito mais conservadora. D. Pedro abdica do trono, passando-o à sua jovem filha D. Maria da Glória, como seu irmão D. Miguel a governar como Regente. No entanto, após prestar juramento à Carta Constitucional, D. Miguel imediatamente declara-se rei absoluto. D. Pedro abdica do trono Brasileiro, retorna a Portugal, e após uma guerra civil retorna o trono à sua filha, instalando assim definitivamente o liberalismo em Portugal.
A nova legislação de Mouzinho da Silveira consolidou o liberalismo no país através de uma série de medidas quanto à propriedade, o comércio, a administração, as finanças, e a justiça.
No entanto, o país permaneceu instável(nunca deixa de ser LOL), levando à Revolução de Setembro de 1836, que elabora a nova Constituição de 1836, como um compromisso entre a Constituição de 1822 e a Carta Constitucional de 1826. O novo governo Setembrista pretendia desenvolver a pequena e média burguesia, protegendo a produção nacional, valorizando as colónias, e reformando o ensino.
Estas medidas não deram os resultados esperados, então logo houve um golpe de estado pacífico que repôs a Carta Constitucional de 1826. O novo governo Cabralista fomentou a indústria, centralizou a administração, investiu em obras públicas, e reformou a saúde.
No entanto as suas medidas não foram populares, levando a um clima de guerra civil entre Cabralistas, Setembristas, Cartistas, e Miguelistas, e a guerra civil reacende com a «Patuleia». Com a intervenção da Inglaterra e da Espanha na Convenção de Gramido, foi garantida uma amnistia geral. No fim disto tudo, os Cartistas sairam vitoriosos.
O legado do liberalismo na primeira metade do século XIX
Os novos valores do liberalismo contrapuseram-se com os valores do Antigo Regime. Os direitos das pessoas deviam ser iguais à nascença, em contraste com os direitos e deveres que mudavam consoante a nascença em cada ordem; os poderes passaram a ser separados e eleitos, ao contrário do poder absoluto dos reis; e separou-se a Igreja do Estado, ao contrário dos antigos privilégios garantidos ao Clero e à Igreja.
O Homem passou a ser um cidadão que intervém na política, quer em cargos políticos, ou tomando iniciativas políticas. A economia passou a desenvolver-se sozinha, segundo as leis do mercado, sem intervenção do Estado.
No entanto, uma exceção à liberdade que permaneceu foi o mantimento da escravatura e do tráfico de escravos. A França foi a primeira a abolir a escravatura em 1794, no entanto retornou com Napoleão em 1802. O primeiro país a abolir definitivamente foi a Inglaterra, que, devido a razões económicas, pressionou outros países a fazer o mesmo. A legislação Pombalina aboliu a escravatura na metrópole, o tráfico de escravos é abolido durante o governo Setembrista, e só com o rei D. Luís em 1869 a escravatura é abolida definitivamente.
Módulo 6 — A civilização industrial - Economia e sociedade; nacionalismos e choques imperialistas
As transformações económicas na Europa e no Mundo
O processo de industrialização começou com a Revolução Industrial na Inglaterra, consolidando a hegemonia Britânica. Serviu também de modelo para a industrialização de outros países, levando à afirmação de novas potências industriais, como a França, a Alemanha, os Estados Unidos, e o Japão. Este processo levou ao capitalismo industrial, onde a atividade industrial serve de «motor» do crescimento económico.
Na busca de matérias-primas, as potências industriais recorreram à expansão colonial, destacando-se a corrida a África. Para evitar conflictos e guerras, foi realizada a Conferência de Berlim, estipulando as regras na competição imperialista.
O crescimento económico durante o liberalismo liberal não foi constante, e ocorriam crises cíclicas, flutuando entre períodos de forte crescimento económico e períodos de diminuição do crescimento, normalmente causadas pela superprodução, devido à falta de regulação de mercado.
A maioria dos países adotou o livre-cambismo, um regime económico livre de taxas e barreiras alfandegárias, seguindo os princípios da «divisão internacional do trabalho» e da «vantagem comparativa entre os países». Assim, cada país devia especializar a sua produção no que tem maior capacidade produtiva, e depois vender os seus excedentes para comprar os outros produtos que necessita.
A sociedade industrial e urbana
O fim do Antigo Regime acabou com a sociedade de ordens, baseadas na nascença, e iniciou-se a sociedade de classes, baseada no grau de riqueza. Com a expansão da indústria, do comércio, e da banca, apareceu uma nova elite, a Burguesia, dividida em três estratos, a Alta, a Média, e a Pequena Burguesia, afirmando-se socialmente, economicamente, e politicamente. A média e pequena Burguesia constituem as classes médias que aumentaram lado a lado com a industrialização.
Enquanto as classes altas e médias enriqueciam, a classe operária, ou «proletariado», teve as suas condições de vida e trabalho piorarem, com baixos salários, longas horas de trabalho, etc. Esta miséria levou ao surgimento da «questão social», referindo-se aos problemas sociais da classe operária. Apareceu assim o movimento operário, com o objetivo de mitigar as más condições de vida dos operários, através da criação de associações mutualistas e cooperativas, organizações operárias, e a divulgação de novas ideias.
Na base do movimento operário encontravam-se os sindicatos, associações de trabalhadores que apoiavam o sindicalismo, um movimento que pretendia defender os direitos dos trabalhadores através de negociações ou da luta, nomeadamente greves e manifestações.
Apareceu também uma nova ideologia, o Socialismo, que pretendia alterar a sociedade capitalista e liberal, considerando-a responsável por estes problemas. Ficou divida em duas correntes, o Socialismo Utópico/Idealista, que pretenda criar um mundo perfeito, tendo uma visão idealizada da sociedade, e o Socialismo Científico/Marxismo, baseado numa análise crítica e histórica da sociedade, defendendo a luta de classes e o fim do capitalismo.
Ao longo do século XIX as condições de vida e trabalho da classe operária foi melhorando. Os sindicatos também começaram a criar partidos, participando na política. Os Estados liberais foram democratizando-se, consagrando o sufrágio universal e diminuindo o poder da burguesia.
Portugal, uma sociedade capitalista periférica
A industrialização Portuguesa foi muito lenta e atrasada(já industrializamos sequer?) em relação ao resto da Europa. A agricultura era o maior contributo à economia, no entanto era atrasada e pouco desenvolvida. A indústria foi afetada por uma série de fatores como as guerras civis, a falta de capitais, as dificuldades na concorrência estrangeira, a burguesia era pouco empreendedora, etc.
Após o governo de Costa Cabral iniciou-se um novo período de liberalismo Português, designado de «Regeneração», onde o liberalismo foi consolidado, as diferentes correntes políticas foram pacificadas, o capitalismo consolidou-se, e a burguesia afirmou-se.
Este período ficou também conhecido como Fontismo, devido ao ministro das obras públicas Fontes Pereira de Melo, que deu importância ao desenvolvimento das obras públicas e da infraestrutura durante a progressiva modernização do país.
Foi adotada uma política económica livre-cambista, Lisboa urbanizou e modernizou-se, os mercados internos e externos foram consolidados, a agricultura foi modernizada, foram criados e expandidos inúmeros setores industriais, e introduziram-se novas tecnologias em Portugal.
No entanto, estes progressos não foram o suficiente para acompanhar o resto da Europa, e além disso precisaram de muito dinheiro que Portugal não tinha e tiveram de ser emprestados. Acreditava-se que o desenvolvimento iria reverter os custos e possibilitar pagar os empréstimos, mas tal não aconteceu, a dívida pública apenas aumentou.
O país foi também afetado pelas crises cíclicas do capitalismo liberal. A primeira foi uma crise pontual, a crise económica de 1880-1890, que afetou a todos os níveis económicos. Isto juntamente com o endividamento do Estado levou à diminuição de produção de riqueza.
