Devocional Mulheres-Exemplos
Exemplo 24: Profetisa de Tiatira (Ap 2:18-29)
A igreja de Tiatira recebeu de Jesus um elogio raro e precioso: suas últimas obras eram maiores do que as primeiras (Ap 2:18-19). A comunidade permanecia firme no amor inicial, atuando com zelo cada vez maior em favor do Reino. Contudo, em meio a esse progresso espiritual, havia uma falha grave que não poderia ser ignorada.
Cristo repreende a igreja por sua complacência ao tolerar uma falsa profetisa. Seu nome não é mencionado; em vez disso, ela é comparada a Jezabel (1 Rs 16–21; 2 Rs 9), a rainha que disseminou o culto a Baal em Israel, conduzindo o povo ao pecado e à idolatria. Assim como aquela figura do Antigo Testamento, essa mulher enganava e corrompia. O texto ressalta que ela “se diz profetisa” (Ap 2:20), isto é, falava em nome de Deus sem ter sido enviada por Ele.
Não sabemos ao certo por que a igreja permitia que ela permanecesse nessa posição. Talvez houvesse medo de confrontá-la, já que alegava falar em nome de Cristo; talvez uma postura permissiva, especialmente porque sua influência favorecia práticas pecaminosas dentro da própria comunidade. Entre elas, a fornicação, um pecado grave contra o próprio corpo, que é santuário do Espírito Santo (1 Co 6:18-19). Desde o início, a igreja fora instruída a se abster da imoralidade sexual (At 15:28-29). Além disso, essa falsa profetisa incentivava o consumo de alimentos sacrificados a ídolos (Ap 2:20), relativizando o perigo do envolvimento com outras religiões e abrindo espaço para o politeísmo.
Ela não apenas tolerava o pecado como também o praticava. Mesmo se dizendo profetisa, tinha relações sexuais ilícitas diante de Deus. Mesmo tendo recebido tempo para se arrepender (Ap 2:21), recusou-se a isso. Por isso, a sentença anunciada por Cristo incluía enfermidade, perseguição aos seus amantes e a morte de seus filhos (Ap 2:22-23). A disciplina severa seria também um testemunho público de que Deus é justo e não ignora a corrupção dentro da Sua igreja.
Ensinar uma igreja de forma contrária às Escrituras é algo gravíssimo. Melhor seria não ter nascido do que levar os outros ao erro (Mt 18:6; 26:24). As profecias dessa mulher precisavam ser confrontadas, e a igreja deveria posicionar-se com firmeza para não perder a coroa da vida (Ap 2:10). A própria Escritura orienta que as profecias sejam julgadas e discernidas (1 Co 14:29). E oferece critérios claros para nós:
“Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir nem suceder assim, esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.” (Dt 18:22)
“Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: "Vamos seguir outros deuses (...)", não deem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se O amam de todo o coração e de toda a alma.” (Dt 13:1-3)
Precisamos estar atentas e vigilantes. Ainda que uma profecia venha a se cumprir, se ela atribuir sua realização a qualquer outro ser que não o próprio Deus, deve ser considerada anátema (Dt 13:1-3; Gl 1:8). O cumprimento de um sinal, por si só, não autentica a origem divina da mensagem. Se, ela exalta outro nome, desvia a adoração ou relativiza a soberania de Deus, revela-se incompatível com a verdade das Escrituras e, portanto, digna de rejeição.
A verdadeira profecia glorifica exclusivamente ao Senhor e conduz o coração à fidelidade a Ele. Se uma palavra é proferida em nome do Senhor, não contradiz as Escrituras, promove edificação, exortação e consolação (1 Co 14:3) e se cumpre, ela procede de Deus. Caso contrário, revela apenas presunção humana.
No sentido natural, a profetisa é um exemplo que não devemos seguir. A partir de seu erro, aprendemos que devemos falar somente a verdade, e que nossa boca precisa ser um manancial de água doce, que profere palavras para bênção, e não para provocar tropeço em nossos irmãos ou em nós mesmos (Tg 3:10-12). Devemos vigiar nossas palavras, pois prestaremos contas de cada uma delas e poderemos ser justificados ou condenados por aquilo que dizemos (Sl 141:3; Mt 12:36-37).
No sentido espiritual, não sejamos como ela também, levantando-nos para falar sem termos sido enviadas. Nossa boca deve se abrir somente quando o Espírito de Deus ordenar (2 Pe 1:21). Fora disso, é a soberba que assume nossos lábios, dizendo aquilo que agrada aos ouvidos, mas não procede do céu. Não há espaço para determinismos humanos do tipo “eu profetizo”, “eu declaro” ou “eu determino”. Somente Deus é soberano sobre a vida.
A verdadeira autoridade nasce da fé na Palavra d’Ele e não na força ou fé em nossas próprias palavras.















