E., estou lhe escrevendo para dizer que estou desapontado com você. Você deve imaginar sobre o que é, mas não sei o quanto sabe. E gostaria que soubesse pela minha letra, mesmo sabendo o quão essa comunicação é ineficaz.
Estávamos bem empolgados na terça-feira. Eu, principalmente. Queria muito ficar com você, mas acabei decidindo fazer as minhas coisas urgentes (eu só tinha um dia de prazo até então). A certa altura descobri que o prazo fora prorrogado e a primeira coisa que pensei foi “quero ficar com você”. Mas você ainda estava fazendo as suas coisa, eu entendi e até tentei “ajudar”.
Um pouco mais tarde você comentou que não estava conseguindo fazê-las eu só pude entender que era a hora então. Te chamei pra vir aqui, eu daria um jeito de você chegar rápido. Parecia perfeito: ia ser de última hora (”como esses encontros se tornam mágicos com facilidade” pensei), estava eu e você loucos para transar (assim imaginava) e, para quem já fica proibidamente, não tínhamos nada a perder.
Para a minha surpresa, você recusou a proposta e, contraditoriamente, em meio a vários “eu quero”, “não me seduza”, “já estamos muito tempo sem nos vermos direito”, “não acredito que vamos ficar tanto tempo sem nos vermos”... Isso simplesmente não fez sentido para mim. Em meio a todo esse “desejo” a única certeza foi a de que não nos veríamos por pelo menos uma semana porque aí seu namorado iria viajar... francamente...
Como se já não bastasse todas as limitações de um relacionamento clandestino, ainda tive que ler (praticamente) que no dia seguinte você o veria porque ele queria (como se você estivesse sendo obrigada) e por isso não poderíamos nos ver. Eu só conseguia ver, até aqui, falta de uma movimentação mínima da sua parte em relação a “vamos nos desejar?”.
A última gota caiu no dia seguinte: você me fala que acordou na cama errada (supostamente, a minha seria a certa). Eu só conseguia imaginar “porque não quis!”.
Por que você não disse que não queria? Porque me disse algo assim? Por que disse que queria algo, quando não fez nenhum movimento para tal?
É como se você tentasse se matar para mim, algo como “olhe, vou fazer algo para você não gostar mais de mim”. É possível que um dia você “acerte”. Por enquanto, estou tentando desviar da sua mira.