A segunda crise, a crise financeira de 1890-91, foi uma das mais graves do século XIX, levando a um longo período de recessão, afetando todos os setores económicos, havendo muitos movimentos migratórios. O padrão-ouro foi abandonado, o país começou a emitir papel-moeda, e a crise gerou uma bancarrota parcial, contribuindo para o descrédito do regime.
No entanto, os anos após a crise foram caracterizados por um novo salto industrial, apoiado pela adoção do protecionismo. Surgiram novos setores industriais e reforçaram-se setores existentes, e as produções mecanizaram-se. Os níveis de crescimento industrial aproximaram-se aos da Inglaterra.
Quanto à política, a forma como o sistema político de governação funcionava contribuiu para um progressivo desgaste da monarquia.
De 1851-65, os partidos Regenerador e Histórico seguiram uma política de acordos, mantendo um período de acalmia política e social. Em 1868 ocorreu a «revolta da Janeirinha» devido à crise económica e aumento de impostos. De 1868-71 seguiu-se um período de instabilidade política onde sucederam 7 governos. De 1871-86 viveu-se um período designado «rotativismo», alternando entre o partido Progressista e o partido Regenerador, sendo um período de estabilidade e pacificação marcado pelo Fontismo.
O rotativismo não conseguiu solucionar os problemas do país, e devido a uma enorme fraude eleitoral, estava sempre garantida uma maioria de um dos dois partidos. Os problemas dentro dos partidos e a divulgação de novas ideologias levou à criação de dois novos partidos anti-monárquicos, o Partido Socialista Português e o Partido Republicano Português.
O Ultimato Britânico foi o impulso definitivo na contestação da monarquia. Portugal tinha planos de colonizar os territórios entre Angola e Moçambique definidos no «mapa cor-de-rosa». Simultaneamente, a Inglaterra tinha planos de colonizar os territórios Norte a Sul de África, desde Cairo ao Cabo, que atravessava pelos territórios Portugueses. Assim, a Inglaterra enviou um ultimato a Portugal, e o rei cedeu os territórios, o que pôs em causa a política colonial do país, acentuando a contestação e descrédito da monarquia, e a República ficou vista como uma «salvação».
Em 31 de Janeiro de 1891 houve uma revolta no Porto, que acabou por falhar. O governo começou a ser mais repressivo, o rei tentou ser mais interventivo, entregou o poder a João Franco em 1906(começou a governar como ditador. ambos portugal e espanha já tiveram ditadores chamados «Franco»?) e tentou retomar o rotativismo, mas o descrédito da monarquia continua, e os Republicanos são reeleitos para o parlamento.
A tensão política permaneceu, e em Janeiro de 1908 houve outra revolta, a intentona do Elevador da Biblioteca, mas outra vez falhou. No próximo mês, em Fevereiro, houve um atentado à família real, assassinando o rei D. Carlos e o herdeiro D. Luís.
D. Manuel II sucedeu o trono, e o seu reinado foi marcado por um período de acalmação, promovendo a liberdade e a tolerância, levando ao partido Republicano a ter uma vitória significativa em 1910, e depois finalmente em 5 de Outubro de 1910 a monarquia é derrubada e instala-se uma República.
Os caminhos da cultura
esta é a parte da arte outra vez, nao gosto nao quero saber, há ainda mais outra secção da arte no proximo manual, leiam os resumos do google docs. e acabou a materia obrigatoria do 11º deste ano
Mais resumos de filosofia, agora do 11º ano!!
exame terça, espero que estejam prontos. caso tenham de alguma forma encontrado isto pra estudar pra este exame, ou estão a estudar para um exame futuro, têm aqui o meu google docs com toda a matéria!
Já agora, se encontrarem aquele pdf q diz q materia vai sair, e diz "nao sai os temas da ciência, da arte, e da religião do 11º ano", é mentira caralho, sai sempre, nao sei pq q dizem aquilo??? nao é um ficheiro antigo, dizia 2025 nele!!
Epistemologia, o estudo do conhecimento
Como diz no título, a epistemologia estuda o conhecimento, especificamente se sequer conseguimos verdadeiramente ter conhecimento. Existem duas formas de adquirir conhecimento, conhecimento «a priori», que é feito através do pensamento, e conhecimento «a posteriori», também chamado de «empírico», feito através da experiência.
Platão criou a definição tradicional do conhecimento. De acordo com ele, temos conhecimento quando temos uma crença(temos de acreditar nessa proposição) verdadeira(nao pode ser falsa, obvio) justificada(precisamos duma justificação adequada para tal proposição). Se faltar qualquer um dos três não temos conhecimento.
Muitas vezes temos conhecimentos errados sem nos apercebermos, vivendo numa ilusão de que são verdadeiros, como podemos saber se isso não estará a acontecer com as nossas atuais crenças? E quanto ao mundo exterior etc? Parece-nos real, mas como podemos provar isso? Assim nasce o problema da possibilidade do conhecimento. Existem três respostas que estudamos: o ceticismo radical, o racionalismo de Descartes, e o empirismo/ceticismo moderado de David Hume.
Ceticismo Radical
O ceticismo é uma perspectiva filosófica que rejeita a possibilidade de adquirirmos conhecimento. Os céticos radicais afirmam que como as crenças que temos frequentemente podem acabar por não ser verdadeiras, então não têm justificação adequada, logo não há conhecimento. Os céticos radicais apresentam dois argumentos:
O argumento da regressão infinita da justificação: Para termos conhecimento precisamos duma justificação, no entanto ela precisa da sua própria justificação, e assim continua infinitamente.
O argumento dos enganos sensoriais: Somos muitas vezes enganados pelos nossos sentidos, por exemplo em ilusões de ótica etc, logo não podemos garantir que não nos estão sempre a enganar.
A posição dos céticos radicais apresenta-se como o desafio cético.
Objeções ao Ceticismo Radical
Uma crítica comum aos céticos radicais é que estão a ser contraditórios, pois a crença de que não temos conhecimento é também um conhecimento. Além disso, para fazer tal afirmação, é preciso outros conhecimentos, como o significado de palavras etc.
O Racionalismo de Descartes
Descartes, reconhecendo a vasta quantidade de incertezas que fortaleciam o ceticismo, pretendia estabelecer o fundamento do conhecimento e das ciências, e encontrar pelo menos uma crença que fosse indubitável(totalmente certa, irrefutável) e básica(autojustificada, não precisa de justificação externa).
Para tal efeito, Descartes recorre à «dúvida metódica»(ou dúvida cartesiana), que consiste em duvidar de todas e quaisquer crenças, adotando uma espécie de «ceticismo provisório», apenas terminando quando encontrasse alguma crença que resistisse a todas as dúvidas. Descartes duvida de todas as crenças, a priori e a posteriori através de três argumentos:
Argumento dos sentidos enganadores: O mesmo utilizado pelos céticos radicas, os sentidos enganam às vezes, então não podemos garantir que não nos estão sempre a enganar.
Argumento do sonho: Se quando estamos a sonhar acreditamos que tudo que vemos é real, nunca podemos garantir que não estamos em qualquer momento dentro de um sonho.
Argumento do génio maligno: Imaginemos que existe um Deus enganador que nos faz acreditar que 2+2=4, independentemente se seja ou não. Mesmo sendo uma hipótese absurda, desde que exista a possibilidade, não podemos totalmente acreditar nas crenças a priori.
Assim através da dúvida metódica, Descartes descobriu o primeiro conhecimento: «cogito, ergo sum», «penso, logo existo». O cogito é uma crença indubitável e básica, pois o próprio ato de pensar prova a existência de um pensador, e duvidar desta crença comprova-a.
A segunda crença que Descartes descobre é a ideia de Deus. Esta ideia é diferente das outras, é a ideia de um ser perfeito. Descartes utiliza o argumento da marca: um ser imperfeito não poderia criar a ideia de um ser perfeito, logo esta ideia de Deus teve de ser criada pelo próprio Deus. Um Deus perfeito nunca poderia ser maligno, logo o argumento do génio maligno é anulado, confirmando assim a existência das crenças a priori, que por sua vez permitem confirmar inúmeras mais crenças, desde que sejam feitas através do raciocínio.
