oito,
você me encara como se buscasse as respostas que precisa. transbordo intensidade e, às vezes, isso se confunde com saber indicar caminhos em direção a felicidade, mas a verdade é que não sei. e é ótimo não saber porque se soubesse não estaríamos na mesma mesa, conversando sobre o que nos fere e cura o peito. enquanto te ouço declamar letras de músicas desconhecidas, tento arranjar um jeito de poetizar suas lágrimas, mas não há metáfora que ligue o doce dos seus olhos e o salgado do teu choro. como alguém pôde te beijar e não desistir de partir quando eu deveria estar em casa, mas seu sorriso me fez ignorar que preciso acordar cedo amanhã? é mais fácil entender a fórmula da hipotenusa do que aceitar que podem ter te perdido por falta de atenção e cuidado. eu te olho como quando encarava os brinquedos favoritos na infância após meus colegas terem os quebrado. pensando num jeito de consertar, mesmo que não há, pois o poder não está nas minhas mãos. nos despedimos e na caminhada até o ponto de ônibus tudo o que lembro é da sua voz dizendo que a poesia restaura e me pergunto quantas precisarei escrever para te sarar. calcula e subtrai uma.
lorena pimenta // @pimentalorena




