Tá tudo bem se você for embora agora. Não vou te pedir pra ficar e nem perguntar o motivo. Te acho lindo, gostoso, amável, querido, mas nunca teve os brilhitos, né?
A gente ri, se diverte, sinto que eu posso ser eu mesma contigo sem medo de ser julgada. E isso é bom e tranquilo e leve.
Eu tô bem. Um monte de coisas pra fazer. Dá nem tempo de pensar demais. Um pouco cansada de como a sociedade está. Mas agradecida demais a todas presenças que me fazem sentir preenchida.
Vez ou outra, quando ando pela rua, lembro da gente pelado e sorrio lembrando das nossas brincadeiras. Confesso que hoje em um dos poucos momentos livres do dia pensei em ti, mas logo neguei o sentimento. Não quero. Ainda tenho medo e ainda espero mais envolvimento se fosse pra ser, sabe?
Aí penso que pode ser falta de intimidade. Mas vi que tu tem procurado outras pessoas e já pensei que opa, quando vê, eu tô moscando aqui. Não que eu precise também já ter alguém assim de imediato quando você sumir, mas no sentido de tá me dispondo pra alguém que nem quer tanto assim. Mas enfim. Talvez a gente esteja na mesma página, com o mesmo sentimento, só que tu tem ido atrás de novas conexões e eu tô de boa em não ter que procurar.
Quando não se está apaixonado, mas de certa forma se espera uma troca, sabe? Um sinal verde de “pode vir que é seguro”. Apesar de tranquilo e de não sentir que eu sofreria com a tua partida, não arriscaria sem a certeza. Até porque nem eu tenho certeza do que eu quero.
De certa forma, acho que espero profundidade de todo mundo. Fico catando, tentando, perguntando, extraindo o máximo que dá pra tentar chegar a alguma conclusão.
Quando não tem esse mínimo de reciprocidade que eu espero acho que coloco uma energia tão fraquinha, que nem faz faísca. E é bom porque não dói, mas um pouco morno porque não sinto nada.
O que eu sentia por ele doía. Pegava fogo, me deixava e me deixa até hoje numa posição de insegurança gigante porque perder tudo aquilo era ruim demais. Por isso ainda dói. Era especial. Só de pensar nele meu olho enche de lágrima, sempre, mesmo todo esse tempo depois.
E é um lugar, esse que eu tô hoje, em que eu tô de bem com o que vier, porque nada aqui é intenso e nada aqui me causaria uma extrema falta se fosse perdido. Por isso tô de boa, tranquila. Mas claro claro claro que trocaria tudo isso pela adrenalina de sentir algo por alguém que eu admire, e me admira. E que tenha interesse, tesão, troca, arte, parceria e sonhos parecidos para serem compartilhados de mãos dadas.
Só a presença do outro não faz sentido se não tem sentimento, vontade, troca. Pode trazer um quentinho físico de dois corpos que se encostam, mas apesar da companhia física, a sensação de vazio, ecoa.
É um grito num labirinto que pode ser profundo e cheio de coisas incríveis. Mas que vendo de fora parece vazio.