Descartes distingue três tipos de ideias:
Ideias inatas: vêm da razão, nascem connosco.
Ideias adventícias: vêm da experiência, fornecidas pelos sentidos.
Ideias factícias: vêm da imaginação, são forjadas.
Descartes é um racionalista, acredita que a razão é a fonte principal do conhecimento, logo afirma que as ideias inatas são as mais claras e distintas(«inatismo»). Não nega a importância da experiência, no entanto considera-as menos rigorosas, e que para descobrirmos a verdade devemos confiar na razão.
Objeções a Descartes
Críticos acusam Descartes de incoerência. O argumento do génio maligno, ao mesmo tempo que pode-lhe fazer acreditar que 2+2=4 mesmo que não fosse, também pode fazer-lhe acreditar num Deus todo bom e perfeito. Também acusam a sua lógica de ser circular(«círculo cartesiano»), pois a ideia de Deus é verdadeira por ser clara e distinta, no entanto é Deus que garante a veracidade das ideias claras e distintas.
Empiristas criticam o «inatismo» de Descartes, argumentando que as crianças e alguns adultos não têm ideias inatas como a matemática, têm de as desenvolver, logo não são inatas.
O empirismo e ceticismo moderado de David Hume
David Hume era um empirista, acredita que a fonte principal do conhecimento é a experiência. Esta experiência cria perceções na nossa mente, e Hume distingue dois tipos:
Impressões: derivam dos sentidos pela experiência imediata.
Ideias: derivam das impressões, menos fortes e vívidas, uma memória.
Ambas podem ser simples ou complexas(compostas por várias perceções).
Hume considera que as ideias são apenas cópias das impressões. Sem a impressão de algo, não podemos formar uma ideia. Logo, a experiência é necessária para termos ideias.
Para Hume, tudo o que podemos conhecer ou descobrir está divido em dois grupos:
Relações de ideias: refere-se a afirmações que podem ser confirmadas através da associação de ideias, ou analisando conceitos, sendo a priori, pois não precisa da experiência direta(no entanto as ideias que estão a ser usadas precisam da experiência).
Questões de facto: refere-se a afirmações que só podem ser descobertas a posteriori. caracterizam-se pela probabilidade, não pela certeza.
A causalidade é um elemento fundamental para conhecer o mundo. Hume chama a conexão entre um evento A, a causa, que provoca um evento B, o efeito, de «conexão necessária». Hume afirma que é apenas através da experiência que podemos fazer estas inferências causais, no entanto não conseguimos ver realmente se existe de facto uma conexão entre os dois, apenas observamos a repetição da causa e do efeito(«conjunção constante») e assim criamos um hábito de que se irá repetir.
Durante as nossas vidas fazemos vários raciocínios indutivos, que partem da experiência, mas vão além dessa. Tornamos alguns exemplos do presente/passado, e transformamos-os em generalizações. Estes «saltos» baseiam-se no princípio da uniformidade da Natureza, a ideia de que a Natureza é regular e não irá mudar de forma arbitrária. No entanto, esta ideia é uma questão de facto, logo não é uma verdade necessária. Não conseguimos justificar a indução.
Ambas estas conclusões são céticas, David Hume declara-se um cético moderado. Nega a existência de muitos conhecimentos, mas não todos, a experiência imediata marca o fim do conhecimento.
Outra razão para ele não se declarar um cético radical é o facto de ele não rejeitar que devemos deixar de fazer induções ou relações causais. Devemos ter humildade e aceitar que não temos muito conhecimento, mas não devemos deixar que isso afete as nossas vidas.
Objeções ao Empirismo de David Hume
David Hume afirma que conhecimentos como a matemática são relações de ideias, logo não são substanciais. No entanto, quando fazemos contas matemáticas tipo «224 + 37 = 261», isso é dizer algo novo, pois «261» não está incluído nos conceitos de «224» e «37». Além disso os conhecimentos matemáticos também por vezes aplicam-se ao mundo no dia a dia, comprovando que são substanciais.
Outra crítica refere-se a duas consequências da sua conceção de causalidade de que «causalidade = conjunção constante». Se esse é o caso, então o dia seria a causa da noite, e vice versa, pois existe uma óbvia conjunção constante entre os dois. Além disso temos o caso da criação do universo, que só aconteceu uma vez, ou seja, houve uma causalidade(big bang -> universo), mas não houve uma conjunção *constante*.
Filosofia das Ciências
A filosofia das ciências estuda problemas relacionados com a atividade científica, nomeadamente o problema da demarcação e do método, e o problema da evolução e objetividade da ciência. Estes problemas são relevantes pois explicam por que deveríamos acreditar na ciência, mesmo que ao longo da história ela esteve errada.
Filosofia das Ciências — O problema da demarcação e do método
O problema da demarcação pretende encontrar um «critério de cientificidade» que define quando algo é ciência e quando algo é pseudociência.
O problema do método pretende encontrar a que métodos ou raciocínios os cientistas se baseia a atividade científica.
Problema da Demarcação — O Positivismo Lógico
Os filósofos positivistas apresentaram dois critérios:
Verificação: Uma teoria só é científica quando é constituída por afirmações empiricamente verificadas(critério da verificabilidade).
Confirmação: Uma teoria é científica se for empiricamente confirmável, ao acumular-se suficientes evidências empíricas para formar uma hipótese.
O primeiro foi criticado por não permitir a existência de proposições universais, pois é impossível verificar todos os casos. O segundo foi criticado por não haver uma demarcação clara sobre quais são os indícios empíricos relevantes, ou quantos são necessários para uma hipótese.
Problema da Demarcação — A Falsificabilidade de Popper
De acordo com Popper, a distinção entre as teorias científicas e não-científicas é a falsificabilidade, a capacidade de uma teoria ser falsificada, pois pseudociências como a Astrologia não podem ser submetidas a testes empíricos, utilizam linguagem vaga e interpretam qualquer dado como confirmação.
Popper acredita que cientistas devem realizar teorias claras onde estipulem em que condições poderiam ser falsificadas, e depois realizar testes. Quando uma teoria falha um teste, é substituída por uma que corrija os erros anteriores. Quando passa o teste, é corroborada, no entanto é apenas temporário, pois pode vir a falhar um teste futuro, nunca podemos afirmar uma teoria como totalmente verdadeira.
Para Popper, uma teoria é mais interessante para a ciência o quão mais falsificável for, ou seja, o quão mais ousada ou abrangente.
A falsificabilidade é também apenas uma condição necessária, não suficiente, para ser uma teoria científica. Além da falsificabilidade, também tem que ter capacidade explicativa, fornecer respostas a algum problema complexo.
Problema do Método — A perspectiva Indutivista
De acordo com o indutivismo, o método científico baseia-se na indução, que segue quatro etapas:
Observação: Observa-se e regista-se os factos de forma imparcial e rigorosa.
Hipótese: Elabora-se uma hipótese através duma generalização de forma a explicar o que foi observado.
Experimentação: Com base na hipótese elaborada, realizam-se testes.
Lei Científica: Caso a hipótese tenha sido confirmada, formula-se uma lei científica fruto duma generalização.
Objeções à perspectiva Indutivista
Críticos acusam a observação de nunca poder ser verdadeiramente imparcial. Quando alguém observa algo, ela fá-lo devido a algum interesse, expectativa, ou conhecimento já adquirido que orienta a observação. Por exemplo, se um geólogo observar uma rocha, irá dar atenção às suas camadas, enquanto um químico irá dar atenção à sua composição.
Problema do Método — A perspectiva Falsificacionista de Popper
Popper defende a utilização do «método crítico» ou «método das conjeturas e refutações», realizado através de três etapas:
Problema: Coloca-se uma pergunta a qual pretendemos responder.
Conjetura: Formula-se uma hipótese a essa pergunta, preferencialmente com grande conteúdo empírico e capacidade de testa-la.
