18.03.2024
"I lose control"
Imagino seus dedos deslizando nas cordas do contra baixo, seu corpo deslizando no grave som da melodia. A alma em êxtase, absorto na composição do som, do toque, das vibrações que sua alma causa. Reconheceria a melodia em qualquer lugar, estaria em qualquer plateia, gritaria seu nome sem pudor algum. E eu quis ser como você: Música agradável.
Eu fui música sem forma, tudo está ali, mas eu não estou. Um instrumento desnecessário, uma flauta animada sem ritmo, um pandeiro dançante fora de tempo, um piano melodramático sem harmonia. Sem ordem, coloco notas e crio meus sons e os rostos se aterrorizam... você continua em sua harmonia e não consigo acompanhá-lo.
Quero ser como as notas que vibram e fazem melodia agridoce aos ouvidos de quem bebe a alma e toca o vazio. Quero ser o aço forçado à madeira fria que produz som e lhe corrói o medo nas pontas dos dedos. Quero ser tudo que lhe faça sentir o ardor do prazer à pele e lhe cause arrepios de uma doença incurável. Quero ser o venenoso vício dos seus poros em notas e acordes.
"Eu perdi o controle."
Você foi a música mais bela que amei. Eu tenho muito orgulho de ter usado todas as minhas economias para ver sua alma tocando mais uma vez, eu vi as vibrações do seu amor chegar até mim.
Mas dessa vez, não ficarei e te esperarei nos bastidores para que possa vê-lo entre as pausas de 5 minutos. Dessa vez, eu irei embora antes da terceira música começar. Tenho uma apresentação solo do lado mais vazio da cidade. Preciso ir e tocar minha composição própria.
Você já tem uma banda, fãs, apoiadores... Eu vou seguir num tom diferente, no estilo do "E#" e do "B#". Estarei em algum lugar, país, esquina, teatro ou "casa" cantando minha alma.















