Eu vi o rei andar com focinho abaixado Farejando insetos entre o barro Rodeando de moscas Em um relacionamento duradouro Eu vi o rei em suas três vestes Primeiro, o justíssimo Segundo, o corpo belo do júri Por último, o vi fardado como um carrasco Eu vi o rei beijar partes diferentes De quatro homens nus Vi beijos nos pés e nos lábios O vi esculpir um desejo no peito Eu vi o rei cerrar os dentes Quando indagando de suas andanças Pouco importa, poupem-me Fui falar com meus deuses Eu vi o rei prostrar-se Aos bobos da corte Os carregando nas costas Enquanto bebiam de sua carne fraca Eu presenciei os sussurros gentis Destinados a homens com o filo de duques Os sem nome ou dote que aguardem Verão a sílaba tônica e nociva O rei vive nas sombras Saboreando e dançando Em barganhas ardis Sob o olhar da fada carabina Eu vi o rei na rinha com urubus Batalhando pela carne podre Por um feitio sovina E vi o rei ser exaltado por seus enxovalhos
As Parábolas do Rei, Pierrot Ruivo