Teste: Submete-se a hipótese a testes na tentativa de refutá-la. Se falhar os testes, será substituída por outra que corrija os erros, se passar os testes será corroborada, mas não deixará de ser uma hipótese pois pode ainda falhar testes futuros.
De acordo com Popper, cientistas devem manter uma atitude crítica face às suas teorias e às dos outros. Devem submete-las a testes e participar em discussões críticas com os seus pares.
Objeções à perspectiva Falsificacionista
Um crítico afirmou que a distinção entre ciência e pseudociência devia levar em conta o contexto histórico e social da comunidade, não só características suficientes e necessárias. Diz que faz parte da pseudociência características como a desatenção aos factos empíricos, o desinteresse por teorias alternativas, e a ausência de progresso.
Outras críticas são sobre o facto de que a descrição de Popper não está de acordo com a realidade, é apenas a forma como Popper preferia que a ciência fosse. Na realidade quando uma teoria é falsificada, o cientista põe em causa as condições da observação, e não a teoria em si. Resiste à refutação.
Filosofia das Ciências — Os problemas da evolução e objetividade da ciência
Como evolui a ciência? E será a ciência objetiva?
A perspectiva Falsificacionista de Popper
Popper compara o desenvolvimento da ciência à teoria da evolução de Darwin. Teorias falsificadas são substituídas por novas teorias com melhores explicações. Estes testes nunca provam a verdade total das teorias, pois podem ainda ser falsificadas no futuro. A verdade é um ideal que deve orientar a prática dos cientistas, a eliminação dos erros através da falsificação leva ao progresso científico. De acordo com a perspectiva de Popper, o progresso científico é cumulativo.
Popper também acredita que a ciência é um conhecimento objetivo pois é independente de interesses ou opiniões pessoais. Mesmo que alguns cientistas deixem-se influenciar por fatores externos, acabarão por ser descobertos e corrigidos por outros cientistas.
Objeções à perspectiva Falsificacionista de Popper
A ciência desenvolve-se através da eliminação de teorias erradas, no entanto as novas teorias são sempre apenas conjeturas, nunca garantimos a verdade. Por isso alguns críticos afirmam que não teríamos motivos racionais para acreditar na ciência.
A perspectiva Historicista de Kuhn
Thomas Kuhn apresenta uma perspectiva historicista do desenvolvimento da ciência, dando importância à comunidade científica, que orientam o seu trabalho em torno de um «paradigma»(modelo a seguir numa dada área científica). O desenvolvimento da ciência acontece segundo uma série de etapas:
Pre-Ciência: Refere-se ao período antes da existência duma comunidade científica orientada por um determinado paradigma.
Ciência Normal: Constitui a maior parte do tempo da comunidade científica, que resolve enigmas e puzzles em torno de um determinado paradigma. Não têm como objetivo produzir novas teorias, apenas tentam explicar o máximo possível com o paradigma atual, tomando uma atitude conservadora. Apenas aqui existe progresso cumulativo.
Anomalias: Ao longo da ciência normal irão aparecer fenómenos que o atual paradigma não consegue responder, chamados anomalias. Normalmente são ignorados, assumindo que seja algum erro de observação. Mas ao longo do tempo irão acumulando-se anomalias, diminuindo a confiança no atual paradigma.
Crise: Após suficientes anomalias, a credibilidade do paradigma cai, começando um período de crise.
Ciência Extraordinária: Período de crise onde o paradigma atual é debatido e contestado. Caso o problema seja resolvido e o paradigma reajuste-se, regressa-se à ciência normal.
Revolução Científica: O paradigma anterior não consegue resolver os seus problemas, e aparece um novo paradigma que é aceite pela comunidade científica, iniciando um novo período de ciência normal. Envolve uma descontinuidade radical com o paradigma anterior, não consiste em um progresso cumulativo.
A adoção dum novo paradigma envolve uma reeducação da comunidade científica, que Kuhn chama de conversão, comparando a um ato de fé. Cada cientista pode converter devido a uma série de fatores subjetivos, mas também existem alguns fatores objetivos como a exatidão, a consistência, o alcance, a simplicidade, e a fecundidade do novo paradigma.
Kuhn descreve os paradigmas como «incomensuráveis». Como não têm nenhuma base comum, ele afirma que não são comparáveis, logo não podemos afirmar que houve qualquer progresso científico entre os dois. Apenas há progresso cumulativo durante os períodos de ciência normal, não entre paradigmas.
Objeções à perspectiva Historicista de Kuhn
A ideia de os paradigmas serem incomensuráveis é implausível, pois frequentemente podemos observar que o novo paradigma resolve vários problemas do paradigma anterior, ampliando o conhecimento.
Kuhn também alega que durante a ciência normal os cientistas adotam uma atitude conservadora e acrítica, no entanto muitas vezes existem ideias inovadoras e descobertas feitas durante esses períodos.
Filosofia da Arte
A arte refere-se a uma variedade de coisas muito diferentes, como música, pintura, ou escultura. Uma boa definição de arte deve definir as condições necessárias e suficientes para algo ser arte. Existem dois tipos de teorias de arte:
Teorias Essencialistas: Aceitam que a arte têm uma essência, tentam definir a arte através de características intrínsecas a ela.
Teorias Não-Essencialistas: Rejeitam que a arte têm uma essência, tentam definir a arte através de características exteriores, como o contexto social que envolve as obras.
A Teoria Representacional
Esta teoria é a mais antiga e costumava ser aceite pela maioria. Está dividida em duas vertentes:
Imitação: A arte tenta ser uma imitação fiel da realidade. O quão mais realista for, melhor é a arte e o artista.
Representação: Não precisa ser rigorosamente igual à realidade, inclui coisas mais abrangentes como simbolismo.
Objeções à Teoria Representacional
Não apresenta uma condição suficiente para ser arte, pois há várias coisas que representam a realidade(como sinais de trânsito) mas não são arte. Também não apresenta uma condição necessária pois existem vários contra-exemplos(como obras abstratas geométricas).
A Teoria Expressivista
De acordo com Collingwood, algo é arte se e só se foi produzida por alguém com o intuito de exprimir as suas emoções individuais, e de modo a clarificá-las.
Collingwood faz a distinção entre a arte autêntica e o ofício. Enquanto a pessoa que desempenha o ofício tem uma ideia clara do que está a fazer, o artista não, apenas usa a arte como modo de clarificar as suas emoções, mas não as conhece. Também exclui o entretenimento como arte, pois este foi feito com emoções previamente definidas pelo criador. A arte promove o autoconhecimento, serve apenas para expressar e clarificar as emoções do autor.
Objeções à Teoria Expressivista
A clarificação de emoções não pode ser condição necessária da arte, pois existem várias obras, até de entretenimento, que são consideradas arte(como as peças de Shakespeare, ou obras de Mozart e Miguel Ângelo que foram encomendadas) e nenhuma delas clarificam as suas emoções.
Muitas vezes também não sabemos os sentimentos do autor, mas mesmo assim apreciamos as suas obras de arte, provando que a clarificação de emoções não é relevante.
A Teoria Formalista
Segundo Bell, a essência da arte é uma característica que ele chama de «forma significante», que provoca uma emoção chamada «emoção estética». Esta forma significante é a relação entre as partes duma obra, independentemente de que tipo seja ou de função. Não é preciso representar algo para ser arte, apenas precisa de ter forma significante.
Para sentir a emoção estética, Bell considera que é preciso ter sensibilidade estética, que é estimulada pela experiência e educação.
Bell também exclui aquilo que ele chama de «pintura descritiva» de serem arte. São obras sentimentalistas, que utilizam a forma apenas para sugerir emoções, não despertando emoção estética.
Objeções à Teoria Formalista
Bell dá exemplos de obras que não considera arte por não terem forma significante, mesmo sendo geralmente aceitadas como arte até por instituições artísticas, fazendo com que seja implausivel que a forma significante seja condição necessária.
