Eu gostaria de saber exatamente o que to sentindo, onde está doendo, mas parece que não é tangível, eu não consigo entender de onde vem e por que. Única coisa que sei é que tá doendo muito, demais. Não é por agora, pela minha última decepção, é por todas as espadas que já me fincaram e me dividiram em várias partes, e cada parte dessas é um “e se?”, é um futuro que poderia ter acontecido e não aconteceu, é uma quebra de expectativa, e isso me angustia e me dá vontade de chorar toda vez que penso sobre. Eu sempre tento ser otimista em todos esses fins, todas essas mortes e renascimentos, e já tentei lidar com essas perdas de várias formas, sempre em dois extremos diferentes. Em um deles eu abracei minha dor e me identifiquei com ela, trouxe ela pra mim como se fosse eu mesma, e tentei ver as coisas de forma mais pessimista, como se o universo tivesse algum tipo de marcação com a minha pessoa, como se eu tivesse nascido pra sofrer, e foi ruim, fiquei desolada e não sentia mais meu corpo vibrar, nada fazia sentido e eu queria só chorar, todos os dias eu chorava por algum motivo diferente, e foi assim algumas vezes, mas em outros fins, tentei ver tudo de forma positiva e ignorei a dor, fingi que ela não existia, que aquele fim não me machucava, que todos os planos que fiz foram por água abaixo e estava tudo bem, mas não estava. E era tudo uma máscara, e em todos esses momentos eu estive ressentida, magoada, rancorosa. Agora eu estou tão desolada, porém mais entediada, por que foram tantas pessoas que passaram pela minha vida que eu achei que fossem ficar pra sempre até eu descobrir que pra sempre não existe, que Marshall e lily estão em How i met your mother, que aquele grupo de amigos tão verdadeiro não existiria facilmente na vida real, que minha vida não iria ser como nos filmes e séries e que comigo não seria diferente, e eu sempre estou tentando viver um filme, e sendo sincera, eu vivi vários filmes e séries, minha vida poderia ir para as telas, mas estou sempre me decepcionando com os finais, uma hora eu estou totalmente pessimista, sabendo que o final não será bom, porém eu acabo me rendendo pelo início novamente, e quando acho que vai terminar que nem os filmes infantis que assistia, com felizes para sempre, vêm um puta PLOT TWIST e eu me decepciono de novo, e aí novamente eu tento lidar com a decepção tentando acreditar que aquilo foi bom, mesmo não sendo como eu esperava, e que não dói, que foi melhor assim. Enfim, passei por muitos fins, muitas transformações, e agora me encontro cansada de tentar viver fora da realidade, talvez eu devesse parar de ficar consumindo televisão e ir pra vida real e tentar encarar ela como ela é, mas é bem difícil viver o presente. Eu nem sei dizer se minha realidade é boa ou ruim, pois com todos os pedaços que caíram de mim eu sinto dor, mas também amadureci, mas do que adianta amadurecer sentindo esse aperto no peito? Eu não sei exatamente que lição tenho que aprender agora, mas talvez esse aperto no peito seja a solidão, a solidão de escrever tudo isso e não ter pra quem mandar, a solidão de ter tudo pra oferecer dentro de si e não conseguir sentir segurança pra dar a alguém novamente, eu não deixo ninguém mais entrar na minha casa porque dói, dói ver que você deixou ela se bagunçar por causa de outra pessoa, ofereceu o que tinha, e agora precisa se despedir. Será que sou muito carente? É que sei lá, eu sinto que eu não tenho mais onde recorrer, pois eu já recorri a tudo que podia, pois a quantidade de decepções me permitiu que eu tentasse muitas coisas pra poder lidar com meus sentimentos, e agora mina única opção é passar por isso sozinha e aproveitar minha companhia, pois eu já não tenho ninguém que me conheça mais do que eu, e que está comigo o quanto eu estou, e eu estou cansada, entediada de ficar entre dois extremos, nesse pêndulo que vai de um lado pro outro, acho que quero estar acima disso.