Sri Ramana Maharishi
“Alguns devotos não vão lá para conversar ou fazer perguntas; eles ficam mais felizes quando os visitantes não falam e o Maharshi fica sentado, quieto, em samadhi, conduzindo-os. Eles são aqueles que têm trabalhado nas linhas de orientação recomendadas por ele, ou seja, Atma Vichara (perseverando a investigação 'Quem sou eu?').”
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Embora agora pareçamos ser o ego, se olharmos intensamente o suficiente, veremos que na verdade somos só pura consciência.
Uma pergunta que incomoda algumas pessoas quando querem compreender a prática de auto-investigação (ātma-vicāra) é se o 'ser' ou 'eu' que devemos investigar é o ego ou a nossa natureza real (ātma-svarūpa), mas, como tentarei deixar claro neste artigo, investigar o ego é o mesmo que investigar a nossa natureza real, porque o que parece ser ego é apenas a nossa natureza real, assim como o que parece ser uma cobra é apenas uma corda. Somos apenas um ser ou 'eu', não dois seres diferentes ou 'eus', mas quando este 'eu' permanece exatamente como é, sem adjuntos, é pura consciência, que é a nossa natureza real, enquanto quando parece estar combinado com adjuntos, é o que se chama ego.
Portanto, embora agora pareçamos ser ego, se investigarmos a nós mesmos suficientemente a fundo, veremos que na verdade somos apenas pura consciência. Para entender por que é este o caso, precisamos entender claramente que o ego é cit-jaḍa-granthi, um nó (granthi) formado pelo aparente entrelaçamento da consciência pura (cit) com um corpo, que não é consciente (jaḍa), unindo-os como se fossem um, por isso é uma fusão de dois elementos, um dos quais é real, ou seja, pura consciência, e o outro é uma mera aparência, ou seja, o corpo (que neste contexto não significa apenas a forma física, mas todas os cinco invólucros que constituem qualquer corpo que atualmente interpretamos erradamente como sendo nós mesmos, a saber, forma física, vida, mente, intelecto e vontade, que são não-conscientes, sendo apenas fenómenos percebidos por nós como ego). Quando investigamos a nós mesmos, aquilo a que tentamos prestar atenção é apenas ao elemento real nesta mistura, a consciência pura (cit), como Bhagavan explicou numa resposta registada no capítulo final do Evangelho de Maharshi (edição de 2002, página 89):
O ego funciona como o nó [granthi] entre o Ser [ātma-svarūpa], que é a Consciência Pura [cit], e o corpo físico, que é inerte e insentiente [jaḍa]. O ego é, portanto, chamado cit-jaḍa-granthi. Na nossa investigação sobre a fonte de ahaṁ-vṛtti [o pensamento 'eu', que é o ego], consideramos o aspecto essencial [cit] do ego; e por esta razão, a investigação deve levar à realização da pura consciência do Ser.
A fonte da qual nos elevamos como ego (o ahaṁ-vṛtti ou pensamento chamado 'eu') é a nossa natureza real, que é a pura consciência (cit), portanto, para descobrir de onde nascemos como ego, precisamos prestar atenção somente ao aspecto fundamental da consciência do ego, como Bhagavan implica quando ele diz: "Na sua investigação sobre a fonte de ahaṁ-vṛtti, você ocupa-se do aspecto essencial do ego". Quanto mais focamos a nossa atenção neste aspecto essencial, mais tudo o resto retrocede para segundo plano, até que, eventualmente, não estaremos cientes de nada mais a não ser de nós mesmos, que é o estado de pura consciência. Este é, portanto, o meio pelo qual podemos nos separar de todos os nossos adjuntos e, assim, desembaraçar este nó chamado ego.
~ https://happinessofbeing.blogspot.com/2020/02/though-we-now-seem-to-be-ego-if-we-look.html
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