Além disso, a forma significante é definida por suscitar uma emoção estética, e a emoção estética é definida por ser resultado da forma significante. Esta lógica é circular.
A Teoria Institucional
Segundo Dickie, a arte deve ser definida através de características exteriores, nomeadamente o contexto institucional. Algo é arte se e só se for um «artefacto»(inclui qualquer coisa criada por uma pessoa ou pela natureza que seja escolhida por um artista) e se for considerado arte por alguém que faça parte do mundo da arte(também inclui o público, não só artistas).
Objeções à Teoria Institucional
A teoria institucional não leva em conta situações em que o autor duma obra não esteja no mundo da arte. Se uma obra de arte for criada, mas nunca for vista por ninguém, nunca será arte, mesmo sendo exatamente a mesma obra.
Além disso a definição do mundo da arte é vaga.
A Teoria Histórica
Levinson, fortemente influenciado pela teoria institucional, observou que todas as obras de arte tinham uma característica em comum, o seu caráter histórico. Todas as obras de arte relacionavam-se de modo intencional às anteriores. Algo é arte se e só se o seu autor pretende que seja encarado como arte da mesma forma que outras obras anteriores foram.
Outro aspeto é a propriedade. Levinson não considera legítimo alguém declarar arte a algo que não é deles.
Objeções à Teoria Histórica
por alguma razão, Levinson decidiu que propriedade sobre a obra é importante. usando o exemplo q tinha no meu manual à uns anos: se descobríssemos que as tintas que Leonardo DaVinci usava foram roubadas, a Mona Lisa deixaria de ser uma obra de arte???
Agora para uma objeção mais legítima e relevante à teoria: Algo é arte se pretende ser encarado como arte da mesma forma que obras anteriores foram. No entanto, se continuarmos com essa lógica, chegaremos à primeira obra de arte. Como explicamos o facto dessa obra ser arte?
A perspectiva Cética
Segundo alguns filósofos, a dificuldade em definir a arte é culpa da própria complexidade da arte. Em geral os artistas valorizam a liberdade e a criatividade, levando a um contínuo alargamento da arte. Por isso, defendem que a arte é um conceito aberto sem limites, e tentar encontrar uma definição seria limitar a liberdade artística.
Filosofia da Religião
A filosofia da religião pretende resolver o problema da existência de Deus. Tanto os filósofos crentes como os filósofos não crentes pretendem discutir racionalmente, sem apelos à fé.
Existem e existiram várias religiões no mundo com conceções diferentes em relação a Deus ou Divindades. Politeístas, que acreditam em vários Deuses, e monoteístas, que acreditam em um único Deus.
Dentro do monoteísmo existe o teísmo, onde Deus criou e intervém no universo, e o deísmo, onde Deus criou o universo mas não intervém.
O Argumento Cosmológico
Tomás de Aquino tenta provar a existência de Deus através de algo empírico: a existência de coisas. As coisas do universo são designadas de «seres sensíveis»(podem ser captados através dos sentidos).
Todos os seres sensíveis têm causas anteriores, um ser sensível não pode ser a sua própria causa, não pode haver uma cadeia infinita de causas, logo deve haver uma causa primeira, e essa causa primeira não pode ser um ser sensível, terá de ser supernatural, ou seja, Deus.
Objeções ao Argumento Cosmológico
Deus ser um ser supernatural não explica o porquê de não precisar de uma causa anterior. Não pode ter criado a si mesmo, e se teve um criador então voltamos à regressão infinita de causas.
Mesmo que haja uma primeira causa, não significa que seja o Deus teísta necessariamente, apenas algo super poderoso.
O Argumento Teleológico
«Teleológico» refere-se a uma coisa com um objetivo/finalidade, feito com desígnio. Tomás de Aquino pressupõe que tal também aplica-se às coisas naturais. Assim, todas as coisas atuam para um determinado fim devido a um desígnio, e não ao acaso. Ou seja, foram criadas por um ser todo poderoso, Deus.
Objeções ao Argumento Teleológico
Outra vez, mesmo que seja correto, não implica a existência do Deus teísta. Além disso, existem muitas imperfeições no universo, o que significaria que Deus, um ser supostamente perfeito, cometeu erros.
E a teoria da evolução de Darwin explica a existência e desenvolvimento das coisas naturais.
O Argumento Ontológico
Deus é o ser mais perfeito concebível. Isto é uma ideia que temos no pensamento, mas segundo Anselmo de Cantuária, existe no pensamento e na realidade por necessidade. Se Deus, sendo o ser mais perfeito, não existir, então podemos pensar num ser ainda mais perfeito que exista, logo tem de existir.
Objeções ao Argumento Ontológico
É possível que não exista um ser mais perfeito que seja possível de pensar, do mesmo modo que não existe nenhum numero maior do que os outros.
Esta lógica também permite «provar» coisas absurdas. Por exemplo, podemos imaginar numa ilha paradisíaca mais perfeita possível, e, seguindo a mesma lógica do argumento ontológico, se ela não existir, podemos imaginar uma ainda mais perfeita que de facto exista, logo tem de existir.
O problema do mal
A existência do mal põe em causa a existência de um Deus omnipotente, omnisciente, e totalmente bom. Se Deus é omnipotente, então pode acabar com o mal. Se Deus é totalmente bom, então ele quer acabar com o mal. No entanto, o mal existe, ou seja, ou Deus não é totalmente poderoso(o que faria com que não fosse um Deus), ou Deus não é totalmente bom(o que faria com se fosse um Demónio), ou Deus não existe.
Respostas ao problema do mal
Muitos filósofos negam a existência de males sem sentido, acreditando que Deus tem boas razões para o permitir, e tentam procurar uma explicação para tal, chamada de «teodiceia».
O mundo perfeito: Deus criou o mundo mais perfeito que consegue. Se esse mundo tem males, então não são sem sentido, pois vivemos no melhor mundo possível.
Defesa do livre-arbítrio: Temos a liberdade de fazer o bem e o mal. Se fossemos proibidos de fazer mal, não seriamos verdadeiramente livres.(não explica o mal natural)
Edificação de caráter: O mal serve para desenvolver caráter. Sem males não haveriam oportunidades para mostrar compaixão ou generosidade.(existe muito mais mal do que o necessário)
Não sabemos o suficiente: Somos seres cognitivamente limitados, não sabemos o suficiente para determinar se um mal é justificado ou não.(incoerente. se não sabemos o suficiente para determinar que o mal é injustificado, também não sabemos o suficiente para sequer falar sobre Deus)
A Aposta de Pascal
A aposta de Pascal é a resposta pragmática à existência de Deus.
Pascal determinou que a razão humana não é capaz de determinar se Deus de facto existe ou não, é limitada, por isso este assunto deve ser deixado à fé(«fideísmo»).
No entanto, a razão humana pode provar que faz mais sentido acreditar do que não.
Se alguém apostar na existência de Deus, e ele não existir, não acontecerá nada, e se ele existir receberá vida eterna. Por outro lado, se alguém apostar que Deus não existe, se ele de facto não existir não acontece nada, mas se existir será destinada para o inferno. Por isso, faz mais sentido acreditar em Deus(também é preciso participar em cerimónias religiosas).
Objeções à Aposta de Pascal
Mesmo que um ateu ou agnóstico aceite a aposta de Pascal, não conseguirá desenvolver uma crença genuína em Deus, pois isso não é fruto duma decisão, simplesmente acontece.
Além disso é uma atitude interesseira e pouco sincera, por que razão Deus iria ficar agradado por tal atitude?
acabou ! ! ! tirem boas notas
Resumos História do 10º ano!!
Há exame de História 2ª fase proxima quarta feira, e como modo de estudo como n gosto d só reler os meus resumos, apetece-me postar aqui e explicar a matéria. se alguém tmb tem exame agr, ou nos próximos anos, aproveitem
Tmb têm aqui o google docs com os resumos completos, eles seguem os pontos no pdf das Aprendizagens Essenciais.
A matéria do 10º ano é apenas o Módulo 3
A abertura Europeia ao mundo - Mutações nos conhecimentos, sensibilidades, e valores dos séculos XV e XVI
O alargamento do conhecimento do mundo
Com o objetivo de encontrar uma rota marítima à Índia, Portugal envia uma série de expedições ao longo da costa Africana. Para tais navegações serem possíveis, foram precisos vários avanços técnicos:
Quanto aos navios, com o surgimento de naus e carevelas;
A invenção de novos instrumentos de navegação astronómica, que foram o astrolábio, o quadrante, e a balestilha;
e na cartografia, os antigos mapas pouco rigorosos foram trocados pelas cartas de portulano e pelos planisférios.
Estas navegações alargaram o conhecimento Europeu sobre o mundo, e também levaram a uma observação mais atenta da Natureza, que por sua vez fez com que as pessoas começassem a questionar as «verdades absolutas» da Idade Média. Isto levou ao surgimento do «experiencialismo», a ideia de que o conhecimento deriva da observação e descrição empírica da Natureza, levando a um maior espírito crítico.
As explorações marítimas também levaram a que vários povos e culturas ao redor do mundo entrassem em contacto, resultando numa abertura de inúmeras rotas marítimas, iniciando-se assim o comércio global, que permitiu uma troca de produtos, culturas, conhecimentos, hábitos, religiões, línguas, etc.
Assim Portugal tornou-se o primeiro império global naval com posses territoriais espalhadas pelo mundo inteiro
No entanto, outra coisa que também se espalhou foi a escravatura. Já era praticada antes da Época Moderna, mas agora atingiu proporções enormes. A expansão marítima das potências Europeias retirou cerca de 15 milhões de Africanos, postos a trabalhar nas plantações ou minas Americanas, onde em cuja viagem morria cerca de um terço das pessoas. Os Europeus justificaram as suas ações criticando os seus costumes e crenças, considerando-os «bárbaros» e «selvagens».
A reinvenção das formas artísticas
parte mais chata d qualquer matéria de história, ent n vou entrar em detalhe.
Apareceu o «antropocentrismo», uma perspectiva que coloca o Homem no centro do universo. Retornaram várias características da arte da Antiguidade Clássica, juntamente com novas inovações de perspectiva etc.
Quanto a Portugal, permaneceu a arte Manuelina, caracterizada por ser um estilo focado na escultura e com muitos detalhes, nomeadamente referentes às explorações marítimas.
A renovação espiritual e religiosa
A crescente influência do humanismo no Norte da Europa, levou a uma nova atitude face à religião. Esta era mas espiritual e individualista, criticando a hierarquia da Igreja. Valorizavam o espírito crítico e as capacidades individuais e apoiavam traduções nacionais da Bíblia, promovendo o acesso individual ao texto sagrado, acabando assim com a exclusividade do clero na sua leitura e interpretação. Assim, após a publicação das «Noventa e cinco teses» de Martinho Lutero, iniciou-se a Reforma Protestante.
Apareceram assim três igrejas reformadas:
Luteranismo: Acredita na salvação pela fé, na interpretação livre da Bíblia, aceitavam apenas dois sacramentos(batismo e eucaristia), acabou com o culto aos Santos, a Igreja ficava subordinada ao Estado, e a Bíblia era a única verdade divina.
Calvinismo: Acredita na salvação pela predestinação, no trabalho como forma de agradar Deus, enaltece a riqueza e o lucro, na disciplina rígida, e valoriza a honestidade e moral.
Anglicanismo: Foi um movimento reformista com conotações políticas, o Rei passou a ser chefe da Igreja, e era um compromisso entre a teoria Calvinista e o ritual e hierarquia do Catolicismo.
Para contrariar este movimento, a Igreja Católica iniciou a Contrarreforma através de uma série de medidas:
Inquisição: sistema jurídico da Igreja Católica para julgar e punir os hereges;
Index: lista de livros proibidos pela Igreja Católica;
Companhia de Jesus: instituição criada para expandir a fé Cristã.
Em Portugal foram tomadas as medidas Contrarreformistas, e o país ficou totalmente dominado pela Inquisição e pela Companhia de Jesus durante o século XV. Na arte, a Contrarreforma favorecia o barroco como forma de atrair os fieis, nomeadamente no Convento de Mafra e na igreja de Santa Engrácia.
Resumos de Filosofia 10º Ano!!!
como fiz ano passado, pra estudar pra segunda fase vou so refazer os resumos aqui. pq me apetece. Se alguem q tambem tá a estudar pro exame, ou um exame futuro, encontrou este post, aproveite. Vou seguir os pontos no pdf das Aprendizagens Essenciais. Nao vou escrever aqui a parte inicial da lógica, mto chato!!!!
Se alguem quiser os meus resumos completos do manual inteiro do 10º, tá aqui no meu google docs.
O problema do livre-arbítrio
O «livre-arbítrio» refere-se à liberdade de vontade ou escolha, a possibilidade de podermos tomar uma ação ou outra, uma ideia que é geralmente aceite pela maioria das pessoas. Contrariamente, existe o «determinismo», a ideia de que todas as ações humanas são determinadas por acontecimentos anteriores, outra ideia que é duma forma ou outra aceite pela maioria das pessoas. No entanto, são contraditórias, não pode haver livre-arbítrio se as nossas ações são determinadas por eventos anteriores, o que faz este tópico importante para a Filosofia.
Existem três perspectivas quanto a este assunto: o Determinismo Radical, o Determinismo Moderado, e o Libertismo.
Determinismo Radical
Os deterministas radicais acreditam que todas as ações humanas são determinadas, todas podem ser explicadas por acontecimentos anteriores e podem ser previstas, independentemente do quão difícil seja. Ou seja, não existe livre-arbítrio.
Mesmo sendo seres complexos, os seres humanos agem de acordo com causas anteriores, sejam estas sociais, culturais, psicológicas, etc. Muitos dos acontecimentos determinantes das nossas vidas estão fora do nosso controlo, como o lugar onde nascemos, ou a cultura que nos é transmitida.
Mesmo que por vezes possa parecer que alguém escape ao determinismo e age de forma livre, os deterministas radicais argumentam que simplesmente não sabemos as causas, mas ainda existem. A crença generalizada de que as ações que tomamos é apenas uma mera ilusão, e se pudéssemos observar todas as causas anteriores poderíamos ver que existe apenas uma escolha.
Os deterministas radicais também argumentam que a ciência comprova o determinismo, nomeadamente a biologia, a psicologia, e a sociologia, que comprovam as causas de vários comportamentos. Ou seja, negar o determinismo seria o mesmo que negar a ciência.
Quanto à responsabilidade das nossas ações, os deterministas radicais apenas afirmam que não existe uma genuína responsabilidade moral. As recompensas e punições apenas fazem parte das causas que levam às nossas ações.
Objeções ao Determinismo Radical
Quanto às objeções, os críticos argumentam que sem livre-arbítrio a vida não teria sentido, logo acreditar no determinismo radical seria algo de absurdo e tornaria impossível viver normalmente. Além disso, outros aludem à teoria de evolução de Darwin, afirmando que se não existisse livre-arbítrio, tal crença tão generalizada seria «inútil» em termos evolutivos.
O Libertismo
Os libertistas acreditam que existe livre-arbítrio, defendo que pelo menos algumas ações humanas são livres, mesmo que não sejam todas. Não negam totalmente a existência do determinismo, mas não aceitam que Todas as ações humanas tenham causas anteriores.
Para os libertistas, uma pessoa é livre quando pode fazer escolhas independentes de causas anteriores, quando têm autodeterminação. Mesmo em situações exatamente iguais, podem ser feitas ações diferentes. Ao longo das nossa vidas existem várias situações com possibilidades alternativas de ação, fazendo com que o livre-arbítrio seja fundamental para a vida humana.
O livre-arbítrio fica mais evidente pelo facto que também podemos contrariar causas biológicas, por exemplo se tivermos com fome podemos simplesmente ignorar e não comer. Também podemos evidenciá-lo através da experiência, do mesmo modo de quando sabemos que temo frio porque sentimos o frio, sabemos que temos livre-arbítrio porque quando tomamos decisões livres não sentimos nenhum constrangimento. Ou também quanto à responsabilidade, sem livre-arbítrio o sentimento de orgulho por uma recompensa, ou culpa por uma punição, não fariam sentido.
Jean-Paule Sartre recorreu a uma terminologia diferente, o «existencialismo», a ideia de que a existência precede a essência. Ao contrário das outras coisas do mundo, onde a essência precede a existência, como por exemplo um corta-papel que existe para cortar papel, os seres humanos não têm uma essência definida à nascença, mas são definidos pelos eventos das suas vidas. O livre-arbítrio é uma característica básica e constitutiva.
Objeções ao Libertismo
Os críticos argumentam que a nossa própria vontade quando tomamos qualquer decisão tem causas anteriores, não aparece do nada. E quanto ao sentirmos falta de constrangimentos, isso não significa que não existam, podemos tomar decisões que pareça ser livre mas na verdade foi determinada.
O Determinismo Moderado
Ao contrario dos deterministas radicais e dos libertistas, os deterministas moderados acreditam que o livre-arbítrio e o determinismo são de facto compatíveis. Ambos o determinismo e o livre-arbítrio são tão evidentes, que os deterministas moderados pretendem conciliá-los.
Para tal efeito, redefinem a definição de livre-arbítrio. Enquanto os deterministas radicais e os libertistas consideram o livre-arbítrio como a ausência de causas anteriores, os deterministas moderados definem como a ausência de coações, independentemente de quaisquer causas anteriores.
Desde que tenhamos possibilidades alternativas de ação, temos livre-arbítrio. Mesmo que todas as causas anteriores façam com que um indivíduo tome uma certa ação, caso desejasse poderia ter tomado outra.
Objeções ao Determinismo Moderado
Os críticos afirmam que essas tais possibilidades alternativas de ação não são genuínas, pois os desejos do indivíduo tem causas além do seu controlo. Ambos os deterministas radicais e os libertistas criticam a redefinição do livre-arbítrio, pois isso não resolve o argumento, já que estão a discutir sobre uma outra definição diferente.
O problema da natureza dos juízos morais
Os «juízos» são pensamentos expressos por uma frase declarativa, tipo uma proposição, e podem ser divididos em duas categorias:
Juízos de Facto, que são descritivos, descrevem o modo de como as coisas são.
e Juízos de Valor, que são avaliativos, fazem uma apreciação positiva ou negativa sobre uma determinada coisa.
No caso dos juízos de valor morais, estes são normalmente normativos, ou seja, diz-se como as coisas deviam ser.
O problema da natureza destes juízos é em relação à sua falsidade ou verdade, se podemos considerar juízos de valor morais objetivamente verdadeiros ou objetivamente falsos, ou se são mais subjetivos. Este problema é importante pois irá influenciar como encaramos questões éticas/morais, ou como encarar a diferença de valores em sociedades multiculturais.
O Subjetivismo
Os subjetivistas defendem que todos os juízos de valor morais são subjetivos, dependem das preferências de cada indivíduo, negando qualquer verdade objetiva global. Favorecem a liberdade individual e promovem a tolerância entre pessoas com valores e morais diferentes.
Objeções ao Subjetivismo
Uma das suas objeções é o facto de que impossibilita a censura de ações claramente erradas, como por exemplo ASSASSINATO. Se os valores morais são subjetivos para cada indivíduo, não existirá nenhum fundamento para criticar qualquer comportamento. Outra objeção é que tal perspectiva tornaria qualquer discussão moral inútil e absurda, o que é implausível.
O Relativismo
Os relativistas defendem que os juízos de valor moral são relativos a cada cultura, negando a existência de valores universais. Se os valores morais variam de sociedade para sociedade, então não se pode dizer que os valores de uma certa sociedade são melhores do que outra. Os relativistas têm em conta as perspectivas sociais/coletivas, se uma determinada sociedade acredita que uma determinada prática é correta, então para ela é. Para os relativistas, criticar os valores e costumes de uma sociedade seria intolerante e etnocêntrico.
Objeções ao Relativismo
Ao longo dos tempos houveram várias mudanças culturais nos valores e morais das nossas sociedades, como por exemplo o aumento de direito das mulheres, e estas mudanças são vistas como positivas, como progresso, ou seja, as sociedades atuais são melhores do que as sociedades anteriores. Isto implica comparar valores entre sociedades, e afirmar que os valores atuais são melhores do que os anteriores, o que não seria possível segundo os relativistas.
Além disso, os críticos também afirmam que é de facto possível criticar costumes de modo educado e não ofensivo, e criticar um costume duma cultura não significa criticar a cultura como um todo.
O Objetivismo
Os objetivistas acreditam que alguns juízos de valor moral podem ser objetivos, enquanto outros podem ser subjetivos. Os juízos de valor moral devem basear-se em boas razões, informadas e imparciais. Os objetivistas recusam a ideia de que nenhum lado está errado, que é possível estar objetivamente correto ou objetivamente errado, mesmo se não conseguimos garantir quais.
Objeções ao Objetivismo
Para os relativistas e os subjetivistas, como existem várias divergências éticas, quer a nível cultural ou individual, não é possível que haja valores objetivos, pois se fosse tal o caso haveriam poucas divergências. Além disso, devido à falta de métodos concretos de prova, os desacordos éticos nunca acabam, ou seja o objetivismo não apresenta uma resolução aos desafios do multiculturalismo.
O problema do critério da moralidade das ações
Este problema refere-se à forma de distinguir ações moralmente corretas das ações moralmente incorretas, chamado «critério ético». Sabemos que ações como o assassinato ou o roubo são erradas, mas por que razão exatamente? E em que situações possam ser moralmente corretas?
A ética Deontológica de Kant
A deontologia de Immanuel Kant é a ética do dever. Para Kant, apenas existem ações que são sempre erradas ou ações que são sempre corretas, independentemente de quaisquer outros fatores, e a descoberta de quais ações são corretas ou erradas é através apenas da razão.
Para descobrirmos quais ações são corretas ou erradas, recorremos a um teste chamado «imperativo categórico», ou «lei moral», o princípio moral fundamental em que se baseiam os princípios morais específicos. O imperativo categórico é realizado através de duas fórmulas:
A Fórmula da Lei Universal: Perante uma determinada ação devemos perguntar-nos qual «máxima» estamos a seguir»(a regra subjacente à ação, o princípio que estaríamos a seguir). Depois devemos perguntar-nos se queremos que essa máxima seja universalizada(realizada por todos). Se a resposta for sim, então prosseguimos, se for não, então paramos.
A Fórmula da Humanidade: As ações que instrumentalizam uma pessoa, reduzindo-a a um «meio», são moralmente incorretas. Apenas são moralmente corretas ações que considerem as pessoas fins por si mesmas.
Além de ambos estes testes, Kant apenas considera moralmente corretas as ações feitas em boa vontade. A boa vontade é intrínseca e ilimitadamente boa, pois não pode ser usada para o mal, fazendo-a o bem supremo/bem último. Temos boa vontade quando fazemos as nossas ações por dever, e Kant distingue três tipos de ações:
Ações contrárias ao dever: são ações erradas que falham o imperativo categórico.
Ações por dever: são ações corretas cuja nossa única intenção é cumprir o dever.
e ações meramente conformes ao dever: são ações de acordo com o dever, mas não são motivadas pelo dever, e por isso não têm valor moral, podendo ser motivadas por «intenção egoísta»(motivadas pelo interesse, expectativa de consequências benéficas), ou motivadas por «inclinações imediatas»(motivadas por sentimentos positivos).
Além do imperativo categórico, Kant também fala do «imperativo hipotético», que não tem caráter moral nenhum, e apenas diz-nos o que fazer para atingir certos resultados.
Para Kant, apenas temos autonomia e liberdade quando temos boa vontade, seguimos o imperativo categórico, a razão. Contrariamente, se seguir-mos os nossos interesses pessoais ou sentimentos, agimos contra a lei moral, não temos liberdade, temos uma vontade heterónoma.
Objeções à Deontologia de Immanuel Kant
Kant diz que os deveres são absolutos, o que fazemos quando dois deles são incompatíveis? Esta ideia dos deveres absolutos não admite exceções, se estivermos numa situação onde todas as escolhas contrariam um dever, não poderíamos fazer nada sem sermos imorais.
Kant também pretendia ignorar quaisquer outros fatores ao determinar ações moralmente corretas e incorretas, no entanto, na fórmula da lei universal, ao vermos se podemos universalizar uma regra ou não, estamos a analisar as consequências dessa ação, ou seja a conclusão do imperativo categórico é influenciada por outros fatores exteriores além da razão.
Quanto aos sentimentos, Kant afirma que as únicas ações com valor moral são as que seguem puramente a razão, sem influência dos sentimentos. No entanto, há vários sentimentos positivos que são vistos como moralmente bons. Os seres humanos não são puramente seres racionais, e não podem viver sem as emoções e sentimentos.
O Utilitarismo de Stuart Mill
De acordo com o utilitarismo, a moralidade das ações baseia-se apenas nas suas consequências, contrariando assim a ideia de deveres absolutos, podem haver situações em que uma ação normalmente incorreta leve a mais consequências positivas. O critério que distingue as boas ações das más é o «princípio da utilidade», as ações que trazem mais felicidade/bem-estar total são moralmente corretas, enquanto as que trazem infelicidade são moralmente incorretas, pois ele considera a felicidade como o bem supremo, pois tem valor intrínseco. Qualquer outra coisa apenas tem um valor instrumental, são apenas meios de atingir a felicidade.
Para Stuart Mill, a felicidade/bem-estar consiste em ter prazer e não ter dor/sofrimento, o que faz a sua ética ser considerada hedonista. No entanto, nem todos os prazeres são iguais, havendo uma distinção entre os prazeres superiores/intelectuais, e os prazeres inferiores/corporais. Esta distinção é qualitativa, não quantitativa. Para Stuart Mill uma vida com prazeres superiores e com algum sofrimento é preferível a uma vida sem sofrimento nenhum mas com apenas prazeres corporais.
Mas, na maioria das situações, é difícil avaliar todas as consequências que uma determinada ação irá ter, no entanto Stuart Mill afirma que tal não é necessário, pois há ações que, ao frequentemente levarem aos mesmos resultados, tornam-se «regras morais sensatas», designadas como «princípios subordinados/secundários». O princípio da utilidade é o princípio moral supremo, e permite distinguir quando deve haver uma exceção a uma destas regras.
Objeções ao Utilitarismo de Stuart Mill
Uma crítica ao utilitarismo é o facto de ser frequentemente impossível de determinar todas as consequências de uma determinada ação, podendo parecer ter mais consequências boas, mas na verdade acaba por ter mais consequências más.
O utilitarismo também justifica ações que costumam ser consideradas erradas por violarem os direitos das pessoas, por exemplo, o sacrifício duma pessoa poderá salvar muitas mais, no entanto tal sacrifício viola o direito de vida dessa pessoa.
Outros críticos dizem que o utilitarismo é demasiado exigente na imparcialidade quanto à nossa felicidade e à dos outros. Segundo o utilitarismo, entre salvar alguém próximo a nós e salvar um médico que irá salvar muitas mais pessoas, seria moralmente incorreto dar prioridade à primeira pessoa.
O problema da organização de uma sociedade justa
No mundo existem muitas desigualdades sociais e económicas, e face a este problema existem duas respostas clássicas e diferentes:
O Igualitarismo: todas as desigualdades sociais são injustas, o valor principal é a igualdade.
O Libertarismo: as desigualdades sociais e económicas não são injustas, o valor principal é a liberdade.
A teoria de John Rawls
A perspectiva de John Rawls pretende conciliar ambos o igualitarismo e o libertarismo, designado como liberalismo igualitário. Ele pretende diminuir as diferenças sociais e económicas, mas não acabar com elas totalmente. Para Rawls, o justo deve ter prioridade sobre o bem, nunca se deve limitar as liberdades das pessoas.
Rawls tentou descobrir os princípios da justiça através de um experimento mental. Primeiro, colocamo-nos na «posição original», uma posição onde podemos determinar como será organizada a sociedade. De seguida, devemos colocar o «véu da ignorância», ou seja, não sabemos quem vamos ser nesta nova sociedade, assim garante que estamos a ser imparciais e não estamos a beneficiar nenhum grupo particular. Assim, Rawls determinou três princípios da justiça:
O princípio da liberdade igual: todos os indivíduos devem ter todas as liberdades e direitos que não restringem as dos outros.
O princípio da oportunidade justa: defende uma igualdade equitativa de oportunidades, quem é mais desfavorecido deve receber apoios do que quem é mais rico.
O princípio da diferença: Rawls acredita que uma sociedade estritamente igualitária não seria produtiva, logo será permitido alguma acumulação de riqueza, mas com impostos mais elevados aos ricos que irão ser utilizados para redistribuir aos mais pobres.
Críticas a Rawls
Críticos dizem que o princípio da diferença poderá levar à desresponsabilização, pois os que receberão apoio do Estado irão acabar por abandonar os seus empregos ou parar de tentar arranjar um. Além disso, acusam de ser injusto que os que trabalham e melhoram as suas vidas tenham que pagar pelo que não o fazem.
A crítica de Robert Nozick
Para Nozick, alguns direitos individuais são absolutos e invioláveis, como os direitos à liberdade e propriedade. Considera que a justiça baseia-se na «titularidade legítima», um indivíduo tem o direito ao que adquiriu legitimamente, e pode fazer o que quiser com isso, considerando a cobrança de impostos uma violação aos direitos à liberdade e propriedade, comparando-os ao trabalho forçado e à escravatura.
Defende o Estado mínimo, cuja única responsabilidade é garantir os direitos individuais e a defesa interna e externa, apenas cobrando impostos para esses propósitos, não tendo nenhuma função social. Deve apenas apelar à generosidade dos mais ricos.
A crítica de Michael Sandel
Michael Sandel concorda com muitas das ideias de Rawls, no entanto critica o procedimento para alcançar os princípios da justiça. Contrariamente a Rawls, Sandel acredita que o bem tem prioridade sobre o justo. Para Sandel, o bem é uma «vida boa» onde possamos desenvolver as capacidades de um ser racional e social. É uma descrição genérica, pois para ser concretamente descoberta deve ser feita em conjunto com a nossa sociedade, pois segundo Sandel, somos «comunitários», pertencemos a uma sociedade, a uma comunidade, e outros grupos mais específicos.
Sandel não nega a existência de direitos e deveres universais, mas afirma que além desses devem ser adicionados os deveres de solidariedade. Devemos defender estes princípios porque são o melhor para a nossa comunidade como um todo; as diferenças sociais não são só más para esses indivíduos, mas também para o resto da comunidade.
acabeiii porraa, continuo a matéria do 11º mais tarde!!
edit: mds errei e escrevi HISTORIA no titulo kakakakaka
Oh how I wish my dear furry hackers that use :3 would hack IAVE and leak all the exams...
Informação Prova De Filosofia Dizia Que Não Sairia O Módulo De Arte, Afinal Saiu!
Informação Prova De Filosofia Dizia Que Não Sairia O Módulo De Arte, Afinal Saiu!
É caso para dizer, não havia necessidade!
Mesmo tendo em conta que devido à pandemia, os alunos podem optar por não responder a todas as questões, não é suposto ser o IAVE a fazê-lo pelos alunos…
Reparem no que diz na informação prova de Filosofia.
E agora reparem nestas duas questões que sairam no exame de hoje…
Não se faz!
E agora o que vão fazer?
Informação-prova FILOSOFIA
Exame de Filosofia
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